Mirrors
23 Cowards Must Die.
Depois de passar a noite com Emily mais uma vez, Ian voltou para casa morto de cansaço e dormiu como uma pedra a noite toda. Acordou com o barulho de seu celular, tocando uma musica irritante e ele logo amaldiçoou Lorenzo por aquilo, já que ele tinha certeza que havia sido ele quem colocou a musica para tocar. Ele pegou o celular e o jogou longe, mas o aparelho não parou de tocar, muito pelo contrário.
Ian bufou e logo se arrependeu de ter jogado o aparelho longe, pois agora ele teria que se levantar e ir até para desligá-lo. E foi o que ele fez. Se obrigou a sair da cama e xingou seu primo de diversos nomes por tê-lo acordado dessa maneira. Se ele ficar com o bendito mau-humor matinal, a culpa vai ser toda dele.
Pegou seu celular e desligou o despertador “lembre-se de amar seu primo” revirando os olhos e depois seguiu para o banheiro a fim de ir tomar um banho gelado para acalmar os nervos. Saio e vestiu um de seus milhares ternos de linha e se preparou para ir até sua empresa. Hoje ele terá que lidar com assuntos não-mafiosos, que em sua opinião, são os mais chatos! É apenas burocracia e mais burocracia. Ele tem vontade de enfiar aqueles papéis na bunda de seus sócios e mandá-los resolverem sozinhos. Mas ele sabe que, infelizmente, ele não pode fazer isso.
Uma vez ele até tentou, mas não deu muito certo...
Desceu as escadas e deu uma passada rápida pela sala de jantar, onde uma mesa de café da manhã foi posta só para ele. Ele se sentou e comeu com pressa, aproveitando o tempo para checar seus emails e depois para vasculhar seu celular com passa tempo. Acabou achando uma foto de Emily e ele instantaneamente sorriu. Era difícil não sorrir. Ela é tão linda... Resolveu então ligar para a morena. Queria vê-la o mais rápido possível.
— Hey...— diz ela ao atender.
Ian sorri mais uma vez só de ouvir a voz dela.
— Estava pensando em sairmos, o que acha? — Perguntou ele de modo direto enquanto brincava com uma faca sobre a mesa.
— Tenho que estudar hoje. A peça é daqui a algumas semanas. Mas, a gente se vê mais tarde. — respondeu ela rapidamente.
— Certo, então eu... – Ian começa, mas a morena desliga antes mesmo que ele termine.
Ian encara a tela do celular com o cenho franzido, se perguntando o que havia acabado de acontecer. Ele foi rejeitado? Simples assim? Ian se sente estranho e não entende o que deu em Emily para tratá-lo assim. Ontem eles saíram se divertiram e ficaram a noite toda. E nesta manhã ela simplesmente vira a cara para ele?
Mas quem ele está enganando. Ian já fez isso com milhares de mulheres. Porém, nunca fizeram algo parecido com ele e ele não gosta da sensação. Pior, não gosta do rumo que está tomando. Talvez ele esteja dando atenção demais a morena, mas o que ele pode fazer. Ela é tudo que ele quer no momento. No momento... Talvez seja esse problema, ele esteja focando demais em Emily. Se saísse e encontrasse outras garotas... Não! Ele não vai fazer isso, está com Emily agora. Não precisa das outras. Ele a tem!
Não vai agir feito moleque só porque ela o ignorou. Talvez estivesse ocupada. A peça da faculdade é daqui alguns dias e ela tem que se empenhar para conseguir o papel de Julieta. Talvez seja apenas isso.
Talvez, talvez e talvez... São muitas incertezas e Ian não gosta nada disso.
Sem nenhum outro motivo para faltar na empresa, ele não tem escolha senão ir trabalhar. Caminha frustrado até seu carro e acaba dispensando seu motorista, pois preferiu ir dirigindo ele próprio para a empresa e ele escolhe a dedo o carro que irá usar. Pega uma lamborghini toda prata e um sorrisinho escapa de seus lábios quando ouve o ronco do motor. Assim que a garagem se abre, ele sai cantando pneus, correndo pelas ruas de Chicago sem preocupação alguma.
— Deu férias para seu motorista? – Lorenzo pergunta ao primo ao pé da escadaria da empresa assim que Ian sai do carro e joga as chaves para o manobrista.
— Desde quando se importa com meus motoristas? – indaga Ian, com um sorrisinho de lado. Ele vai até o primo e o abraça. – Você vai me pagar por aquele maldito despertador. – sussurra para o Lorenzo, que ri ao se lembrar de seu feito.
— Foi só um lembrete, nada demais. – defendeu-se.
Ian o olhou atravessado e levantou os óculos escuros, se virando para encarar o centro movimentado de Chicago junto de Lorenzo. Mas logo abaixou novamente, pois o sol forte incomoda seus olhos azuis, os lacrimejando. Eles ficam ali até o momento que outro manobrista traz o carro de Lorenzo e Ian, confuso, o olha intrigado.
