Notas iniciais
Eric perdendo o controle, o.ô

Sua casa estava cheia e isso era um problema. Estavam todos ali, quando chegou, e isso não poderia terminar bem. Porque ele sabia que tinha pouco controle sobre si. Porque ele sabia que tivera que se controlar muito para não voltar até ela, ou simplesmente matar alguém pelo meio do caminho. E agora, estava parado diante do pé da escada de sua casa e todos estavam lá, olhando-o confusos, não reconhecendo a expressão que seu rosto carregava. Ele até podia farejar o medo, ele vinha de Amy, não que ela tivesse medo dele, em si, mas do que estava acontecendo. Não havia nada na expressão de Eric, não havia ninguém por trás de seus olhos. Ele queria se afastar de todos, não ter nenhum contato com ninguém até que conseguisse reconstruir sua máscara de pseudo-humanidade. Não deram esse tempo a ele.

- Você está bem? – A voz de Martin estava muito baixa, mas ele tinha certeza que o outro poderia ouvir. Preocupado, ele ousou continuar. – O que aconteceu?

Era óbvio que Eric não estava bem. Peter não se sentia a vontade com isso, mas esse sentimento se tornou temor quando o outro vampiro ousou questionar. Queria pedir desculpas pelo outro, mas aquilo seria impossível. Tudo que podia fazer era observar, esperando não ter que intervir.

- O que aconteceu, você me pergunta. Tsc. – Eric parou de andar e começou a falar, com seu olhar vazio fixo no vampiro de olhos verdes. – Estou começando a ficar inquieto por não poder matar uma humana específica. Realmente inquieto. – E isso era pura mentira, mas nenhum deles sabia e, mesmo que soubessem, que diferença faria? – Hoje provei mais um pouco do poder que roubaram de nós. Ela me dá nojo. Ha, a família dela, no geral. Quero ver o fim deles, para que aprendam...

E Martin, que nunca acreditara na história, que nunca achara possível reles humanos subjugarem nobres vampiros para conseguir experimentar um pouco de seu poder, ousou uma vez mais, ousou interromper aquele que caçava tal família com mais ardor.

- Você não pode acreditar mesmo nisso, não é?

“Inconseqüente, cale-se!” Rugia a voz de Peter dentro da cabeça dele.

- O que está dizendo?

- Eric, eles são humanos. Só humanos. Como qualquer humano poderia ter capturado um vampiro tão forte, como os que haviam na época que essa família surgiu? – Martin preferiu ignorar seu criador, Peter, ele precisava questionar o outro sobre isso. Precisava. Amy estava inquieta próxima do vampiro loiro, ambos temiam algum tipo de explosão por parte de Eric. Mariana estava mais afastado, porém não menos apreensiva.

- Você ousa dizer que meu clã mente? – Nenhuma diferença na expressão, tom de voz ou mesmo olhar, mas, subitamente, Martin ficou com medo. E Eric se rejubilou com isso, embora não tenha aparentado nada.

- Eric, por favor... – Peter também sentia o medo emanado pelo outro, aquilo estava indo longe demais para que permanecesse impassível.

- Calado. Deixe-o continuar. Deixe-o mostrar sua teoria. Então, Martin. Você diz que meu clã, o mesmo clã que te acolheu, está mentindo deliberadamente? Está promovendo uma... Caça as bruxas? E está caçando humanos inocentes? – Uma risada vazia foi articulada. E ele esperava o outro responder, olhos fixos nele, como os olhos de um predador estariam fixos numa presa.

- Eu... Não é isso! Não é que estejam mentindo! Mas como é possível? Não faz sentido nenhum essa história de humanos que capturaram vampiros e de alguma forma obtiveram poderes. E é só olhar pra a família humana em si, eles passam invisíveis pelo tempo! Talvez sejam só uma raça diferente de seres sobrenaturais. Talvez sejam uma mutação genética. Mas não algo criado capturando alguém de seu clã. Bem, é isso que eu acho.

- Então você reafirma sua primeira posição? Meu clã mente. Interessante. – Rápido demais. Tão rápido e desnecessário. Eric parado na frente de Martin, sua mão dentro de seu peito, segurando um coração que ainda batia, a despeito de um vampiro estar morto. Peter olhando o peito dilacerado de seu amigo, que podia ter sua morte final a qualquer instante. Martin, com um medo maior que tivera do que quando morrera para se tornar algo a mais. Porque mesmo aquilo sendo morte, fora nos braços suaves de uma pessoa que confiava. Amy com pulsos cerrados, julgando que aquele que amara havia realmente se perdido para todo o sempre. E Mariana sendo corroída por dentro, pois sabia que teria que trair Eric, depois daquilo que ele fizera. E Eric sentindo as fracas batidas do coração alheio em sua mão e todo seu instinto assassino o mandando estraçalhá-lo e sorver seu sangue.

