Missão Rank-S: Se Apaixonar Pelo Kazekage

1 Efeito Colateral Não Catalogado


Primeira Visita a Suna

Sol cortante. Areia viva. A filha do Hokage chega.

O vento do deserto levantava redemoinhos dourados pela entrada da Vila Oculta da Areia. O calor parecia vibrar no ar como uma promessa de resistência. No alto dos portões ocres de Sunagakure, os guardas ajustavam os olhos para o horizonte.

E então, ela surgiu.

Akari Uzumaki, manto branco e vermelho esvoaçando sob o sol, bandana de Konoha firme no pescoço, o suor escorrendo sutil pela têmpora. A pele clara reluzia sob o brilho seco. Os olhos perolados, herança do Byakugan, exploravam o novo cenário com uma calma que contrastava com a dureza do ambiente.

— Uau... — murmurou, quase para si mesma. — Isso sim é um abraço quente de boas-vindas.

Ao redor dela, a comitiva de Konoha caminhava com mais dificuldade, alguns já visivelmente desconfortáveis com o calor. Mas ela? Ela parecia... leve.

Passava por crianças com olhos curiosos e cabelos queimados de sol, e sempre sorria. Parava para afastar uma pedrinha do caminho de um deles. Pedia licença a uma vendedora de frutas para ajustar o curativo mal colocado na mão de um menino. E seguia.

No alto da torre central, Gaara, o Quinto Kazekage, observava.

Silencioso.

Atento.

A forma como ela caminhava — firme, técnica, mas com doçura nos gestos — despertava nele uma sensação desconcertante. Aquela mulher era uma ninja médica de elite, enviada por Konoha para discutir acordos intervilas de assistência sanitária, e ainda assim...

Ela sorriu para o céu.

Simplesmente parou, ergueu o rosto e sorriu para o sol escaldante.

E o peito dele respondeu com um calor que não vinha do deserto.

— Ela é filha do Naruto? — Gaara perguntou, sem tirar os olhos dela.

Temari, ao seu lado, ergueu uma sobrancelha.

— É. Akari Uzumaki. Especialista em medicina de campo. Já desarmou um selo bomba cardíaco só com agulhas de chakra e o Byakugan.

— Hm... interessante. — Gaara disse, e pela primeira vez em muito tempo... sorriu.

----------------------------------------------------Reunião Diplomática

A sala era ampla e austera. Ventiladores de chakra giravam suavemente no teto, mas o calor era teimoso.

Akari entrou com postura impecável. Manto dobrado nos ombros, caderno de anotações na mão, olhos atentos. Os conselheiros de Suna a olhavam com um misto de respeito e curiosidade.

Ele estava lá, sentado à cabeceira da mesa.

Gaara.

— Akari Uzumaki. É uma honra. — A voz dele era controlada, grave. Formal como ditava o protocolo.

Ela inclinou a cabeça em reverência, o sorriso sereno desenhado nos lábios.

— A honra é minha, Kazekage-sama.

Mas havia algo na voz dela — aquele timbre suave, que soava como rio em meio à areia — que fez o coração dele hesitar por um segundo. Uma tranquilidade que ele não ouvia desde que era pequeno, agarrado na barra da roupa de Temari quando sentia medo do mundo.

Durante os debates, ela se destacou.

Organizou triagens, apresentou soluções para controle térmico nas enfermarias, propôs selos de estabilização para casos de insolação crítica. Seu jeito doce ao ensinar os jovens aprendizes contrastava com a precisão cirúrgica das instruções.

E Gaara continuava a observar.

Silencioso.

Atento.

-----------------------------------------------------Tentativa de Conversa

Na sala técnica do hospital de Suna, ela revia relatórios. Luz âmbar entrava pelas janelas altas.

Ele se aproximou devagar, mãos atrás das costas.

— Konoha tem sorte em confiar essa missão a alguém tão competente.

Ela olhou para ele, surpresa pela abordagem direta.

— Obrigada, Kazekage-sama. Meu foco é puramente técnico.

Ele inclinou levemente a cabeça.

— Técnica é poder. E poder exige equilíbrio... — disse, a voz mais baixa, os olhos fixos nos dela. A intensidade parecia escavar camadas dentro dela.

Akari sorriu, levemente constrangida. Assentiu com educação... e voltou aos papéis.

Mas o olhar dele permaneceu.

Demorado.

Silenciosamente voraz.

--------------------------------------------------- Jantar Diplomático

A mesa era longa, coberta com pratos típicos de Suna — arroz com tâmaras, carne de camelo em especiarias e chá de ervas raras do deserto.

Gaara puxou a cadeira ao lado dele.

— Espero que não esteja sofrendo com o calor do deserto — disse com sua costumeira calma.

— Já enfrentei selas de vulcões em missões médicas. Isso aqui é praticamente um spa — respondeu ela, rindo leve.

Ele sorriu. De verdade.

— Gosta de viver em Konoha?

— Amo minha vila. Mas não sou contra ver o mundo.

Ele a observou por um instante.

— Se quiser ver mais de Suna... posso lhe mostrar o que não está nos mapas.

Ela achou que fosse figura de linguagem.

Temari, do outro lado da mesa, engasgou no chá.

Kankuro se curvou na cadeira de tanto rir.

E Gaara apenas continuou com aquele meio sorriso enigmático.

-----------------------------------------------------O Mapa

No dia seguinte, no topo da torre do Kazekage, ela recebeu um pergaminho.

— Um mapa? — ela perguntou, olhando a dobra selada com chakra.

— Um mapa pessoal de Suna. Com um selo meu.

— Isso aqui... tem chakra seu?

— Para o caso de se perder. Pode me chamar.

Ela ficou quieta por um momento.

— Obrigada... Kazekage-sama. É... gentil da sua parte.

Ela pensou em formalidade. Pensou em crianças. Pensou em curativos, calorias, frascos de soro.

Não pensou nele.

---------------------------------------------------Sala Privada do Kazekage

Temari entrou sem bater, os olhos semicerrados.

— Você entregou um mapa com um selo seu. Que ativa uma conexão direta. Isso é praticamente um pedido de... invocação.

Gaara, de pé, encarava o horizonte pela janela.

— Foi um gesto diplomático.

— Gaara... o selo dizia “caso se perca, me chame.” Isso não é diplomacia. Isso é flerte ancestral ninja.

— Eu queria que ela soubesse que podia confiar em mim.

— Ela tá mais preocupada com os níveis de hidratação dos aprendizes do hospital do que com o seu coração cheio de areia.

Ele ficou em silêncio.

Temari suspirou.

— Tadinho.

------------------------------------------------ A Última Noite

O céu sobre Suna era um mar de estrelas secas. A areia refletia a luz lunar como pequenos espelhos dourados.

Durante o jantar de encerramento, Akari ria de algo que Kankurou dissera. Seu rosto iluminado pelo fogo. O cabelo solto nas pontas. Os olhos brilhando.

E Gaara sentiu o peito apertar.

“Ela é luz demais pra mim,” pensou. “Ou talvez... eu esteja velho demais pra isso.”

Ela se despediu com carinho, com leveza. Tocou os ombros dos jounins um a um, agradecendo.

Quando chegou diante dele, hesitou. Só por um segundo.

— Obrigada pela hospitalidade, Kazekage-sama. Suna é linda. Diferente de casa, mas... me senti segura aqui.

— Volte quando quiser — ele disse. A voz, firme. Mas os olhos... diziam o resto.

Ela sorriu. Virou-se.

E foi embora.

Ele ficou no telhado até o amanhecer.

Pensando no que poderia ter sido.

No que não ousou tentar.