— Por que trouxeram seu carro? Vai sair? – indagou ele.
Lorenzo deu um sorriso para o primo. Um sorriso sacana.
— Vou passar o dia com Chloe. Ela está de folga. – responde.
Ian assente e não diz nada até que percebe o que seu primo estava fazendo. Assim como Ian, Lorenzo sabe que hoje eles teriam que lidar com os problemas da empresa de fachada e ele também odiava trabalhar nisso. Ele estava fugindo!
— Ei, Lorenzo! – gritou Ian, descendo as escadas atrás do primo, que estava prestes a entrar no carro. – Você está usando a Chloe como desculpa para não trabalhar. Que tipo de homem é você?! – provocou Ian.
Lorenzo apenas sorriu.
— Do tipo que não comanda uma empresa e não tenha responsabilidades sobre ela. – gritou de volta, sorrindo vitorioso a custas do primo.
Ian riu nervosamente e amaldiçoou o primo mais umas milhares de vezes. Mas ele não poderia culpá-lo, se ele tivesse a chance, também usaria Emily como uma desculpa para fugir do trabalho.
Ian observou o primo dirigir até o perder de vista e revirou os olhos e bufou irritado ao se virar e dar de cara com a sua secretária (a usada para assuntos não-mafiosos) sorrindo e acenando para ele.
Hoje seria um dia daqueles...
(Horas depois)
Depois de ler, reler, elaborar e assinar contratos e mais contratos comerciais, Ian estava pronto para atirar na primeira pessoa que aparecesse em sua frente, de tão estressado que estava. Ele se levantou e saiu de sua sala sem olhar para trás, deixando a bagunça para sua secretária organizar. Entrou em seu carro e a força do motor parece lhe acalmar e ele rapidamente muda seu curso, decidindo correr pelas extremidades da cidade, sentindo a adrenalina correr solto por seu corpo.
Depois de um tempo dirigindo, Ian acabou estacionando a beira do penhasco, a fim de ficar lá por algumas horas para esfriar a cabeça. Desliga o carro e solta o cinto de segurança, retira seu celular do bolso e o joga no banco do carona. Sai do carro e um sorriso involuntário surge em seus lábios ao encontrar Katherine ali também. Ela está exatamente como dá ultima vez que a encontrou aqui. Sentada no capo do carro observando a cidade de maneira despreocupada. Ela veste um short jeans escuro desfiado de cintura alta e um top cropped preto com um decote singelo de coração. Os cabelos loiros estão presos em um rabo de cavalo e ela brinca com o cadarço de sua bota, já gasta, marrom, enquanto ouve música pelos fones de ouvido branco que usa.
Ian caminha até ela feliz por tê-la a encontrando ali, fazia meses que não se viam.
— Destino ou coincidência, você escolhe. – dispara ele assim que puxa os fones da loira, que se assusta de primeira, mas acaba sorrindo ao rever Ian.
— Acho que vou com perseguição, o que acha? – brinca.
Ian sorri.
— Da minha parte ou da sua? Porque estou começando a achar que está me seguindo... – desabafa Ian, fazendo Katherine rir.
— Eu? Perseguindo você? – questiona, ainda rindo. – Tenho quase certeza de que é o contrário.
Ian acaba acompanhando a loira nas risadas e se senta ao lado dela. O dia hoje em Chicago está ensolarado, mas graça a um antigo carvalho, eles se deliciam com a sombra e com a brisa suave dali.
— Faz tempo que não te vejo. – comenta Ian. – O que anda fazendo?
— O de sempre. – responde ela, dando de ombros. – Continuo com Joe nos rachas, porém agora que ele expandiu seus antigos negócios, sou eu quem administro as corridas. E juro pra você, eu nunca segurei tanto dinheiro junto em toda a minha vida! – contou, fazendo Ian rir e ela também.
— Bom, então você deve estar adorando. Lembro-me de você ter dito que adora carros. – Ian diz e ela concorda.
— E adoro. Bom, não é como se todos aqueles carros se tornem meus a partir do momento que eu os coloco para correr, mas é algo semelhante. – explica sorrindo. — Na verdade, daqui a pouco tenho que ir para a lá, tenho que começar a organizar a primeira rodada. Está a fim de ir? – pergunta.
Ian fita Katherine e se pergunta quais são os motivos que os impedem de ir. A garota é linda, divertida e uma ótima companhia. E além do mais, Emily está certamente ocupada demais para ele, então...
— Claro, e por que não?
***
O local onde acontecem os rachas está lotado e Ian se diverte com Katherine ao ajudá-la escolher os melhores carros para competir entre si. É como um jogo de corrida de videogame aonde os dois podem escolher seus carros favoritos e torcerem para ganharem.
