Missão A Dois
9 Capítulo 8 – Festa
Notas iniciais
Vim rapidinho aqui postar o capítulo pra vocês porque jajá vou sair pra almoçar com a família. Boa Pascoa a todos ;)
Espero que gostem do capítulo ^^
Estavam todos tão entretidos e animados na tal festa que nem notaram a nossa chegada. Ficamos alguns segundos parados na entrada da arena apenas olhando enquanto semideuses, sátiros e centauros iam de lá para cá. Alguns levavam pipoca e algodão doce nas mãos. Outros apenas conversavam a riam alto. Definitivamente estavam se divertindo muito. Não notariam nem se todo o resto do acampamento pegasse fogo. Havia uma quantidade muito grande de desconhecidos, certamente semideuses recém-chegados. Eles deviam estar com sérios problemas de lotação nos chalés, mas algo me dizia que não deviam estar muito preocupados com isso. Muito pelo contrário. Peguei a mão de Percy e o puxei rumo a grande concentração de pessoas. Passamos completamente despercebidos. Éramos apenas mais dois convidados da tal festa, ou melhor dizendo: penetras. Mas não era possível que continuássemos incógnitos por muito mais tempo. Logo encontraríamos alguém conhecido.
Os centauros eram os que ficavam em maior evidência no meio da multidão. Então me concentrei em procurar Quíron. Se eu não o encontrasse, não encontraria mais ninguém. Passamos por uma fileira de barracas que distribuíam pizza e cachorro-quente do lado direito e refrigerantes do lado esquerdo. Mais ao fundo uma grande quantidade de meios-sangues dançava a cantava ao som de uma banda que tocava. Não consegui identificar a música, mas era algo eletrônico e bem animado. Meus olhos seguiram um centauro que passou correndo a nossa frente e foi até o lado esquerdo próximo as arquibancadas. Meus instintos estavam certos, lá estava ele. Quíron, com uma camiseta dos “Pôneis de Festa”, cercado por diversos outros centauros com camisetas similares. Ele empunhava seu arco e flecha e apontava para uma “pinhata” em formato de centauro que estava pendurada a alguns metros de distância. Ele lançou a flecha acertando em cheio objeto que estourou soltando uma nuvem de confetes e doces que se esparramou no chão. Todos a sua volta aplaudiram e gritaram efusivamente, enquanto os semideuses pegavam do chão as balas e pirulitos que haviam caído.
- Ali está ele – eu disse para Percy apontando na direção do Quíron – Vamos lá, preciso saber o que diabos está acontecendo aqui!
- Desconfio que seja uma grande festa – zombou Percy enquanto vinha atrás de mim, ele riu e me apertou em seus braços.
- Isso eu sei, seu bobo – respondi mau humorada – Só quero saber o motivo para tanta comemoração. E também porque eles nos deixaram de fora. É bom que Quíron tenha uma ótima explicação para isso.
Percy franziu a testa e pareceu dar-se conta apenas agora do que eu disse. Aparentemente, se não tivéssemos chegado ao acampamento de surpresa, teríamos perdido a festa. Qual era o problema deles afinal? Só porque estávamos morando em Manhattan e já não frequentávamos o acampamento no verão não queria dizer que devíamos ser excluídos assim. Eu estava realmente magoado e até ofendida por não termos sido nem avisados. Caminhei a passos firmes em direção ao centauro com Percy em meus calcanhares. Quando me avistou Quíron não pode esconder sua expressão de surpresa. Mas ao contrário do que eu esperava, ele não parecia nenhum pouco constrangido. Não vi nenhum vestígio de culpa em seu rosto. Ao contrário, ele parecia bem feliz com a nossa chegada repentina, até começou a acenar enquanto nos aproximávamos.
- Percy, Annabeth! – exclamou a criatura milenária – Que bom vê-los por aqui! Bem vindos ao “Dia Anual dos Centauros”!
- “Dia Anual dos Centauros”? – eu e Percy dissemos ao mesmo tempo, com o mesmo tom de voz completamente confuso, e com a mesma expressão facial de estranheza.
- Claro que vocês não fazem ideia do que eu estou falando – Quíron se apressou em explicar – Até porque eu mesmo acabo de criar essa data comemorativa! Não sei porque não havia pensado nisso antes. Somos uma das criaturas mais antigas da história da humanidade! Com certeza merecemos um dia especial, não acham?!
