Miss Popper - O Início

15 Questão de Sobrevivência


Notas iniciais
Esse Russel... #filhadaputagem

Tiveram que pegar um ônibus para a Floresta Nacional Los Padres. Alice sugeriu que fossem voando, mas logo lembrou que seria impossível com seus poderes sendo anulados por estar perto de Ichiro. Quando chegaram na frente dos grandes portões da entrada, Alice leu a pista novamente, em voz alta:

A segunda, revelei

A bela floresta, indicarei.

Os soldados esquecidos, disse o Frei.

No topo, avistarei.

— Dá a entender que a próxima pista está no topo de uma árvore – Os soldados esquecidos, seja lá o que for isso. — disse Alice, pensativa.

— Mas qual árvore? Existem milhões...

— Não sei, mas pode ter alguma coisa a ver com Frei.

— Frei, Frei... não me lembro de nada...

— Algum Frei empenhado em uma causa ambiental? — Ichiro riu. — Ah, sei lá, estamos falando de árvores. — o rosto de Ichiro iluminou-se, quando Alice disse árvores.

— Você é um gênio, Alice. Vamos, temos que procurar uma lista, ou qualquer coisa que tenha a relação de árvores famosas nessa reserva. — disse Ichiro, puxando-a pelo braço. Alice não entendeu de momento o que iam fazer, mas teve que o acompanhar.

— Tipo isso que está procurando? — disse Alice, apontando para uma placa de metal que indicava justamente o que Ichiro procurava.

— Exatamente. Ah, vamos ver... — disse, descendo o dedo pela placa. — Aqui, aqui...isso — comemorou Ichiro. — Árvore Frei Alexander – Trilha do catequista. — Ao lado da inscrição, tinha uma seta indicando a direção.

— Tem tudo a ver... — disse Alice, feliz. — Acho que não sou eu o gênio não. — Eles riram e começaram a caminhada.

Não era muito longe. Seguiam a trilha. Apesar do dia estar morno, a caminhada fez com que ficassem cansados. Decidiram parar para descansar.

— Sabe, se eu tivesse desistido dos meus poderes, nada disso teria acontecido — falou Alice.

—Quem disse que não? Ele teria colocado a bomba do mesmo jeito. A única diferença, é que não teríamos você pra nos salvar.

— Claro que não, Ichiro — disse Alice, encostando numa árvore. — O único motivo de ele ter feito isso e ter me atacado ontem é que ele não gosta de mim, o porquê eu não sei...Tudo se resolveria se eu desistisse, tudo mesmo... — seus olhares provocaram-se. Ichiro acariciou o rosto de Alice, suas mãos escorregaram pela cintura dela e ele a beijou. Desta vez, lentamente.

— Só eu posso tirar seus poderes, realizando uma cerimônia, mas você não pode desistir.

— Não posso por que você não fará, não é?

— Não. Se o casal consentir, é minha obrigação fazer. Mas no nosso caso, eu não quero. Não permito que abra mão de seus poderes.

— O quê?

—É a única regra. Tenho que aceitar também.

— Não, não... — disse Alice, desesperada. — Porque você faz isso? Eu não quero isso pra mim, não quero viver pra sempre sozinha.

— Para o bem de todos, é necessário sacrificar algumas coisas.

— Algumas coisas? O amor é coisa mais importante.

— Você fala de uma maneira como se só você sofresse com isso. Quando é que você vai entender que eu te amo? — Aquelas palavras surtiram como flechas, no coração de Alice. — Vai, vamos. Temos que terminar isso logo. Você não vai querer procurar uma bomba no escuro, né? — Antes que Alice pudesse responder, Ichiro virou-se e continuo a andar. Ela ficou alguns minutos encostada na árvore, ainda, mas quando o perdeu de vista, fez um esforço para se juntar a ele novamente.

A árvore Frei Alexander, era uma imensa sequoia. Ela homenageava um jovem frade, que nos anos 60 participara ativamente de movimentos contra a derrubada de árvores, principalmente as com risco de extinção. Foi morto com dois tiros a queima roupa, depois de uma discussão com líderes regionais. Seu assassino permanece na cadeia até hoje.

