Missão A Dois

31 Capítulo 30 - Proteção


Notas iniciais
Olá amigos queridos! :D
Não sei se todos viram, mas semana passada postei um desabafo/esclarecimento no facebook. Quem não viu, vai lá dar uma olhada: https://www.facebook.com/permalink.php?story_fbid=631576403539270&id=540662009297377
Espero que gostem desse capítulo. Nosso Percy está de volta! rs

Ponto de Vista de Percy

Se eu me arrependi de ter mandado Grover espiar a vida de Annabeth pra mim? Com certeza! Não foi nenhum um pouco legal saber que Annabeth estava saindo com outro cara. Muito menos que esse outra cara era Nathan. Como ela pode ter feito isso comigo? A resposta era muito simples, ela já não se importava com o que eu penso ou deixo de pensar de suas atitudes. Deve ter achado bom que eu deixei o caminho livre para ela ficar com o bonitão milionário. Ok, a quem eu queria enganar? Sabia que Annabeth não era assim. Talvez algum monstro a tenha sequestrado e colocado uma substituta em seu lugar. Pouco provável. Mas essa ideia ainda era menos absurda do que pensar que ela estava agindo conscientemente. Ou talvez me doesse demais pensar que talvez ela já tivesse me superado.

Na hora da raiva eu novamente pensei em pagar na mesma moeda. Então fui até o acampamento meio sangue e fiquei novamente com Caroline. Fiz questão de fazer isso na frente de vários de nossos amigos só para que a notícia chegasse rapidamente aos ouvidos de Annabeth. Se isso fez eu me sentir melhor? De jeito nenhum! Muito pelo contrário, fiquei com um peso enorme na consciência por ter usado a pobre garota novamente. Tentei compensar a mancada sendo sincero com ela, mas aquilo só me rendeu um belo de um tapa na cara. Está bem, eu mereci aquilo. E aprendi a nunca mais brincar com uma filha de Afrodite, elas podem parecer femininas e delicadas, mas tem a mão bem pesada. Deixei o acampamento antes que todos descobrissem a verdade e eu fosse ridicularizado e enxotado de lá.

Infelizmente, ficar longe de Annabeth e da minha vida “de mortal” em Manhattan havia feito com que eu voltasse a ter sonhos. Aqueles sonhos de semideus, que nunca são apenas sonhos. Em um deles eu estava no palácio de Poseidon novamente, percebi que ele estava discutindo com um deusa, mas não consegui identificar quem era, nem o que eles falavam. A única coisa que pude perceber era que papai estava furioso, e isso nunca poderia ser um bom sinal. Infelizmente não consegui saber o motivo e também não tive mais sonhos relacionados a isso. Outro sonho que ironicamente me tirou o sono foi um com um onde eu via todos os meus amigos, ou ex-amigos, do acampamento meio sangue reunidos comentando sobre mim e Annabeth e o que estava acontecendo conosco. Para eles eu era o vilão da história. Fiquei extremamente irritado com isso, mas não pensei em voltar lá para esclarecer nada. Ainda me restava um pouco de amor próprio apesar de tudo que acontecera.

Nenhum sonho, porém, fora tão perturbador quanto aquele que eu tive na noite anterior. Estava muito escuro mas eu não demorei para reconhecer o lugar onde me encontrava. Era o posto de gasolina onde eu trabalhara. Não estive mais lá desde aquela vez que Annbeth viera me buscar e se deu todo o desenrolar daquela história que terminou com nós dois separados. Parecia que tudo aquilo tinha acontecido há um século atrás. Ao mesmo tempo eu ainda sentia a dor e a tristeza daqueles momentos como se tivessem acontecido ontem. Eu não quis voltar para lá, afinal já não precisava trabalhar tanto agora que havia voltado a viver com a minha mãe. Não quis voltar para nada que me lembrasse da minha “antiga vida”. Eu a chamava assim porque cada dia eu acreditava mais que nada voltaria a ser como era antes.

Voltando ao sonho, eu estranhei estar visualizando aquele local já que ele não tinha nada a ver com nenhuma parte “mística” da minha vida. Normalmente esse tipo de sonho tinha a ver com semideuses, deuses ou alguma criatura mitológica que estivesse de alguma forma relacionada a mim. À princípio achei que o local estivesse vazio, caminhei até a parte da oficina sem que houvesse comandado meu corpo a fazer isso. Quando cheguei mais perto de onde havia uma área iluminada vi duas garotas andando de costas para mim, indo na mesma direção que eu ia. Elas viraram a esquerda e entraram em um dos nichos que estava com a luz acesa e eu continuei avançando até chegar onde podia vê-las. Felizmente elas não perceberam minha presença ali quando eu cheguei bem perto e pude ver seus rostos.