- Com certeza! – respondi ainda com os olhos arregalados. Tentei não deixar transparecer muito que aquilo tudo para mim parecia uma grande bobagem – Mas assim, só por curiosidade, ninguém pensou em nos chamar para a comemoração? Não sei se sabem, mas nós adoramos festas também principalmente aquelas onde há vários de nossos amigos! – caprichei no sarcasmo para deixar claro o meu descontentamento.
- Mas é claro que pensamos em chamar vocês! Todos os semideuses foram convidados. Até mesmo aqueles que já não veem ao acampamento há muito tempo. Não me digam que não receberam o convite? Mandamos todos pelo correio! Travis e Connor ficaram responsáveis por isso.
- Não, não recebemos – informou Percy que parecia bem mais tranquilo com o assunto do que eu – Provavelmente deve ter havido algum problema com o envio...
- Acho pouco provável de isso ter acontecido – disse Quíron coçando a cabeça e mirando chão. Ele parecia realmente intrigado com o fato de não termos recebido o convite – Bom, mas vocês estão aqui, afinal! Então de alguma forma ficaram sabendo da festa, certo?
- É... bom, sobre isso — Percy disse completamente sem graça! Agora era a nossa vez de dar algumas explicações – Viemos até aqui por um motivo completamente diferente.
- Conheço essas caras! O que aprontaram dessa vez? – perguntou Quíron cruzando os braços e fechando a cara. Logo em seguida ele deu risada e parou com o fingimento. Ele parecia estar de muito bom humor mesmo, para nossa sorte.
Pedimos que ele nos acompanhasse até a praia. No caminho Percy foi lhe contando toda a história, desde quando sugeriu ficar responsável pela segurança de Bessie levando-a ao Aquário de Nova York, até a minha brilhante ideia de trazê-la para cá. Quíron não pareceu se zangar em momento algum. Ele concordava comigo que não era nenhum pouco seguro deixa-la tão exposta. E para o nosso alívio ele aceitou numa boa que o ofiotauro ficasse no acampamento. Chegamos a praia e andamos pela areia em direção ao mar. Alguns metros a frente Tyson já nos esperava . Bessie e os cavalos marinhos deviam estar próximos dali, em algum ponto fundo o suficiente dentro da água salgada. Ao nos avistar o ciclope começou a pular e acenar da forma exagerada que costumava fazer. Percy recebeu o abraço do meio-irmão que o levantou e o rodou no ar algumas vezes antes de soltá-lo de volta ao chão. Por sorte eu recebi um abraço um pouco menos violento. Tyson havia aprendido a lidar melhor com garotas depois que Ella entrara em sua vida.
Quíron o orientou que guiasse Bessie até o rio que vinha até a floresta do acampamento. Lá as ninfas iriam tratar de encontrar um local seguro e agradável para a criatura. Voltamos à arena minutos depois e Quíron fez questão de nos mostrar cada detalhe da comemoração do “Dia Anual dos Centauros”. As pinhatas tinham sido ideia dos filhos de Ares, que se divertiam muito ao tentar acertá-las com tacos de baseball. A decoração havia sido criada e produzida pelo chalé de Afrodite. Mas os centauros haviam feito algumas exigências para que elas não deixassem tudo muito feminino, obviamente. Cada um dos outros chalés haviam cuidado de uma parte. Alguns serviam comes e bebes em barracas, como em uma feira. Outros haviam se ocupado da parte da diversão. Havia uma imensa cama elástica onde os semideuses faziam fila para pular. No lado oposto uma tenda havia sido montada e segundo o letreiro lá dentro havia um touro mecânico, quem conseguisse se manter em cima dele por mais de oito segundos ganharia um prêmio especial.
Percy e eu ficamos um pouco intimidados a princípio. Mesmo que aquele lugar fosse extremamente familiar para nós, ele estava completamente diferente do que costumava ser. Mas logo encontramos o pessoal das antigas e pudemos nos enturmar. Clarisse e Chris foram os primeiros a nos receber. Ambos estavam com um algodão doce nas mãos e usavam colares que diziam “Centauros Arrebentam!”. Eles nos encheram de perguntas sobre como estávamos levando a vida longe dali. Tentamos resumir tudo em algumas palavras, mas eles eram insistentes com os detalhes. Dava para perceber que não viam a hora de poder fazer o mesmo. Eles nos levaram até um grupo de pessoas que se reunia em volta de uma grande mesa redonda. Lá estavam Grover, Butch, Drew, Travis e Connor. Cumprimentamos a todos e depois Chris nos apresentou para alguns dos novos que não conhecíamos ainda. Uma filha de Afrodite chamada Emily. Um filho de Ares chamado Yago. E minha nova meia-irmã que se chamava Melissa, ela tinha apenas doze anos de idade e era um amor de menina.
