Missão Saturno
2 Noah
Notas iniciais
Noah
O despertador tocou. Meus olhos se negavam a abrir devido a extrema luz que vinha da janela ao meu lado. Seis horas, cedo demais, porém, ideal para alguém preguiçoso como eu. Me espreguicei, levantei e segui para o chuveiro. Não há nada melhor que um bom banho de manhã cedo. Saí com uma toalha na cintura. E molhando o chão fui para o meu guarda-roupa e peguei a primeira roupa que vi na frente, como de costume. Terminei de me arrumar e fui para cozinha. Meu apartamento talvez fosse grande demais para uma pessoa que morava sozinha, mas aquele era exatamente o espaço que precisava. Peguei um resto de leite na geladeira e umas bolachas no balcão, estava pronto meu café da manhã. Sinceramente, não me importava com o que comia antes de sair de casa, minha intenção era comer alguma coisa na rua. Peguei meu casaco preto, as chaves, minha mochila e saí em direção ao elevador. Tinha que descer quinze andares, e geralmente fazia isso sozinho, quase ninguém no prédio saia esse horário. O elevador parou, estava no hall.
Cumprimentei o porteiro e segui em direção à rua. Lá estava ela em seu Passat amarelo. Aquele carro era o centro das atenções! Não sei se é pelo fato dele ser antigo, sua motorista LINDA ou por ser o único carro com mais de 15 anos na rua. Fui me aproximando e ela logo gritou:
— Vamos Noah, pare de ser lerdo! – exclamou – Já estou a TRÊS minutos te esperando!
Olhei para a cara dela e instantaneamente comecei a rir. Ela era hilária, divertida e provavelmente a garota mais linda que já conheci. Seu nome era Sky. Ela era branca, tinha um cabelo loiro, parcialmente liso, que vinha até os cotovelos, e olhos azuis. Seu corpo era bem definido e cheio de curvas. Ela estava usando uma jaqueta jeans, uma calça preta e um tênis branco. Eu a conheço já faz mais ou menos 6 meses, e desde então ela se tornou minha melhor amiga. Passamos os dias praticamente juntos, quando não estamos trabalhando, nós saímos juntos, vamos ao cinema ou planejamos alguma coisa para fazer na minha casa.
— Você poderia muito bem não vir me buscar, mas já que vem, coloca uma música aí e anda logo. – entrei no carro e em seguida disse – Ah, dá para passar na lanchonete? Ainda não tomei um café da manhã decente.
— Claro! Aproveite e pague alguma coisa para mim. – disse ela. — Caro senhor passageiro, se sua bunda já estiver enfiada no banco, coloque o cinto de segurança e trave e porta que esta belezura está prestes a decolar.
Liguei o rádio e logo em seguida “A Thousand Miles” começou a tocar. No mesmo momento que a música se iniciou eu olhei para a Sky, ela retribuiu o olhar e começamos a cantar juntos. Três segundos depois já estávamos gritando enquanto ela dirigia em direção a lanchonete perto da base.
O caminho até essa lanchonete era geralmente tranquilo, sem congestionamento ou aglomerado de carros. Levamos apenas 15 minutos. Enquanto Sky colocava o carro no minúsculo estacionamento, que dava para apenas 4 carros, eu ia pegando a carteira da minha mochila e colocando no meu bolso, aproveitei para verificar quanto eu tinha para gastar.
Saímos do carro e subimos aqueles 5 degraus para entrar. Na porta tinha o nome da loja e o logo, que era uma xícara de café com um olho desenhado nela, particularmente, considerava muito criativo. The Hideout era o que estava escrito, algo como O Esconderijo. Entramos. Contei 7 pessoas, duas na bancada perto do caixa e outras 5 espalhadas por algumas mesas. Seguimos em direção ao balcão. Avistei a Megan atendendo, ótima notícia, teríamos donuts com recheio extra. Megan, ou Meg como costumava chamar, era uma mulher de mais ou menos 20 anos que trabalhava na lanchonete. Geralmente trabalhava em dias alternados, então nunca sabia quando a veria. Ela era extremamente simpática e legal, fomos falar com ela:
— Hey Megan, como vai? – perguntei.
— Acho que bem. Oi Sky! – ela abriu um sorriso e perguntou – Vocês estão indo para o trabalho?
