Misguided Angels

3 Capítulo II - Bring me to life


Notas iniciais
Olá, outra vez! Acho que já deu pra perceber que vocês me verão toda sexta feira, não é? haha espero que gostem desse capítulo! ♥

Wake me up inside

(Acorde-me por dentro)

I can't wake up.

(Eu não consigo acordar)

Save me.

(Me salve!)

Call my name and save me from the dark

(Chame meu nome e me salve da escuridão)

(…)

Bring me to life

(Traga-me para a vida)

Ela estava sozinha novamente, e não conseguia decidir se isso a assustava ou acalmava. Fechou os olhos e encostou a cabeça na cabeceira da cama, suspirando o mais profundamente que conseguia. Flashes de memórias percorriam sua mente, fazendo surgir pontadas de dor por todo o seu ser, não só corpo como alma. Lembrava de rostos que não conseguia reconhecer, nomes que não podia relacionar, e sangue. Tanto sangue! Sangue em suas mãos, mas não dela. Sangue em seu corpo mas, novamente, de terceiros. Era incrível como a quantidade de memórias trágicas era enorme. Tanta dor! Uma ideia passou por sua cabeça, e ela não conseguiu evitar um sorriso. Alguém um dia lhe dissera que recebemos triplamente tudo o que fizemos ao outro, boas ou más ações. A julgar pelas suas memórias, isso explicava o porquê de ela estar tão destruída. Fora um monstro. Era a morte.

Selene se lembrou de um menino pequeno, de cabelos castanhos. Ele parecia familiar. A lembrança de sua risada aqueceu seu coração. Outro menino, dessa vez menor, passou por sua mente. Cercado de sangue, as mãos sujas de vermelho. Seus olhos assustados. Tanto medo, tanta dor. E ela era a culpada, sabia.

Tudo escureceu, e o mundo ao seu redor parecia girar novamente. Ela era responsável por tantas, tantas mortes! Estava presa em um túnel, cercada por seus fantasmas. No final da estrada, porém, um par de olhos brilhava, um pequeno sorriso de lado chamando-a para a luz. Não conseguia distinguir a face, mas os olhos azul-esverdeados tinham o mesmo efeito calmante da risada do garotinho moreno. Faziam-na sentir-se segura, em casa. Feliz.

Abriu os olhos, encarando o teto claro. Estava cansada de tentar desvendar suas memórias. Olhou para a porta fechada e suspirou. Queria uma de suas irmãs. Queria sua irmãzinha. Queria companhia. As paredes pareciam devorá-la, julgá-la com sua clareza pura. Sentiu-se como uma mancha escura em um vestido novo, irreparável e grotesca. Haveria, algum dia, salvação para ela? Selene não via nada a não ser sangue. E morte. Ah, como queria partir! Olhou para a janela aberta e sorriu. O céu estava cinzento, prestes a chover. Estava lindo.

No andar de baixo, os Vingadores conversavam. Stark sentado no sofá branco, uma xícara de café nas mãos, Natasha ao seu lado direito. Wanda e Visão dividiam um sofá, a morena com um olhar distante e o androide obviamente preocupado. Sam Wilson estava sentado no chão, acompanhando pelo notebook as imagens da câmera de segurança instalada na enfermaria, de olho nas seis resgatadas e, por uma tela extra, Selene. Quieta, encarando o teto, trancada em um dos quartos projetados para segurar até o Dr.Banner, se necessário.

Steve, a não muitos passos de distância, sentou-se no parapeito da janela, encarando o céu nublado, as sobrancelhas franzidas. Tantas coisas rodavam sua mente, impossibilitando-o de concentrar-se em só uma delas. Odiava essa sensação. O clima pesado entre eles era palpável, e o silêncio incomodava. Mas, claro, eles tinham Tony Stark como companheiro. E discrição não era seu forte.

— O que diabos nós vamos fazer? – Stark apoiou a xícara de café na mesa de vidro ao seu lado, arrumando-se no sofá e apoiando os cotovelos nos joelhos. – Temos sete prisioneiras da HYDRA e nenhuma ideia de o que elas são.