— Vamos bater uma aposta? – Ian provoca, chamando a atenção da loira. – Escolhemos um carro, e dessa vez é pra valer, e aquele que ganhar recebe um prêmio.
Katherine fita os olhos de Ian, que mantém seu habitual sorriso de lado em jogo.
— Eu aceito. – diz ela, convicta.
— Aquele Dodge ali vai ganhar essa. – Ian exclama e Katherine torce o canto da boca, se mostrando em duvida. – Ele vai de zero a cem abaixo dos cinco segundos! – Ian contesta, mas a loira continua persistente.
Ela dá uma olhada na fileira de carros que estavam prontos para competir e seus olhos brilham ao encontro de um especifico.
— Não, aquela BMW M5 vai ganhar. Ele ostenta um nada discreto V8 biturbo que rende 560 cavalos de potência e vai de zero a cem quilômetros em 4,2 segundos. – explica ela e Ian fica boquiaberto, dando uma risada forçada em seguida, impressionado. – Ele é quem vai ganhar a corrida.
— O carro é foda, admito, mas não adianta nada se o motorista for um babaca. Ele tomou três cervejas antes de ir para a linha de largada e quase bateu naquele Ford ali. Duvido que ouça o tiro de largada. – explica ele e Katherine encara o motorista da BMW espantada.
— Bom, então eu escolho... – começa ela.
— Não, não, não. – Ian a interrompe. – Você já escolheu o seu. Eu avisei que seria para valer, não vale trocar. – sacaneia ele.
Katherine tenta argumentar, mas Ian não se deixa levar e leva a aposta adiante. A loira bufa indignada, e cruza os braços. Eles estão em pé, encostados em uma mesa aonde o pessoal vai se escrever e pegar o valor da corrida. Joe havia ido pegar uma bebida para eles e por isso Ian aproveitou para fazer a aposta, já que Joe estaria atento a aquele detalhe e avisaria a amiga antes, pois Ian percebeu o instinto de cuidado que Joe tem pela loira.
— Tá, legal. – exclama ela. – O que você ganha se seu carro escolhido ganhar a corrida?
Ian ao ouvir aquilo encara os carros com um sorriso malicioso no rosto. Bebe o resto de sua cerveja e encara Katherine com o mesmo sorriso. O que ele poderia pedir, afinal? E ao olhá-la, ele sabe perfeitamente.
— Você vai ter que me responder com toda a sinceridade a uma pergunta que irei te fazer. – diz ele e Katherine estranha, mas assente. – E você? Caso aquele bêbado ganhe, o que vai querer?
— Dirigir sua lamborghini. – responde ela rapidamente, sorrindo.
Ian ri.
— Se ele ganhar, eu te dou a lamborghini sem pensar duas vezes. – exclama ambos riem.
O tiro de largada é dado e, como Ian havia dito, o motorista da BMW está bêbado de mais para conseguir ouvir o tiro e demora cerca de quatro segundos para sair em disparada atrás dos outros. O percurso da corrida é apenas correr em linha reta e ganha quem der a volta no cilindro a cerca de um quilometro da largada e voltar.
O carro escolhido de Ian lidera no começo, mas acaba sendo ultrapassado por um mustang Anvil.
— E se nenhum dos dois ganharem, como fica? – Katherine questiona.
— A aposta é anulada. – ele explica.
Já quase no final da prova, por incrível que pareça o Dodge escolhido por Ian acaba por conseguir ultrapassar o mustang e ganha a corrida, fazendo Ian vibrar e Katherine esconder o rosto nas mãos.
— Essa corrida foi comprada. – resmunga ela, brincando.
Ian sorri.
— Você nunca vai conseguir provar! – argumenta ele e Katherine fingi estar surpresa, mas sabe que ele também está apenas brincando.
O campeão, o motorista do Dodge, se aproximou de Katherine todo satisfeito junto de uma galera que vibrava sua vitória. A loira se desencostou da mesa e pegou um maço de dinheiro, contendo cinco mil e entregou para Spencer, o ganhador. Ele pegou o dinheiro, guardou na jaqueta e deu meia volta, junto com seus companheiros. Katherine o seguiu com os olhos até perdê-lo de vista. Depois deu meia volta e parou a frente de Ian, que continuava sentado sobre a mesa com a lata já vazia de cerveja na mão.
— Já que ganhou, faça a pergunta de um milhão de dólares. – diz ela, colocando as mãos sobre a cintura e o fitando.
Ian se levantou e ficou de pé diante da loira, colocando a garrafa de cerveja sobre a mesa. Ele esticou o braço e colocou sua mão atrás do pescoço de Katherine, colando seus corpos.
— De um a zero... Me diga o tamanho da sua vontade de me beijar agora. – sussurrou ele sobre o ouvido da jovem e observou seu pescoço se arrepiar com a proximidade de sua boca ao corpo dela, sorrindo.
