Notas iniciais
Oi gente, tô de volta aqui depois de muuuuito tempo, mas com novidades hehehehe.

Eu quero mostrar essa pequena história pra vocês.

Antes de qualquer coisa, queria compartilhar com vocês que ela é baseada em um acontecimento real em que eu fui a protagonista.

Ela foi escrita em uma circunstância muito especial na minha vida (a mais de dois anos), um momento de inspiração único que eu nunca mais tive desde então.

Queria deixar meu agradecimento pessoal à pessoa que me proporcionou esse momento (ele provavelmente nunca vai saber da existência dessa fic) e queria dizer que eu sinto saudades, mas infelizmente eu não sou mais a mesma. Não sou mais a tua garota. Mas não vou esquecer de como me senti quando fui.

Obrigada anjo.

Boa leitura, pessoal ♥

CAPÍTULO NÃO REVISADO.

Ela achava que estava ficando louca. Porque, na cabeça dela aquilo não fazia sentido nenhum. Mas lá estava ela, descendo a rua 20 às 4 da manhã, depois de ter saído de uma festa ali mesmo, perto da casa dele. Deus, ela queria poder culpar a bebida por tudo aquilo mas não podia. Não estava bêbada, só um pouco alta.

Ela não sabia se foi a consciência da proximidade — saber que estava a meras duas quadras de distância dele — ou os dois drinks que ela tomou, mas sentia o peito apertado, o coração dolorido quase que fisicamente e um nó na garganta. A sensação era familiar e intensa demais e a cada minuto que ela passava tentando se concentrar nas músicas, nas conversas dos amigos — porque a mente dela tinha voado pro número 112 da rua 20, que ficava a cinco minutos daquele barzinho — aquilo, a saudade, a consumia e a tragava de uma forma violenta.

E ela não aguentou. Despistou os amigos dizendo que ia ao banheiro e saiu do bar. Seu coração parecia querer explodir de tão rápido que batia, a expectativa pelo que ela estava prestes a fazer. Atravessando a rua, tirou um cigarro da bolsa e o acendeu. Percebeu que estava trêmula quando pegou o celular, discou o número de ele esperou. Estava suando frio.

Ele atendeu no segundo toque. Disse um "alô" com a voz rouca que ela conhecia bem — sentiu um arrepio subir pela sua espinha, deixando o estímulo nervoso final num ponto sensível entre suas pernas.

Puta que pariu.

— Aconteceu algo? — ele perguntou num tom genuinamente preocupado — Você ta bem? — Ela sentiu as bochechas esquentarem quando se deu conta de que tinha pensado alto.

— Tô indo aí. — ela respondeu simplesmente e desligou. Não confiava na própria voz pra falar mais que aquilo, sentia que seu coração estava subindo pela garganta de tão nervosa que estava.

Guardou o celular, puxou um longo trago e apertou o passo. O cigarro acabou quando ela subiu a calçada da casa de número 112. Ela respirou fundo, tentando diminuir o tremor nas mãos e os batimentos. As borboletas estavam alucinadas no seu estômago. Puxou o ar frio da madrugada, os olhos fechados. Contou até três antes de expirar e levantou a mão para o botão da campainha.

Antes que ela pudesse apertar o botão, o portão branco de metal se abriu. Ela sentiu cada membro ficar gelado quando o encarou. Só teve tempo de notar os fios ruivos longos dele — na altura dos ombros — completamente desalinhados, da forma que ficavam quando ele acabava de levantar. Antes que ela olhasse pra qualquer outra coisa ele deu um passo a frente, ficando do lado de fora do portão e a beijou.

A mente dos dois voou. Ali e agora, só existiam ele e ela, seus corpos quase se tornando um só. As mãos dela — não mais trêmulas — passeavam pelos cabelos dele, os dedos se enroscando em sua nuca e o trazendo mais pra perto — se é que aquilo era possível — enquanto os braços dele a rodeavam firmes, as mãos mapeando cada curva do seu corpo por cima do tecido do vestido justo preto que ela usava. Ele se perguntou por um segundo apenas, se alguém a tinha tocado naquela noite, mas deixou o questionamento e qualquer outro pensamento de lado quando quando sentiu os dedos dela subirem por baixo da sua camisa só pra descerem lentamente até o cós do jeans que ele usava, causando arrepios e insinuando um toque que ele ansiava. Mas ela não o fez. Ele sorriu no beijo.

Então você ainda é minha menina atrevida, não é? Deus, eu senti tanto sua falta!

Ele parou o beijo — cedo demais pro gosto dela — e se afastou um pouco. Sentiu a necessidade de olha-la.

Reparou nos cachos volumosos, agora lindamente desarrumados. Na maquiagem leve realçando os traços delicados do rosto quase infantil que ela, apesar de estar entrando na casa dos 21 anos — ele contou desde a última vez que se viram, a três anos atrás — ainda possuía. Nos olhos castanhos, agora escurecidos pelo desejo e brilhantes, que diziam explícitamente que ela o queria — e era recíproco.

Ela estava cheia de saudade, ele sabia. Os olhos dela diziam pra quem quisesse ver. E ele tinha certeza que ela reconheceu o sentimento nele também, porque ela se inclinou na pontinha dos pés e o abraçou. Tão forte, tão intenso. Ele passou os braços ao seu redor e a apertou contra ele outra vez, encaixou o rosto na curva do pescoço dela e inspirou aquele cheiro familiar de frutas vermelhas e amêndoas.

Aquela era a primeira vez em três anos que ela se sentia viva. Bem. Em casa.

Naquele momento os dois fizeram um voto silencioso um ao outro.

Eu nunca mais vou deixar você.

Notas finais
Até a próxima, babes ;)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!