- Quando o senhor pretende contar a verdade?

- Você fala como-se fosse algo fácil.

- Eu sei, mas um dia terá de contá-la. Se ela souber por outra pessoa, será muito pior. Fazê-la acreditar de que foi o Luminor que a transformou...

- É, eu sei... Mas por que tocas neste assunto? Já se passaram 150 anos!

- Sim, só que...

- Não toque neste assunto!

- Esta bem meu senhor, não queria importuná-lo.

- Humpf... Venha cá minha filha, desculpe-me. Eu... Ando meio exaltado esses dias.

- Algo te preocupas, Viktor?

- Ahn, sim... Diria que um... “Amigo” meu, irá passar uma temporada em nossa casa.

- Amigo? Eu conheço?

- Ainda não, mas já ouviu muito o nome dele. Diria para tomar cuidado. Não quero que você se machuque, Emilie.

- Humpf, fala como se não me conhecesse.

- É, tem razão... Você sabe se cuidar. Mas temo por Victória.

- Ah, com essa aí com certeza deve temer. Sempre tão gentil, sempre bobinha....

- Não fale assim dela, você também...

- BASTA! Não iremos tocar neste assunto, esta bem?

- Esta bem minha filha, esta certo... Sei que este assunto ainda meche muito com você.

- Não meche, apenas prefiro não recordá-lo.

- Então, por que não esta tocando em seu violino?

- E desperdiçar uma conversa com o senhor? Jamais!

- Ora, deixe disso...E por que não foi para a Over Night?

- Ohr, por favor Viktor... Poupe-me de contato com humanos desprezíveis. Só estão lá para trair seus devidos compromissos e injetarem substancias em seus dependentes corpos.

Neste momento, ele teve um momento de devaneio, como se pudesse prever alguma coisa.

- Meu Senhor? Esta tudo bem?

- Pois é preciso que você vá ao encontro de sua irmã, e diga-lhe que é para voltar para casa!

- O que??? Assim? De repente?

- Sim! Vá e a traga para casa.

- Mas, por q...?

- VÁ!

- Esta certo.

Emilie partiu da casa o mais rápido que pôde. Não conseguia compreender porque seu “pai” queria que ela fizesse isso, mas preferiu não questionar. Viktor foi aquele que lhe transformou quando foi atacada pela praga de sua época. Desde então, o trata como se fosse seu protetor.

Viktor era o dono da residência onde ele e outros vampiros moravam, inclusive aqueles que estavam na boate trabalhando. Era o mais temido por todos ali, até mesmo mais que o próprio Luminor, que era o seu guarda-costas e cuidava de todos os seus interesses.

Tinha uma aparência não muito jovem, olhos bem azuis e um rosto muito pálido. Seus trajes eram como de um anjo das trevas. Tratava Emilie e Victória como suas filhas, pois sentiam muita afeição por elas.

[ Over Night ]

Victória estava no bar, apenas esperando o momento certo para interrogar aquele que estava observando-a.

Bill não parava de olhá-la, era como se estivesse enfeitiçado, e nem por um momento, percebeu que estava sendo tão indiscreto.

- Quer algo para beber, senhor? – Disse uma garçonete bonita, com longas madeixas loiras.

- Ahn... Uma dupla! Por favor... – Mas Bill nem prestou atenção na sua face, apenas uma lhe roubava a atenção.

- É sempre assim? – Victória perguntou sem querer ainda encará-lo.

- Quê? Falou comigo? – Bill tomou um susto, não esperava que ela falasse com ele.

- Me diz uma coisa... Você sempre segue as pessoas? – Ela se virou para ele com um ar desafiador.

Demorou um pouco para compreender o que ela acabara de lhe dizer.

- N-n... Não é isso que você esta pensando – Ele ficou surpreso com a pergunta dela.

- Hum... Deve ser um daqueles fãs fervorosos por músicas dark-eletronic, não é? – Ela ia dizendo se aproximando bem de seus lábios.