— É muito óbvio que elas são cobaias. – Natasha resmungou, cruzando os braços. – Agora, se voluntárias ou não é outra história. E o que eles fizeram com elas também.

— Não conseguimos nenhuma informação daquelas caixas ainda? – Steve, de sua posição distante, perguntou.

Natasha negou de onde estava, e Visão virou-se para ele.

— Estamos tentando decifrar as senhas, mas é um número longo e bastante complexo. Usar força bruta pode destruir o conteúdo, então só podemos esperar.

— Elas não pareciam estar lá por vontade própria. – Sam murmurou, ainda de olho nas imagens. Quando viu que todos voltaram-se para ele, deu um sorriso sem graça. – Eu dei uma olhada naqueles compartimentos que pareciam quartos. Todos tinham correntes nas camas, alguns com manchas de sangue e reformas recentes. É como se quebrassem tudo, com bastante frequência. Fora que elas estavam todas amarradas, Selene então, nem se fala.

— Se Selene estava lá por vontade própria, isso foi apagado a muito tempo. – O olhar de Wanda estava carregado de mágoa. Não tinha noção de nem um terço do que a menina sofrera, mas sabia que era um passado doloroso. – Vocês viram como ela estava. Ninguém, nunca, passaria por tudo aquilo por vontade própria.

Os outros foram obrigados a concordar, inclusive Tony.

— Ela parecia estar sendo punida por alguma coisa. – Stark murmurou. – Talvez ela seja uma experiência que deu errado.

— Eles a teriam matado. – Rogers levantou-se, caminhando até mais perto dos colegas e cruzando os braços. – Não manteriam uma falha viva. Eles a teriam matado, sem dúvida.

— A menos que ela seja poderosa. – Os outros viraram para Wilson de novo. – Zero. Pode significar elemento, cobaia zero. A primeira, a base de todas as outras.

— Ela seria a mais fraca, então. A primeira é sempre a mais fraca.

— Não necessariamente.- Natasha chamou a atenção para si. – Se ela for a primeira, foi nela em que eles testaram praticamente tudo o que podiam. Se deu certo nela, existe uma chance de dar certo nas outras. Ela pode ser a mais forte de todas, o que explicaria todas as correntes nela enquanto as outras estavam presas só por tiras.

— Mas como eles deixariam o exemplar mais forte ser quebrado daquela forma? – Steve perguntou. A maneira como a menina fora machucada ainda despertava uma ira em si que ele não conseguia controlar. – Como deixaram ela de boneca para qualquer um?

— Talvez a ideia fosse enfraquece-la. – Wanda murmurou, enquanto tentava organizar as ideias que se formavam em sua mente. – Quebrá-la o suficiente para que eles pudessem reconstruí-la da forma que quisessem.

— Se for essa a ideia, eles estavam indo muito bem. – Sam virou a tela do notebook para os outros, mostrando as meninas, Selene ainda na mesma posição. – Ela não se mexeu desde que acordou.

— Acho que vamos descobrir mais em breve. – Stark olhou para a tela da enfermaria, indicando-a com um movimento de sobrancelhas. Uma das meninas, de cabelos acinzentados, se mexia freneticamente, ainda de olhos fechados, puxando as amarras com força. Ao mesmo tempo, a gravação mostrou Selene abrindo os olhos, como se sentisse a presença da outra. Os Vingadores levantaram-se rápido, Wanda, Visão e Steve correndo para o andar superior enquanto Sam, Tony e Natasha iam em direção à enfermaria. Do lado de fora, o céu começara a chorar.

Selene sentiu algo acender em seu corpo. Uma presença conhecida que há muito ela não sentia. O arrepio percorreu seus dedos, membros, até a última ponta do último fio de cabelo. Ela reconheceria aquele sopro de alma mesmo depois de séculos. Diana.

