Missão Cupido

6 Capítulo 6 - O Encontro


Notas iniciais
Olá pessoal! Aqui é a Kieling e espero que gostem do novo capítulo

O Sol dava seu primeiro sinal de vida quando acordei, me vesti apressadamente antes de Lucio chegar e tomei café da manhã.
Me lembrei de ontem a noite, quando Lucio me encostou no carro e me fez vestir o vestido vermelho que eu odiava, eu lutei contra seus olhos claros, contra seu perfume, contra seu sorriso e entrei em casa sem ao menos dizer tchau a ele.
Esperei Lucio por uma hora, a aula do colégio de Bruno ia começar em 20 minutos.
– Vamos? — disse Lucio na minha janela
– ah! — gritei com o susto — existe porta sabia?!
– Sabia sim — disse ele sem olhar nos meus olhos nenhuma vez- agora vamos
– Não estamos atrasados?
– Não — disse ele. O apartamento de Bruno ficava em frente a escola, era só atravessar uma rua e chegaria ao prédio de 20 andares. E faltando 15 minutos pra aula começar Bruno ainda estava dormindo quando uma mulher de avental o chamou.
– Acorda Bruno tá na hora! — gritou ela abrindo a porta do quarto dele.
– Mais 5 minutos Bel!
– nada de mais 5 minutos sua aula já vai começar — dizia a mulher que claramente não era sua mãe, ela tinha uma pano no ombro e uma pá e uma vassoura nas mãos e acordara o menino já arrumando seu quarto.
Bruno acordou e estava apemas de samba canção o que me fez corar e Lucio, pela primeira vez no dia, riu. Ele pegou a blusa jogada no chão do dia anterior e a vestiu, fez o mesmo com a calça e os tênis, escovou os dentes e passou a mão úmida no cabelo.

– Ele não vai tomar banho ou tomar café da manhã? — perguntei
– Acho que não — respondeu Lucio

– Meus pais já foram trabalhar? — perguntou Bruno
– Já sim, eu os vi quando estava chegando — disse Bel
– Acho que você vê eles mais do que eu
– Eles te amam muito e como vão manter a casa sem trabalhar?
– Tanto faz — diz ele e o sinal da escola toca — tchau Bel

– E aí Bruno, cara eu falto um dia e você já bate em alguém? — disse o menino que sentava atrás dele
– Aquele idiota do Matheus estava fazendo bullyng com Isabella de novo.
– Ei não vai se meter nisso, não é sua briga, deixa isso entre eles você sabe o que vai acontecer se ficar do lado dela
– Eu to pouco me lixando para esses malditos amigos que temos Kaio
– Pois deveria começar a ligar, eu não sei você mas eu não quero sofrer bullyng de novo, demoramos muito pra chegar aqui junto deles, só não estrague tudo. Agora presta atenção na aula
– Foda-se — disse Bruo se levantando e saindo da sala com sua bolsa
– Bruno não pode sair da sala — gritou o professor mas já era tarde, Bruno ja estava pulando o muro do colégio.
Caindo em cima de Isa.
– Me desculpa — ele disse olhando pra Isa que estava tentando limpar apressadamente as lágrimas do rosto e ficar de pé. — Ai meu Deus eu te machuquei? Está tudo bem? — perguntou Bruno preocupado
– Está sim, não foi você, eu já estava... Já estava chorando antes, mas obrigada mesmo assim.
– por pular em cima de você? — ele riu- ah de nada pode chamar se precisar. — ela riu e depois ficaram em silêncio
– Eu vou... — disseram ao mesmo tempo
– Eu vou andar, quer ir comigo?- disse ele
– E matar aula?
– Não tem nada importante lá.- respondeu ele
– hoje tem 3 aula de matematica e 2 de física.
– Agora são so 2 de matematica por que ja perdemos uma. — ela sorriu — você quem sabe Isa — ela corou quando ele a chamou pelo apelido
– Talvez em uma próxima.
– Tudo bem — Respondeu Bruno e os dois começaram a andar em direções opostas.

Olhei para Lucio desesperanda e ele disse:
– Use os objetos que te dei.
Então corri até Isa tirando minha invisibilidade e toquei em seu ombro.
– Oi! Você deixou cair esse espelho?
– Acho que não- ela respondeu se olhando no espelho que tira a timidez e sem que percebesse borrifei o perfume nela.
– então tá, desculpe — disse e sai
– Muito bem para um Júnior! — disse Lucio

– Bruno! — Ela gritou mas ele não ouviu e continuou a caminhar

– vai Isa vai — eu disse e Lucio riu

– Bruno! — ela gritou outra vez e ele se virou a vendo correr em sua direção
– Isabella, resolveu ir.
– Claro, o que de ruim pode acontecer? — eles continuaram andando um ao lado do outro, sem se tocarem.

