Missão Tóquio.
3 Capítulo 2
ANKO MITARASHI
Foi uma grande surpresa quando recebi as ordens de formar uma pequena equipe para colaborar e vigiar uma missão de nível S da ACII. Não tinha como aquilo acontecer em circunstâncias normais, eles nunca deixavam que outras organizações se aproximassem e se quer compartilhasse informações.
No dia seguinte eu e todos os meus convocados esperávamos os agentes especiais em frente a uma oficina mecânica abandonada, só de respirar aquele ar ao redor de coisas enferrujadas tinha a possibilidade de pegar tétano. Estava pronta para reportar ao diretor Yamato que fomos todos enganados quando um velho vestindo terno e gravata surgiu em passos preguiçosos. Aparentemente ele não era um vovô caquético, mas tinha longos cabelos brancos e um olhar pervertido sobre meus seios.
— Delegada Anko, certo? — perguntou — Eu sou o diretor da ACII, Jiraya.
— Então, — comecei ríspida — vocês se reúnem aqui?
— ah, queiram nos desculpa.
Suas desculpas soaram mais como deboche.
Jiraya pediu para que nós o seguíssemos, ele abriu um portão da oficina nos trancando todos juntos lá dentro. Não havia nada anormal, apenas sucatas e carcaças de carros espalhados por toda parte. Ele continuou nos guiando até a extremidade do lugar, abriu a porta de um carro todo amassado e com vidros quebrados, puxou o banco traseiro para o lado revelando uma escada escondida no chão levando para um subsolo.
— Somos cuidadosos, você sabe! — olhei para ele com certa desconfiança — não podíamos simplesmente levá-los a base principal, então a partir de agora, estaremos nos reunindo nesta base de emergência.
Claro que eles fariam algo assim, e talvez depois de tudo terminar, colocariam um fim aquela bat-caverna sem deixar qualquer prova de terem estado por ali.
SHIKAMARU NARA
A base de emergência realmente era para casos que não precisassem de muito luxo, apenas um grande salão para uma mesa de reuniões, um banheiro e um escritório. Todos haviam chegado exceto Jiraya que traria os federais até nós.
A noite passada, por mais que tentei não consegui ficar quieto, com a lista dos recrutas da Policia em mãos fui até a base principal e tomei horas traçando os perfis de cada um e investigando suas fichas a fundo, comecei a encaixá-los nos meus planos de uma maneira que não nos atrapalhasse e nos favorecesse.
Jiraya abriu a porta e adentrou a sala, sendo seguindo por cinco policiais devidamente fardados.
ANKO MITARASHI
Ao chegarmos uma mesa comprida com cinco agentes nos esperava, mas o que me chamou logo a atenção foi terem uma garota naquela equipe. Então os boatos não coincidiam com os fatos, quantos outros boatos seriam falsos também? Pensei.
Um a um eles se apresentaram, mas continuavam com os olhares receosos sobre nós, os intrusos.
— Sou a Delegada Anko, da Policia Federal, esta é minha equipe cuidadosamente escolhida por mim. Espero não decepcioná-los.
Sentaram todos juntos aos agentes na mesa, exceto Jiraya que logo passara a vez a um jovem com olheiras e ar tedioso. Shikamaru liderava a frente da sala, onde todos os olhares eram apreensivos.
Sem hesitar se quer uma vez, o plano foi passado para nós. Ele deveria ter levado em conta todas as possibilidades para falar com tanta segurança,
— Enfim, irei incluir os novos parceiros nesta missão baseado em um perfil que tracei de cada um. — ele alinhou alguns papeis sobre a mesa — Neji, do departamento de investigação ficará com Sakura enquanto esta se passa por uma professora em treinamento na universidade Konoha, Shino atuará como sócio de Sai nas negociações com Madara, enquanto Naruto se prepara para o teste terá que seguir sozinho, os outros irão para campo de investigação junto a Kakashi. Estes últimos poderão formar grupos ou duplas em lugares diferentes para reunir informações.
Ninguém questionou o garoto, pareciam ter muita experiência com suas estratégias.
— E o mais importante: Essas informações não devem ser comentadas com pessoas não presentes aqui hoje, exceto o diretor da Policia Federal, Yamato e o Presidente da ACII, Hashirama.
Shikamaru disse isso com muita certeza, como se estivesse desconfiando de alguém em especifico, mas no final de contas era assim que a central de investigação agia durante qualquer missão.
