Notas iniciais
Bom, parece que as coisas estão se acalmando entre as meninas, mas será que isso vai durar por muito tempo? A moleza está chegando ao fim, porque algo acontecerá e os planos vão falhar..

Sasaki estava morando na mansão há apenas dois dias quando elas receberam a notícia. A governanta da casa dos Sazume havia sido mandada à mansão a fim de avisa-las de um evento promovido pelo filho do Mr. Sazume. Ela não aparentava ser uma governanta dos Sazume, já que sua aparência não condizia com o lugar onde trabalhava. Ela era alta, branca e extremamente magra. Notava-se que não era por falta de comida, pois suas expressões eram rosadas e cheias de saúde. Seu cabelo era quase branco e seus olhos eram de um castanho claríssimo. Seu rosto era sério e não mostrava dela sentimento algum. Na verdade, seu jeito lembrava muito Daichi há alguns meses atrás, antes de conhecer as meninas.

– Com licença, – ela disse, entrando na mansão sem olhar para ninguém – estou aqui encarregada de vos anunciar um evento promovido pela família Sazume. Ele acontecerá este fim de semana e o meu senhor espera que todas – olha para Sasaki – e todos compareçam.

Ela virou-se e foi embora. Foi tão rápido que nem deu tempo para que elas perguntassem o porquê de uma “festa” naquele momento, já que Mr. Sazume, até onde elas sabiam, ainda estava hospitalizado. As meninas fitaram logo seus olhares em Sasaki, pensando que ele teria alguma resposta condizente, mas nem ele havia entendido o propósito dessa “festividade”.

– Vou ligar para o Daichi, – Sasaki disse enquanto caminhava em direção ao telefone ao lado da poltrona da sala de estar – ele deve ter alguma explicação para isso.

Sasaki pega o telefone e efetua a ligação. A única coisa que ele disse foi “Daichi, o que houve?!” e depois disso, nem ao menos expressava nada em seu rosto, apenas em seu olhar. Quando desliga o telefone, se dirige às meninas e, em tom de explicação forçada, tenta convencê-las com seu discurso.

– Daichi disse que seria um evento elegante e pediu que comparecêssemos a caráter.

– Ok, — Mai tenta interroga-lo antes que vá para o quarto – mas ele falou em “motivos” pra um evento agora?

– Senhoritas – ele fala docemente – apenas façam o que ele pediu... Lá no evento ele esclarecerá todas as suas dúvidas.

As meninas, sem perder tempo, encomendaram seus vestidos com a costureira da família Sazume e mandaram buscar suas jóias dos países de suas preferências. Na tarde do dia do tal evento, cedo ainda, chegaram as limusines que as levariam ao evento. Elas se aprontaram e, quando o sol estava se pondo, elas saíram da mansão. Ao chegar ao local indicado no convite, puderam sentir o doce aroma das orquídeas que eram como um tapete no jardim: era o Chateau de Primavera da família Sazume. O lugar estava belíssimo, decorado com seda pura bege e muitas flores em tons diferentes de laranja, combinando com o enorme tapete verde de veludo que estava no meio no corredor de entrada.

O salão principal estava cheio, principalmente de políticos e patrocinadores; pessoas que trabalhavam com seu pai nas empresas Sazume estavam na mesa principal, juntamente com Daichi. Ele havia convidado apenas a elite e suas esposas para o tão falado “evento”. Não parecia com nenhum dos eventos promovidos por seu pai, o Mr. Sazume, já que ele não restringia suas festividades apenas aos executivos, sem falar em seu gosto peculiar nas decorações dos salões; ele fazia questão de escolher cada cadeira a ser colocada. Daichi havia deixado praticamente toda a organização da festa para a equipe de seu pai, e era perceptível que ele não queria estar ali, pois estava incomodado todo o tempo e sempre rodeado dos parceiros políticos do Mr. Sazume. O clima no salão estava abafado, desagradável e muito tenso. Parecia mais com uma reunião de negócios.

– Aff – reclama Emi – se o Mr. Sazume estivesse aqui, essa festa não estaria sendo esse tédio que está agora...

– Verdade! – concorda Hana – Ele já teria feito alguma coisa engraçada pra nos animar!

– Ahr, — resmunga Kin – se ele estivesse aqui, a Hana já teria feito alguma trapalhada e ele estaria tentando salvar a vida dela, como sempre... Parece que a Hana só causa desgraça quando o Mr. Sazume está por perto...

– Mentira – interrompe Harumi – ela causa desgraça com o Daichi também! Lembra-se daquele bolo HORROROSO que ela fez pra ele?!

A menina põe-se a rir, quebrando o silêncio cortante naquele canto do salão.

– Ei – Hana é quem resmunga desta vez – isso não é verdade! – se defendendo – Eu não faço nada disso! E o bolo, eu já disse, que nunca tinha feito um na vida! Aquele foi o primeiro! – tentando angustiadamente se explicar em meio aos risos.