Katherine fechou seus olhos ao se arrepiar e respirou fundo lentamente. Ela sente a boca de Ian próxima a ela, mas não consegue se mover, está presa aquele momento.
Ian, ciente disso, encosta sua testa na dela e fica frente a frente com a loira, mas fita sua boca antes de se afastar e encara-la.
— Responda. – pede ele.
E então ela o beija.
Katherine passe seu braço pelo pescoço de Ian e o beija como vontade. Ian fica surpreso com a atitude dela, mas retribui o beijo com a mesma intensidade. Rodeia a cintura da jovem e cola seus corpos ainda mais. Sua mão passeia pelo corpo da loira e sente cada curva que ela possui, fazendo seu membro dentro da calça já começar a pulsar.
Eles separam suas bocas por alguns centímetros, a procura de ar e Katherine esboça um sorriso.
— Isso responde a sua pergunta? – provoca ela. Ian sorri e com sua mão livre, já que a outra ainda rodeia com firmeza a cintura dela, acaricia seu rosto.
— Com certeza.
Ian volta a beija com mais vontade e Katherine logo corresponde. Seus corpos começam a esquentar e eles logo percebem aonde isso vai dar.
— Me diz que sua casa fica perto daqui. – pergunta Ian, quase que em desespero.
Katherine sorri.
— Mais perto do que imagina. – responde ela arfando.
Eles se beijam mais uma vez, mas não por muito tempo. Katherine passa a bola do comando dos rachas para Abby, uma amiga sua e pede para que ela avise Joe que teve que ir embora. Os dois praticamente correm para o carro de Ian e partem para a casa da loira, que agora mora junto com Joe, porém esse costuma virar no local que acontece os rachas, por isso Katherine sabe que não vai ter nenhum problema em irem para lá.
Quando Katherine destranca a porta da casa, Ian rapidamente a empurra para dentro do local, a pegando no colo e fechando a porta com força com o braço. Ele caminha com ela em seu colo e a beija ao mesmo tempo. Eles batem em alguns moveis, mas isso não os impedem de continuar. Ao achar o quarto da jovem, Ian a deposita cuidadosamente sobre a cama, se deitando sobre ela. Eles intensificam ali o beijo e os toques, mas antes que Ian pudesse fazer algo mais, Emily vem em sua cabeça e ele pare de beijar Katherine imediatamente.
— O que foi? – questiona a loira, o fitando intrigada.
Ian respira fundo. O que deu nele? Pensar em Emily justo quando está com Katherine? Ele sacode a cabeça e olha para Katherine, pronta para beijá-la novamente, mas para antes de fazê-lo quando percebe que é Emily que ele gostaria de estar beijando, e não ela.
— Eu não posso fazer isso. – sussurra, mais para si mesmo do que para ela. – Eu não posso fazer isso. – repete.
Katherine fica confusa e fita Ian com cuidado, tentando descobrir se aquilo era mais uma de suas piadas ou se ele estava mesmo falando sério. Suas pernas ainda o rodeavam e suas bocas continuam próximas, mas ela percebe que a mente de Ian está bem longe dali.
— Como assim não pode? – indaga.
Ian respira fundo.
— Estou com outra na cabeça e, bom, ela parece ser especial para mim. – diz, sem se preocupar em inventar uma mentira.
— Especial? Você a ama? – questiona Katherine.
— Não! – Ian responde com sinceridade. – Eu só não sei o que deu em mim. Estou com você aqui agora, mas minha mente está nela. E eu não quero dormir com você pensando em outra. Não me parece o certo a se fazer. – confessa ele.
— Tudo bem, eu entendo. – diz ela.
— Entende?
Katherine assente.
— Sei como é. Eu sou mulher, lembra? – brinca, o fazendo sorrir. – Não se preocupe, eu não vou dizer a ninguém que você broxou comigo. – provoca ela e Ian a olha com um olhar divertido.
Rapidamente pega a sua mão e a coloca sobre seu membro volumoso e duro.
— Isso aqui te provoca completamente o contrário. – diz ele a ela e ela sorri.
Ian sai de cima de Katherine e cai na cama ao seu lado. Passa as mãos sobre seu cabelo e respira fundo. Ela faz o mesmo. Eles ficam em silêncio enquanto encaram o teto até que Katherine se levanta e fica em pé na cama, ela pula Ian e aterrissa no chão com facilidade.
— Vou preparar algo para comer, — comunica ela, caminhando para a cozinha. – você quer?
Ian se senta na cama e observa Katherine caminhar até o outro cômodo. Seus olhos correm pelo corpo da jovem com desejo e ele fecha os olhos com força. Se ele ficar ali com ela por mais tempo, ele com certeza não responde mais por si.