SAKURA HARUNO
Procurei o despertador entre tatos de olhos ainda fechados, o quarto não estava claro o que me fez pensar que ainda era noite. Naruto resmungou ao meu lado, foi então que percebi que não estava no meu quarto e sim no quarto do apartamento ao lado, mais especificamente no quarto do agente Uzumaki.
Treinávamos na central desde crianças e consequentemente crescemos juntos como quase toda a nossa equipe, a única diferença era o nosso relacionamento confuso. Começou quando ainda éramos adolescentes, ele sempre cuidava de mim mais do que dos outros agentes, mas tantas missões e preocupações, não tivemos tempo para rotular o que tínhamos.
Olhei para ele sobre os ombros enquanto vestia minha camiseta, seus cabelos espertados estavam bagunçados e até dormindo ele sorria, Naruto deveria sair da ACII e levar uma vida normal, ele merecia isso mais do que qualquer um da central. Talvez por pensar assim eu não me permitia um rotulo para nós. Eu não conhecia e não queria conhecer outro mundo além dos crimes que investigava, depois de tantos casos, ver tantas pessoas capazes de causar muito por egoísmo, eu não tinha perspectivas, mas Naruto ainda enxergava esperanças, eu não podia deixá-lo se prender a mim, uma garota que vai pra cama com ele a noite e sai da sua casa de manhã sem se importar em dar sua vida em uma missão.
Passei os dedos entre seus fios loiros e o ouvi resmungar meu nome, em poucos dias ele iria se infiltrar na Sussano’s e ainda assim conseguia dormir tão tranquilamente.
— lá vamos nós de novo, nos metendo em uma nova missão hum?! — sussurrei antes de sair.
* * *
Em frente ao "ferro velho" exalando tétano em pleno verão estava o Policial que me ajudaria na primeira parte da aproximação, Neji Hyuuga, um dos melhores do departamento de investigação da federal e também um cara bem interessante.
Ele estava encostado em uma caminhonete azul rodando suas chaves entre os dedos, distraído. Neji tinha cabelos lisos caídos sobre os ombros e era difícil interpretar suas expressões.
— Desculpe o atraso — chamei sua atenção me aproximando.
— tudo bem... Vamos juntos até a universidade. — ele abriu a porta do passageiro para mim — trocaremos informações enquanto isso.
— tudo bem, mas — o olhei advertindo antes de fechar a porta — não é porque sou a única garota na central que sou a mais fraca. Lembre-se disso Policial Hyuuga.
Perder tempo com cavalheirismo ou machismo não ajudaria em nada, todos deveriam ser tratados igualmente entre nós, nenhum poderia ter preferência e privilégios, queria deixar essa parte bem clara antes de começarmos a aproximação com o Uchiha herdeiro.
Enquanto ele dirigia para o centro da cidade repassávamos o plano, Neji iria se passar por um novo professor de ética e eu por uma professora em treinamento assistindo as suas aulas. Não teria como não nos encontrarmos com o jovem Uchiha, ética era a única matéria que todas as classes de direito assistiam juntas, não corríamos o perigo de perdê-lo por troca de horários ou professor.
Desci do carro antes de chegarmos à universidade Konoha, poderia haver alguém observando de perto os passos do pessoal da Sussano’s e ser vista com Neji não me ajudaria em nada.
Eu nunca havia feito uma faculdade, mas desde que comecei meu treinamento o presidente Hashirama disponibilizou professores de diversas áreas para nos ensinar sobre quase tudo, informações e conhecimento era a base para nossas missões.
Ao entrar em Konoha tive um sentimento mesquinho de querer uma vida normal e estudar ali, havia campo com grama bem aparada ao redor dos conjuntos de prédios, quatro ao total, todos de cinco andares, estudantes circulavam em pequenos grupos conversando descontraídos, será que eu me encaixaria com eles?!
Acordei desse sonho ao perceber meu alvo caminhando em direção ao primeiro prédio. Ele usava jeans e camiseta, não parecia ser um cara podre de rico se ele não tivesse acabado de sair de um Bugatti Veyron preto.
Me apressei para chegar até ele, não usava terno e gravata como no ACII, estava com um vestido florido até o joelho, queria passar a imagem passiva ao encontrá-lo. Algo que aprendi durantes tantas missões foi que as pessoas de grande ego esperam ansiosos para encontrar pequenas presas para servir de degrau, a inocência de alguém afagava seu enorme ego, e era isso o que eu queria que ele pensasse.
— Com- com licença — gaguejei ao chamar sua atenção.
Ele me olhou sem nenhum interesse e passou a mão em seus cabelos negros pacientemente.