Logo, interrompendo as risadas, Daichi para em frente à mesa e olha seriamente para as meninas. O olhar dele estava diferente naquela noite; era como se ele não estivesse lá de corpo presente, como se fosse uma obrigação a cumprir. Ele ficou parado durante um tempo perante a mesa, olhando fixamente para cada uma das meninas. Interrompendo seus olhares, um dos aliados políticos o cutucou por traz e sussurrou em seu ouvido: “Você deve ser breve... Não nos faça esperar muito mais!”. Ele acenou com a cabeça, concordando forçadamente. Daichi pede licença às meninas e se dirige ao palco juntamente àquele homem. Cada politico deu seu discurso a respeito de assuntos do Estado e outras coisas que envolviam as empresas Sazume. Enquanto eles falavam, Chun, Mai e Harumi pediram licença e se levantaram, com a desculpa de precisar ir ao toalete.

O toalete feminino ficava em frente a uma sala, que estava com a porta entreaberta.

– Ah! – Harumi chuta a pia – Esse evento está um tédio total! A gente não deveria ter vindo! Se for só pra escutar esses ladrõezinhos falando besteira, eu prefiro ficar na mansão! Nem que fosse sozinha! Ou melhor, aposto que não sou a única; Sasaki deve estar odiando estar ouvindo essas asneiras...

– Nossa Harumi – Chun fica com os olhos pequeninos arregalados – quanta revolta! Concordo que o evento não está muito agradável, mas não precisamos ficar falando isso tão alto...

– Ah Chun, — Mai interrompe – você tem razão... Tem uns homens esquisitos ali naquela sala com a porta meio aberta... Eles devem ser políticos... Talvez acabem escutando e contando pro Daichi... Daí já era a chance de casar com ele...

– Eu não me importo, – Harumi diz de nariz empinado – não queria casar com ele mesmo! Ele é um narcisista egoísta e preconceituoso!

– Ai Harumi... – Chun dá um sorrisinho tímido – acho que você diz isso porque não quer que ninguém saiba que você está se apaixonando por ele...

– Mentira! – Harumi ruboriza-se e cruza os braços – Vocês sabem que eu o odeio e só estou aqui porque a nossa sociedade é patriarcal...

– Hum... – Mai também dá um sorrisinho tímido, porém acompanhado de um pequeno riso – Pensando bem, eu concordo com a Chun... Ele mudou muito desde que nós chegamos à mansão... Ele era só um garoto riquinho e mimado, mas agora, está se tornando um cavalheiro e um ótimo partido pra solteiras...

De repente, quando o silêncio toma conta do lugar, elas ouvem sussurros na sala ao lado, onde estavam os tais políticos; elas ouvem o nome do Daichi. As meninas pararam para escutar e chegaram mais perto, nos umbrais da porta.

– Eu acho que já deveríamos ter feito há muito tempo. Ele não deveria ter crescido tanto a ponto dele mesmo ter que tomar essa decisão... O pai dele sabia de nossos interesses e mesmo assim deixou à livre e espontânea vontade a escolha da futura Sra. Sazume...

– É verdade... Mas também é culpa nossa... Deveríamos ter lhe apresentado uma pretendente logo quando ele completou quinze anos... Agora ele não vai querer nos escutar, como o pai fazia...

– Ele vai escutar sim... Eu já falei com ele... Digamos que eu apenas o “ajudei” a agilizar em sua escolha...

– Como assim? O que você disse a ele?

– Disse o que aconteceria se ele continuasse adiando isso... Este é um assunto que não podemos deixar para depois...

– Tem muita coisa em jogo aqui...

Eles fecharam a porta.

– Vocês ouviram isso – sussurra Mai – ou fui só eu?!

– Ah, eu escutei sim – resmunga Harumi – e muito bem, obrigada. O que esses velhos estão discutindo é mesmo sobre o Daichi?!

– Com certeza – responde Chun – e acho que o Daichi deve estar em uma encrenca das grandes...

Elas saem do toalete e volta à mesa. Ao sentarem, Mai chamou, discretamente, a atenção das meninas e anunciou que havia algo muito importante que elas deveriam saber. Antes que ela pudesse começar a contar, Daichi pega o microfone e começa seu discurso. As meninas param de sussurrar umas para as outras e prestam a atenção nas palavras do Jovem Sazume.

– Estou aqui perante vossas excelências a fim de esclarecer certos fatos comentados a respeito de meu pai e das empresas Sazume. O envolvimento da empresa na política desse país tem sido vital para o andamento da economia e da infraestrutura. Mas, os interesses desta empresa não são apenas baseados em política e economia, mas também, o bem estar da população e de nossos empregados. Nos últimos 9 anos, meu pai vem investindo uma boa parcela do lucro da empresa em eventos sociais e beneficentes, o que pretendo continuar quando o suceder, daqui a algumas semanas. A partir da minha posse, eu serei responsável por todas as ações das empresas Sazume e também o cargo no Senado, ao lado do 1º ministro. Serei o dono de toda a herança e assumirei os deveres a mim deixados por meu pai, que, a propósito, não está se recuperando bem, e por isso promovi este evento. Ele não está em condições de assumir os deveres da empresa e por isso eu, cumprindo meu dever como filho, estarei assumindo a presidência das empresas Sazume e serei o novo dono das ações. Estarei também anunciando a minha futura esposa no evento de minha posse, daqui a algumas semanas. Isto é tudo.

Notas finais
Então, como eu disse, algo aconteceria e os planos falhariam.. O pior ainda está por ser revelado e Daichi vai ter que ser muito esperto e usar a cabeça.. Vamos ver no que vai dar!