— Oi Meg. – disse Sky com um tom doce e agradável na voz – Sim, só viemos comprar algo para comer antes. Como vai o namorado?
Achei Sky um pouco indelicada, mas até que lembrei que elas costumam se falar pelo celular, portanto, Sky tem intimidade o suficiente para perguntar aquele tipo de coisa.
— Estou solteira. Agora vejo que essa foi a melhor decisão a se tomar. Mas, vieram aqui para comer, não foi? O que vão querer? – falou gentilmente.
— Eu vou querer 3 donuts e um milk-shake de chocolate. E coloca aquela bandeja de lua de mel (Um pãozinho com recheio de creme e raspas de coco em cima) em uma sacola, vou levar para a Arizona. – Disse eu. – Pode pegar qualquer coisa Sky, eu pago. – peguei a bandeja e segui para a mesa.
Aquele lugar era realmente muito bonito, um dos meus lugares favoritos. Fui seguindo com meu lanche para a mesa no canto da janela. Antes de começar a comer Sky apareceu. Ela veio com 2 donuts e um suco de laranja e sentou na minha frente.
— Ah, como eu adoro esse lugar – exclamou – A propósito, você fala frequentemente com a Arizona?
— Não necessariamente, mas no dia que ela fez minha entrevista para poder entrar na base saímos para comer, e ela pediu lua de mel, então acho que ela pode gostar. Sei lá, acho que é um bom jeito de começar.
— Eu nunca cheguei a ter uma conversa de verdade com ela, eu falo mais com a Katherine. – disse ela. Em seguida perguntou extremamente entusiasmada. – Mudando de assunto, eu vou em uma balada hoje, vai ser legal. Vamos?
— Não tenho nada planejado para hoje, então acho que sim. Eu te ligo hoje de noite para confirmar. – respondi sorrindo – Tá, então vamos para não nos atrasarmos.
— Ok, vamos lá. – disse ela enquanto guardava os donuts em uma sacola de papel e terminava de tomar seu suco.
Nos despedimos da Meg e seguimos para o carro. Terminamos de comer nosso lanche durante o percurso.
Ao chegar na base mostramos nossas identidades ao porteiro e fomos entrando. A Sky estacionou o carro e entramos juntos. Era por volta de oito e meia, consequentemente não haviam muitas pessoas no corredor ou no hall de entrada. Seguíamos para a sala de treinamento. Nesse percurso, víamos todos aqueles equipamentos que estavam dentro daquelas salas desde que a primeira vez que entrei lá. Parte daquilo não sabia muito bem para que servia, um pouco por falta de curiosidade, eu acho.
Fazia cerca de 1 mês que eu e a Sky tínhamos nos efetivado na base como astronautas. Ficamos por volta de 8 meses fazendo testes, provas e participando de algumas atividades. Em uma delas foi que eu conheci a Sky. No começo, o programa era focado em palestras, a primeira me lembro que anunciaram cerca de 200 pessoas concorrendo por algumas vagas de astronauta. Dois meses depois haviam apenas 50 pessoas. Em uma dessas atividades foi que conheci a Sky. Formamos uma dupla para uma atividade que pretendia cortar o número de candidatos ao meio, descobrimos que fazemos uma dupla realmente incrível, acho que os coordenadores do projeto também perceberam isso. Depois daquele dia os testes e provas eram muito mais extensos, e durante longos meses foram eliminando gradualmente os participantes. Eu e a Sky fomos os únicos efetivados no projeto, porém de vez em quando Katherine diz que pretendem ter mais um na nossa equipe.
Conhecia poucas pessoas que trabalhavam na base, dentre elas estavam Arizona, Katherine e o porteiro. Ás vezes ainda me pergunto como isso pode ser tão amplo? Tantas pessoas fazendo tantos serviços diferentes com um mesmo propósito, eu meio que gosto muito dessa ideia.
Aquele dia foi reservado para conhecermos melhor as tarefas destinadas a cada setor e começarmos a trabalhar com um foco específico, que até então foi chamado de Missão Saturno. Katherine, alguns dias antes, tinha nos avisado que Arizona seria nossa superior nesse projeto, e que ela já estava a alguns meses trabalhando nisso. Segundo Katherine, Arizona era uma das astrônomas que estão a mais tempo naquela base e, portanto, uma das mais qualificadas. Isso me soou como se fosse um prazer poder trabalhar com ela, e é exatamente o que eu espero.
