Notas iniciais
Revelações e revelações...Preparados? u.u

Martin e Russel dirigiram-se para o escritório. Era uma sala pequena e mal arejada. Sentaram-se e Russel começou:

— Nem preciso dizer o porquê que to aqui, né? — Martin balançou a cabeça negativamente. — E também, que você viu, pois toda Los Angeles viu. Enfim, eu ainda não acredito, eu tava no banco, Martin. Vi com meus próprios olhos, cara. Foi, foi terrível. Não foi tão ruim, porque querendo ou não, ela me salvou, mas foi terrível por que tudo o que os velhos disseram aconteceu.

— Eu disse. No futuro haverá maquinas do tempo. Você não acreditou.

— Era impossível. Doidera pura. Ninguém acreditaria.

— Mas acabou que não era.

— Ok, ok. Admito que errei. Apesar de qualquer pessoa racional agira do mesmo jeito que eu, mas... — Martin ia se defender. Russel faz um sinal de “pare” — temos que pensar algo. Se ela existe mesmo, quer dizer que tudo o que eles disseram é verdade. Não podemos ignorar.

— Temos que impedi-la.

— De que jeito?

— De que jeito você acha? Como os velhos disseram, seguiremos o plano deles.

— Martin, é muito arriscado. Nem sabemos se essa doutora existe mesmo...

— Temos que constatar então. Vamos encontrá-la.

— Como?

— Você conhece isso aqui? — apontou. — Ela faz o impossível. Encontra pessoas do outro lado do mundo e também faz com que nos comuniquemos, praticamente viajamos até o lugar. Chama-se internet. — Russel fazia uma cara que iria esmurrar alguém. Martin riu

Os dois procuraram a doutora, encontrando seu site. Chamava-se Dra. Yvonne Adams, especialista em genética.

— Especialista em genética... o que isso vai ajudar? — perguntou Martin

— Não sei no que vai ajudar. Disseram que no futuro ela tornaria uma das maiores estudiosas em genética do mundo. Em um dos projetos dela que Popper se meterá, atrapalhando nossas vidas também. Então é melhor conversarmos com ela.

— Tá, mas será que ela vai acreditar, ou seja, ajudar?

— Se ela não ajudar, meu caro...somos jornalistas, descobrimos um podre dela e já era. Ela vai comer na nossa mão. É assim que se consegue as coisas.

— Ok, faremos isso depois. To com fome e minha dama preparou uma comidinha deliciosa... — disse Martin, saindo da sala.

****

Fazia dez anos que os Oota abriram o restaurante. Para comemorar, decidiram fazer uma festa de reinauguração convidando todos a uma noite de muita diversão, música e alegria. Bem, era isto que estava escrito no cartaz na frente do restaurante. Ichiro e Alice foram escalados para ajudar na organização. Dois dias antes, o restaurante começou a ser decorados por eles e alguns funcionários. Tinha bexigas, flores, enfeites japoneses, fotos antigas da inauguração e também do restaurante que eles tinham no Japão. O cardápio foi escolhido especialmente por Anna, que coordenava toda a festa. O bolo foi decorado por ela e seria servido à meia noite. Estava tudo perfeito. A festa começou às 19h de um sábado. As luzes coloridas do jardim davam o toque final ao lugar, deixando-o mais aconchegante e elegante.

Alice não se continha de felicidade. Ver os Oota tão felizes... Eram a sua família agora e Anna fazia questão de deixar isso bem claro. Alice vestia um vestido tomara que caia azul escuro e com bainha até o joelhos. Calçava um Peep Toe preto e fechado. Suas longas madeixas estavam soltas. Não parecia ter apenas 17 anos.

— E aí, vamos? — disse Alice a Ichiro. Estavam atrasados.

— Claro, só um minu... — parou de falar quando viu Alice. — V-você tá linda, caramba. — Ichiro vestia uma camisa social branca, uma jaqueta e calça preta com tênis.

— Obrigada, você também não está nada mal. — agradeceu, corando.

— Mas estou desconfortável, odeio essas roupas. A melhor coisa é andar largado, de chinelo e regata. — disse. Os dois riram.

— Pode crer. Vamos logo, Ichiro. Você demora mais que eu. — disse puxando-o.

O restaurante estava completamente lotado, gente que não acabava mais. Alice segurava na mão de Ichiro e era arrastada. Ele a apresentava para todo mundo. Os Oota tinham muitos amigos, e Alice conheceu um por um. Um Dj animava a festa e aperitivos eram servidos a todo momento.

— Sinto muito, mas a senhorita não tem idade suficiente. — disse Ichiro, tirando uma taça de vinho das mãos de Alice.

— Não vou ter idade suficiente pra sempre, então não faz mal. — disse pegando de volta a taça.

