Notas iniciais
As meninas recebem uma notícia um tanto preocupante.. Mas também recebem um convidado muito especial ;)

Algumas semanas se passaram, depois da grande festa, e a “competição” continua. A vida estava um tanto tediosa na mansão e as meninas estavam ficando cada vez mais cansadas e preguiçosas. Aos poucos, a casa era limpa apenas algumas vezes no mês e o jardim ficava sempre apenas para Chun cuidar da manutenção. A situação estava realmente chata.

Durante a tarde, as meninas estavam na sala tricotando, conversando e comendo, quando de repente a campainha tocou. Era o “mensageiro particular” da família. Ele entregava uma mensagem do Mr. Sazume, que pedia desculpas pelas semanas tediosas e se explicou: “Estou doente e por isso não pude comparecer para vê-las, mas em breve, assim quando totalmente recuperado, estarei aí para que possamos prosseguir para com o objetivo”.

– Ai que pena – lamentava Emi – ficaremos assim por quanto tempo mais?!

– Espero que não seja grave – Kin não se demora a opinar – pois estou com saudades do meu noivo e quero-o aqui JÁ!

– Será que está tudo bem com a família dele? – Chun sempre se dedicava mais que as outras – Geralmente, quando alguém fica doente, a família precisa de ajuda e apoio... Vamos ligar e perguntar à governanta da casa se está tudo bem e se não precisam de algo!

– Chun – Kin, de novo, se pronuncia – eles são milionários... NÃO PRECISAM DE NADA! DÃÃÃ! – debocha.

– Podíamos fazer um bolo e levar para o Mr. Sazume! – Hana tenta ser útil diante da ocasião.

– BOLO?! – interrompe Kin – NEM ME FALE NISSO! BOLO NEM PENSAR! – lembra-se do último episódio envolvendo bolo, que foi um tanto desagradável para ambos os lados.

Logo, interrompendo a conversa, toca o telefone. Mai corre para atender.

– Alô? – Mai já indaga.

– Aqui quem fala é o dono da casa.

– Quem?! – Mai faz uma careta para as meninas – Mr. Sazume?

– Não, idiota! – reclama – É o Daichi!

– Ah, você... – disfarça a alegria, mas dá pulinhos – Por que ligou?

– Liguei porque preciso de um insignificante favor – usa um tom desinteressado.

– Oh, então diga! – Mai está animada e as meninas “grudam” no telefone a fim de escutar o que ele dizia e ouvir sua voz.

– Bom, meu pai não é o único que está doente... – a voz de Daichi expressa impaciência – A nossa governanta pegou gripe das empregadas e passou pro meu pai. Agora não temos empregadas, governantas e nem meu pai. Eu gostaria de ir aí mais tarde...

– AAAAAAAAAAAAAAAH! – todas as meninas gritam pelo telefone, sem nem ao menos disfarçar.

– Ah, parem de fazer tumulto! Estou indo viajar agora. Daqui a algumas horas estarei na cidade e não vou avisar quando chegar.

Ele desliga o telefone.

– AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH! – as meninas gritam histericamente.

– OH MEU DEUS! – exclama Emi, nervosa – PRECISAMOS DAR UM JEITO NESSE LUGAR! E EM NÓS TAMBÉM!!!

– AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH! – agora, as meninas gritam de desespero. Correm em círculos feito baratas tontas.

Todas se dividiram por tarefas e, em 2h 30 min fizeram uma faxina na mansão. Logo após o término da limpeza, cada uma dedicou-se a se arrumar. Elas já haviam tomado banho e estavam com máscaras de beleza, bobes, cremes na pele, algumas usavam toucas esquisitas – Hana — , outras faziam as unhas, enfim, ainda estavam de roupão quando a campainha toca.

– AI MEU DEUS! – dramatiza Emi – ELE CHEGOU?!

Todas se olham.

– AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH! – entram em gritos rasantes e se põem a correr para o banheiro.

– Esperem aí – Interrompe Harumi – alguém tem que atender!

Todas olham para Kin.

– O QUE?! EU?! NEM PENSAR! DAICHI NÃO VAI ME VER ASSIM!

Todas olham para Hana.

– Eu?!

As meninas empurram Hana escada a baixo e ela atende a porta. Além da touca esquisita, ela usava um roupão de patinho, estava de cara azul e pantufas de pelúcia. Ao abrir a porta, quase mata Daichi.

– ARHG MEU DEUS! – se assusta Daichi e quase cai – QUE BIXO FEIO É ESSE?!

Hana faz bico e olha para o chão, feito criança birrenta.

– Saia da frente! – ele a empurra para o lado da porta – Quero entrar!

Logo atrás dele, havia um homem de preto, provavelmente um segurança, e ele entrega um “embrulho” para Hana. Ao “desencapar” aquele monte de tecido, ela visualiza um rostinho muito branco e bochechas grandes e rosadas. Mesmo assim, ela se assusta ao ver que era um bebê.

– AAAH! Uma cara! – Hana grita e quase deixa o bebê cair.

Daichi fica louco de raiva e, num gesto rápido, tira o bebê dos braços de Hana.

– ESSA CARA É DO MEU IRMÃO! ESTÁ MALUCA?! SE VOCÊ O DEIXASSE CAIR, IRIA SE ARREPENDER PARA O RESTO DA VIDA!

