Missão Cupido
7 Capítulo 7 - Arco e flecha
Notas iniciais
Acordei mais cedo do que planejei e esperei Lucio sentada na minha cama até ás 8:00 horas, mas ele não apareceu. Peguei meu casaco, o tempo era chuvoso em Brasília e fui até a cede para encontra-lo. Havia vários Cupidos andando ou voando para cima e para baixo quando apenas parei um em seu trajeto e perguntei:
– Sabe onde está Lucio, o cupido de admissões? — aparentemente o cupido não gostou muito de mim, ao invés de responder apenas apontou com o dedo para trás, onde estava dois jovens conversando e eu deles parecia muito ansioso. Lucio falava com alguém — obrigada — me virei para falar com o cupido que tinha me ajudado mas ele ja tinha ido embora.
Caminhei até Lucio e o menino. Quando me viram pararam imediatamente de falar.
– Oi. — eu disse sem saber o que fazer. O menino ao lado de Lucio pareceu se esconder e não consegui ver seu rosto, mas ele me pareceu estranhamente familiar — posso falar com você Lucio?
– Estou ocupado agora Ariel
– Não, pode ir Christopher, eu ficarei bem, obrigado — disse o garoto no final e saiu sen esperar resposta.
– Espero que seja importante — disse Lucio ríspido.
– Christopher? — falei.
– É meu segundo nome... Ariel, estou muito ocupado, só diga, o que veio fazer aqui?
– Você não foi até minha casa hoje de manhã, como vamos seguir os meninos e...
– Não vamos.
– O que?!
– Acabou, vou pegar a sua próxima missão, venha até a minha sala. — disse ele e andou sem esperar Ariel.
– Como assim acabou? Eles não estão juntos, nem foi um final feliz, nem nada!
– É parece que nem tudo é uma novela — disse ele entrando no escritorio- Bem, acabou, nós somos responsáveis por dar o ponta pé inicial mas o resto é com eles , não podemos obrigar ninguém a namorar ou se apaixonar.
– Não, é claro que não mas pelo menos acompanhar até o fim...
– Isso não é uma novela Ariel! Quando vai entender? Nós demos a você a missão mais fácil. Essa próxima será mais dificil, está me entendendo? — Ariel acentiu mas com o coração partido por Isa e Bruno — Desta vez não irei com você, mas qualquer coisa me chame que irei o mais rápido que puder.
– Tudo Bem.
– Ótimo! — ele disse tirando um envelope amarelo da gaveta e me entregando. — Você terá que me dar um relatório todos os dias do progresso realizado, pode ser escrito, oral, manual, artístico, via fax, Telefone, e-mail até audio de WhatsApp desde que me diga os acontecimentos do dia.
– Tudo bem, mas acho que prefiro pessoalmente.
– A Escolha é sua. — disse ele — Esses são Amanda Ferreira e Raphael James Gonzáles. O resto das informações está na pasta
– Obrigada — disse saindo da sala.
– Aonde pensa que vai? — Lucio me olhou intrigado.
– Vou atrás de Amanda e Raphael, não?
– Não! Me diga, Ariel, você sabe usar um arco e flecha?
– Não...? — hesitei em falar, nunca tinha pego em um mas não parecia difícil nos filmes.
– Então vai ser mais difícil do que pensei. — ele suspirou — Vamos, vou te levar até o Centro de Treinamento.
Subimos quatro andares de escadas até chegar no último do edifício, o andar inteiro era uma sala de Treinamento enorme, com várias sub repartições e diferentes armas e objetos de uso marcial.
– Oi Frank — disse Lucio ao homem na "Portaria" da sala.
– E aí Lucio, não te vejo a um tempão hein — eles riram — agora que foi promovido não precisa mais dessa sala.
– Eu sei Frank, mas tenho uma cupido Júnior comigo hoje, sua primeira aula com as flechas.
– Quer que eu chame um instrutor? — ele se virou em menção de chamar alguém mas Lucio interferiu
– Não será necessário Frank, eu a ensinarei hoje.
– Tudo bem — ele riu e pegou um caderno enorme abaixo do balcão. — Qual o seu nome, lindinha?
– Ariel — respondi ao ver Lucio enrrigecer os músculos com a palavra "lindinha"
– Certo, sala 105 — e ele deu as chaves a Lucio
– Tudo bem, vamos — disse Lucio sem olhar para mim ou para Frank.
Eu não entendi para que as chaves, todas as salas era de vidro a prova de balas, e tinham vários equipamentos de proteção e alvos com várias distâncias.
Lucio pegou um arco do tamanho do meu tronco e me deu. Ele era preto e espesso mas muito leve.
– Esse será o seu arco. — Eu concordei e ele me deu duas flechas incrivelmente facinantes, elas brilhavam e eram vermelhas com pontas de coração. Parecia magia ...