— Eu estou concluindo meu curso em ética para docente e vou passar algum tempo observando as aulas nesta faculdade, você... Err... — continuei a atuar de modo tímido — poderia me dizer onde fica a sala?
O rapaz respirou pensativo, ergueu o braço até o elevador aprontando para ele.
— terceiro andar, sala 68.
Sua voz rouca trazia um sentimento de mistério, o pior mistério, aquele que eu iria até o final para conhecer.
— O-Obrigada.
Marchei até o elevador e enquanto a porta se fechava pude vê-lo parado no mesmo lugar me observando sem desviar o olhar.
Sasuke Uchiha para qualquer pessoa não treinada passaria longe da lista dos suspeitos, ele fazia o estilo playboy que só esta estudando para cobrir as más noticias nos sites de fofocas sobre bilionários, mas enquanto tive seus olhos sobre mim percebi que atrás dessa imagem estava alguém que não se entregaria facilmente, não iria dar nenhum passo sem ter certeza.
— A aula começa em 30 minutos, este é o último período — Neji me avisara assim que eu passei pela porta.
— Já tem alguma coisa?
— Isso é tudo. — Ele retirou uma folha de sua pasta e me entregou.
Era uma ficha escolar, surpreendentemente desde o primário o garoto era um completo nerd descolado, cursava a universidade há um ano e nada suspeito alem de ser um ótimo aluno.
A sala era um pequeno auditório, nas mesas e cadeiras estavam organizadas em 11 andares como uma arquibancada coberta por carpete cinzento, na frente apenas a mesa de neji e a lousa tomando toda a parede. Alguns alunos chegavam aos poucos, cumprimentaram o novo professor e não preciso dizer sobre os risinhos das garotas para ele. Sentei-me no segundo degrau de mesas ainda observando a folha em mãos, ele realmente passava longe dos suspeitos, era só mais um nerd riquinho, mas mesmo como herdeiro da Sussano’s ainda era demasiado ter um carro tão caro.
Finalmente o garoto bilionário chegara. Jogou um olhar intrigante para mim, um minúsculo sorriso de deboche surgiu em seus lábios enquanto ele se dirigia para os últimos lugares onde não estava a meu alcance. Senti um formigamento, sabia que estavam sendo observada, Sasuke deveria ter seus dois olhos cravados em minha nuca monitorando de longe.
SASUKE UCHIHA
Não é sempre que uma garota de cabelos róseos e olhos esmeralda surge pedindo informações, mas algo naquela garota me deixava em alerta. Ela parecia normal e inocente, dessas que você leva para o cinema e assiste um filme de comédia romântica, mas ao mesmo tempo, ela iria te esfaquear na sala escura.
Perdi os primeiros períodos de aula enquanto cuidava da volta do meu irmão dos EUA, não tinha a menor intenção de ficar para a aula de ética para conhecer o novo professor, mas aquela garota me incomodara ao ponto de me fazer ficar.
Entrei na sala e ela estava nas primeiras mesas do auditório, aquele olhar misterioso que não se encaixava com a sua imagem doce. Isso quase me fez rir. Fui até as últimas mesas e continuei a observá-la de longe.
O novo professor se apresentava, aparentemente um gênio que possuía a mesma idade de quase todos ali, em seguida apresentou a garota que apenas observaria as aulas por alguns dias, Sakura Chase.
“Procure a ficha dessa pessoa.” Enviei para um de meus subordinados, Suigetsu.
Não tinha o menor interesse em sair com ela, ao contrário, ela não passava perto das garotas que eu saia. Cabelos curtos e coloridos, vestido florido e futura professora de ética, estava fora dos meus padrões, mas naqueles olhos verdes estava alguém perigoso e determinado, não queria ser a presa dela se estivesse certo.
“Totalmente limpo.” a mensagem chegou junto a um anexo de sua ficha.
Segundo os registros, ela era só mais uma na Konoha, ainda assim não me sentia confortável.
SAKURA HARUNO
A aula acabou.
Continuei em meu lugar enquanto os alunos saiam, Sasuke demorou a sair, mas se quer olhou para trás quando passou pela porta.
Fui até Neji enquanto a sala ainda havia poucas pessoas na sala.
— Vou fazer um levantamento a fundo por aqui, me encontre em uma hora no estacionamento do banco a quatro quadras.
Não protestei, enquanto as alunas se aproximavam recolhi minha mochila e fui para o corredor das salas.
