Miss Sazume - Daichi e suas seis quase esposas
7 Capítulo 7 - A Primeira Festa
Notas iniciais
Nessa época do ano, o pôr do sol é um dos mais belos do país. A tarde caía quando as limusines estacionaram em frente à mansão. As escadas da casa serviam de cabide para os pedaços de tecido e podiam-se ouvir passos apressados no andar de cima. O motorista buzina. Logo descem, praticamente amontoadas, as meninas, seguidas por Kin, Chun e Mai que, graciosa e vagarosamente desciam as escadas. Cada uma entra em sua limusine e então, seguem para seu destino: a festa.
O percurso até o local da festa foi muito agradável e a vista era linda, mas mais atrativa era aquela bela propriedade toda enfeitada para a festa. As meninas foram umas das ultimas a chegar, e a maioria dos convidados já estavam presentes. Elas cumprimentaram o Mr. Sazume e também a sua família; conheceram a senhora Sazume e o pequeno Eiji, o Sazume caçula, que se encontrava no colo de Daichi. Os ornamentos, a comida e o andamento da festa estavam agradáveis aos convidados, porém não para as meninas. Para elas, estava um tédio completo, pois suas participações no evento eram praticamente nulas. A banda começou a melodiar canções calmas e harmoniosas e então, Mr. Sazume “cutuca” Daichi e, disfarçadamente, aponta para as meninas.
– Tire-as para dançar, – resmunga no ouvido de Daichi – uma delas será sua futura esposa... Vá se acostumando.
– Pai, — Daichi resmunga de volta – não quero dançar com essas patetas... Vou ser humilhado na frente de todos! Não vim aqui para passar vergonha na frente de toda a corte e do parlamento! Ah, não mesmo!
– A-G-O-R-A – resmunga Mr. Sazume, num tom “ameaçador”.
Daichi faz uma expressão muito insatisfeita e, como se tivesse pesos em seus pés, levanta-se arrastando as pernas, atritando o chão com pisadas fortes. Ele para no meio do salão, olha em volta e, logo na mesa à frente estão elas; algumas conversando entre si, outras comendo, outras “dormindo”. Daichi, com uma das mãos, “bagunça o cabelo” e pensa: “Ai meu Deus... O que eu vou fazer agora! Que mico!”. Fica parado ali por uns 2 minutos, tentando ver quem era a menos pior para dançar. Como a única a parecer se interessar na festa era Kin, ele a escolheu primeiro. Ele se aproxima, ajoelha-se com um joelho só e, em seu ouvido sussurra:
– Dance comigo...
Ela não esperou que ele repetisse. Logo se levantou da cadeira e lhe ofereceu sua mão para a dança, estendendo-a. Daichi, então, toca de leve suas mãos e os dois se dirigem ao meio do salão principal. Ao chegar, havia acabado de terminar uma canção e, logo começou outra. A música era clássica, cheia de pequenos detalhes; solos de violino e cello faziam da música um coro angelical instrumental perfeito. Ao som daquela harmonia, eles se aproximaram e, puseram-se a dançar. Logo no primeiro passo, Daichi esbarra no vestido de Kin, embora este não fosse muito comprido. Ao tentar de novo, ele escorrega e pisa nos pés de sua parceira. Kin fica sem entender: como pode um moço tão fino, rico e “perfeito” não saber dançar? Esse era um defeito considerável para um futuro membro da corte e marido. Kin lentamente se afasta de Daichi e o solta. Ele fica muito sem graça e pergunta qual é o problema.
– Eu é que pergunto! – Kin “tenta” sussurrar, mas não consegue falar muito baixo – você, por um acaso, sabe dançar?!
Daichi fica paralisado. Ele pensava que não houvesse nada que não soubesse fazer. Kin, sem cumprimenta-lo, se retira do salão e volta à mesa. Daichi nunca havia sido desprezado por uma garota, principalmente por esse motivo. Ele ficou sem saber o que fazer. Logo, ao sentir que todos o observavam, ia correr dali, porém, sentiu um par de mãos macias correrem por seus ombros. Era Mai.
– Percebi que dançar não é o seu forte – ela fala baixinho no canto de sua orelha – mas, se quiser, danço com você.
– Acho que não é uma boa ideia... – ele já estava nervoso e envergonhado.
– Ah, vamos lá – insiste Mai – todos já viram você pagar esse mico... A sua situação não pode piorar, pode?!