– Essas serão as flechas usadas, os instrumentos que de dei eram para Júniors que iam para a primeira missão. Você irá sozinha desta vez e aquelas coisas não seram mais necessárias, mas ainda poderá usar se desejar assim. Essas flechas farão com que eles se apaixonem — ele olhou para mim de uma forma que não consegui entender- mas só funcionará se eles já tiverem nesse caminho, não adianta atirar em dois estranhos pois não se amarão do nada.
– Certo — disse, sem ter certeza do que dizer.
– Mas para treinar terá que usar flechas normais. — ele disse tirando as flechas mágicas colocando umas de Madeira. Eu o encarei.
– Sério? De Madeira?
– É o seu primeiro treino.
– Tudo bem — suspirei. Ele foi até os alvos e os colocou à 5 metros de distância.
– Para começar. — Lucio se apressou em sair do campo e veio para o meu lado — Sabe como se segura um arco e flecha?
– Acho que sim — eu levantei meus braços o direto segurando a flecha e a corda e o esquerdo segurando o arco com a ponta do coração apoiada na mão.
– Espere — ele disse e levantou um pouco mais o meu braço direto, colou mais o arco perto do meu corpo dizendo: — Não tenha medo do arco, vocês são só um agora. — ele afastou meus pés um do outro, para eu ter um melhor apoio e finalmente disse : — inspire e na hora expirar solte a flecha e, obviamente, acerte o alvo.
Então eu respirei como ele disse e lancei minha fraca e quebradiça flecha até o arco, que por 1 ponto não acertou o centro no alvo.
– Muito bom para iniciantes — ele disse enquanto preparava outro alvo e me deu uma nova flecha.
Ao contrário do que se pensava a cada alvo eu me distanciava mais do centro. Lucio já não se pronunciava a tempos e estávamos ali à 3 horas sem intervalos.
Minha mente esta longe, eu estava pensando em Lucio Christopher, qual séria seu último nome? E por que ele tinha que vestir-se todo de preto hoje, com uma jaqueta de couro e coturnos de cano alto, estava terrivelmente sexy, mas eu não podia pensar nele assim, eu não queria e não seria a causa dele largar o que mais amava. Ser Cupido.
– Ariel? Ariel está me ouvindo?!
– O quê? — perguntei atordoada
– Está liberada, pode ir pra casa, te encontro aqui novamente amanhã às 5 da manhã.
– 5 da manhã! Lucio mas...
– Você poderia reclamar se tivesse ido bem, mas foi terrível!
– Tudo bem — eu disse e sai da cupilândia, estava chovendo muito em Brasília naquela hora e eu tinha deixado o carro no estacionamento descoberto à três ruas daqui. Eu corri pela chuva até o carro, minha blusa branca ficou ensopada e minha barriga e suitã já eram nítidos, quando cheguei no Gol preto do meu pai me lembrei. Esqueci me casaco e minhas chaves na sala de treinamento. Me virei para voltar ao Palácio do Planalto mas acabei colidindo com Lucio, que esta atrás de mim.
– Me Desculpe — disse. Ele estava tão encharcado de água quanto eu e trazia nas mãos o meu casado e a chave do carro.
– Acho que você esqueceu — ele disse enquanto pingava água dos seus cílios.
– Obrigada — eu disse e algo aconteceu naquela hora, no meio da chuva forte e da ventania, porque Lucio veio de encontro comigo e me beijou. Seu lábios se chocaram com os meus paralisados, eu repetir a mim mesma que deveria afasta-lo, eu não queria ser a responsável pela desistência do seu sonho. Mas todo esse pensamento não demorou mais de um segundo, pois eu me agarrei em volta dele e o beijei ferozmente, Lucio me pegou pela cintura e pressionou contra o carro. Eu tatei sua lateral até achar a abertura da porta e a abri me jogando no banco de trás e ele tirou a jaqueta de couro, mas eu parei antes de conseguir tirar a blusa colada do corpo.
Eu olhei eu seus olhos, que estavam confusos com a ação e o beijei lentamente.
– Lucio. — Eu sussurrei- Eu não posso fazer isso, eu me importo demais com você para deixar nós irmos em frente. Sei o que significa pra você.
Ele me encarou por um minuto e abaixou o olhar em seguida.
– Tem razão — ele disse pegando a Jaqueta do chão — me desculpe, eu nunca me perdoaria se fizessemos isso, eu não sei o que aconteceu. Me desculpa.
– Não precisa pedir desculpas Lucio, eu sei que você ama ser Cupido. — ele me encarou e sorriu irônico.
– Mas eu também amaria poder fazer isso com você Ariel, na verdade, eu amo o tempo que passo com você, amo como sorri, ou como me olha antes de fazer alguma coisa, amo como se entregou a 2 jovens que nem conhecia, amo até a sua pinta na perna esquerda — eu dei um leve peteleco em seu ombro por ter me espiado tomar banho e ele riu — eu amo. Na verdade acho que amo isso mais do que ser Cupido.
Eu olhei para ele, surpresa pelo que falou, surpresa por também sentir o mesmo mas eu não falei, eu apenas o beijei novamente e deitamos um no outro, no banco de trás até a chuva parar.
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