— Na verdade eu já vou indo. – responde ele, passando as mãos pelos cabelos novamente e respirando fundo.
— Tudo bem, então. – grita Katherine da cozinha.
Ian se levanta e ajeita sua roupa. Ele passa pela cozinha e para apenas para observar Katherine separando alguns ingredientes para comer. Ela percebe a presença dele e sorri, fazendo Ian sorrir também.
— Dá próxima vez que nos encontrarmos, deixo você dirigir minha lamborghini. – diz ele, fazendo a loira intensificar seu sorriso.
— Não faça promessas que não pode cumprir. – adverte ela.
Ian sorri, mas não diz nada. Sai da casa de Katherine e dirigi calmamente pelas ruas de Chicago até chegar a sua casa. Toma um banho gelado e cai na cama, dormindo profundamente.
***
Ian levantou cedo e uma das primeiras coisas que fez foi mandar uma mensagem de texto para Emily. Mandou uma, duas e nada da morena responder. E há essa hora, ela já estaria acordada. Talvez tenha ido mais cedo para a faculdade para ensaiar e por isso não responde. Certo disso, Ian, já arrumado, desceu para tomar o café da manhã.
O fato de não ter conseguido transado com Katherine por causa de Emily, não faz nenhum efeito em Ian. Para ele, aquilo só não era certo em pronto. Ao contrário da morena, os sentimentos dele demoram para florir, pois acostumado a sempre ter as mulheres ao seu pé, ele nunca sentiu a necessidade de manter nenhuma por perto ou carinho por alguma.
Claro que isso é diferente com Emily. Ele sente carinho por ela, gosta dela, mas isso é só. Amar para ele é uma palavra e um sentimento muito forte. E talvez ele só se abra para tal sentimento quando estiver pronto. E quando será? Bom, isso só o tempo irá dizer.
Assim que terminou de comer, Ian partiu junto de seu segurança particular para a empresa. No caminho, ligou para Emily, mas não obteve resposta. E assim foi o dia inteiro. Ele ligava, mandava mensagem e nada! Intrigado, Ian resolve ir até o apartamento da morena.
— Ian, o que está fazendo aqui? — Chloe questiona ao abrir a porta, dando de cara com o motivo de Emily ter passado a madrugada inteira treinando luta no quarto.
— Eu estou procurando a sua prima, ela está? Estou o dia inteiro ligando e mandando mensagens e nada. Estou começando a achar que ela está me ignorando. — diz ele, adentrando o apartamento.
Sem que ele veja, Chloe dá um sorriso irônico, pois era exatamente isso que a prima estava fazendo.
— Bom, a Emily acabou de sair, foi treinar a peça com o professor dela. Agora que ela conseguiu o papel de Julieta...
Ian franze as sobrancelhas ao ouvir aquilo.
— Ela conseguiu o papel? — questiona ele surpreso. Chloe assente. — Mas ela não me disse nada! Quando foi isso?
— Ontem, se não me engano.
Ian fica meio perplexo com aquela notícia. A peça era uma das coisas mais importantes para Emily e de tanto ela falar sobre, Ian acabou se interessando também e sempre perguntava como as coisas estavam indo e torcia para que a morena tivesse o reconhecimento que merecia. E agora que ela ganhou o tão desejado papel, ele se sente menos importante para ela, pois ela nem se preocupou em compartilhar com ele.
— Ela não me contou. — murmura ele baixinho, se sentindo uma criança.
Chloe percebe e adianta dizendo que, agora que ela conseguiu o papel de principal e falta menos de um mês para a peça, ela tem que focar cem por cento e talvez seja por isso que ela ande tão afastada.
Ian assente, concordando.
— Já são quase oito horas, acho que vou passar na faculdade dela. Talvez eu consiga assistir a um ensaio. — comenta ele.
— Faça isso. — diz Chloe, torcendo para que Emily finalmente diga o que sente por ele e eles possam se entender.
Ian saiu do apartamento delas e foi direto para a faculdade de Emily. Pediu que seu segurança o esperasse lá fora, junto com seu motorista enquanto ele ia ver Emily. Ao entrar no hall do prédio, Ian estranha ao encontrar o local completamente vazio. Será que o ensaio já acabou? Ian estava quase dando meia volta quando ouve um grito abafado e várias portas batendo. Intrigado, ele começa adentrar o prédio e quanto mais avança, mais deserto o lugar se torna. Passou pelo teatro da faculdade e acabou encontrando dois copos d'agua, um vazio e outro cheio. Ian ficou ainda mais intrigado tem certeza que ela ainda estava no local e ele não sairia dali sem ela. Todas as portas do teatro estão trancadas e a única aberta dava para o corredor que seguia para as salas de aula. É por ali que Ian segue e à medida que se aproxima, começa a escutar uma voz masculina, bem baixa e um gemido.