Chegamos na sala que provavelmente iriamos passar uma boa parte do tempo trabalhando. Era uma sala grande, ela tinha dois lados, como se fosse dividida em dois cômodos. Na parte onde estávamos tinham uma mesa redonda com dois computadores e duas cadeiras rotatórias, e já na outra extremidade da sala havia um painel de controle, que ia até minha cintura, e acima um vidro grande e transparente. Me aproximei para ver o que havia do outro lado. Não consegui distinguir, via uns mini foguetes, umas estruturas grandes de metal e vários outros equipamentos. Fiquei curioso, até que a Sky disse:
— Isso é para treinarmos para quando estivermos no espaço. Olha, acho que aquilo é um simulador de voo. – disse ela apontando para a réplica do foguete. – Que raio é aquilo? Não me diz que é ...
— Não parece, mas é uma centrífuga. – nos assustamos um pouco, ela literalmente havia aparecido do nada. – Olá! Deixe eu me apresentar formalmente. Meu nome é Arizona Adebowale, Trabalho nessa base já fazem 8 anos. Já liderei alguns projetos, porém creio que esse será o mais emocionante. Noah e Sky, certo?
— Sim – assentimos.
— Bom, não se assuste garota, aquela centrífuga já está desativada faz mais de cinco anos. Atualmente criamos trajes espaciais capazes de resistir a uma pressão absurda. Enfim, sejam novamente bem-vindos, vocês passaram por muitos testes, então acredito que estejam mais que capazes de fazer qualquer coisa aqui dentro.
Sorri quase que instantaneamente enquanto ela falava, sua leveza e poder na voz são incríveis. Ela era alta e incrivelmente bonita. Sua pele era negra e usava dreads no cabelo, seu rosto tinha traços fortes e bem contornados. Estava vestindo uma calça preta e uma camisa branca. E também tinha várias pulseiras e usava uma faixa de cabelo branca.
— Vamos andando? Quero que vocês conheçam uma pessoa. – disse ela, seguindo em direção a porta – Ele vai ser de grande ajuda para vocês. O nome dele é Chuck.
Me senti muito bem em estar participando daquilo. Era como se estivesse realizando um sonho. Tecnicamente estava. Seguimos Arizona até a sala de criação, um dos locais mais bonitos de toda a base. Lá eles criam tecnologia, desenham projetos e fazem outras dezenas de trabalhos que não faço a mínima ideia do que seja. Ela chegou perto de um cara alto e barrigudo, cumprimentou ele e nos apresentou:
— Noah, Sky, esse é o Chuck, ele trabalha na área de desenvolvimento de tecnologia, ou seja, caso queiram algo peçam para ele, inclusive conselhos, ele é muito bom com isso. – falou como se já houvesse pedido vários concelhos para ele antes. Ele parecia ser uma pessoa muito legal, ainda mais com aquela barba gigante.
— Olá pessoal, eu sou o Chuck, meu trabalho aqui é consertar máquinas quebradas e construir uns aparelhinhos estranhos que me pedem. Se precisarem já sabem.
— Obrigado Chuck! – disse Arizona – Vamos, tenho que mostrar a parte de equipamentos para vocês.
Seguimos ela novamente, até que a Sky sussurrou no meu ouvido:
— Isso é muito legal, quero fazer para sempre. – em seguida olhou feliz para mim – Sabia exatamente o que ela estava sentindo, e eu acho que estava sentindo o mesmo.
Segundos depois chagamos em uma sala cheia de trajes, alguns capacetes e diversos utensílios espaciais.
— Essa é a sala de ferramentas espaciais, sintam-se à vontade. – disse Arizona.
Nesse momento, Katherine entrou na sala e foi direto falar com ela. Ouvi elas conversando sobre algum fornecedor que estava querendo fazer uma visita. Ambas saíram juntas.
— Onde elas foram? – perguntou Sky?
— Não sei. – respondi.
— Saiu e deixou os pimpolhos aqui nessa sala cheia de coisas estranhas – disse com um leve tom de sarcasmo.
