Notas iniciais
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Quando eu estava indo escovar meus dentes, como qualquer um faz depois de acordar, notei que tinha um garfo no lugar que eu guardava a escova de dente. A primeira coisa que pensei foi "Nossa, onde eu estava com a cabeça?", peguei o garfo e pus no seu lugar: na gaveta da cozinha.

Arrumei-me e sai de casa antes das 9. Tenho o tique de apertar e misturar meus lábios quando faço coisas muito rápidas, dá tanta vontade de retocar meu batom, pena que estou no carro... Só rapidinho.

Com a mão no volante e me controlando para manter-me nos 20 km/h enquanto vasculhava minha nécessaire em minha bolsa. Tirei meu batom e rapidinho retoquei usando o espelho do retrovisor.

Assustei-me com um baita duma buzinada do carro atrás de mim, joguei o batom sem tampa-lo e ouvi um som de algo caindo para debaixo do banco, ótimo.

Já no estacionamento da firma eu me abaixei para ver o que tinha caído, pus a mão embaixo do banco de passageiro e senti algo me espetando. Não o bastante para me ferir, mas quando tirei de lá vi um garfo metálico com 4 dentinhos igual o que eu tenho em casa.

Na minha cabeça eu só pensava de qual buraco esses garfos estavam saindo. Peguei o garfo e pus na em minha bolsa, lembrar de chegar em casa e colocar pra lavar.

Trabalho tranquilo, dar olá ao chefe e contar quantas cabeças já haviam chegados. Olhar a cara daquela pessoa que eu estava torcendo para que o patrão chama-se sua atenção já que da minha mesa eu conseguia olhar o monitor dela com a janela de bate-papo aberta. Sem vergonha, vou te falar. Mas ficarei na minha para não ser taxada como X9 da firma.

No meu trabalho não era nem o melhor e nem o pior, o salário suficiente para pagar minhas contas falava por mim de minha opinião.

Minha bolsa aberta deixada ao lado do teclado eu conseguia olhar o prata refletindo a luz da lâmpada, era o garfo que eu havia deixado ali dentro. Pensei que minha vida estava uma loucura, preciso arranjar um paquera para me distrair ou separar um pouco de meu salário para contratar uma empregada para que ela faça o trabalho doméstico por mim. Vou te contar, morar sozinha não é mole não.

Hora do rango, prefiro fazer meu desjejum numa lanchonete próximo, tem dias que eu vario o cardápio, de restaurante ou até um cheeseburguer com bastante molho... Dá vontade de gastar 20 reais de hambúrguer só de tão delicioso que são.

Hoje não, preferi algo mais light, tenho que manter minhas medidinhas certas, isso ajuda a melhorar minha autoestima.

Montei meu prato todo bonitinho no buffet, paguei pelo meio quilo e sentei-me no lugar que considero ideal: num espaço ventilado e iluminado.

Abri a latinha de refrigerante diet e enchi o copo, na hora de pegar os talheres notei que eu havia pegado uma faca e dois garfos. Dois garfos! Eu estou ficando louca eu acho. Louca ou paranóica, não acredito em superstições, mas hoje meu dia só está dando o que falar de garfos.

Repeti meu mantra "Calma, calma... É só coisa da sua cabecinha, não é nada...". Levantei-me e devolvi o outro garfo para a recepcionista.

"Que mico"– pensei.

Almocei e passei rapidinho no toalete, "batom! batom! batom!". Pus minha mão por impulso dentro da bolsa e alfo me espeta.

– Ui!– Era o garfo que estava no meu carro, não feriu minha mão, só machucou, dava para ver os 4 furinhos no meu dedo indicador, mas nada demais.

Peguei meu batom e passei em meus lábios, lisos e cremoso. Adoro esse batom!

Depois do trabalho, c-a-s-a. Casa, casa, casa! Fui dirigindo para ao som do jornal, nada de interessante.

Em meu apartamento, querido, tirei o blazer e pus encima do sofá, sapatos escarpim pretos livre de meus pés, eu pude finalmente descansar.

Abri a geladeira e tirei a jarra d'agua da metade e o compartimento do freezer e tirei alguns bolinhos congelados. Pus no micro-ondas e contei:

06:59

Separei copo, um garfo, colher e prato. Fui à sala e peguei meu notebook para coloca-lo encima da mesa da copa até os minutos do micro-ondas acabarem. Deixei um tempo os bolinhos de carne e queijo ali dentro, não gosto deles muito quentes e me distrair navegando na internet. Só lembrei-me deles quase meia hora depois, os bolinhos já mornos e cheirando a carne processada. Tenho que ser menos desatenta, mas não importa.

O primeiro bolinho recebeu a primeira garfada tendo o queijo derretendo e escorrendo pela carne, pus inteiro na boca. Mesmo passando um tempo sem ser aquecido, o queijo ainda estava quente. Levantei e peguei uma faca, cortei os bolinhos e o queijo escorria esfriando.

Terminando, pus a louça na pia e a faca escorregou caindo no chão soando um som metálico no assoalho.Abaixei e peguei faca, joguei na pia e pareceu até que eu tinha jogado com força, nem foi tanta força assim, até eu me espantei.