- Achei que vocês não vinham mais – disse Travis em meio a conversa – Nem coloquei o endereço no envelope junto com o convite porque achei que não precisasse. Mas pelo visto já devem ter se esquecido de como se chega aqui!
- Do que você está falando, Stoll? – perguntou Percy de forma descontraída – Nós não recebemos convite nenhum. Se estamos aqui foi por pura coincidência!
- Tá brincando!? – respondeu o filho e Hermes visivelmente espantado – Não é possível, todos os convites foram enviados! O de vocês eu mesmo iria entregar, mas Dean disse que iria passar por Manhattan antes de ir para a casa dos pais em Los Angeles então ficou de entregar para vocês.
- Pois não entregou – foi minha vez de entrar na conversa, já que Percy começava a ficar vermelho apenas com a menção do nome de Dean – Deve ter acontecido algum problema com ele. Por quanto tempo ele irá ficar em L.A.?
- Não sei, ele não disse. Aliás, essa viagem dele foi coisa de última hora. Ele estava envolvido com o planejamento da festa quando de repente disse que tinha que partir, que não podia mais participar. Foi meio estranho.
- Bom, o que sabemos é que o desgraçado não nos entregou convite nenhum – Percy disse irritado – Tenho certeza que fez de propósito!
- Pare com isso, Percy – o repreendi no mesmo instante – É claro que o Dean não fez nada de propósito. Deve haver uma explicação muito boa para ele não ter podido nos entregar os convites. E de qualquer forma estamos aqui, não é mesmo?!
Tentei conter os ânimos para que não começássemos uma briga. Percy não retrucou mais, porém ficou de cara fechada para mim o resto do dia. Ele odiava quando eu defendia o Dean. Jamais fora com a cara do semideus, desde que nos reencontramos no acampamento Júpiter anos atrás e eu lhe contei que Dean havia me beijado. Mesmo que ficasse evidente que entre nós só existia amizade, Percy sempre teve um pé atrás com ele. E não havia nada que eu dissesse que mudaria isso. Ele dizia que era uma espécie de instinto, mas eu tinha quase certeza de que era apenas um ciúme bobo. O que não seria nenhum pouco estranho vindo do filho de Poseidon. Ele tinha ciúmes até da própria sombra. De qualquer forma eu também havia ficado um pouco intrigada com a história do Dean. Não que eu desconfiasse dele, mas estava preocupada e queria saber o que tinha acontecido. Mais tarde iria tentar falar com os outros membros de chalé de Deméter.
Por sorte eu não tive que ficar aturando muito o mau humor de Percy durante as horas seguintes. Nossos amigos resolveram nos fazer aproveitar cada segundo e cada centímetro da grande festa que havia sido organizada ali na arena. Segundo eles, aquilo não tinha precedentes na história. Era oficialmente a primeira vez que todo o acampamento parava para uma comemoração fora do cronograma. Inevitavelmente eu acabei sendo levada pelas garotas enquanto Percy ficou com os garotos. Entramos na fila da cama elástica enquanto eles foram direto para a tenda do touro mecânico. Me senti como uma criança de cinco anos de idade de novo ao pular e dar cambalhotas encima daquele tecido esticado. Voltamos a nos juntar com os garotos na área das pinhatas. Eles me vendaram os olhos e me fizeram das várias voltas ao redor de mim mesma. Depois eles esperavam que eu conseguisse encontrar e acertar a tal da pinhata com o taco. Enquanto eu avançava ainda meio zonza, ouvia vozes femininas tentando me guiar para o lado certo e vozes masculinas tentando atrapalhar tudo.