Ficamos andando pelo local, até que entram 3 pessoas na sala, Além da Arizona e da Katherine, um homem alto, com a pele parda e muito atraente por sinal. Ele tinha uma barba rala e olhos castanho escuro. Ele estava usando um terno preto, muito social para quem estava em uma base astronauta. Elas vieram nos apresenta-lo.
— Noah, Sky, este é Kane Velike, ele é dono da Velike Tech, ele que fabrica grande parte da tecnologia que não conseguimos produzir ou as que não temos recursos o suficiente para fazer. Ele veio entregar alguns trajes espaciais, que a propósito, vocês vão usar.
Seu rosto estava meio corado, como se ainda não conseguisse lidar com pessoas falando dele. O que era estranho, pois ele era um empreendedor. Ele esboçava uns meios sorrisos enquanto Arizona falava. Sua face expressava um leve contentamento com o ocorrido. Acho que ele não é muito de sair dos limites de sua empresa.
— Olá – disse ele. Sua voz era seduzente e calma. Ele estendeu a mão e disse – Tudo bem? Prazer em conhecê-los.
Levantei a mão para o cumprimentar, mas Sky foi mais rápida.
— Hey, prazer! Pelo visto é a primeira vez que vem aqui, certo? – ela disse como se já tivesse um objetivo, porém não consegui compreender qual era.
— Sim, sim. É minha primeira vez. – falou meio acanhado, passando fiapos do cabelo para atrás da orelha – Eu gostei bastante daqui por sinal!
— Katherine, leve-o para conhecer o resto de nossas instalações – disse Arizona. Em seguida, olhou para mim e disse – Noah, não gostaria de ir com eles? Preciso falar com a Sky um pouco.
— Ok. – Sky olhou para mim e levantou as sobrancelhas pedindo para eu ir. Ela trocou olhares com Arizona. Acho que entendi o que ela havia acabado de fazer. – Eu vou sim!
— Espero que volte senhor Kane. – falou Sky alegremente.
— Só Kane, por favor – ele riu e se despediu das duas.
Não acredito, aquilo era uma pura estratégia de negócios. Até onde entendi, o objetivo dela era fazer com que o Kane se envolvesse com o projeto a fim de futuramente reduzir custos das coisas que ele vendia. Muito boa a sacada, Só espero que não esteja inventando isso. Mas, porque a Arizona me mandou andar junto com eles? Enfim, deixo para descobrir isso depois.
Fomos andando pelo hall, novamente, enquanto Katherine continuava a fazer o “tour”, falando sobre cada coisa que víamos pela frente. Depois de um tempo fomos para uma sala de prêmios.
— Vejam isso, esse foi o último prêmio que ganhamos. – disse Katherine apontando para um troféu um tanto quanto pequeno, porém parecia ser interessante. – Ganhamos a um ano atrás por desenvolvermos um equipamento de redução de pressão no interior dos foguetes. A Velike Tech forneceu vários dos materiais necessários para a realização desse feito.
Olhei para o rosto do Kane, ele ficou corado novamente. Ele não deveria expressar algo que mostrasse que ele estava orgulhoso? Katherine disse:
— Hum, eu vou pedir para prepararem algo para comermos. Tudo bem por vocês?
— Por mim sim! – respondi.
— Por mim também – assentiu Kane.
— Ok, já volto. Fale um pouco sobre o que faz aqui para ele Noah.
— Tudo bem. – sorri, e me virei para o Kane enquanto ela saia. – Bem, não é nada demais eu acho, não ainda. Fui efetivado a menos de um mês como astronauta, antes disso passei oito meses em processo de seleção. Um tanto quanto chato, eles verificam se nossa saúde está em perfeito estado, nosso nível concentração, entre outras coisas. Mas, e você? Me conte mais sobre o que faz.
Essa pergunta pareceu ser uma surpresa para ele. Como se ninguém nunca a tivesse feito.
— Bem, fazem 6 anos que comecei essa empresa. Ela cresceu incrivelmente rápido. Eu comecei do zero, então, tive que ralar muito no começo, mas tive muitas pessoas me ajudando. Amigos que conseguiram patrocínio e coisas do tipo. É uma história particularmente muito menos interessante de metade das coisas que ouvi até agora.
— Tudo o que é novo tende a ser interessante. – disse eu – Então você dirige a empresa, certo?
