Mischief
1 Prólogo
Michelle mal podia acreditar em seus ouvidos, ou melhor, em seu ouvido direito, pois era neste que chegava a voz de Liam Lyesmith através do celular.
— Michelle, você está aí? Sou eu, Liam.
Quando finalmente conseguiu superar a surpresa, Michelle se esforçou para controlar a voz.
— Você quer dizer o sujo, traidor, desprovido de qualquer decência ou caráter, canalha e desprezível Liam Lyesmith? — ela cuspiu.
— Esse mesmo. É bom saber que você ainda me ama.
— Seu, seu... Seu porco imundo!
— Está bem. Se acalme, ok? Se pergunte por que eu estou ligando para você depois de um ano.
— Não quero saber! E não foi um ano, foram dois anos, três meses e quatro dias!
— Eu preciso de você, Mich... — a voz dele pareceu um ronronar.
— Liam...
— Preciso mesmo. Eu entendo que fui um canalha completo, mas não sou tão ruim assim. Peço que me perdoe.
— Oh, Liam. Não brinque...
— Você se lembra da pensão em que jantamos, Michelle?
— Ah, Liam...
— Lembra do ensopado da Sra. Santini, na pensão?
— Posso sentir o gosto agora!
— Qual era mesmo o ingrediente que ela usava, o secreto, que ela só nos revelou porque ameacei contar para o seu marido do caso dela com o garçom?
— Era manjericão, Liam.
— Tem certeza?
— Sim, Liam... Ah, Liam, é impossível ficar irritada com você...
— Ótimo, Michelle. Precisamos nos ver um dia. Adeus.
— A-Adeus? VOCÊ DISSE QUE PRECISAVA DE MIM, LYESMITH!
— E precisava. Estou fazendo aquele ensopado para uma amiga e não me lembrava o ingrediente secreto. Você me ajudou muito e eu estou...
— SEU DESPREZÍVEL! PORCO IMUNDO! INSENSÍVEL! FILHO DA...
— Olha, Michelle, eu já pedi desculpas, tudo bem. Você quer que eu me humilhe?
Michelle desligou o telefone com raiva, e, longe dali, Liam Lyesmith dava os ombros e desligava também, mexendo os cabelos avermelhados enquanto observava o caldo na panela e jogava ali dentro o manjericão.
Nessas horas, ele se ressentia por não poder acenar com a mão e tudo estar pronto à sua frente.
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