Depois de levar uma chuva de confetes na cabeça, fui levada para uma das barracas de cachorro quente. Só então eu percebi que estava faminta. Fui a quase todas as barracas que estavam servindo salgados, doces e bebidas. Achei estranho quando provei um ponche e senti falta de alguma coisa. Provavelmente era o álcool, será que eu já tinha ficado mal acostumada? Mas mesmo assim tudo estava maravilhoso. Eu diria até mesmo que estava “dos deuses”. Ou então era apenas a minha fome que deixou tudo melhor. No fim do dia eu estava exausta! Havia me divertido e rido bastante durante toda a tarde. Nem parecia que eu não via aquele pessoal há tanto tempo. Era como se nunca tivéssemos deixado o acampamento. Mas infelizmente, quando algumas pessoas começaram a ir embora, eu caí em mim. Uma hora teríamos a voltar para casa, e seria logo.
Não mencionei o fato, esperei que Percy o fizesse, mas ele também não falou nada sobre irmos embora. Deixamos a conversa rolar até mais tarde. Estávamos todos reunidos em volta de uma fogueira que improvisaram na floresta, para manter a tradição das noites no acampamento. Grande parte da multidão que estava na festa já havia ido embora. Agora restavam apenas aqueles que moravam no acampamento, e outros que provavelmente passariam a noite ali. Nosso grupo estava reunido em um circulo pequeno e estávamos relembrando alguns dos momentos memoráveis de cada um no acampamento e durante nossas missões. Ninguém foi poupado, e no fim das contas acabamos concordando que todos tinham seus bons e mais momentos. Só me dei conta do passar das horas quando percebi que estava começando a escurecer. Se ficasse muito tarde seria perigoso para Percy e eu voltarmos para Manhattan. Acabei dando o braço a torcer e toquei no assunto.
- Amor, acho que já está ficando tarde. Não é melhor irmos embora? – falei em voz baixa para que apenas Percy escutasse.
- Ir embora? Sério? – respondeu ele visivelmente desanimado – Mas está tão bom aqui. Vamos ficar mais um pouco, vai? – ele fez cada de pidão e segurou meu queixo enquanto me olhava nos olhos, já sem nenhum vestígio de mal humor.
- Mas já está anoitecendo – tentei argumentar – E quanto mais escuro ficar, pior será para voltarmos para casa.
- Quem disse que vocês tem que voltar para casa hoje? – perguntou Clarisse se metendo na conversa. Ela nem se deu ao trabalho de fingir que não estava ouvindo – Podem muito bem passar a noite aqui e voltar só amanha de manhã.
- Não sei não – disse eu me virando para ela – Nem avisamos a Quíron e...
- Podem parar de frescura! – ela me interrompeu antes que eu terminasse – Vocês são de casa, claro que não precisam pedir nem avisar a ninguém se quiserem ficar!
- Tem razão Clarisse! – exclamou Percy. Eu o olhei com o cenho franzido. Ele havia mesmo acabado de concordar com Clarisse? Quem diria, mais um fato sem precedentes na história! – Vamos ficar! Espero que o chalé de Poseidon ainda esteja vago.
Todos riram, menos eu. Primeiro porque ele nem ao menos havia me perguntado se eu queria mesmo ficar ali. Depois porque eu realmente não estava 100% segura de que nós podíamos passar a noite ali sem nenhum problema. Ainda mais ficarmos os dois sozinhos no chalé. Na época em que frequentávamos o acampamento isso era terminantemente proibido! Tudo bem que havíamos burlado essa regra uma vez, mas ainda assim era uma regra. Só porque já não éramos mais semideuses em treinamento, isso não queria dizer que estávamos acima das normas. Entretanto, eu não discuti a respeito. Sabia que Percy iria insistir na ideia e que todos os outros também iriam me encher o saco até que eu cedesse. Resolvi poupar o esforço de ambas as partes.
Seguimos sentados próximos a fogueira até bem depois do anoitecer. Vimos vários grupos de semideuses tomarem o caminho dos chalés e me perguntei se não estava na hora de nos recolhermos também. Mas nenhum deles pareceu se preocupar com o horário. Talvez as coisas tivessem realmente mudado por ali. Depois de ver Quíron todo empolgado hoje em seu “Dia Anual dos Centauros”, eu não iria estranhar se ele tivesse mudado alguns termos no regulamento. Quando enfim eles decidiram ir dormir já devia ter passado da meia noite. Percy e eu havíamos madrugado naquela manhã, por isso eu estava morrendo de sono. Mas eu sabia que não ia poder dormir tão cedo. Certamente quando chegássemos ao chalé de Poseidon Percy iria querer relembrar os velhos tempos. E em matéria de me fazer perder o sono ele era nota dez!
Notas finais
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beijos ;*
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