Ele aceita, mas um pouco desconfiado. Mai se dirige aos músicos e pede uma canção específica: tango. Antes que ela chegasse até Daichi, a música já começara. Ela vinha em sua direção a passos longos e vagarosos. Parecia estar em câmera lenta. Daichi ainda estava parado no meio do salão, apenas olhando fixamente para ela. Ela chega bem perto dele e sussurra:
– Tango é um teatro – ela o puxa pela gravata e os rostos, por um triz, não se encostam – encene.
Ela o larga e se vira. Eles começaram a dançar de uma forma que surpreendeu até o próprio Mr. Sazume, pois nunca vira seu filho dançar se quer uma valsa. Ele parecia saber dançar a anos e os dois, através da música e dança, faziam passos firmes e sedutores. Kin não acreditara no que vira.
– Ele fingiu que não sabia dançar só pra me largar?! – ela estava muito revoltada.
Quando a dança termina, Mai e Daichi se cumprimentam e ele agradece-a pela dança. Mr. Sazume estava corado de orgulho do filho e, exibia-o para toda a alta sociedade que estava presente ali. Ao longo da festa, Daichi ainda teria que dançar com todas, mas deu uma pausa para “recuperar o fôlego”.
Ele sai da festa e vai em direção ao jardim, que estava mais vazio e tranquilo. Enquanto isso, do lado de dentro do salão, Hana estava sentada à mesa com aquele vestido enorme arrastado no chão, comendo desde o início da festa. Chegou um momento em que o Mr. Sazume pediu para que todas as moças comparecessem no centro do salão para uma foto à imprensa. Todas se levantaram menos Hana. Chun percebe que Hana tenta sair da cadeira, mas não consegue então ela chama Emi. As duas retornam à mesa e tentam ajuda-la.
– Hana, o que houve?! O Mr. Sazume está nos chamando! – Emi, impaciente, tenta puxar Hana.
– Espere! – Hana grita – Não estou me sentindo bem... Acho que é meu estômago... Parece que tem algo entalado em minha garganta e vem do estômago!
– AI MEU DEUS! –Chun se desespera e corre para chamar o Mr. Sazume.
– Eu falei pra você deixar de ser olhuda, mas não adiantou né?! Bem feito! – Emi fala, escorada na parede atrás da cadeira onde Hana está sentada.
Logo Chun chega juntamente com o Mr. Sazume, seguido pela imprensa, que é barrada alguns metros atrás pelos seguranças particulares. Ele pergunta o que ela sente, e esta explica a mesma coisa que dissera antes para Chun e Emi. Ele logo chega a um diagnóstico e tenta segura-la no colo.
– Você está bem inchada – exclama ele – comeu muitos doces, não é?
– Ela comeu quase todos, na verdade... – resmunga Emi, também tentando tirar Hana da cadeira.
– Tem muito tecido nesse vestido! Nunca vamos tirar ela daqui! – Chun já estava angustiada com aquela situação.
Com muito – MUITO – esforço, eles conseguem levantar Hana, que começou a sentir náuseas e ficava com a mão na boca, como se tivesse algo querendo sair de dentro. Mr. Sazume pega-a no colo e a leva para o jardim, onde não tinha quase ninguém, apenas Daichi, que estava perto da fonte. Ao ver que Emi, Chun e seu pai, carregando Hana, vinham em sua direção, seguidos pela imprensa, Daichi já começara a ficar ruborizado de vergonha e de raiva.
– MAS O QUE ACONTECEU AGORA?! – ele grita, irritado – VOCÊ NÃO SABE FICAR LONGE DE ENCRENCAS?!
Ao ver que ela estava realmente mal, Daichi “se arrepende” de ter sido rude com ela e pede que a deitem no chão, mas ela recusa. Ele pergunta o que ela tinha e explicaram a história toda. Ele a olhava ali, sentada na beira da fonte e percebe que, por trás daquele imenso vestido, havia um espartilho. Ele pede para Hana abrir a boca. Ela se recusa novamente e, ele, impaciente, a obriga a abrir. Ele observa que Hana tinha mesmo algo entalado e estava surpreso por ela inda não ter sido sufocada. Ele levanta Hana e, por trás dela, abraça a sua barriga.
– Olha, eu vou apertar bem forte e quero que você mantenha a boca aberta, ok? – Daichi explica.
Nessa hora, Kin e as outras meninas chegaram ao jardim e viram aquela cena esquisita: Daichi “abraçando” Hana por trás e ela estava de boca aberta... Sim, isso era muito confuso, sem contar que a imprensa, de longe, registrava tudo.