—Srtª Chase? — novamente senti meu corpo formigar ao ouvir aquela voz.
Olhei para o lado e Sasuke esperava encostado na parede. Ele sorriu de canto, parecia estar lembrando de uma piada.
—Não me apresentei antes, sou Sasuke Uchiha.
“Eu sei!” pensei.
Ele esticou o braço me entregando uma lata de suco.
— Obrigada. — aceitei a pequena lata — pode me chamar apenas de Sakura.
Foi a primeira vez que o investigado veio até o investigador. Ele se ofereceu para me mostrar Konoha, mesmo que eu não fosse uma aluna. Apesar de ter se voluntariado eu não baixei minha guarda, Sasuke continuava a perguntar coisas sobre mim e sem responder sobre ele, me encarava com seus olhos negros como se quisesse fazer uma hipnose, eram poucos os suspeitos que me deixavam desconfortável como ele me deixou.
— aquele é o prédio dos laboratórios — ele disse enquanto caminhávamos até o estacionamento — infelizmente, só autorizados entram.
— você parece conhecer aqui melhor do que os veteranos.
— digamos que eu tenho essa mania de saber sobre tudo que estou interessado.
Sasuke me olhou pelo canto dos olhos e deu uma pequena risada.
Caminhávamos em direção ao estacionamento enquanto conversávamos, duas pessoas fingindo ser o que não eram, em uma missão de reconhecimento nunca se tem certeza sobre quem é o psicopata e onde a inocente caminhada e risinhos iriam parar.
Há poucos metros, encostado em seu Bugatti Veyron estava um homem de cabelos negros abaixo dos ombros e olhos igualmente negros, ele nos fuzilava com os olhos enquanto nos aproximávamos.
— Itachi! — Sasuke exclamou ao vê-lo — O que esta fazendo aqui? Já terminei a papelada para sua entrada.
Ouvia a conversa sem entender.
— Madara marcou uma reunião — falou rispidamente para Sasuke, me ignorando.
— Tudo bem, então vamos juntos.
O homem me deu uma última olhada e entrou no carro.
— Tenho uma reunião agora, — ele fez uma careta divertida, como se já fossemos colegas ou algo do tipo. — te vejo amanhã?
Confirmei. No momento a única coisa que ele podia pensar era naquele homem que o esperava no carro, Itachi e Madara não eram nomes da lista para o primeiro movimento nesse jogo e ali estavam peças aleatórias do meio da figura do quebra cabeça.
* * *
— Eu tenho dois nomes! — anunciei orgulhosa ao entrar na caminhonete.
— Eu tenho algo sobre um dos nomes! — Neji me entregava uma pasta com o nome Itachi Uchiha contendo suas informações.
Aparentemente, acabara de se matricular em Konoha, passara alguns anos no EUA trabalhando com uma empresa de exportação que faliu antes dele voltar para o Japão.
Olhei para Neji, ele sorria satisfeito e tamborilava no volante.
— Ei, — chamei sua atenção — nem pense em perguntar "quem é melhor agora?”.
— Não, — ele ligou o carro — é só, competência? — ironizou com um sorriso nos lábios.
Eu sabia que Neji apenas continuava com a Policia Federal por comodismo, sua família era conhecida por ser ótimos investigadores e servir a diversos paises, mas ele e sua prima continuavam na Federal. Hinata Hyuuga era a que menos fazia sentido, pois saiu da investigação para relações internacionais sem motivos aparentes.
— também consegui isso.
Mostrei o número do Uchiha no meu celular.
— Talvez Lee possa fazer algo com esse número.
SASUKE UCHIHA
—ah, finalmente vocês chegaram — meu tio reclamava enquanto eu e Itachi adentramos sua sala.
O escritório, assim como todas as salas da empresa, era inteiramente de tons de vinho e moveis de madeira, o símbolo da família Uchiha pendia na parede atrás de sua cadeira, um leque metade branco e metade vermelho, na estante de livros as fotos de nossos antepassados nos observavam e entre eles meu pai, o antigo dono da Sussano’s, quando essa ainda era uma empresa menor e pouco conhecida.
Madara afrouxou sua gravata, entregou os relatórios para cada um de nós e disse enquanto líamos.
— Ai esta todos os clientes para esta semana, são poucos, pois existem alguns curiosos de farda rondando a Sussano’s.
— Policiais? — Itachi perguntou
— federais, mais estou em contato com um de nossos informantes — ele sentou em sua cadeira e descansou os pés sobre a mesa — parece que existe mais alguém ajudando eles.
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