Uma delas eu reconheci facilmente. Era Emily, a garota que trabalhava comigo no posto. Estava com o habitual macacão que usávamos durante o serviço. Ela tinha uma expressão diferente, uma que eu nunca havia visto antes, parecia cansada e desconfortável ao mesmo tempo. A outra garota também me parecia familiar, mas não me lembrava bem de onde eu a conhecia. Era loira e tinha pequenos olhos azuis. As duas de repente começaram a tirar as roupas e eu sorri animado. Quase achei que aquele seria um sonho comum e dos bons, mas minha alegria de semideus durou pouco, como sempre! Antes que eu pudesse ver algo interessante a pele das garotas começou a mudar de cor para um tom arroxeado e adotar um aspecto diferente. Como um couro de cobra ou coisa parecida, só que mais gosmento. Suas cabeças e seus braços foram mudando de formato até que elas ficaram completamente irreconhecíveis.

Mas é claro, elas eram monstros. Que ótimo! Além de não poder disfrutar de um sonho bom uma vez na vida eu ainda tinha mais aquela para me preocupar. Emily e essa outra garota eram metamorfos. Não consegui reconhecer que tipo de criaturas elas eram, mas suspeitava que não deviam ser amigáveis. Seus olhos que saltavam para fora da cabeça e seus tentáculos de polvo no lugar das pernas me davam essa impressão. Fora isso o rosto delas era quase normal, e suas vozes soavam quase humanas quando começaram a falar. A que fora Emily segundos atrás parecia ser a líder por que falava com a outra como se estivesse dando uma bronca.

- Hanna você é mesmo uma imprestável! Nem pra conseguir controlar essa sua mão leve! Quase coloca tudo a perder! — aquele nome também não me era estranho, mas ainda não consegui lembrar de onde eu conhecia a garota que havia virado o monstro Hanna.

- Não foi culpa minha. Você também ficaria tentada se tivesse acesso a tanto dinheiro assim — se defendeu Hanna e seus olhos de caracol se envergaram para os lados. Deduzi que aquilo queria dizer que ela estava envergonhada ou então desapontada com o que acontecera.

- Não tente se justificar, a patroa teria ficado uma fera se soubesse — continuou o sermão Emily — Por sorte você tem uma boa amiga como eu para encobrir as suas falhas! Modéstia aparte fui brilhante na minha parte do plano.

- Você foi brilhante mesmo Emily! — certo, Hanna era uma tremenda puxa-saco, isso dava pra notar de longe — Não me admira que a deusa fale tão bem de você…

- Quer calar a boca? — gritou a outra monstra roxa — sabe que não devemos ficar comentando para quem estamos trabalhando. Sabe que as paredes tem ouvidos e que os sonhos dos semideuses podem chegar até nós! — a forma como Emily falava fez Hanna se encolher. E não apenas figurativamente, a criatura realmente tinha capacidade de fazer isso.

- Mas achei que tínhamos vindo aqui para discutir o próximo passo do nosso plano — murmurou Hanna de forma quase incompreensível enquanto sua boca ainda estava enterrada em seu pescoço gelatinoso.

- Correto, mas viemos discutir a nossa parte do plano. Que é fazer tudo para arruinar com a vida de Annabeth Chase, sem que ela perceba que o fizemos. E não ficar falando sobre a patroa ou o que ela pensa de nosso trabalho.

- Está bem — concordou Hanna com a voz bem mansa, se eu fosse ela também não tentaria discutir com a outra criatura que parecia não ter muita paciência — Então também não vamos falar do fracasso que foi a última tentativa de acabar com a semideusa?

- Não foi um fracasso, sua imbecil! — continuou Emily com os insultos. Ela definitivamente devia ter algum distúrbio comportamental — Nós fizemos nossa parte, infectamos a garota. Se ela descobriu a doença e encontrou uma cura já não é da nossa conta. Temos que continuar com o plano. Se é que se lembra a próxima etapa consiste em causarmos o máximo de dor física e emocional a semideusa, mas não iremos matá-la… Ainda.

- Isso parece bem cruel — comentou Hanna com o olhar perdido. Se é que aqueles olhos estranhos tinham algum outro tipo de olhar — Quer dizer, parece sensacional! — se corrigiu a criatura percebendo que Emily não havia gostado da forma como ela falara — Não vejo a hora de começar a provocar dor física e emocional! Go lunars.