– O QUE ELE ESTÁ FAZENDO?! – Kin estava vermelha de ódio – ELE PERDEU O JUÍZO?! LARGA A HANA, DAICHI! – Kin gritava como se estivesse tendo um ataque de nervos.
– CALA A BOCA KIN! – Harumi responde em mesmo tom – A HANA ESTÁ REALMENTE MAL, NÃO PERCEBE?! DEIXA ESSA SUA ARROGÂNCIA BESTA DE LADO E AJUDE-A DE ALGUMA FORMA! SE NÃO VAI AJUDAR, NÃO ATRAPALHA! AFF...
Kin fica surpresa com a “coragem” que Harumi teve para rebatê-la em mesmo nível. Ao ver que sua “causa” estava em desvantagem, Kin resolve se aquietar e observar o que se passava.
Daichi apertava Hana, mas parecia não estar dando certo. Ele notou que o espartilho que envolvia seu tronco, além de grosso, era muito apertado. Rapidamente, ele desenrola seus braços do tórax de Hana – que já estava ficando fraca e sufocada – e começa a rasgar-lhe o vestido pela parte de trás, enquanto seu pai a segurava pela frente, Emi pelos braços e Chun pelas pernas.
– Chega! Já vi o bastante! – Kin não aceita o que vê – Não quero ver no que isso vai dar! – ela se vira e volta ao salão resmungando.
Ao rasgar todo aquele tecido, Daichi finalmente chega ao espartilho. Ele começa a desamarrar o mais rápido que podia, até que, enfim, viu a pele de Hana. Mais rápido ainda, ele volta a apertá-la, agora mais forte e com mais “violência”. Hana começa a engasgar e, enfim, cospe um salgado folheado inteiro – e babado. Daichi para de aperta-la e se vira para ver se ela já tinha cuspido tudo. Chun – que estava debaixo de vestido se Hana, segurando suas pernas para que ela não caísse – ao tentar sair debaixo do vestido, é atingida por aquele folheado babado. Ela começa a gritar – de nojo – e levanta-se ainda embaixo do vestido. Hana, com o impacto, tomba para trás e cai dentro da fonte. Metade da imprensa mais conhecida do país estava gravando e tirando fotos daquela cena.
De Hana só se viam as pernas para fora da fonte. Daichi e Chun ruborizam-se, constrangidos com aquela visão. E assim, com aquele “show”, Mr. Sazume resolve findar a festa e despede todos os convidados.
– Aff! Você sempre estraga tudo! – Reclama Emi – Nem o seu vestido escapa de você!
– Me desculpe Hana! – Chun estava muito sem graça – Não foi por querer!
Mais tarde, ao chegar à mansão, o assunto não foge da cena que Hana protagonizou na festa. Harumi entra no quarto – onde todas estavam – e anuncia:
– Para a sua sorte, – olha para Hana – o Mr. Sazume conseguiu que a imprensa não divulgasse a sua “cena” lá na festa... Eles vão publicar somente a comemoração em si, não vão comentar sobre o “incidente”.
Daichi, depois de auxiliar o pai no término da festa, foi à mansão para se desculpar com as meninas.
– Me perdoem por não ter dado atenção a vocês... As senhoritas sempre me receberam bem e eu sempre sou um canalha com vocês... Espero que me perdoem...
– Na verdade, – Kin interrompe – você não deve desculpas a todas... – olha para Mai e Hana – Mas como você é um cavalheiro e nós, com algumas exceções, somos damas, recebemos de bom grado suas desculpas e esperamos ansiosamente uma nova visita!
Daichi sorri, descontraído e travesso, como nunca sorriu antes. Anda em direção a Hana e sussurra: “você está melhor?”. Hana fica corada e faz um sinal positivo com a cabeça. Logo após, dirige-se à Mai e fala baixinho em seu ouvido: “espero ansioso pela nossa próxima dança”. Mai também fica corada e sorri discretamente. Kin faz uma cara esquisita – insatisfeita – e se sente ignorada. Daichi, ainda sorrindo, agradece educadamente às outras damas, inclusive Kin, porem ela o ignora na tentativa de vingar sua “falta de consideração” por ela. Daichi se retira da mansão e logo as meninas se recolhem no leito. Será que Daichi estaria “cedendo” ao coração? Estaria próximo o momento da escolha da mais nova noiva milionária?
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