— Tecnicamente sim. Tenho uma equipe que faz quase tudo por mim, então não me preocupo muito com as coisas. – ele se sentou em um pufe que tinha no canto da sala, eu me sentei na frente dele. – Sinceramente, o que faço é participar de reuniões, dar minha opinião e assinar papéis. Eu descobri hoje que minha empresa faz esse tipo de coisas, sabe, para astronautas.
Não acreditei quando disse, como alguém pode ter uma empresa e não saber as coisas que ocorrem dentro dela?
— Sério isso? – indaguei curioso.
— Hahaha, parece estranho, não é? Mas chega uma hora que você faz tanta coisa que não consegue ter ciência de tudo o que está acontecendo. – disse com um sorriso sem jeito no rosto. Ele suspirou e prosseguiu. – Se eu te falar que fazem meses que não saio para me divertir.
— Está brincando? Sério? – como isso era possível? Era a única coisa que conseguia pensar.
— Sim, por incrível que pareça. Geralmente estou muito envolvido com o trabalho, e coloco isso em primeiro lugar, consequentemente não sobra tempo para lazer.
— Mas lazer é tão importante quanto trabalho. Pense nisso, você precisa sair mais.
— Ok, considerarei sua observação.
Nesse momento, Katherine chegou e nos chamou para o refeitório. Seguimos ela e lá encontramos Sky, Arizona e Chuck já sentados e comendo. Fomos para a fila, colocamos nossa comida e sentamos junto o resto do pessoal. Por um segundo, olhei para o Kane e vi quão comum ele parecia ser para o dono de uma grande empresa.
Todos começamos a conversar entre nós, Sky soltando algumas piadas, Chuck com outras piores, e o resto de nós rindo e curtindo o momento. Todos já havíamos acabado de comer, até que o Kane levantou e disse:
— Obrigado a todos por essa tarde, foi realmente muito incrível conhecer vocês, a base e o trabalho que fazem aqui. Quem sabe na próxima entrega eu venha novamente para almoçar com vocês. – todos se despediram e eu disse:
— Te acompanho até o portão, pode ser?
— Claro – assentiu Kane com entusiasmo.
Seguimos andando pelos corredores.
— Foi realmente legal passar o dia com vocês, não esperava nada disso quando vim trazer aquelas caixas. – disse Kane. – Ah, e não se preocupe que eu vou sair essa semana ainda, eu prometo.
Fiquei feliz ao saber que ele seguiria minha dica. Abri o portão e nos despedimos.
— Então, tchau Kane. Te vejo na próxima entrega. – rimos juntos
— Pode deixar, lhe garanto que venho trazer a próxima entrega.
Ele foi saindo em direção ao seu carro. Até que eu o chamei:
— Kane! – ele se virou e respondeu:
— Oi
— Eu vou sair hoje à noite, gostaria de ir comigo?
— Sim, claro! – respondeu entusiasmado.
Trocamos nossos números de telefone e nos despedimos novamente. Naquele momento me veio à mente que seria legal sair com ele. Voltei para o refeitório e todos ainda estavam lá. Seguimos para aquela primeira sala que estávamos e passamos o resto do dia com Arizona explicando sobre o que faríamos durante o nosso tempo no projeto.
Cinco e meia da tarde nós estávamos saindo da base. Sky me deixou no meu prédio e foi para casa dela. Eu subi, tomei outro banho, me arrumei e fui preparar algo para comer. Abri a geladeira e não vi muitas opções. Após colocar o frango no forno, preparei um macarrão. Aquele foi meu jantar.
Geralmente, minhas noites eram meio chatas, sem nada de legal para fazer além de assistir minhas séries. Enquanto comia, meu celular vibrou, era uma mensagem do Kane:
[Kane]: Noah, hey!
[Kane]: Então, vou ir me desculpando!
[Kane]: Não vou poder sair hoje, tenho uma reunião de negócios.
[Kane]: Podemos marcar para outro dia?
De início fiquei meio triste, mas, acho que isso era o esperado, que ele não fosse. O que não podia era ter que me trocar de novo, já estava arrumado para sair. Então lembrei da Sky, e a enviei a seguinte mensagem:
[Noah]: Sky!!! Lembra que me chamou para ir em uma balada hoje?