Banhei, sequei meu cabelo, pus meu celular para carregar e me preparei para dormir. Fiz meu ritual de sempre: Hidratante nas mãos e pés e manteiga de cacau nos lábios, televisão ligada no time e o controle remoto ao lado de minha mão.

Dormir como uma diva. Até eu sentir algo abaixo de mim, era duro e parecia o controle remoto, mas ao mesmo tempo era fino, seria mesmo o controle?

As luzes estavam apagadas e me remexi na cama e encontrei o que era. Tive que retirar a colcha da cama e ascendi à luz, pasma. Era um garfo.

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Não, não havia outro garfo em minha cama, eu verifiquei tudo, tirei até os lençóis e as fronhas. Deve ser coisa da minha cabeça ou coincidência mesmo, mas foi muito bizarro um garfo esta debaixo de minhas cobertas e justo no lado o qual eu durmo na cama casal. Estranho, tirando isso tive uma noite normal, sem sonho ou pesadelos que envolvam garfos, facas, colheres...

Fui para o meu trabalho como sempre no mesmo horário, e na firma não tinha nenhum homem o qual eu me interessaria para sair ou ficar com algum deles, as mulheres nem tanto. Cada um cuidando do seu próprio focinho, e eu aqui com o meu intrigado com essa história de garfos.

No intervalo do serviço eu contei a minha história para uma colega o qual eu conversava uma vez sim e outra nunca, ela também achou bizarra a história dos garfos e na hora lembrei o que estava na minha bolsa. Procurei-o e não estava mais ali, devo ter deixado na pia de casa mesmo.

O chefe chegou e a conversa acabou, mãos as obras.

Fim do expediente, desliguei meu computador, joguei meu copo com café na lixeira e puxei minha bolsa que me surpreendi com o peso dela fazendo cair no chão.

O que diabos aconteceu com a minha bolsa? Eu só tinha celular, agenda, carteira, chave do carro, documentos, alguns papéis e minha nécessaire nela, mas estava muito pesada parecendo até chumbo!

Caiu no chão e esparramaram todo o conteúdo dela, garfos prateados, todos do mesmo tamanho e iguais o que eu tinha em casa. Foram tantos quanto o barulho que fizeram.

Todos se levantaram para ver o que tinha acontecido. Curiosos, gente que eu nunca havia falado desde que cheguei à empresa perguntavam para mim o por que da quantidade de garfos. E eu lá sei o porquê estavam ai? Afinal, porque esses garfos estavam na minha bolsa? Quem os colocou.

E o escritório da firma virou uma sala de primário, uma garotinha acusando seus coleguinhas de terem feito isso com ela. Que humilhação...

Sumiu tudo de minha bolsa, meu batom que eu já sentia falta, carteira e uma cópia de alguns documentos que estavam nela.

Só estava garfos, garfos e garfos. Estou cheia de garfos! Isso por acaso é uma maldição? Pois mandarei para China quem estiver fazendo essa gracinha pois eu sei muito bem que foi alguém daquele trabalho que fez isso e aproveitou o momento que fui ao banheiro para encher minha bolsa de garfos.

Em casa, já relaxada. Nada vai tirar a vergonha que passei no meu trabalho e o meu chefe perguntando o que havia acontecido. Culpei o primeiro que apareceu pela frente, mas não deu em nada. Ainda bem que a chave de meu carro estava pendurada no chaveiro da bolsa, pelo menos pude voltar mais equilibrada ouvindo o som de uma cantora americana que nem sei o nome. Ao menos isso me relaxou.

Vi o armário com a louça limpa, todos os garfos estavam limpinhos, organizados e guardados com as facas e colheres. Nada de anormal.

Tirei minha roupa, banhei, sequei meu cabelo e fiz meu ritual de sempre antes de dormir. Puxei o lençol e dentei na cama...TODA DURA

Levantei-me na hora e meu coração começava a bater rápido, um frio na boca do estomago. Não era verdade, isso só pode ser macumba, maldição, mal olhado... Eu estou começando a ficar com medo.

Puxei devagarzinho o lençol florido junto com a colcha da cama. Tinha garfos prateado enfileirados por toda cama, um por um. Puxei toda colcha jogando-a no chão, o colchão estava cheio de garfos, os mesmos garfos que apareceram esses dias, e até debaixo do travesseiro.

Isso só podia ser uma brincadeira, de mau gosto! Pensei na hora no meu celular e lembrei que estava na bolsa, já era ele. Eu precisava ligar urgente para polícia, eu estou sendo vitima de uma macumba!

Eu não parava de olhar os garfos em minha cama refletindo a luz da lâmpada um por um...

Andei dois passos para trás e esbarrei em alguma coisa.Impossível, o guarda-roupa não é tão perto assim da cama, era mais para o canto. Virei-me e nem deu tempo de olhar o que era, só para ter a sensação de ter 4 furinhos deslizando para dentro de um bolinho e o molho escorrendo.

. . .

Notas finais
Se um bolinho de carne tem formato de bolinha, o que será que teve esses 4 furinhos? Entenderam? :D Um review e eu falo o que aconteceu depois.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!