***

Eles pararam na praça a duas esquinas da escola, Bruno se sentou em uma balanço e começou a se mover para frente e para trás, enquando Isa apenas se encolheu no balanço ao lado.
– O que foi? Não vai balançar?- perguntou Bruno
– Acho que não — ela respondeu olhando pra ponta dos próprios pés
– Porque não?
– Você faz muitas perguntas,sabia? -ela disse mas apareceu um leve sorriso em seus lábios
– Sabia sim — ele confirmou — Isa?
– Sim?
– Porque estava chorando quando a encontrei? — ela riu mórbida
– E por que eu deveria sorrir?
– Hã — Ele voltou a se balançar — boa pergunta, acho que me pegou nessa. — Ela riu ao ve-lo se balançar.
– Bruno?
– Sim?
– Eu não me balanço porque eu não sei balançar. — Bruno a fitou por um minuto e fingiu exageradamente um espanto
– O que? Mas como é capaz de haver pessoas que não sabem balançar? — eles riram e Bruno levantou de seu balanço e foi para trás de Isa e a empurrou.
Naquele momento eu me senti intrusa, parecia algo pessoal, algo que não deveria ser testemunhado por ninguém além deles dois. Eu desviei o olhar.

– Tudo bem Ariel — disse Lucio — com o tempo você se acostuma.
– Mas e se eu não quiser me acostumar ? — murmurei — Isso é invasão de privacidade Lucio.
– Estamos aqui para ajudá-los, nada mais, é o que fazemos, mesmo que nos ponha em situações... Desconfortáveis. — ele disse e fez-se eu silêncio constrangedor interrompido pela gargalhada de Isa ao chegar cada vez mais alto no balanço.
– Me desculpe — eu disse
– Pelo quê?
– Por ontem — Eu vi os músculos de Lucio enrrigecer e seu maxilar travar a menção dos acontecimentos da noite passada.- desculpe por...
– Não Ariel. Pare por favor — Ele disse mas ainda não olhava para mim. — Você estava totalmente certa, eu que devo pedir desculpas. Eu quero ser um Cupido, eu nasci pra isso, é o que eu quero e... E isso, nós, seria impossível.
– Impossível? Mas podíamos da um...
– Dar um jeito? — ele completou — que jeito? Eu não deixaria de ser cupido por você Ariel. Eu não a amo.
Aquilo a feriu mais do que se tivesse levado um soco no estômago, a feriu mais do que saber que era adotada, a feriu mais do que... Do que Will.

– Quer voltar a escola Isa? — Perguntou Bruno
– Não — disse a garota, fazendo sinal com a cabeça. Eles sairam do balanço para a grama baixa na sombra sa árvore.
– E não quer me contar algo você você Isabella ?
– Que tal você me contar algo sobre Bruno Trindade? Ah não ser é claro pela parte que todo mundo já sabe.
– E qual é a parte que todo mundo já sabe?
– Bem, você e sua família se mudaram para cá a 4 anos, são do Rio de Janeiro e que estudava no Colégio São Thiago com Kaio até se mudarem para o nosso colegio ano retrasado. Sei que é jogador de handboll e que frequenta os pubs com a galera de Matheus, que é o garoto mais sexy da escola e mais deseja de todas as meninas — ela corou nessa parte e ele gargalhou — sei que por mais que fosse assim ano passado, este ano vejo você estudando e pesquisando na biblioteca pobre da escola, é isso!
– Hum, você sabe muito sobre O Bruno Trindade mas não sabe nada sobre mim.
– Conte-me
– Bem, eu, minha mãe, meu pai e minha irmã mais velha nos mudamos pra cá a 4 anos, meus pais trabalham em um banco e nunca param em casa, quem cuidava de mim era minha irmã mas 3 anos atrás ela terminou o ensino médio e voltou pro Rio pra fazer faculdade de veterinária lá, então hoje a única pessoa que tenho contato é Bel, a empregada. Eu estudei no São Thiago com Kaio por dois anos na verdade, nós sofremos bullyng lá porque éramos excluídos e tímidos, estão nós mudamos para o Colégio estadual daqui, e prometemos que não seríamos os excluídos de novo, nos juntamos a Matheus e o resto mas nem por um segundo gostei deles, mas era melhor do que ser esquecido de novo, mas Matheus começou a fazer coisas que eu odiava — ele parou e olhou nos olhos de Isa — como... Como fazer bullyng com você, e não podia suportar que alguém sofresse o que eu sofri, e nesses últimos meses tentei para-lo mas não consegui, então me destanciei. Kaio não ficou contente e me repreendia mas não voltei atrás.
– Obrigada — disse Isa e pegou uma mão na grama
– Mas me conte de você senhorita Isabella.
– Eu... Bem, não a muito o que dizer, eu tenho uma responsável legal que consta no meu registro ser minha mãe, mas não sei quem ela é e mal lembro seu rosto, eu faço minha comida, limpo a casa e me cuido, falsifico a assinatura dela mo que for necessário na escola e estou bem assim. Eu esta chorando hoje de manhã porque... Porque as vezes é difícil, às vezes eu só queria ser uma adolescente normal. Mas eu estou bem.
– Sinto muito Isa
– Eu também. — ela disse e ele ficaram de baixo da árvore conversando besteiras até a hora que a aula supostamente acabaria e voltaram para casa.

– Eu queria muito assistir o novo filme que saiu no cinema — disse Bruno — Você queria ir comigo ?
– Quando? — Isa sorria
– Amanhã depois da aula.
– Tudo bem — disse ela. Eles estavam na parada de ônibus quando Isa deu a mão para que parasse um.
– Já vai?
– Tenho que ir pra casa! — ela disse mas ainda sorria, entrando no ônibus
– Isa?
– Sim?- mas antes de perceber o que acontecia Bruno a beijou. Eu vi as bochechas irem de rosa a vermelho escuro quando o motorista do ônibus businou e ela entrou se despedindo.

Notas finais
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