Ao ouvir os gritos, as meninas descem correndo, já arrumadas.

– O que houve aqui?! – Kin já vem indagando Hana.

– AAW! – Harumi percebe o bebê que Daichi leva no colo – UM NENENZINHO!

As meninas correm e ficam em volta de Daichi. Ficam encantadas com o rostinho incrivelmente bochechudo do bebê.

– Como ele é lindo! – Harumi fica boba com o neném.

– Mas é claro que é! – Daichi interrompe os encantos de Harumi – Ele é um Sazume! Obviamente ele é lindo.

– É verdade – Kin se intromete na muvuca em volta de Daichi – obviamente os Sazumes são de um porte superior! Esse seu priminho é exuberantemente lindo!

– Ah... – Daichi, meio sem graça, completa – Ele é meu irmão... Caçula...

Ele explicara às meninas sobre o pequeno Eiji, o Sazume mais novo da família, com apenas 3 anos não completos. Ele seria o último da linhagem pura dos Sazumes, pois a mãe morrera alguns meses após seu nascimento. Daichi não incentivava o pai a se casar novamente, por isso aclamava o irmão como “o último da linhagem”.

Eiji era simplesmente o contrário do que o irmão aparentava. Ele era doce, carente – aliás, MUITO carente – e também parecia apreciar bastante a presença das meninas, principalmente das mais desastradas, o terror de seu irmão. Ele achava graça das coisas mais bizarras e era muito curioso; um amor de bebê. Daichi parecia mima-lo muito, por ser seu único irmão e também por ser ingênuo e frágil. Eiji fazia despertar em Daichi um sentimento que ele pouco deixava mostrar; um carinho, não fraternal, mas paterno.

Mr. Sazume passava muitos dias e semanas viajando, deixando, muitas vezes, Daichi sozinho naquela mansão enorme, mas nunca foi de propósito. Era o trabalho dele; ele não tinha muita escolha. Daichi não queria que Eiji sofresse a ausência do pai como ele sofreu, por isso estava sempre – quando podia – com ele. Era muito claro que, o motivo de sua vinda foi prevenir que Eiji também pegasse gripe, afinal, em bebês é mais complicado de curar. Eiji era o centro das atenções agora. Quando ele finalmente dormira, as meninas resolveram dar um pouco de atenção à Daichi também, afinal ele era o objetivo final delas.

Eles comeram, tomaram chá, conversaram e ficaram na sala enquanto Eiji dormia tranquilamente no andar de cima. Daichi não gostava muito de falar sobre o irmãozinho do qual tinha muita responsabilidade e nem da sua relação com o pequenino. Ele não disfarçava quando fugia desse assunto e as meninas percebiam que, enquanto elas falavam de Eiji, Daichi ficava desconfortável. Ao notar isso, elas, por um momento, pararam de falar dele e começaram a tocar em outros assuntos; a respeito da casa, da situação financeira, do Mr. Sazume, das decisões do parlamento, das festas dadas pelo pai de Daichi, enfim, sobre muitas coisas.

Logo, interrompendo a conversa, o telefone toca. Harumi atende: era o médico da família.

– Gostaria de falar com Daichi Sazume, por favor – disse o médico em tom aflito.

Harumi faz uma careta desconsertada e dá o telefone para Daichi. As meninas, desta vez, não chegaram perto para tentar escutar, pois parecia ser uma conversa bem mais séria que o de costume. Durante o diálogo ao telefone, Daichi muda de expressão. Seu rosto não tem feições grosseiras, pelo contrario, seu rosto não parecia ser franzido muitas vezes; mas desta vez ele franziu o rosto, uma expressão mais dramática que o habitual. Quando Daichi larga o telefone no gancho, nem parece mais com aquele garoto mauricinho e metido que elas conheceram a alguns meses; seus olhos pareciam querer saltar das órbitas oculares. Ficou mais branco que o normal; sentou-se na poltrona mais próxima e levou as mãos à cabeça.

Agachando-se, podia-se perceber que seu rosto estava triste e desolado. Aflito. Sua agonia era contagiante e as meninas não sabiam o que fazer, pois ele ainda não havia contado o que se passava. Ele finalmente se levanta, esfrega os olhos – vermelhos, segurando um possível choro – e explica rapidamente, quase que correndo.

– Eu preciso ir... – ele fala, quase gaguejando, mas não o faz para não preocupa-las.

– Por quê? O que houve? O que o doutor queria?

– Mr. Sazume está com pneumonia, preciso vê-lo no hospital... Por favor, cuidem do Eiji... Prometo que em breve venho busca-lo... Sinto muito sair assim... Boa noite.

Daichi sai às pressas da mansão e rapidamente se encaminha ao aeroporto, pois seu pai já havia sido internado, mas estava em outro país, onde moravam. Mr. Sazume estava em estado grave e os médicos não davam muitas expectativas para Daichi. Nele batia o medo, não só de perder o pai, mas pelo seu irmãozinho, que cresceria órfão.

Notas finais
No próximo capítulo, as meninas vão fazer uma confusão monstra nas primeiras compras num "mercado de plebe"! fiquem na spec! 0/