Quando Ian vira no corredor, dá de cara com uma das piores cenas que já viu em toda a sua vida.
Emily e seu professor agarrados.
Emily. Beijando outro?
Ian fica confuso, perplexo. Não sabe o que pensar e está pronto para dar meia volta e sair dali, quando o rosto de Emily vira e o encontra ali.
Ela está com o rosto branco e os olhos vermelhos, cheios de lágrimas, prensada na parede por seu professor.
O cara beijava o pescoço da morena com rapidez e desejo, enquanto segurava os braços dela com força bruta. Ian fica sem reação ao ver a cena, mas a raiva que o atinge é tanta que seus punhos se fecham imediatamente, sua respiração acelera e ele quase chega a ficar vermelho. Quando os olhos de Emily encontram os de Ian, é como se ela suspira-se aliviada e uma única lágrima escorre de seu olho, que estão sem vida e cansados, Emily parecia que iria apagar a qualquer momento.
Ian não perdeu tempo, caminhou a passos largos até eles e arrancou Dan de cima dela com tanta força, que o professor da morena voou para trás, batendo a cabeça contra a parede.
— O que você pensa que está fazendo seu desgraçado? — Ian gritou, vermelho de ódio.
Assim que Dan soltou Emily, o corpo da morena deslizou para o chão.
— Sai daqui, Emily. — Ian rosnou, encarando Dan com um ódio mortal.
— Nós estávamos nos divertindo, seu idiota! — disse Dan, passando as mãos pela cabeça, que agora lateja de dor.
Ao ouvir aquilo, Ian respirou fundo rapidamente e se jogou em cima de Dan, o pegando pelo colarinho e dando um murro com força na boca do homem.
— Cuidado com o que você fala! — Ian gritou tão alto, que Dan fechou os olhos assustado.
Ian deu mais um soco e olhou para trás, para se certificar que Emily já havia ido e não presenciaria aquela cena. Mas Emily continuava ali, sentada no chão, lutando para permanecer acordada. Ian a examinou com os olhos, se perguntando o que havia dado com ela para estar daquele jeito. Ele largou Dan e foi acudi-la, pegou seu rosto com delicadeza e a forçou a olha-lo. Seus olhos estavam profundos, sua boca seca e parecia estar fora de si.
— O que ele fez com você? – murmurou com delicadeza.
Emily encarou Ian e abriu a boca para falar. Ela queria explicar tudo que aconteceu, contar o que Dan fez nos mínimos detalhes. Queria chorar. Gritar. E quebrar a cara de seu professor. Mas ela não conseguia fazer nada.
— A... Água. — balbuciou lentamente.
Foi então que Ian percebeu o que realmente havia acontecido ali. Emily não estava em choque, ela estava dopada... Ian encara Emily e seu peito sobe e desce, e a cada arfada seu ódio cresce. Ele fecha os olhos e tenta se controlar, mas vai ser impossível.
Ian se levanta e volta-se para Dan, que por incrível que pareça, tem um sorriso pendendo no canto dos lábios.
Ian pulou em cima dele mais uma vez.
— Você a dopou? VOCÊ A DOPOU, SEU CANALHA? FALA! — Enquanto gritava freneticamente, Ian dava socos e mais socos no rosto do homem, que estava quase se deformando.
Quando ele cessou os murros, Dan encarou Emily e seu sorriso sujo continuava em seu rosto, causando mais repúdio ainda.
— Era só para ela se soltar, eu tinha certeza que ela me agradeceria depois. — contou cuspindo sangue.
Ian o encarou com nojo ao ouvir aquilo. Esse cara é um psicopata!
— Você é um covarde. — sussurrou ele. — E pare de olhar pra ela! Não se atreva, está me entendendo? Eu vou tirar esse sorriso do seu rosto nem que seja na base da navalha. E acredite em mim, quando isso acontecer, você vai desejar nunca ter nascido!
Os olhos de Dan se escureceram por alguns minutos. A maldade era explícita no tom de voz de Ian e sua expressão era aterrorizadora. Ian estava possesso de raiva. Indignado com tudo aquilo. Sua cabeça dava um nó à medida que tentava entender toda aquela situação. Mas a verdade é que não se tem nada para resolver, a situação já dizia por si só. Dan tentou estuprar Emily. E teria conseguido caso Ian não tivesse chegado e intervido. Por isso, dentre todas as coisas, Ian tinha certeza de apenas uma. Dan não passaria desse dia. Não mesmo.
****
Dan foi levado para a antiga sala de interrogatório na empresa de Ian, enquanto ele levava Emily para sua casa e ficava com ela até um médico de confiança aparecer. Assim que ele chegou, Ian dirigiu direto para sua empresa, indo de encontro a Dan.
O professor de Emily está amarrado a uma cadeira e sua boca e nariz sangram, resultado da surra que Ian deu ainda na faculdade. Ele está espantado por estar ali, afinal, que lugar era aquele? O que iria acontecer com ele?