Natasha foi a primeira a entrar na enfermaria, e a primeira a perceber a queda brusca de temperatura. Ao chegar perto da garota grisalha, sentiu o corpo inteiro arrepiar, enquanto observava sua respiração condensar em sua frente. Era óbvio, aquela ali também tinha poderes.

A menina se mexia como se protagonizasse o pior pesadelo imaginável, uma fina camada de gelo cobrindo seu corpo e a cama em que estava deitada. O gelo derretia tão rápido quanto surgia, uma inconstância óbvia dos poderes da garota. As outras pareciam sentir a energia que emanava daquela, já começando a se mexer. Uma em especial, com traços muito parecidos aos da grisalha, parecia chorar, enquanto pronunciava coisas em algo que parecia russo. A Viúva Negra sentiu, pela primeira vez em muito tempo, um arrepio intraduzível ao reconhecer o que a morena dizia.

— Tanto sangue. Não se afogue. Onde eu estou? O que está acontecendo? Alguém me ajude! – Natasha traduziu para os amigos, que encaravam as meninas ao redor, confusos. – Mamãe, onde você está? Mamãe!

Sam foi em direção a uma outra garota, que pronunciava frases desconexas em inglês. Essa tinha cabelos quase pretos, a pele clara como se nunca tivesse visto o Sol.

— Eles estão vindo. HYDRA. Corram. – Ela pareceu engasgar com algo, e começou a chorar. – Vamos ficar bem.

— Elas estão sem controle dos próprios poderes. – Natasha murmurou, mais para si mesma que para os outros, que apenas assentiram, sem saber o que fazer. A sala parecia girar em torno as meninas. Sam ofegou ao ver uma névoa negra subindo em torno de uma delas, afastando-se.

No andar de cima, Steve e Wanda encaram Selene, sem saber o que fazer, Visão postado protetoramente em frente à feiticeira. A ruiva tremia, sentada, os olhos fechados, enquanto todo o quarto balançava ao seu redor, a cama chacoalhando.

Steve procurou seu celular e, num só toque, foi atendido por Natasha.

Todas estão agitadas.— A voz ecoou pelo telefone, fazendo o loiro estremecer. – Parecem não conseguir controlar as próprias habilidades. Parecem estar perdidas.

— Selene também. O que diabos está acontecendo?

— Elas estão sem controle. – Selene murmurou. Steve virou-se para a ruiva, surpreso. A menina levitava sobre a cama, os cabelos estalando como se tomados por um vento intenso. Visão segurou Wanda, que ia em direção à menina.

No mesmo instante, Selene abriu os olhos. Olhos que não pareciam, em nada, humanos. As íris e o globo ocular estavam tão pretos quanto a pupila, a expressão carregada de poder. Ela parecia um demônio. Parecia a própria morte.

Os três se afastaram, surpresos. Pela primeira vez em muito tempo, não sabiam o que fazer.

— Parem. – Selene sussurrou, tão baixo que eles quase não conseguiram ouvir, os olhos encarando o nada. – PAREM!

E então, tudo se aquietou. Ambos os quartos voltaram ao normal, os objetos voltaram ao chão, a temperatura voltou a subir, a névoa negra desapareceu.

— O que diabos acabou de acontecer? – Stark perguntou. Natasha parecia em choque, e Sam encarava as meninas, surpreso.

No outro quarto, Wanda, Visão e Steve permaneceram exatamente onde estavam, observando Selene, que agora estava novamente sentada sobre a cama, em silêncio, os olhos azuis outra vez.

— Elas estão todas conectadas. – Wanda murmurou. – Como uma corrente de poder.

— E Selene é o elo que as segura. – Steve completou, ainda segurando o celular nas mãos.

Tudo estava como antes. Os quartos estavam em silêncio. As camas não se moviam mais. A diferença é que, agora, todas as meninas estavam acordadas.

Notas finais
tan tan tan dannnnn não sei se sou boa com mistérios haha enfim, espero que tenham gostado. Me deem suas opiniões nos comentários, por favor? Quero saber o que estão achando! ♥