- Han? N-não... Não é isso...

Vic estava bem perto de cruzar sua boca com a dele, e a respiração de Bill foi ficando cada vez mais ofegante. Ele pôde sentir aquele hálito bem frio e com um leve sabor de cereja que vinha da garota.

Não sabia o que mais lhe responder, e por isso preferiu permanecer em silêncio, até não agüentar mais ver aqueles olhos verdes fitando os dele.

- Por que diz isso? – Engolindo a seco sua saliva.

Ela não respondeu sua pergunta, mas sim lhe oferecendo outra coisa...

- Amanhã. Hyde Park, 16:00 horas. Eu te encontro. – Disse sussurrando em seu ouvido.

Bill estava quase se desequilibrando da cadeira enquanto ela falava. Ficou sem reação em sua presença, não entendia o que se passava por dentro do seu corpo que o deixava tão imóvel. Ela se afastou dele, mas depois de dar três passos, lhe disse olhando para trás:

- Ah! E não dê ouvidos para o que irá ouvir, porco espinho. – Deu uma piscadela.

Não lhe disse nada de volta, não retribuiu a piscadela e muito menos foi capaz de acenar com a cabeça para aquela estranha. Mas não precisava... Seus olhos castanhos falaram por si.

Toda aquela situação deixava Bill bastante excitado. Talvez não fosse pela ocasião, e sim pela pessoa.

Logo que conseguiu recuperar seu fôlego e fazer com que seu material não ficasse mais ereto, uma outra pessoa aproximou-se dele. Era um rapaz de bom porte, olhos azuis esverdeados, bastante pálido e cabelos loiros.

- Se eu fosse você, não me deixava enganar.

- O que esta querendo dizer?

O homem deu um riso contido.

- Me chamo Shin. – Os dois apertaram as mãos.

- Bill Kaulitz.

- Olha só... Eu tecnicamente vivo nesta boate...

- Você trabalha aqui?

- É, mais ou menos. Mas quer um conselho? Não se aproxime dela... Sempre tentando tirar proveito dos clientes novos.

- Como assim? O que...

- Por favor Kamila, me veja o de sempre! – Acenou para a garçonete.

- Mas é claro! – Ela lhe deu uma piscadela.

- Olha só... Entendo que esteja deslumbrado pela beleza da Victória...

Então, seu nome era Victória? Pelo menos já não era total estranha, ao menos sabia já como se chamava.

- Ela é uma garota fantástica! Mas...

- Aqui está. – Kamila aproximou-se com um copo que continha um liquido bem vermelho, mas não parecia álcool.

Ele esperou a garçonete se afastar para continuar, deixando então Bill morto de ansiedade para saber tudo sobre aquela intrusa que entrou em seus pensamentos sem querer se despedisse.

- Mas escute o que estou lhe dizendo: não vai querer conhecê-la de perto.

O vocalista do Tokio Hotel não entendia onde ele estava querendo chegar. Mas logo se lembrou das últimas palavras dela.

- Bom, obrigado pelo aviso. Irei guardá-lo bem.

- Não há de que. Espero que o leve em consideração, mesmo vindo de alguém que você nem conhece.

Não dizem que muita esmola o santo desconfia? Pois bem, foi o que Bill pensou, mas ainda dando um pouco de crédito no que o Shin dizia.

- Bom, eu vou voltar ao meu trabalho. Espero que esteja gostando do nosso estabelecimento.

- Ohr, sim. É fantástico! Bem moderno...

- Hum... Nos vemos por aí.

- Não se esqueça de quem você é, e qual o seu objetivo. – Falava uma voz rouca do outro lado do telefone.

- Sim, eu sei. Não irei falhar.

- É bom mesmo! E lembre-se: qualquer distração, pode nos prejudicar. Os outros já estão a caminho. Boa sorte, Jared.

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Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.