— Você sabia que pode ser preso por me manter aqui? — questionou Dan, encarando as costas de Ian.
Ian, assim que entrou na sala, foi direto para a mesa metálica, onde diversas ferramentas estavam dispostas. Ele começou a desabotoar sua camiseta, ficando apenas com uma regata branca. Ao ouvir aquilo, Ian sentiu uma raiva absurda. De tudo o que fez, ele se preocupa apenas com isso? De Ian ser preso? Ah, que covarde!
Ian respira fundo e analisa as ferramentas presentes ali. Ele vai matar Dan, mas vai ser um processo lento, bem lento.
Ian resolve primeiro descontar sua raiva no rosto daquele animal. Pega uma faixa branca surrada e começa a enrolar sua mão. Dan observa os movimentos de Ian cauteloso e quando ele se aproxima, ele encara o punho de Ian indo direto em seu olho esquerdo. Depois mais um. Mais um. E depois Ian acerta seu olho esquerdo. A boca. O nariz. E Ian não cessa um só segundo. A imagem de Emily indefesa nas mãos desse animal o faz bater cada vez mais forte. Como alguém pode imaginar fazer mal a uma garota como ela? A qualquer garota no mundo? Ian intensifica os murros quando se lembra de sua irmã e imagina alguém fazer algo parecido com ela. Ian grita de raiva. Dan acaba caindo com a cadeira no chão e Ian para de surra-lo e começa a chuta-lo.
— Você é um animal nojento. — Ian Vocifera, cuspindo em cima de Dan em seguida.
Mesmo morrendo de dor e com o rosto já deformado, Dan consegue exibir um sorriso.
— Ela sempre me provocava. — sussurra ele. — Ela queria tanto quanto eu. Tenho certeza! Ela aceitou ensaiar comigo por diversas noites e ficava até tarde na minha companhia. Ela gostava de mim. Tenho certeza que ela teria adorado a noite. — Dan cuspe no chão dois de seu dente. Porém o sorriso continua no canto de seus lábios, deixando Ian mais irado ainda.
Ele se vira e caminha até a mesa.
— Ela ficou nervosa, pude sentir. E até tentou correr... Ah, como ela é gostosa! A encontrei escondida no armário das vassouras, assustada. Até parece que não me queria.
Ian fecha os olhos, incrédulo. Não podia acreditar que ele estava romantizado aquele ato de estupro. Quer dizer, quase estupro. Mas mesmo assim, como ele pode fazer isso? Ian saca a arma e a destrava e Dan arregala os olhos, amedrontado. Ian sente algo bom só de vê-lo daquela maneira. Pois era exatamente o que ele queria.
— Já ouviu falar da Cosa Nostra, Daniel? — perguntou Ian.
A respiração de Dan começa a acelerar.
— É uma organização mafiosa criminosa. Quase uma ficção. — diz.
Ian sorri. Um sorriso irônico.
— Eu comando a Cosa Nostra. — diz ele, com o olhar sério, pronto para avançar sobre Dan novamente. Dan, por sua vez fica confuso. — Aqueles homens que o trouxeram para cá, são homens da Cosa Nostra. A empresa em que trabalho e construí, é a fachada da Cosa Nostra. A cadeira em que você está, já se sentou milhares de homens marcados para morrer e foram torturados por mim, em nome da Cosa Nostra. — Ian parou bem diante de Dan e o fitou seriamente. — Então acredite, a Cosa Nostra não é ficção. — Ian sorri de forma enigmática, fazendo Dan ter mais pavor ainda.
— Por que você está me contando isso? — murmurou Dan.
Ian deu de ombros.
— Eu não devia, claro. Mas sabe como é... Não é como se você fosse sobreviver para contar história. — diz e o professor engole em seco.
Ian retirou a canivete cromada que ganhou do avô do bolso e a abriu. A lâmina cintilou em contato com a luz amarelada do local. E Dan e Ian a observaram. Depois de alguns segundos causando suspense no homem, Ian se debruçou ainda e colocou a lâmina face a face com ele.
— Eu não disse que iria arrancar esse seu sorriso na base do canivete? — indagou. — Pois bem. Chegou a hora.
*****
Lorenzo abre a porta da sala onde normalmente é utilizada para sessão de tortura e se assusta com a aparência dela. As paredes revestidas de piso branco estão pintadas com jatos de sangue fresco que escorre por todos os lados. Ferramentas usadas por eles para tortura estão espalhadas pelo chão e a maioria suja. Sentado em uma cadeira, um homem totalmente desconhecido por ele já desfalecido. Sua cabeça está abaixada e seus braços presos para trás. Está usando apenas sua roupa de baixo, possibilitando enxergar as diversas marcas, hematomas, queimaduras e cortes em seu corpo. Ele estava horrível. Lorenzo nunca havia presenciado uma tortura assim. Ela foi desferida com ódio, bastante ódio.
