Miss Sazume - Daichi e suas seis quase esposas
9 Capítulo 9 - Um dia de compras
Notas iniciais
Os dias passaram lentamente e cada vez mais lentamente desde que Mr. Sazume foi internado. Parecia que o dia não acabava e a noite passava como uma ampulheta; cada minuto era uma eternidade. Os dias estavam frios, lembrando o inverno que ainda demoraria um pouco a chegar. Chuva, vento, céu acinzentado, trovoadas fortes e relâmpagos constantes. Parecia que o céu estava em fúria. Daichi não ia à mansão a quase 2 semanas e havia deixado o pequeno Eiji aos cuidados das meninas. A governanta da casa, por causa do mau tempo, ficou acamada e por isso teve de tirar licença até se recuperar, deixando as meninas sozinhas com o bebê.
Daichi não havia deixado fraldas, brinquedos, mamadeira e se quer roupas; Eiji parecia abandonado e ficava cada vez mais carente. Não queria dormir, não comia direito e chorava baixinho quase que a tarde toda. Ele não era um bebê que costumava fazer escândalo, pelo contrário, ele nunca “reclamava”, sempre estava quietinho e com o olhar fixo, quase lembrando o irmão. Seu chorinho quase não se ouvia e dificilmente ele falava, até porque ele ainda não sabia muitas palavras.
– Daichi não aparece a mais de uma semana e nem veio aqui deixar algumas roupas para o Eiji – Emi comenta, com ar preocupado, mas não aparentando pena, mas sim, impaciência – Ele deveria ao menos vir ver o irmãozinho... Ele está muito carente...
– Ah Emi – interrompe Kin – você nem liga pra ele, só está dizendo isso porque é você quem tem que alimentar ele de madrugada...
– Mentira! – Emi fica irritada – Olha só quem fala! A “senhorita babá do bem”...
– Pessoal – Chun interrompe baixinho e com tom calmo – porque não saímos para comprar coisas pra ele, então?! Ele está com a mesma roupa a uma semana...
– Mas a Kin disse que não precisa – Mai dá continuidade a série de interrupções durante a conversa – porque não é nosso, portanto não devemos gastar nada com ele... Não foi Kin?
Kin ruboriza-se, não de vergonha, mas de raiva.
– NINGUÉM TE PERGUNTOU! – Kin, ao ver a expressão contrária no rosto das outras meninas, fica sem graça – Você é uma intrometida, sabia?!
– Kin – Diz Hana – você disse isso mesmo?
Kin vira-se rapidamente e faz uma expressão transtornada.
– CALA A BOCA! – responde.
– Ei ei ei, esperem aí – Emi tenta esclarecer antes que a discussão se tornasse algo pior – vamos resolver com calma... Kin – vira-se para Kin – você falou isso?
– Falei.
– AH SUA IGNORANTE SEM CORAÇÃO – Emi revolta-se facilmente ao ver a resposta seca de Kin – VOCÊ MERECE UMA BOA SURRA!
– Emi – Chun tenta acalmar a situação – devemos ser educadas... Temos que umas às outras com a devida classe e respeito...
– DANE-SE A CLASSE! – Emi devolve instantaneamente o comentário de Chun.
– Meninas – Mai se junta novamente ao grupo das que interrompem a conversa – vamos parar de brigar! Isso não resolve nada! Quem quiser GASTAR SEU DINHEIRO ajudando o bebê, venha comigo e vamos comprar o que ele precisa; quem NÃO QUISER, fique em casa lidando com seu próprio ego...
Mai vira-se e vai em direção à porta. Hana, Chun, Emi e Harumi seguiram Mai, apenas Kin ficou, não porque não quisesse ajudar, mas porque ficou envergonhada de ter dito aquilo e provocar aquela situação. Nenhuma das meninas já havia ido a um mercado antes e, ao chegar, ficaram totalmente perdidas; como se isso não bastasse, elas não tinham experiência alguma na compra de produtos para bebês. O mercado era muito grande, então Chun deu a ideia de elas se dividirem em dois grupos e pegar o que achavam ser preciso. Emi, Harumi e Mai formaram um grupo; Chun e Hana formaram outro.
O grupo da Mai entrou no corredor das roupinhas e acessórios; foram colocando tudo no carrinho e, em questão de segundos, ele estava lotado.
– Hã... Meninas... – indaga Harumi – Precisa mesmo de tudo isso só de roupinhas?!