Alice e Ichiro tinham um probleminha em comum: bebiam demais. Começaram a fazer competição de quem bebia mais tequila em um minuto, até que foram interrompidos pelo Sr. Oota, que iria discursar.

— Estamos todos aqui hoje reunidos para comemorar um sonho. Um sonho que demorou vinte oito anos para se realizar. Parte dele está em nosso país natal. E o resto aqui. Faz dez anos que ele se tornou realidade. Dez anos que vocês vêm aqui com a família comer e se divertir. Tudo o que estão vendo, foi feito com amor e com sacrifícios. Sacrifícios que valeram a pena. Essa década não seria nada sem vocês. Vocês, meus amigos, são a razão do sonho sair do plano e virar objetivo...e virar realidade. Obrigado e obrigado por nos ajudarem e por estarem em nossas vidas. Arigatô!

Uma salva de palmas invadiu o salão. Todos estavam de pé aplaudindo não o homem, não o restaurante, não aos dez anos, mas sim um sonho realizado.

— E agora, vamos ao que interessa: o bolo. — disse Sr. Oota, dirigindo-se ao imenso bolo. Começaram a cortar e os garçons distribuíram os pedaços. Depois de comer, Alice abraçou o Sr. e a Sra. Oota e agradeceu tudo o que estavam fazendo por ela.

— Não precisa agradecer, querida. É o mínimo que podemos fazer por você. Nossa heroína. — disse Sra. Oota, abraçando Alice novamente.

Fartos, Alice e Ichiro decidiram sentar e conversar, assim como todo mundo no salão. Até que uma música que Alice adorava, começou a tocar.

— Ui, adoro essa música. Vem — disse pegando Ichiro pelo braço —, vamos dançar. — Tocava: No. 1 Party Anthem, do Arctic Monkeys.

— Essa música é lenta.

— E daí, tá com medo de mim? Eu não mordo, só se você deixar. — disse Alice, rindo. Despois dessa, Ichiro foi quase obrigado a dançar.

Ichiro morria de vergonha dessas coisas, mas com Alice não sentia. Ela o fazia pagar micos todo hora. Ele pegou em sua cintura e ela o braços em torno do seu pescoço. Dançavam lentamente. Não falavam, seus olhares diziam tudo. Desta vez, Alice o beijou, mas como da primeira vez, Ichiro fugiu sem dizer nada.

— Ah não. Desta vez ele vai me escutar. — disse Alice correndo atrás dele. Encontrou-o sentado num banco no jardim. Estavam sozinhos. A música ainda embalava seus sentimentos.

— Por que isso, hem? Você sempre foge de mim, quer dizer, foge dos meus beijos, porque sempre me manda indiretinhas...pensa que eu não percebo. — Ichiro olhava em seus olhos. Ela sabia que quando fazia isso, diria uma coisa realmente séria.

— Não podemos ficar juntos. — disse, rapidamente.

— Ah, é? Por quê?

— Por que os heróis foram criados para combater o mal, não para amar.

— Não posso amar, é isso?

— Pode, só não pode ficar perto de quem ama. Quando o herói fica perto de quem ama, perde os poderes ficando imortal. — Alice não respirava, não acreditava em seus ouvidos. — Por isso sempre fugi de você, não podia se apaixonar... não podia me apaixonar. — Alice sentara no chão. Uma lagrima brilhante escorrera pela sua bochecha.

— E você me diz isso agora...

— Sinto muito, não tive coragem de contar antes.

— Mas teve coragem de deixar tudo acontecer... — Alice levantou-se, foi até Ichiro e o abraçou. — Eu te amo, Ichiro — disse beijando-o. Ichiro desculpou-se novamente.

— Mas, espera aí. E os outros heróis? É por isso que não existe nenhum mais?

— Sim. Desistiram. Quando os deuses perceberam que todos os heróis desistiam de seus poderes por seus amores, resolveram criar aquela regra, de que em tempos em tempo, nasceria um herói.

— Então tem como desistir?

— Sim, era isso que minha mãe ia falar naquele dia.

— Ichiro, não importa o que precise fazer, quero desistir dos meus poderes por você.

— Ah, não vai mesmo. Alice é sua missão. Seu destino. Você veio pra ajudar pessoas. Você as salvou no banco e vai salvar muitas mais. Eu nunca permitirei isso.

— Se o meu destino for ficar longe de você, prefiro morrer, pois pior do que morrer é viver eternamente sozinha. — Ichiro a observava. Sabia que seria difícil convencê-la e principalmente a si próprio.

Notas finais
E ai o que acharam? Quem ficou curioso em ouvir a musica mais perfeitinha, segue o link ai: https://www.youtube.com/watch?v=VFXov8VaTiI. Apaixonem-se:3