Notas iniciais
Amores, desculpem a demora para postar. Mas é que a maioria das vezes eu escrevo o capítulo e deixo-o guardado esperando por mais notificações de vocês, para saber o que acharam do anterior e postar o próximo. Então, peço que tenham calma. E não. Não vou abandonar a fanfic, e sim fazer o máximo para continuar postando. Tenho a quantidade de capítulos em mente e quase toda a estória programada na mente também. Quem quiser saber mais informações, estarei a todo dispor para sanar dúvidas (só mandar mensagem para mim no privado, ok?) quando, claro, tiver tempo. No mais, boa leitura. ❤

POV'S LUCAS

Levantei abruptamente depois de passar dez minutos — ou mais — na cama, refletindo a cerca do sonho que tive com minha melhor amiga. Com Du. Não entendo o porquê de estar sonhando justo com ela. Nem estou apaixonado nem nada. Apenas... gosto um pouco dela. É bom ficar com ela, beijar, morder aquela boca carnuda e linda que tanto aprecio, afagar os cabelos ruivos e sedosos que ela tem, mesmo que a marrenta não goste tanto assim. Mas apaixonado? Acho que o pessoal aqui de casa andam viajando. E o meu subconsciente também.
O sonho parecia tão real. Tão certo. E senti a ansiedade por meu personagem no sonho. E os flashes de Du aceitando o pedido. Mas em determinado momento, quando ainda estávamos nos beijando e nos apreciando, aquele carinha apareceu. A tomou de meus braços. Um vazio me preencheu instantaneamente, e ofeguei. Aí acordei. Quando acordei, fiquei puto por ter sido apenas um sonho. Mas depois, quando recobrei a memória, vi que foi melhor ter acordado. O tal depois de tomá-la de mim, afastou-se cerca de um metro, e a beijou. Na minha frente. Não pude fazer nada não sei porque. Minhas pernas não obedeciam os comandos e lágrimas desciam. Du olhou-me com pesar e foi andando até sumir nas sombras do Jardim com ele.
Não. Isso não aconteceria. Ele não a tomaria de mim. Ou não me chamo João Lucas Medeiros de Mendonça e Albuquerque.

Levantei-me apressadamente e fui ao banheiro, realizar o ritual de toda manhã antes de ir para a Império. Terminado tudo, peguei meu terno ligeiramente amassado e desci ao encontro dos demais que estavam postos à mesa. Meu pai estava na ponta, como sempre, e os demais em lugares que não prestei atenção. Bruna, a enteada de Pedro, estava lá também. Adoro essa garotinha. Ela é a única pessoa dessa casa toda que é realmente pura e inocente. Acho que por ser criança. Já mencionei que adoro crianças?

– Tio! — Levantou-se da cadeira que estava ao lado de Daniele e correu até mim, me abraçando pela cintura — Saudade de você!

A sapequinha estava numa espécie de colônia de férias, e somente ontem a noite havia voltado para casa, mas quando chegou eu já havia dormido.

– Também tava com saudade de você, Bruninha! — Ajoelhei-me próximo a ela e depositei um beijo em sua testa — Como foi lá? Fez muitos amigos.

Ela aproximou a boquinha de meu ouvido e fitou o resto das pessoas na sala de jantar, que riram do gesto.

– Bom, eu conheci um garoto bem chato lá. Ele me chamou de feia e chata também. Mas até que ele é meio legal. — Falou e sorriu por fim -

Ás vezes me esquecia que Bruna já é quase uma mocinha de dez anos.

– Olha, você não é feia. Muito menos chata. Que pena não vai ver ele tão cedo. Mas quem sabe? — Também aproximei minha boca de seu ouvido — Segredo nosso, ein?

Ela assentiu. Deu um último beijo em mim e pegou a mochila no sofá, indo com Daniele para escola. Sentei-me à mesa como todos e sorri, enchendo o copo de suco.

– Você leva ótimo jeito com criança. — Pai me disse rindo — Não vejo a hora de ganhar netos.

Engasguei-me.

