Missing
6 Perdão
Notas iniciais
Assim que os magos conseguiram fazer com que o homem revelasse a localização do esconderijo do seu grupo, eles avançaram pela floresta para contornar o morro. Segundo o que lhes fora dito, Juvia estava no porão de um antigo templo abandonado que ficava a uns quarenta minutos de caminhada dali. Àquela altura do dia, o céu já tomava o tom alaranjado do entardecer. Eles se embrenharam por entre as árvores tentando ao máximo manter um ritmo equilibrado. Gray parecia irritado, matando os mosquitos que chegavam perto para pica-lo. Lucy tentava evitar as folhas que insistiam em se prender ao seu cabelo, enquanto Natsu ia à frente com Happy, contendo seu impulso de sair correndo. Erza diminuiu o passo e tocou o ombro de Gray para que ele fizesse o mesmo. Ficaram um pouco para trás dos outros três.
– Você precisa se acalmar, Gray. – A Titania aconselhou, sem tirar os olhos do caminho que seguiam.
– Estou calmo. – Gray resmungou.
Erza olhou para ele de forma reprovadora, depois voltou-se para frente e continuou a falar, ignorando a declaração.
– Não adiante sentir-se culpado. Não havia como saber que isso iria acontecer. Além disso...
– Ela vai ficar bem, eu sei. – Gray disse, afastando outro mosquito que pousara no seu braço. – A Juvia é forte, isso não é nada pra ela. – Silêncio. Suspiro. – Só... Espero que ela perceba que merece coisa melhor.
Erza sorriu, apesar de ter ficado surpresa por ele revelar tanto do que estava sentindo. Gray costumava ser tão distante.
– Não é assim que funciona. – Ela comentou, distraída. Seus olhos pareciam revelar que entendia bem tal sentimento.
– Então como é? – O Fullbuster retrucou, já soando irritado.
A ruiva ia responder, mas olhando-o viu que ele já tinha se fechado novamente. Deixou a pergunta pairando no ar entre eles.
Quando os brilhos das primeiras estrelas apareceram no céu, eles avistaram uma pequena construção de concreto que a muito não se parecia mais com um templo. A vegetação ao redor era densa e a maior parte das paredes estava coberta de hera. Os dois vigias que estavam nas laterais da porta cochilavam e o lugar parecia bastante silencioso.
– Tsc. – Gray grunhiu. – São só uns idiotas. Vamos acabar logo com isso.
Eles avançaram de forma silenciosa. Erza acertou a testa de um dos vigias com o punho da espada e ele caiu, desacordado. O outro acordou alarmado, mas não teve tempo de respirar antes que ela o chutasse na lateral da cabeça. Ele apagou também. Adentraram pelo vão sem porta em um pequeno salão de igreja. Há alguns metros de distância sob o altar estava uma mesa repleta de papeis e anotações e alguns homens se reuniam ao redor discutindo sobre algo. Viraram-se ao notarem os magos, alcançando armas na parede e presas ao cinto.
– Quem são vocês? – Um deles gritou.
Natsu cuspiu para um canto, deu um passo e num piscar de olhos estava no altar. Quebrou a mesa com um chute e com um soco empurrou um dos destroços para cima de um homem que estava na lateral. Ele e o pedaço de madeira se chocaram contra a parede com um baque doído. O Dragonslayer segurou o braço de outro que estava a sua frente e tentara ataca-lo com um porrete, torceu o membro e o empurrou pra longe. Pegou o porrete dele e o quebrou na cabeça de um homem que estava perto. Erza tinha acertado dois que tentaram fugir, e Gray e Lucy correram atrás de outro que se esgueirara por uma porta nos fundos do salão.
Eles desceram uma serie de escadas que deviam levar para o porão. As paredes de pedra eram úmidas e o cheiro de mofo era quase insuportável. Chegaram a uma salinha apertada e pararam ao ver o homem agachado junto ao chão. Juvia estava ali, parecia desacordada. Ele a puxou para perto e pôs uma faca em seu pescoço. Era ridículo ver um homem tão grande ameaçando uma moça para se proteger.
– Para trás! – Ele gritou, aproximando mais a faca de Juvia para ilustrar que iria machuca-la de verdade.
– Como é? — Gray tinha uma expressão assustadora no rosto enquanto o encarava de cabeça erguida. Lucy teve pena do homem.
O Fullbuster foi tão rápido que a loira mal pode acompanha-lo. Simplesmente arrancou a faca da mão do homem antes que ele pudesse sequer pensar em reagir, e o empurrou bruscamente para o lado. Ele cambaleou e caiu próximo a parede. Gray avançou e o chutou no estômago. O homem cuspiu sangue e tentou se arrastar para a escada. O mago do gelo estava prestes a pisar nele quando Lucy o chamou. Ele se virou, irritado por ser interrompido e viu a loira ajoelhada no chão, aninhando Juvia em seus braços. A pele da maga da água, sempre tão clara e macia estava repleta de hematomas e ferimentos abertos. Seu rosto delicado tinha alguns inchaços e os pulsos sangravam sob um par de algemas grosseiras. Ele inspirou profundamente, caminhando até ela sem ter certeza se poderia se quer ter o direito de carrega-la até a Fairy Tail. Abaixou-se e pegou-a com cuidado, enquanto Lucy subia para avisar os outros que a tinham encontrado. Congelou e destruiu as algemas que a prendiam e ficou em silêncio, apenas observando-a. Não podia acreditar que a tinham ferido tanto por um motivo tão estúpido. Pior, ele poderia ter impedido tudo àquilo de acontecer se simplesmente tivesse a acompanhado. Cada um dos machucados no corpo de Juvia, tanto quanto seu emocional que devia estar em frangalhos era um peso no coração e na mente de Gray. Ele jamais poderia se perdoar por isso. Por que sempre parecia conseguir ferir as pessoas que se importavam com ele? E o pior nem era isso. Era saber que ela o perdoaria, sem nem pensar duas vezes.
Seu coração pulou quando Juvia se remexeu e lentamente abriu os olhos tingidos de sujeira e olheiras profundas. Ela o encarou em silêncio por um instante que pareceu infinito. Com um grunhido de dor, virou-se levemente para deitar a cabeça no ombro de Gray.
– Você veio cedo, Gray-sama. – Sussurrou com a voz fraca.
Ele deu um sorriso tremulo, esforçando-se para não puxa-la para um abraço apertado que poderia ser doloroso. Apenas inclinou o rosto e sem pensar beijou-a na face.
– Vamos para casa, Juvia.
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