- Shhhhhh, já disse para tomar cuidado com o que fala! — dessa vez Emily chegou até a levantar a mão para Hanna que quase enfiou a cabeça toda para dentro do corpo dessa vez — Vamos fazer o seguinte, eu falo e você apenas escuta a partir de agora! O que faremos primeiro é deixar o coração da garota em pedaços. O que não será muito difícil já que o desprezível Percy Jackson já fez boa parte do trabalho. Mas podemos completar o serviço causando algum dano permanente em seu novo namoradinho. E então, quando ela estiver totalmente arrasada, mostraremos a ela o que é dor de verdade!

E foi nesse momento que o sonho terminou. Eu acordei e não pude ouvir como aqueles monstros pretendiam atacar Annabeth. Eu preferia não ter sabido de nada daquilo, na verdade. Agora estava ali, comendo amendoins crocantes e morrendo de preocupação. Sabia que não devia, mas aquilo definitivamente era mais forte do que eu. Só conseguia pensar em como duas garotas, que na verdade eram monstros camuflados, poderiam estar a caminho de fazer algum mal a Annabeth e a Nathan. Sei o que está pensando. Me preocupar com o que iria acontecer com Annabeth era até compreensível. Agora deveria estar me lixando para o que fariam com Nathan. Só que bem, não era assim tão simples quanto parecia.

Por mais que eu quisesse odiar Nate, não conseguia, não poderia culpá-lo por se interessar por Annabeth, nem por ela ter dado bola pra ela, muito menos de os dois estarem juntos agora. Toda a culpa era dela! Nathan era apenas uma garoto espertou que aproveitou a oportunidade de ter a garota que desejava. Não era como se ele a tivesse tirado de mim, apesar de as vezes eu sentir que era. O fato é que eu também não queria que nada de mal acontecesse ao pobre mortal. Principalmente porque imaginava que Annabeth se importava com ele e ficaria destroçada com isso. Pois é, ainda me preocupava com ela e sentia que devia protegê-la. Teria que engolir o meu orgulho, esquecer da raiva que ainda sentia e fingir que não estava deprimido se quisesse realmente proteger o amor da minha vida.

Por sorte eu os encontraria a apenas alguns quarteirões de distância, já que estava no apartamento de minha mãe em Manhattan. Não sabia o que eu iria dizer, não sabia se eles iriam acreditar em mim e nem ao menos sabia o que faria para impedir que aquelas criaturas estranhas chegassem até eles. Sendo metamorfos elas poderiam se camuflar facilmente, poderiam ser qualquer pessoa. Mas como eu já disse, não tinha escolha. Não podia simplesmente continuar ali sentado enquanto Annabeth e Nathan corriam perigo. Isso ia totalmente contra a minha natureza de herói. Se eu desse sorte, conseguiria encontrar Annabeth sozinha e falar com ela sem que Nathan estivesse por perto. Explicaria tudo e me afastaria dela o mais rápido possível.

***

Como já sabem, não sou um semideus de muita sorte. Na verdade, eu diria que se alguma coisa tem a chance de dar errado de várias maneiras, a pior delas acontece comigo. Sempre. Não sei porque ainda tenho esperança de que seja diferente. Portanto, logo que encontrei Annabeth no centro de Manhattan, ela estava acompanhada de Nathan. Eles não só estavam juntos como estavam de mãos dadas, caminhando alegremente pelas calçadas. Annie levava um balão colorido de gás hélio em uma das mãos o que me fez pensar que se tratava de um passeio romântico. Não sei como fiz para me controlar, minha vontade era de fazer Nathan engolir o tal balão ainda cheio. Como era possível que eu estivesse ainda tão arrasado por ter terminado com Annabeth enquanto ela já estava feliz e saltitante, desfilando com seu novo namorado? Aquilo era no mínimo injusto.

Respirei fundo pelo menos umas três vezes até estar convencido de que estava calmo o suficiente para ir até eles. Quando enfim comecei a caminhar desisti no meio do caminho. Eles estavam se beijando. Aquilo já era demais. Não suportava ver a cena e continuar agindo normalmente. Simplesmente era algo que eu não conseguia suportar. Decidi que era melhor adotar outra estratégia. Me afastei dos dois e segui em direção ao meu antigo apartamento. Uma hora Annabeth teria que voltar para lá, certo? E então quando ela estivesse sozinha em casa eu tocaria o interfone e lhe daria uma grande surpresa. Ela certamente não esperaria que eu a fosse visitar naquele nem em nenhum outro momento. Mas quando ouvisse o que eu tinha a dizer, ela entenderia que não tive escolha.