- Eric, solte-o. Você não quer seguir por esse caminho. – Amy tentando ser a voz da razão, quando essa parecia ter abandonado a todos. Peter tinha seus caninos expostos e sibilava, mas não ousava se mover com medo que Eric matasse sua cria.

- O caminho de matar um traidor? Um desertor?

- Martin, em momento algum, lhe traiu. Solte-o, Eric. Ou haverá mais de uma morte essa noite. – Peter estava desesperado e seu olhar encontrou o de Martin. Medo, puro e irracional. Peter queria falar algo para ajudá-lo, mas não podia, não havia nada. A qualquer momento Eric podia decidir matá-lo.

- Está me ameaçando? – Seus dedos começando a penetrar naquele órgão que tanto o tentava.

- Não. Eu tenho certeza que morreria, tentando te atacar. Mas eu não poderia deixar isso passar. Solte-o. Eu lhe imploro.

- Eric... – Amy havia se aproximado alguns passos, mas não ousava tocar nele. – Ele não é o seu inimigo.

Mariana observava a tudo calada, parecendo quase não fazer parte da situação.

- Ok, ok. Vocês são tão desesperados. – Ele abriu sua mão e a tirou de dentro do peito de Martin. – Como se eu fosse realmente matá-lo. – Sua língua tocou o sangue que sujava sua mão e ele começou a limpá-lo lambendo.

O corpo de Martin tombou, mas Peter o segurou por trás. Seus olhos, pura cólera no momento, em Eric. Enquanto segurava gentilmente o corpo trêmulo de sua cria, gritava com aquele que ousara chamar de amigo.

- Como pode fazer isso?! Eu sempre fui seu amigo, sempre estive ao seu lado! Como você pode atacá-lo? Como pode tentar matá-lo?!

- Se eu quisesse ele morto, acredite, ele seria só cinzas agora.

- Eric, eu juro...

- Quieto, Peter. Não fale algo que possa vir a se arrepender depois! – Amy o cortou, seca. Mas era para o melhor, achava, não podia prever a reação de Eric se o outro vampiro o amassasse. – Peter, tire Martin daqui, ele precisa se recuperar e esse não é o melhor lugar.

- Tirarei Martin de perto dele. E pode ter certeza que não nos verá novamente. Você o chamou de desertor essa noite. Bem, deixe seu clã saber que perdeu dois de seus associados essa noite!

- Tsc. – Foi o único som produzido por Eric, que subia suas escadas em direção ao seu quarto. Sua mão já completamente limpa do sangue de outro vampiro. Mariana em silêncio o seguia. Amy esperou Peter arrastar Martin para fora da casa para ir atrás do casal.

- Você foi longe demais. – Tristeza da voz de Mariana, porque ela sabia o que precisava fazer.

- Sobre o que está falando nesse momento tão crítico? Mariana, tenha um pouco de bom senso! – Amy parecia nervosa, mas a outra tinha um aspecto muito calmo.

- Ele sabe sobre o que estou falando.

- Você não vai fazer nada. – E Amy pode sentir aquela estranha energia que sempre sentia quando algum vampiro usava algum de seus dons, aquela energia tão sombria e letal, porém sedutora. Ele tinha os olhos fixos no da mulher-loba e projetava sobre ela todo seu poder.

- Não se faça de tolo. Eu sou a filha do alpha e fui designada especialmente para você, acha mesmo que seus poderes vão funcionar em mim? Deveria saber que somos praticamente imunes aos poderes de vocês. Você não deveria ter feito o que fez. E eu lamento, mas preciso exercer minha função. Amo você, não duvide disso, mas minha lealdade está com a minha matilha e ela responde ao seu clã. Você atacou um associado sem ter motivos, o clã precisa saber disso.

- Quem é você?! – Amy olhava incrédula para Mariana, nunca ouvira uma menção sobre isso e olha que já os conhecia há tempos. Mas, ao pensar, qualquer vampiro com um poder real dentro daquele clã tinha um lobisomem como companheiro, será que os lobos não estavam guardando os vampiros, mas sim os vigiando caso eles saíssem da linha? Era muito estranho pensar isso, mas no fundo fazia um pouco de sentido. Só ela sabia quantos vampiros enlouquecidos, sem controle de sua besta interior, já tivera que caçar e matar. Sim, sim, essa era uma função do grupo de panteras a qual pertencia, e ela, particularmente, a exercia muito bem.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.