Misguided Angel
11 Capítulo 10
Notas iniciais
Ele tentava ligar de volta para Anna, mas a garota apenas ignorava suas chamadas. James não fazia idéia do que tinha acontecido e isso o deixava nervoso. Enquanto tentava ligar, ele ia se arrumando de maneira básica para poder ir até o apartamento dela. Precisava saber o que tinha acontecido! Finalmente, ela o atendeu, ele já descia as escadas de seu prédio, impaciente demais para esperar o elevador.
- Anna! Meu bem, o que aconteceu? – James estava nervoso, havia parado de correr pelas escadas porque não conseguiria falar direito no celular, mas não desistira de ir até ela.
- Desculpe, James. Eu não deveria ter ligado de madrugada. – Ele podia notar na voz dela vestígios do choro. – Foi só... Bem, é meio humilhante falar, sabe? – Ela deu uma fungada e fez uma longa pausa, adiando o momento. – Um pesadelo. Só isso. E aí, eu simplesmente precisava ouvir sua voz! Me desculpe por te acordar e te deixar preocupado!
- Sem problemas. – Ele respondeu depois de um tempo, depois de digerir o que ela tinha dito e feio. Na verdade, ao saber que não era nada tão terrível, ele ficara feliz com a ligação dela. – Mas, da próxima vez, não desligue na minha cara. Eu fiquei desesperado.
- Eu não queria chorar na sua “frente”. – Depois, ela falou num tom mais sarcástico. – Espero que não tenha próxima vez, não é?
- Tem razão. Mas, Anna, não vejo problemas em você chorar na minha frente. Não me acha capaz de consolá-la? – Ele se arrependeu da pergunta logo após emiti-la. Ela ficou em silêncio por tanto tempo que quase o fez pedir desculpas, mas a voz dela saiu novamente pelo aparelho. Baixa, distante, cansada.
- Boa noite, James. – A única alternativa que lhe restou foi emitir uma frase semelhante e desligar.
Anna não queria vê-lo no dia seguinte, por isso se irritou quando lhe interfonaram dizendo que um rapaz estava ali para vê-la. Desceu temerosa e irritada, seu estado só piorou quando lhe avisaram que ele o esperava no estacionamento. Anna foi até ela, contando até dez para não fazer uma cena. O motivo de não querer vê-lo era simples, estava confusa. E ela tinha dito que não podia sair hoje, tinha que estudar, James não podia ir simplesmente aparecendo!
- O que está fazendo aqui?! – O choque amenizou sua irritação. Era Eric, não James, parado ali.
- Tsc, tsc. Vim te atormentar, o que mais? – O vampiro começou a se aproximar dela com passos lentos, despreocupados, um sorriso malicioso nos lábios. – E terminar o que comecei ontem, é claro.
Antes que ela pudesse realmente absorver o sentido das frases, ele estava a sua frente. Segurava a mão dela, a mesma que tinha machucado na noite anterior, e a desenfaixava com destreza.
- Ei, me solta! – Ela tentou puxar a mão para longe dele, enquanto o fuzilava com o olhar.
- Não, não solto. – A testa de Eric se franziu enquanto ele observava o ferimento. A língua dele estalou algumas vezes, emitindo um som de reprovação. – Se tivesse me deixado fazer o que queria, isso não estaria assim.
Anna bufou irritada e continuou a tentar se desvencilhar, com mais força dessa vez.
- Me solta, porra! Não to com paciência pra isso!
- Que boca suja, garotinha. – Uma risada escapou dele.
- Vai se fuder! – Anna disse friamente e deu um último puxão, tirando sua mão das garras dele. A garota saiu andando em direção a seu prédio, decidida a ignorá-lo. Mas não fora nada esperto dar as costas para Eric naquele lugar em que não tinha mais ninguém.
- Olhe aqui, garota, eu... – Ele havia surgido novamente na frente dela e a empurrara contra um dos carros, novamente segurara a mão dela e apertava com força, disposto a fazê-la voltar a sangrar.
- Anna! Não “garota”! – Ela o encarava desafiante e novamente iniciava aquela batalha para se libertar.
- Eu não sou bonzinho, garota. – Ele a ignorou. – Minha intenção é fazê-la sofrer, então seja uma criatura obediente e pare de me dar as costas. Só torna as coisas piores pra você, acredite em mim.
Encararam-se com raiva até que ele alcançou seu intento, coisa que não demorou muito. O ferimento voltara a sangrar. Anna emitiu um gemido involuntário de dor. Eric sorriu, enquanto trazia a mão dela para próximo de sua boca. A garota tentava chutá-lo e se debatia, ele apenas sorria revelando seus caninos. E, então, quando estava próximo o suficiente, ele lambeu-lhe o ferimento, fechando os olhos e saboreando o sangue dela. Por um breve momento, o mundo parou. Nesse único momento, ela observou chocada a expressão de deleite dele. Anna o viu dar outra lambida, parecia lamber dentro do ferimento dessa vez, isso a deixava com asco, por outro lado, sua mão reagia de forma estranha. Coçava, parecia se curar. A garota havia parado de reagir, muito confusa com a situação. E então, ele abriu os olhos e destruiu o momento. Pois havia apenas o vazio ali, olhando para ela.
- Pronto. – Eric soltou a mão dela. – Eu volto. Não espere que eu seja tão legal da próxima vez.
Anna o viu se afastar, a boca semi-aberta. Quando ele sumira de vista, olhou para seu corte curado. Não conseguia entender nada. Aquele vampiro não podia ser alguém normal.
Eric passava a língua pelos lábios, uma, duas, três vezes. Ainda podia sentir um pouco do gosto dela ali. Da próxima vez, a morderia, precisava saborear mais daquele sangue. Uma das coisas que mais odiava naquela família era o fato deles terem um sangue tão bom, tão poderoso. Era algo forte o suficiente para fazer até vampiros nobres como ele perderem, por breves instantes, controle de suas ações. Seria lindo ver o resultado de sua perda de controle. Seria lindo vê-la machucado por causa de seu próprio sangue.
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