Demorou um pouco mais do que esperava mas enfim Annabeth e Nathan apareceram. Eles ficaram um tempo no portão ainda conversando antes de ela subir. Provavelmente estavam se despedindo. Grande engano meu, não era uma despedida. Bem talvez fosse, mas por algum motivo Nathan não foi embora, ele subiu junto com ela para o apartamento. O que diabos significava aquilo? Eles estavam juntos a quanto tempo? Dois meses? E ela morava sozinha, logo o que pretendia fazer levando ele lá pra cima? Não queria pensar nas opções. Meu rosto estava quente e devia estar bem vermelho devido a fúria que eu sentia. Ela não podia estar fazendo aquilo que eu estava pensando com ele. Não podia! E eu não podia ficar ali parado esperando que Nathan descesse para eu ver o sorriso de felicidade em seu rosto e confirmar minhas suspeitas do que havia acontecido. E se ele só fosse embora na manhã seguinte?

Sem pensar direito no que estava fazendo, fui em direção a portaria. O porteiro que já me conhecia nem me perguntou nada e já foi destravando o portão para eu entrar. Hesitei um pouco antes de entrar. Eu podia muito bem subir sem ser anunciado pelo interfone, não ligava se ia interromper o que quer que eles estivessem fazendo. Ao mesmo tempo aquilo seria uma tremenda falta de educação, fora que eu não sabia se Annabeth ia querer falar comigo ou ao menos escutar o que eu tinha a dizer. Logo, era melhor manter os bons modos, pelo menos por enquanto. Pedi ao porteiro que chamasse o apartamento 73 e dissesse que eu estava aqui. Pelo que pude ouvir da conversa entre o porteiro e Annabeth, ela devia ter ficado realmente surpresa com a minha visita, mas de qualquer forma disse que estava descendo.

Veja bem, ela pediu para o porteiro me dizer que ela estava descendo. Ela não pediu para ele dizer que eu podia subir. O que quer dizer que ela não queria que eu visse que ela estava acompanhada. Fiquei me perguntando se ela havia dito a Nathan quem estava procurando por ela. Apostava toda a comida azul do mundo que não. Esperei menos de um minuto para vê-la vindo do lobby do prédio. Assim era bem melhor de vê-la, sozinha, sem nenhum garoto por perto além de mim. Era possível que Annabeth estivesse ainda mais bonita do que da última vez que a vi? Provavelmente era a falta que eu senti dela falando naquele momento, mas não liguei pra isso. Tentei parecer sério quando ela veio me cumprimentar.

- O que faz aqui? — perguntou Annabeth. E é assim, meus amigos, que se acaba com a auto confiança de um semideus! Ela nem havia se dado ao trabalho de dizer “oi” ou “olá”, muito menos quis saber como eu estava. Ok, aquilo doía.

- Ok, em primeiro lugar, não estaria aqui se não fosse algo realmente importante — falei como se não estivesse nem ai pelo fato de estarmos nos falando pela primeira vez depois de meses separados — Não andei espionando sua vida nem indo atrás de você para ver o que estava fazendo se é o que pensa — talvez não tenha sido muito inteligente mencionar isso do nada, mas achei melhor deixar claro essa questão, apesar de estar mentindo.

- Certo… — murmurou ela com cara de confusão — E o que é assim tão importante para você ter feito o sacrifício de vir aqui falar comigo?

- Bem, é uma história um pouco longa e complicada… — contei a ela sobre o sonho que tive com todos os detalhes possíveis. Era ainda mais estranho ouvir a história em voz alta. Mas por algum motivo Annabeth não parecia estar ficando impressionada ao ouvi-la.

- Entendo — disse ela assim que terminei de contar tudo — Mas Percy, sinceramente não sei o que você ganha inventando essas coisas…

- Inventando? — mas do que é que ela estava falando? Não era possível que não estivesse acreditando em mim — Não estou inventando nada, Annabeth! É tudo verdade, vocês estão em perigo!

- Olha, eu sei que talvez esteja sendo difícil pra você lidar com o fato de que não vamos mais voltar a ficar juntos — ela falou como se sentisse pena de mim por aquilo — Mas não pode chegar aqui, bater na minha porta e vir com esse monte de histórias insanas. Percy, eu não sei nada de você há meses. Você simplesmente sumiu do mapa. E agora espera que eu acredite que duas criaturas, que você não sabe identificar o que são, estão vindo atacar a mim e a Nathan? E ainda que uma delas é a sua antiga colega de trabalho Emily? Isso é loucura!