[Noah]: Então, eu vou! Quando estiver indo passa aqui para me buscar.
[Sky]: Uhhuul! Claro, já estou saindo daqui!!
Agora tinha uma noite inteira para aproveitar. Terminei de comer, escovei os dentes e fui para o terraço esperar por ela. Não tive que esperar nem dois minutos para ela aparecer. Entrei no carro e ela disse:
— Pronto para passar a noite dançando, garanhão?
— Nasci preparado! – rimos e seguimos para a balada.
Chegamos e ela estacionou o carro. Meu conceito de balada era algo um pouco diferente daquele onde estávamos. Ali era um galpão que tinha uma entrada lateral onde as pessoas entregavam o ingresso. Fomos para fila, que não estava muito grande, e a Sky me disse:
— Siga minhas instruções e tudo vai dar certo, ok?
Nesse momento já comecei a ficar preocupado. O que dar errado? Mas como não tinha nenhuma outra escolha apenas assenti:
— Ok.
— Vamos fazer o seguinte, você vai procurar o ingresso e falar que esqueceu e eu me viro com o resto.
Chegou a nossa vez na fila, tentei parecer calmo. Sky entregou o ingresso e o RG, e então eu peguei o meu e fingi ter perdido o ingresso. Olhei então para ela. E ela perguntou:
— Noah, tudo bem?
— Hum, eu... acho que... perdi meu ingresso. – naquele ponto já estava um pouco nervoso.
Ela olhou para o segurança e perguntou:
— Oi, ele pode entrar sem o ingresso? Ele paga a mais, não paga Noah?
— Pago sim, claro!
O segurança começou a olhar com uma cara estranha, olhou para nós e disse:
— Ok, porem são R$ 20 além do preço do ingresso.
Sky olhou para mim com uma expressão feliz, como se tudo já estivesse certo, então entreguei o dinheiro e entrei. O local era muito grande, tinha um palco bem elevado e um segundo andar. As luzes piscavam freneticamente, por mais que as cores que dominavam era o roxo e azul.
Fomos para balcão de bebidas, o barulho era muito alto, mal podia entender uma sequer voz, contudo a música era muito boa. Chegamos ao bar e falei para Sky:
— Por que você não me falou que tinha que comprar um ingresso?
— Já estamos dentro, não é? Não se preocupe e vá curtir – ela falou quase gritando. Pediu dois drinks e deu um para mim. Enquanto bebia o meu, ela sumiu em meio à multidão. Podia ficar procurando ela, mas ela já não estava em minha vista, então decidi ir para a pista e começar a dançar. Dancei por quase uma hora inteira. E ainda tinha muito energia para gastar. Fui para o bar e pedi outra bebida. Enquanto o barman preparava, um homem moreno, alto e muito bonito me chamou:
— Oi, tudo bem? Está gostando daqui? – sabia onde isso iria levar, então apenas fui dando corda.
— Tudo bem sim. É a primeira vez que venho aqui e estou adorando. – peguei minha bebida e ele pegou uma também. Bebemos até que ele perguntou:
— Quer dançar?
— Claro. – respondi
Fomos para a pista e começamos a dançar juntos.
— Meu nome é Noah, o seu é? – perguntei.
— Brad. – disse ele.
Enquanto dançávamos coloquei uma mão na cintura dele e outra no pescoço, olhei nos olhos dele e lhe dei um beijo. Ele deu um sorriso e continuamos. Não sei por quanto tempo fiquei ali. Mas depois de um bom tempo dançando e nos beijando ele me perguntou:
— Quer ir para outro lugar?
— Adoraria – respondi.
Demoramos cerca de 5 minutos para sair de lá. Saímos perto de onde o segurança ainda liberava a entrada de pessoas. Fomos até o estacionamento, dei uma olhada em volta, não reconhecia nenhum carro que estava ali. Brad falou enquanto abria a porta de seu carro:
— Minha casa não é muito longe daqui, vamos?
Mas antes de entrar, ouvi meu celular tocar, era a Sky, olhei para ele e pedi para esperar um tempinho antes de partirmos. Atendi:
— Alô? Sky?
— Noah, acho que preciso de ajuda!
— O que foi? Onde você está?
— Então, este é o problema. Não faço a mínima ideia de onde eu estou.
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