Na outra ponta da sala, Ian está sentado sobre uma cadeira metálica e encara o indivíduo serenamente. Ele tem em mãos seu canivete, dada por seu avô e a gira entre os dedos. Sua regata branca havia sido tingida de vermelho, assim como uma toalha branca deixada em cima da mesa, usada por Ian para se limpar. Lorenzo olha do primo para o homem e do homem para o primo.
— Quem é esse cara? — pergunta ele, adentrando a sala.
— O professor de teatro da Emily. — responde Ian, sem desviar sua atenção de Dan.
Lorenzo arregala os olhos, ainda mais confuso.
— Professor da Emily? — questiona. — O que diabos ele está fazendo aqui? Não me diga que você teve uma crise de ciúmes, Ian, pelo amor de...
— Ele tentou estupra-la. — cortou Ian.
Sua voz não demonstra nenhuma emoção, pois ele já estava gasto, cansado de horas de tortura. Porém continuava com ódio. Durante muito tempo Dan continuou a voltar a falar de Emily. Criando para si um mundo romântico aonde fazer o que ele pretendia era totalmente aceitável. E isso, claro, enlouquecia Ian.
— Tentou? Quer dizer que...
— Eu impedi. — completou Ian mais uma vez. — Esse animal a dopou para tornar as coisas mais fáceis.
Lorenzo assentiu. Deu alguns passos em direção ao homem e o observou perto. Todas as queimaduras ali eram graves, e o maçarico deixado de lado comprova isso. Os cortes eram feios e Lorenzo se perguntou se Ian não retirou partes do corpo dele, de tão profundas e abertas que eram. Ao olhar sobre o colo do professor, Lorenzo arqueou as sobrancelhas e se voltou para o primo.
— Arrancou os lábios dele? — perguntou.
Ian assentiu.
— Ele não parava de sorrir quando o tirei de cima da Emily ou enquanto o torturava. Isso me irritou. — contou, mais uma vez com uma naturalidade absurda.
Lorenzo não questionou e muito menos se sentiu mal pelo homem morto em sua frente. Emily é prima da garota de quem gosta, e poderia ter sido com ela, com Chloe. E se tivesse sido, ele teria feito o mesmo.
— E Emily? Como está? — perguntou Lorenzo.
Ian engole em seco e pela primeira vez desvia a sua atenção de Dan, voltando à realidade. Coça os olhos com a mão direita e respira fundo.
— Está em meu apartamento afastado do centro da cidade. Um médico está com ela. Pelo o que eu entendi o efeito dura por horas. — explicou.
Lorenzo fechou os olhos com força e caminhou até o primo, parando de pé ao seu lado e se encostando sobre a parede. Ele se sente mal por Emily, pois ela é uma pessoa maravilhosa que não merecia ter passado por algo assim. E também se sente mal por Ian, ele nunca o viu assim. Neste estado. Nunca passaram por nenhuma situação parecida, e logo quando passam é com a pessoa que mais se importa nos dias de hoje. A Cosa Nostra tem uma regra sagrada que deve ser seguida por todos: nenhum homem jamais, em hipótese alguma, deve assediar ou estuprar uma mulher. Aliás, isso deveria ser para toda a humanidade. Infelizmente, a realidade é outra.
— iríamos... Divertir... Bastante. — balbuciou Dan, com tamanha dificuldade.
Lorenzo o fitou espantado.
— Ele ainda está vivo? — indagou incrédulo.
Ian revirou os olhos, já cansado.
— Ele é como uma barata, difícil de matar. — respondeu, se levantando e sacando sua arma. Andou até Dan e esperou que o mesmo reunisse forças para olhar pra cima e quando o fez, Ian meteu uma bala em sua cabeça sem pensar duas vezes.
O corpo de Dan caiu desfalecido sobre a cadeira. Ian não esboçou nenhuma reação perante a morte do professor. Ele apenas examina o corpo do homem com um olhar de superioridade. De poder. E de raiva saciada, por assim dizer.
Agora que já havia cuidado do problema, sua mente mal tem tempo para descansar que Emily logo a invade, causando em Ian uma necessidade absurda de vê-la. De cuidar dela. De protegê-la.
Ele trava a arma e a joga no canto da sala, dando meia volta e saindo dali a passos curtos, porém objetivos. Lorenzo o segue e é informado que irá ficar com Emily e que provavelmente não trabalharia amanhã, pois ficaria com a morena.
Ele deseja ficar com ela e sabe que ela também. Ele quer curar qualquer marcar que aquele covarde causou nela. Qualquer vestígio dele ele irá apagar. Demore o tempo que for, Ian vai ser a cura dela. E de certo modo, ela será a dele também.
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