- Acha mesmo que eu brincaria com uma coisa dessas? — falei indignado. Ela achava mesmo que eu tinha inventado toda aquela história só pra ter uma desculpa para vir falar com ela? E pior, ela achava que eu ainda não havia superado nosso término. Ok, talvez estivesse certa quanto a isso, mas não era o que ela devia estar pensando. Annabeth havia conseguido me deixar mais irritado do que nunca — Está bem, ótimo! Sabe do que mais? Eu lavo minhas mãos. Fiz minha parte em vir aqui te alertar do perigo. Se não quer acreditar, é problema seu. Depois não venha me pedir ajuda quando seu namoradinho estiver todo arrebentado — e ao dizer aquilo me virei para ir embora.

- Espera, o que você acabou de dizer? — ela soava surpresa por eu saber que ela tinha um novo namorado.

- O que você ouviu! — respondi voltando a me virar na direção dela e vendo o quanto ela ficara constrangida com a notícia de que havia sido descoberta — Alias, esqueci de te dar os parabéns pelo novo namorado. Espero realmente que estejam muito felizes juntos!

- Deuses, isso por que você disse que não andou espionando a minha vida! — ela me olhava com a mesma indignação. Como se eu estivesse dizendo algum absurdo — Olha Percy eu não pretendia te magoar com isso ok? Simplesmente aconteceu, mas o que você não sabe é que…

- Não importa — a interrompi — Não quero saber mais nada. Façam o que quiserem fazer, não é da minha conta! Nós terminamos há algum tempo, já está mais do que na hora de seguirmos em frente e nos comportarmos como adultos. Espero sinceramente que seja feliz e que nenhum monstro maligno te faça mal. Ao contrário do que possa pensar eu me importo com o que acontece com você Annie…

E com aquela magnífica frase de efeito eu a deixei sozinha no portão e sai para rua. Apesar de ter soado muito teatral eu havia sido sincero ao dizer aquilo. Não havia nenhum outro motivo para eu ter ido até lá alertá-la. Ok, talvez eu estivesse com um pouco de vontade de vê-la. Mas o principal era tentar protegê-la como eu sempre fiz. Não sabia se algum dia deixaria de sentir aquela responsabilidade, de que não podia deixar nada de ruim acontecer a ela, não importava o que. Por isso, apesar de me doer muito ainda, eu achava que seria melhor tentar manter ao menos a amizade de Annabeth em vez de cortar completamente o contato com ela como vínhamos fazendo. Ainda não sabia se isso daria certo, mas não custava nada tentar.

Algo me dizia que era melhor eu ficar por perto. Estava com um pressentimento e queria me certificar de que Annabeth ficaria bem, pelo menos até aquela noite. Não sabia ainda como faria isso, mas iria vigiá-la. Andei um pouco pela rua e passei na frente do Café onde Annie costumava trabalhar. Grover também havia descoberto pra mim que ela já não estava mais trabalhando ali. Há poucos dias atrás, não sei exatamente por que razão ela havia deixado o Café. Provavelmente porque o trabalho de modelo já lhe rendia dinheiro suficiente. Resolvi entrar lá para fazer hora. Mais tarde voltaria ao apartamento para dar mais uma olhada em Annabeth. Me sentei em uma das mesas e pedi um café expresso. Cerca de cinco minutos depois Annabeth e Nathan adentraram o local e eu quase morri engasgado. Ela disse algo para ele e depois veio sozinha em minha direção.

- Percy, preciso falar com você — ela parecia um pouco insegura e até mesmo envergonhada ao falar — Nós decidimos acreditar em você quanto ao que disse. E acho que iremos precisar de sua ajuda se quisermos impedir o que quer que seja que esteja querendo nos fazer mal.

- Espera, você contou a Nathan sobre os monstros? Ele sabe que você é uma semideusa? — me levantei da cadeira para encará-la de pé. Queria muito ter entendido errado, ela não podia ter simplesmente contado a verdade ao mortal, podia?

- Sim, contei — admitiu Annabeth sem delongas — Mas isso não importa. Quero que me ajude a descobrir quem é que está atrás de mim. Digo, de nós!

- E ele acreditou em tudo? — perguntei voltando ao assunto anterior. Naquele momento percebi outra coisa que conseguiu tirar minha atenção da conversa. Um mural onde havia várias fotos dos funcionários. A garota loira do meu sonho — É ela! — apontei a foto — A outra garota do meu sonho, que se transformou em mostro e está planejando destruir sua vida!

- Quem? Hanna? — Annabeth parecia ainda mais perplexa do que eu.

- Sim, era esse mesmo o nome! — afirmei contundente. Agora sim ela não tinha como não acreditar em mim — Agora só precisamos descobrir onde ela está e acabar com ela e a sua amiguinha Emily!

Notas finais
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