– É... – diz Emi, pensativa e olhando para o carrinho – Harumi tem razão... Isso é um exagero... Vamos tirar umas duas ou três roupinhas e ir para o provador!
– “Duas ou três”?! – Harumi exclama surpresa com a resposta – Se tirarmos um terço do que tem no carrinho ainda é muito!
Elas experimentaram roupinha por roupinha em Eiji, que não demorou muito para mostrar sinais físicos de cansaço; ele bocejava e cochilava constantemente.
– Acho que ele está um pouco cansado... – Mai comenta ao vê-lo tentando cochilar dentro do carrinho.
– VOCÊ “ACHA”?! “UM POUCO CANSADO”?! Nossa Mai, como você é observadora... – Harumi debocha do comentário desnecessário de Mai.
Do outro lado do mercado, no corredor de produtos de higiene, estão Chun e Hana, tentando escolher o que levar, ao contrário do outro grupo, o carrinho de compras delas estava praticamente vazio. Chun lia atentamente cada recomendação de cada vidro de shampoo, enquanto Hana estava escolhendo talco, fraldas e lenços humedecidos.
– Aqui no rótulo diz “sem lágrimas” – Chun grita para Hana, que estava no fim do corredor – o que será que isso quer dizer?!
– Bom – Hana grita de volta – acho que se o Eiji lavar a cabeça com isso, ele não vai mais chorar!
– Ah, então está bem! Vou levar esse mesmo! Ele anda meio choroso mesmo... – Chun interrompe a leitura do rótulo e coloca o shampoo no carrinho, acreditando na explicação de Hana.
– Ah meu Deus! – Hana estava tão confusa quanto um bêbado – o que vou levar?! São tantas opções de talco! Ah! Esse aqui, diz no rótulo que “tem perfume para aliviar maus odores”... Mas não posso levar sem ter certeza! – Hana abre a embalagem de talco e, sem querer, espirra tudo em seu rosto – Olha! Ele tem mesmo um cheirinho bom! Vou levar! – Hana estava com o rosto branco e não havia percebido.
Chun, ao virar-se e ver o rosto de Hana, levou um susto tão grande que caiu para traz e derrubou uma pirâmide de fraldas.
O outro grupo, o de Mai, estava indo bem em suas escolhas e estavam prestes a terminar as compras.
– Vamos ver como estão indo as outras meninas! – Comenta Emi, ao ver que o carrinho estava quase cheio.
Elas foram à direção dos produtos de higiene e se depararam com Chun jogada entre uma montanha de fraldas e Hana, completamente branca, tentando levantar Chun. (OBS: o carrinho de compras delas estava vazio, exceto pelo shampoo que Chun, depois de uma eternidade, havia escolhido). Depois de toda a confusão resolvida e os produtos escolhidos, elas pagaram e voltaram à mansão.
– Não consigo me imaginar fazendo isso de novo! – Emi, cansada, se joga na primeira poltrona que vê – Como as empregadas conseguem fazer isso em tão pouco tempo?!
– Acho que elas já têm bastante prática – comenta Chun, também com aparência exausta – e também estão habituadas com esses ambientes...
Assim que elas terminam de falar, o telefone toca.
– Alô? – Diz Emi.
– Alô, quem fala?
– Emi... E quem está falando?
– Aqui quem fala é o Daichi. Perdoem-me por não ligar, mas ultimamente eu não tive tempo mal para comer... Eu estou ligando para avisar que estou mandando um amigo meu aí para levar algumas coisas do Eiji... Parece que vou ter que passar mais tempo aqui do que eu pensei...
– O QUÊ?! E SÓ AGORA VOCÊ VEM ME DIZER ISSO?! NÓS QUASE MORREMOS NO MERCADO E GASTAMOS MAIS DE 5.000 IENS!
– Porque vocês gastaram tudo isso?!
– E você ainda pergunta?! A criança estava há uma semana com a mesma roupa e sem fraldas! Você sabe o que é um bebê há uma semana sem fraldas?!
– Desculpem-me... Vou mandar meu amigo o mais rápido possível para levar tudo o que ele vai precisar ok? Agora preciso desligar, os médicos vão fazer uns exames no meu pai e querem que eu assine uns papéis... Dê um beijo no Eiji por mim e diga a ele que em breve irei vê-lo... Até breve!
– Até...
Emi desliga o telefone.
– Amigo... ?
Fale com o autor