Alice e Ichiro ficaram entusiasmados quando encontraram a enorme sequoia. Ao lado da árvore, havia uma placa indicando o seu nome e sua história. Depois de confirmarem a pista novamente, Ichiro teve que se distanciar para que Alice pudesse voar. Ele decidiu voltar, esperando-a na saída. Quando Ichiro se afastou, Alice voou até o topo da sequoia. Lá em cima, pensou que iria encontrar mais um bilhete, porém, recordando o poema, lembrou que “avistaria” a próxima charada.

Alice olhava para todos os lados, mas só via árvore e mais árvore. A única coisa diferente disso era a barragem Simão e Verdana, que abastecia toda Los Angeles.

Meu Deus!

Alice voou a toda velocidade para a saída, quando ia chegando perto, desceu e foi correndo.

— Ele colocou...colocou a bomba... — disse Alice para Ichiro, sem folego. — na barragem. Ele vai explodir a barragem e Los Angeles tá embaixo...vai alagar tudo...

— Calma, me explica o que você viu exatamente. — Alice e explicou. Ichiro parecia que tinha visto um fantasma. — Tá, isso é realmente preocupante, mas não tinha nenhuma outra pista? Tipo, de onde está a bomba precisamente?

— Não, nada. Eu até procurei, mas o poema é bem claro. Quando ele diz os soldados esquecidos, ele refere-se aos dois soldados que se perderam na mata onde foi construído a barragem. Ficaram perdidos por uma semana, até conseguirem pedir ajuda para um grupo de caçadores. Na época, não existia tanta tecnologia como hoje, por isso demorou tanto. A barragem chama-se Simão e Verdana, que eram os sobrenomes dos soldados.

— Como é que você sabe disso? — perguntou Ichiro, surpreso.

—Sei lá, devo ter ouvido em algum lugar.

— Não é qualquer lugar que ouvimos o porquê de nomes de barragens, mas enfim...temos que ir pra lá já, vai saber quanto tempo vamos demorar para encontrar a bomba. — Alice confirmou e eles correram para pegar o ônibus que se aproximava.

****

Os dois atravessaram apressados o pátio de entrada da barragem. Tinham bastante tempo até a detonação, mas não sabiam quanto tempo levaria para encontrar a bomba.

Deve ser uma bomba imensa, ou toneladas de explosivo, pensou Alice, quando viu o tamanho da barragem.

Quando chegaram no alto da barragem, puderam ver realmente a sua grandiosidade, beleza e.... como faria um estrago se viesse abaixo. Alice desceu os olhos para o rio que os circundava e suspirou.

Como vou encontrar uma bomba nesse lugar?

De repente, uma explosão no céu, atrai os olhares de Alice e Ichiro. Uma caixa preta apareceu. Descia com um minúsculo paraquedas, também preto, ligado a si. Popper e Ichiro acompanhavam-na com os olhos até a caixa estacionar exatamente na frente deles.

— Mas que porra é essa? — disse Ichiro, arqueando a sobrancelha. Alice deu de ombros. — Tem umas letras escritas no paraquedas... — quando Alice conseguiu ver, deu um passo para trás. Escrito em branco, duas letras: D.D

— Vejam só, um presentinho do nosso amigo — disse Alice, com ar de ironia. Ichiro a olhou, confuso.

— Sabe quem mandou isso?

— Quem mais seria? É obviou que foi ele. — Ichiro parecia que ainda não tinha entendido

— O que quer dizer: D.D? — perguntou ele.

— Duende dourado. — percebendo a cara de espanto de Ichiro, que com certeza pensou que este era nome de Russel, Alice riu. — Dom Dominus, esse é o nome do carinha lá.

— Como você sabe?

— Quando li os pensamentos dele e outras coisinhas mais, também soube seu nome. Quer dizer, o nome real mesmo é: Russel, mas ele gosta de ser chamado de Dom Dominus... — explicou Alice — Além de querer me imitar, ainda soa gay.

— Tá, essa caixa é muito esquisita. Será que é a bomba?

— Só vamos saber se abrir... Pronto? — Ichiro assentiu. Alice aproximou-se da caixa e examinou seu trinco. Nada de mais. Então o abriu com maior cuidado.

— Eu esperaria até uma baleia à isso — disse Alice, estupefata. Dentro da caixa vermelha, continha mais um bilhete, porém maior e mais largo. Sua expressão de surpresa, mudou instantemente ao ler o novo papel.

— FILHO DA PUTA!

Notas finais
E ai, minas e minos, digam o que acharam!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.