Notas iniciais
Onde o lobo esconde as presas...

Para Anna, encontrar-se com James havia se tornado uma rotina. Uma das poucas rotinas boas em sua vida. Ele era extremamente agradável e divertido. Mas ela não estava interessada nele, não como Clara achava que estava. Sua amiga havia insistindo tanto em saber como ele era, que Anna pedira para ele buscá-la em seu apartamento um dia. Clara, e Luisa, sejamos sinceros, o acharam incrível. E quando Anna dizia que só o via como amigo, Clara tinha vontade pular em seu pescoço e esganá-la.

- Lindo, educado, ruivo, gostoso, engraçado... – A loira continuava desfiando elogios e sempre terminava rindo. – Já mencionei lindo?

- Ótimo, então fique com ele. – Anna revirava os olhos, fazendo sua amiga suspirar.

- Você está solteira, querida. Por que não aproveita isso?

- Eu não estou interessada nisso, nem James.

- Mas vocês formam um par tão lindo! – Anna, sinceramente, achava que não. Ela simplesmente não conseguia enxergar como os outros os viam, no mínimo uma dupla interessante. O contraste de seus cabelos escuros e seu corpo pequenino com o enorme e ruivo James. Clara os achava belos, lado a lado. Luísa, mesmo morta, podia sentir a segurança que ele emanava e achava que o lugar de Anna era realmente ao lado dele.

Então, com toda a pressão das amigas dela, eles continuavam a se encontrar. Mas nada acontecia, porque não havia nada para acontecer. James gostava muito dela, isso era verdade, seu cheiro o embriagava e ele faria de tudo para deixá-la a salvo, mas não porque a queria. Era apenas o jeito dele. Conforme o tempo foi passando, na verdade, apenas um pouco mais de duas semanas, ele se questionava se deveria revelar a ela o que era. Nunca havia tido tanta vontade de contar a um humano esse tipo de coisa. Mas James era o alpha de sua matilha, mesmo que ela estivesse espalhada por aí, não poderia colocar todos eles em risco. Ignorava sua vontade e continuava a encontrar Anna, seguindo-a na forma lupina até que ela chegasse em casa sã e salva.

A lua cheia chegou e James estava preocupado, como as noites estavam mais claras, seria um tanto quanto complicado segui-la discretamente. Mas ele decidiu fazê-lo, esse foi seu grande erro.

Amy, desde sua conversa com Eric, estivera inquieta, então tinha resolvido ir espiar a tal garota humana. A noite estava clara demais, felizmente ela era uma pantera. Aliando seu pêlo negro com as sombras, conseguiu encontrar um esconderijo razoável.

A asiática viu a garota caminhando sozinha, provavelmente voltara de algum lugar de ônibus e andava do ponto para a casa. Estremeceu ao ver o que a seguia.

- Você tem um cão de guarda, é, garotinha? – Observava o lupino um tanto surpresa, ele era enorme. Ao contrário de Mariana, ele era claramente um forte representante dos lobisomens. Forte demais. – Um alpha?! Não, não pode ser! – Murmurava para si mesma, chocada. Ela tinha dito para Eric que o Oráculo prenunciava tragédia! Mas nunca teria imaginado que ela viria na forma de uma matilha. A trégua entre vampiros e metamorfos existia e já não era tão tensa, porque durava um bom tempo. Mas qualquer tipo de conflito reavivava antigas disputas.

As coisas conseguiram piorar ainda mais, na visão parcial de Amy. Ela havia voltado a seguir a garota com o olhar. Anna estava quase entrando quando algo chamou sua atenção, algo que não teria notado se estivesse mais escuro. A garota não chegou a mexer seu corpo, apenas seus olhos se moveram furtivamente para o lado, encontrando James. Sua expressão não revelou nada, mas a mulher havia notado o movimento dos olhos de Anna. Ela não sabia se era mais assustador o fato da garota ter conseguido notar o tal lobo ou ela não ter demonstrado nenhuma reação. Esperou o outro animal sair dali, depois, correu em disparada para a casa de Eric. Precisava contar o que descobrira. Tragédia, definitivamente tragédia. O vampiro tinha que deixar de lado essa caça, pelo menos contra essa garota especifica.

- Que cara estranha é essa? – Perguntou Luísa, assim que Anna entrou em seu apartamento. Clara havia saído com o namorado e ainda não voltara.

- Ele é um lobisomem.

- Ele?

- James. – Murmurou Anna. – Agora as coisas fazem sentido... – A garota estava pensando em como ele tinha percebido seu medo. – Olfato. O maldito!

- Mas, Anna, lobisomens existem?

- Bem, eu nunca tinha visto um até hoje. Mas se fantasmas e vampiros existiam, por que não metamorfos?

- É, tem razão. – Luísa concordou após um tempo. – Sua vida deve ser bem mais complicada do que eu tinha imaginado.

- Não era, mas acho que vai começar a ser. – Suspirou. Pensaria se jogaria na cara de James sua descoberta. No momento, estava mais irritada com ele do que curiosa pelo fato dele estar a seguindo.

Notas finais
ODIEI esse capítulo, T_T'