Missed Wings

2 Missed Wings- Capítulo 2


Notas iniciais
Vocês vão conhecer melhor o Diogo com o tempo. Esse tá um pouco maior,espero que gostem.

Pensei em ligar pra minha mãe,óbvio, mas meu celular não dava área em lugar NENHUM. Então beleza,fui procurando a saída da escola, e vale dizer que o portão da frente estava destroçado. Tô amando isso. Fui pelo caminho normal,o que eu sempre usava pra vir em últimas instâncias. Era também o mais movimentando, até porquê ,eu tenho um rasgo nas costas, estou sem camisa, dolorido e sozinho pela rua. Se alguém já rasgou minhas costas, me matar é fichinha. Pensei também em ligar pro bicha do Timothy, mas o celular estava na mesma. Depois de andar uns 15 metros, comecei a escutar uns bipes vindos do celular! ÁREA! Tinham 15 mensagens da Sophie,tipo, quinze é muita coisa e ela não é minha mãe! Entendo que seu namorado desaparece por um dia e você fica preocupada, é natural, mas sinceramente eu não ligo pra isso. Na verdade, não ligo pra ela. Mas apenas detalhes. Somos opostos demais. Sou de poucos amigos, sou na minha pra quase tudo e poucas garotas me chamam atenção de verdade. Ela não foi uma delas. Ela é bonita? Sim, é, mas nada demais. Não me prende. Ela só é bonita, fácil e apaixonada, eu seria burro em recusar. De toda forma eu liguei, faz parte.

-Sophie,por favor –Minha voz estava muito rouca,toda segurança que eu queria passar com esse telefonema virou contra mim.- Juro que estou bem. Já estou na rua de casa,me deixa chegar. Assim que eu tomar uma banho, comer alguma coisa, você vem. Tudo bem...Tá bem,amor. Sim,....eu ligo. Um beijo, também te amo. Tchaau.

Saltitei um pouco na rua. Domingo a noite é bem vazio, e todos temos instintos de gazela quando estamos sozinhos. Todos.

Toquei a campainha com o maior medo do mundo, minha mãe ia ler uma bíblia na minha cara.

-Mãããããezinhaaaaa!-Me joguei em cima dela dando um abraço de sufocar pra ela ficar quietinha. Mas ela gritou. Esqueci a porra do rasgo nas costas. Na boa,vai se foder, é muito azar.

-Diooogo,o que é isso? Meu filho,o que houve?

-Acho que alguém me bateu lá, deve ter sido tipo isso...

-Diogo,você tá fora de casa sem dar um mísero sinal de vida, eu estava a ponto de ir a polícia, “lá” não é a definição de lugar que eu quero.

-Desde quando?

-Sexta-feira! Você foi pra festa na escola, com a Sophie , o Timothy e uma garota- Timothy e as garotas. Devia ser uma emo com jeito de piranha, bem louca. Coitadinha da mamãe. –Eles voltaram muito tarde procurando por você aqui e eu disse que não sabia, eles explicaram que invadiram a escola, quebraram muitas coisas e machucaram bastante gente e aí,onde você estava?? Hein,Diogo???

-Eu não lembro, de uma só coisa que você tenha dito. Não lembro de sair daqui, não lembro de chegar lá. Não lembro de ter tido uma festa da sexta, não lembro da minha escola ser invadida...desculpa, mãe ,não me lembro de nada.

-Tudo....acho que tá tudo bem, só me deixa ver essas costas. Quem será que..- Ele ficou meio sem fala a medida que fui me virando. –Isso é um V de ponta cabeça, Diogo! A carne das suas costas tá mutilada, filho! Você tem certeza que só...

-Mãe — Me virei bruscamente para encará-la, ela parecia não ter entendido que eu não me lembrava de NADA.- eu não me lembro de nada do que aconteceu! Absolutamente nada!

-Acha que tem algo relacionado ao seu dom,Diogo? Você sabe...a gente... Não sei, pode ser qualquer coisa.

-Eu vou subir e tomar um banho. Aí eu como e a gente pensa...pode ser?

Subi as escadas bem devagar pra não sentir dor...essa coisa do dom. Desde sempre, quando eu toco determinadas pessoas ou enquanto as olho nos olhos, vem na minha cabeça coisas horríveis. Antes eu achava que era só uma imaginação...não sei como explicar. Mas com o tempo fui entendendo. Todos temos dois “lados”. Somos bons E ruins, mas na maioria das pessoas tem um lado que prevalece. Quando toco ou olho bastante nos olhos de alguém posso ver ela salvando um animalzinho na rua, abraçando um ente querido, coisas que talvez ela tenha vergonha de fazer com frequência mas se sinta bem. Já outras pessoas me mostram sangue, me mostram dor alheia, me mostram mortes, muito sofrimento e coisas absurdas e nojentas que elas fazem mas temem que alguém venha a saber. Já vi desde uma mãe afogando seu filho numa bacia de água suja por pura raiva dele ter nascido, à um velho gorducho que se atirou na direção de um pobre cachorrinho quando o mesmo ia ser atropelado por um carro. Já vi de tudo. Quando eu era menor era ainda mais perturbador, eu conseguia mostrar as pessoas o que eu estava vendo. Era como se elas entrassem em transe e eu invadisse suas lembranças. Meu pai largou minha mãe e eu depois de me ver chorando num canto da lembrança dele enquanto ele batia no irmão menor. Eu tinha uns dois anos e ele ficou desesperado porque não conseguia acordar e sair daquilo. Minha mãe me achava uma aberração, mas era bonitinho porque eu a chamava de mamus, então ela ignorou a parte da aberração e decidiu me criar (e amar também.).

Notas finais
E ai?