– Melhor deixar os planos para depois. — falei e todos ali riram -

* *

Já haviam passado uma semana desde o tal sonho com Du. E incrivelmente ela não havia ligado, e nem ido a minha casa. Como eu estava? Como deveria estar, claro: remoendo-me de algo que não sei explicar por imaginá-la com aquele namoradinho ou sei lá o quê dela. O que custava uma ligação, mensagem ou seja o que for?
Pode ser que tenha acontecido algo na casa dela. Ou que ela esteja muito atarefada por causa da Universidade. Aí, bom, seria o caso de eu ligar. E o fiz.

– Du? — perguntei ansioso ao ouvir que ela havia atendido -

– Oi, Lucas! — Uma voz infantil respondeu -

Sorri. Era Davi, o pestinha que também adoro. Já havia saído diversas vezes com ele para o parque. Muito gentil e danado também.

– Ei, tampinha! Como vai?

Ele riu. — Vou bem, e você?

– Ótimo. Mas me diz uma coisa. Onde sua irmã está?

– Ali com a Andréa vendo algumas fotos do bebê.

Fotos? Deve ser ultrassom.

– Faz um favor? — Davi assentiu — Passa o celular pra ela.

– Tá.

– Obrigado, tampinha. Qualquer dia desses vou aí pra te levar pro parque, que tal?

– Tudo bem! — Ouvi passos e uma porta abrindo — Du, seu namorado Lucas. Ele quer falar com você.

– Davi! O que eu falei sobre não atender meu celular? — Du ralhou com o irmão — Oi, lek.

– Oi. Você sumiu. — falei simples -

– É. Eu tô meio que ocupada com algumas coisas aqui em casa.

– Hm. A gente poderia se ver, né?

Minhas mãos tremiam, minha voz também.

– Se você tiver tempo, claro. — Completei -

– Hoje pode ser? Tô um pouco folgada. — a ruiva sorriu -

– Claro que pode! Hoje, no parque?

– Humrum!

Desliguei o telefone depois de desperdir-me. Eu a veria finalmente. Não faz muito tempo, certo? Mas é que uma semana sem se ver é como se fosse uma eternidade sem vê-la. Eu sentia necessidade de Du. De vê-la. Eu estava sim — nem acredito que vou admitir -, apaixonado por ela.

* *

Eu estava sentado num banco do parque ambiental pensando na vida — ou em algo -, quando avistei Du chegando. Ela estava linda. Vestia uma saia preta no meio das coxas, uma blusa de mangas compridas azul e uma bota de cano alto preta, com seu cabelo preso em um coque frouxo. Quando me viu, sorriu e acenou.

– Lek, eu sumi, eu sei. Mas é porque... — ela mal sentou-se e foi falando sem parar -

– Eu sei. Eu entendo. Tá sendo barra cuidar de quase tudo. Do processo. Da sua mãe e irmão... eu sei como funciona essa burocracia toda.

Ela sorriu e esticou os braços para me abraçar. Abracei-a.
Seu perfume é tão doce, que não me importaria de passar a tarde inteira inspirando o cheiro de seu pescoço.

– Senti saudades. — Beijei seu ombro, e fui subindo para a bochecha. -

– Eu também, lek. — Du apertou-me mais contra ela — Você nem imagina.

– Ah. Imagino sim.

Desvencilhamo-nos e olhei profundamente em seus olhos. Como ela podia ser tão simples e tão bonita ao mesmo tempo? Pus uma mão em cada lado de seu rosto, ela sorriu. Dei um selinho em seus lábios.

– Lucas... — A garota fechou os olhos -

A puxei mais para mim, e dei um beijo com vontade. Claro que sabíamos que estávamos num parque com crianças. O que quero dizer com vontade é justamente o que não tinha antes. Pelo menos da minha parte. Sentimento. Acho que a saudade fez sentir isso. Partido o beijo, nos entreolhamos intensamente. Até que ela desvia o olhar de mim, e fita algo além das minhas costas.

– M-michel?! — Du fala visivelmente desconcertada -