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2 Capítulo 2
Notas iniciais

— Que dor de cabeça do caralho! — JL acordou com o sol batendo em seu rosto. Estava em seu quarto, não lembrava de como chegara lá.-
Levantou quase arrastando-se, e foi para o banheiro tentar tomar um banho descente. Sua cabeça latejava muuito ele pela primeira vez estava arrependido de algo que fez na noite anterior.
Saiu do banho totalmente ensopado, pegou o celular e olhou no visor.
— Puta merda! — constatou que já passavam de 13:00 da tarde- Dormi pra caralho. Nenhuma ligação da Du. — jogou o telefone na cama e deitou-se novamente-
— Esse João Lucas não tem jeito! Novamente o segurança disse que ele entrou e deixou o carro aberto na garagem, se não fosse por ele, já seria outro carro . Já sabe quantos carros foram em dois anos? TRÊS, Zé Alfredo. TRÊS carros. — Marta entrou berrando na sala- Falar nisso, cadê ele?
— Dormindo, mãe. Pra variar. — Clara disse- Chegou quase 8 da manhã e tá dormindo.
— Tava. Bom dia, família. — Lucas entrou na sala-
— Boa tarde, Lucas. — Ze Alfredo disse- Isso são horas de acordar?
— Coroa, na boa, eu to aqui na paz. — Lucas sentou-se a mesa e mordiscou uma maçã que pegara- Só dei um rolê ontem, só isso.
— Rolê, João Lucas, rolê?! — Maria Marta gritou- Você é irresponsável!
— Marta, não grita. João Lucas comigo, agora! — Ze Alfredo o puxou para o escritório-
— Qual é, coroa? — Lucas sentou-se-
—"Qual é, coroa?" ? — Ze Alfredo o olhou sério. — Qual é, que vou cortar seus custos se você não tomar jeito de gente. Vive saindo, jogando dinheiro fora, gastando tudo. Isso tem que parar.
— Pô, também não é assim.
— É assim, sim! Vou cortar seus gastos sim! Ou você trabalha ou se vira pra conseguir sair como faz agora. E olha que eu tomo o carro!
— Sacanagem, coroa. — levantou da cadeira e saiu-
— Avisado! — Ze Alfredo gritou de dentro da sala-
Du acordou com sua mãe entrando no quarto de supetão. Ela sempre fazia isso, e a filha odiava.
— Pô, custa bater? — Du levantou o olhar para a mulher que se encontra na sua frente, cheia de bobs no cabelo. -
— Custa. Custa minha paciência, Eduarda! Você tem ideia de que horas são?
— Não, tá tão tarde assim?
— Tá, Eduarda. Levanta dessa cama agora e vai pelo menos assistir televisão com seus irmãos ou fazer alguma coisa útil. — A mulher saiu do quarto e gritou finalmente- Antes que eu vá aí de novo!
— Chata! Já não bastava ter que aturar o Alberto e ter que chamar de pai. — revirou os olhos- Mas eu sobrevivo. — riu de lado- Lucas... o que será que ele quer comigo depois de ontem?
— Du..- João Lucas falou fraco ao telefone- To precisando de ti aqui.
— Que foi, lek? Já se meteu em confusão de novo? Olha, tu pediu pra eu não me meter nessas tuas paradas, tá legal? To tentando fazer isso. — Du falou seca. -
— Ei, tu pode calar a boca e deixar eu falar, novinha explosão fatal?
— Novinha explosão fatal é o caralho. — riu- Mas diz aí.
— Então, o coroa tá falando umas tretas de cortar meus gastos. Tu sabe que ele vem com esse papo desde sempre, num sabe?
— Sei, e daí?
— E daí que... pô, Du... — JL falou meio manhoso- Tu poderia vir aqui me dá uma força, lek.
— Cara, teu coroa tá certo. Tu gasta demais, Lucas.- Du falou fitando um colar que Lucas a deu no dia de seu aniversário de 17 anos. Foi muito caro, um dos da coleção que Maria Clara desenhou para uns ricaços metidos a besta, como diria Du, e que custou o "olho da cara"- Mas eu vou aí, tô doida pra sair de casa mermo. A minha mãe acordou com a corda toda hoje. Nem vou pedir o carro, que sei que ela não descola.
— Tá bom, lek. Tô te esperando.
— EDUARDA! AGORA AQUI!
— Porra, tenho que desligar, lek. Até mais tarde, cara.
—Até, Du.
Du entrou no banheiro, despiu-se e tomou banho. Ela não entendia como João Lucas teria tantos problemas, tantos quanto ela. Mas mesmo assim fechou os olhos e mentalizou outra coisa que não fosse os gritos de sua mãe, quebrando a porta do quarto.
Pegou a primeira roupa que achou pela frente, e vestiu. Não secou o cabelo, apenas o penteou e logo depois foi para os olhos, fez uma maquiagem leve e por fim, borrifou um pouco de perfume nos pulsos e pescoço.
— Oi, família! — Du falou cínica- Tchau, família!
— Vai pra casa daquele filho do comendador, né? — Theo, seu irmão mais velho perguntou. — To sabendo, ein?
— Não te interessa. Tu não deveria tá viajando com o "papaizinho" não?
— Não, ele resolveu me dar uma folga. Cê sabe que eu sou morto e vivo naquela empresa. Mereço.- suspirou ajeitando o corpo no sofá. -
Theodor era o filho preferido dos pais de Du, ela não entendia o porque, mas só aturava aquela mimação toda.
— Merece. Qualquer cara que tem o Alberto como patrão merece tudo e muuito mais. — riu cínica-
O pai de Du é sócio de uma empresa nacional como essas que temos Brasil a fora. Não grande como a Império, mas eles tinham uma condição boa, moravam em um condomínio fechado, tinham carros e empregados... enfim.. era uma família de classe media. De conforto, Du não poderia dizer que lhe faltava algo. Mas ela não se importava em conforto ou luxo, e sim de ter uma família descente, que se importava com ela. Mas já que não tinha, nem ligava.
Du pegou uma pêra na fruteira em cima da mesa. — To indo! — gritou para que sua mãe a ouvisse- Não me esperem!
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— Aquela sua periguetezinha tá ali na sala. — José Pedro falou entrando no quarto de JL-
— Se tu tiver falando da Du, pode parar por aí. Ela não é periguete coisa nenhuma. — João Lucas falou ao irmão, que revirava os olhos-
— Que seja. Vai logo lá receber ela. — Pedro saiu do quarto, e Lucas suspirou, falando algo como "idiota". -
— Pô, lek! Demorou, ein? Pensei que ia virar aquelas estátuas de pedra, só de te esperar.
— Foi mal. Mas vamo subir. Comprei uns jogos da hora.
— Demorou. — Du falou sorrindo- Tava doidona pra zerar jogos novos e passar de ti.
— Vai sonhando, tampinha! — João Lucas a agarrou e subiu as escadas-
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— Viu? Num te disse que ia zerar? — Du jogou uma almofada no rapaz, que devolveu. -
— Um dia descubro teus segredos.
— Então, lek, sobre aquele lance... teu pai tá mesmo com aquele papo?
— Tá, Du. Ele ameaçou de tomar o carro. Acredita?
— Poxa... a situação em nenhuma das casas tá boa... — Du falou triste- Pelo menos o Alberto não tá lá. As vezes eu acho que ele tem uma amante, sabe?
— Isso! Uma amante! — Lucas gritou e pulou da cama-
— Que isso? Tá doido? — Du espantou-se e o fitou com duvida-
— Du, meu pai tem uma amante! Tá na cara! — Lucas pôs a mão na cabeça e riu-
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