Mirror, mirror

1 Whole, cracked mirror


Notas iniciais
Yo galera, Chibi de volta com mais uma história. Essa aqui eu tinha começado a escrever pra um concurso, mas no fim achei que não estava muito bom pra ele, então, depois de reescrever parte da história, tô trazendo aqui pra vocês~

Sem mais delongas, boa leitura a todos~

Ana/Chibi ^^

“Mirror, tell me something

Tell me who’s the loneliest of all”

A maioria dos Eternals não costumava se preocupar com meros objetos decorativos. Era sabido que Seofon possuía algumas coisas curiosas, mas em sua defesa, o líder dos Eternals era um verdadeiro excêntrico.

Haviam suspeitas sobre Seox ter muito mais de uma máscara guardada no meio das coisas dele e talvez até mesmo algum espelho. Bem, era uma teoria que fazia sentido considerando os comportamentos do Erune.

Já Tweyen, apesar de parecer o tipo que muito se preocuparia com aparência, não tinha necessariamente nada disso. Talvez algumas presilhas de cabelo aqui e ali, ou uma bijuteria. Coisas de garota, mas nada muito sofisticado. Mas talvez o que chamasse mais atenção fosse o fato de que ela não tinha um espelho.

Um espelho grande como seria esperado, ela realmente não tinha. O único que ela possui é um pequeno que foi um presente de Silva.

Ou melhor, não tinha nenhum espelho grande sequer até momentos atrás. Isso era certeza. Talvez alguém tivesse esquecido ele ali.

Um calafrio passou por Tweyen quando olhou aquele objeto. Por um momento, a temperatura do ambiente parecia ter caído subitamente. Uma sensação terrível e familiar tomou conta de seu corpo.

Era a mesma coisa de ouvir o Two-Crown bow sussurrando em sua cabeça novamente. Aquela... aquela coisa oferecendo e exigindo poder, exigindo que ela se tornasse aquilo que mais odiava... e quando Tweyen se olhou naquele espelho, ela ficou paralisada.

Ali na sua frente estava um monstro. Mas não um monstro qualquer. Um monstro segurando aquele arco maldito, com um sorriso macabro e usando um rosto que ela conhecia melhor que ninguém.

Porque o monstro ali no espelho usava nada menos que o seu próprio rosto. O rosto de Tweyen.

Ela não conseguia se mexer. Era como se uma força invisível a segurasse no lugar e ela novamente estivesse presa nos dias em que dava ouvidos ao arco. Em que era apenas um fantoche monstruoso disparando o poder daquela arma.

Tweyen já não estava ouvindo mais o que estava a sua volta. Perdida no pesadelo refletido no espelho, a arqueira tremia, mas sem conseguir sair do lugar.

E em um mero momento em que juntou forças, o barulho estridente de algo se estilhaçando tomou conta do local.

Do lado de fora, vozes iam ficando mais altas, vozes que chamavam insistentemente por Tweyen.

O barulho de pessoas batendo na porta ficava mais alto e mais insistente. Vozes chamavam por Tweyen, mas ela não respondia. E quanto mais tempo passava, mais insistente o barulho se tornava.

— Diez mil espada!

Espadas espectrais colidiram com a porta, fazendo-a se abrir. Passos apressados entraram no quarto, se deparando com Tweyen perdida no pesadelo, gotas de sangue no chão e um grande espelho estilhaçado.

Silva não perdeu tempo e já foi tentando trazer sua amiga e rival de volta. Djeeta e Lyria mostravam preocupação, mas não ousavam interferir no momento.

Já Seofon tentava esconder que por dentro ele estava muito preocupado. Ele havia percebido que o tempo passado com a Grandcypher havia feito bem para Tweyen e que a série de incidentes com as armas da guerra haviam afetado bastante os Eternals. Só de olhar o estado daquele espelho, ele sabia que Tweyen ainda não estava bem depois do incidente com o Two-Crown bow.

Foi o barulho de vidro quebrando que chamou a atenção de todos de volta para onde Silva estava sentada ao lado de Tweyen. A arqueira olhava estupefata para sua rival que segurava o pequeno espelho que tinha sido um presente, que agora tinha uma grande rachadura passando de um lado para outro.

— Hum... acho que esse acessório ficou mais charmoso agora. O que acha, Tweyen?

— Silva... — Tweyen não respondeu.

— Deixe-me ver, deixe-me ver! — Seofon se intrometeu, já puxando o espelho rachado para si — Ei Tweyen, acho que você vai gostar do que vai ver aqui. Olha só, isso ressalta a beleza natural das pessoas!

E pegando devagar o espelho, Tweyen finalmente juntou a coragem e olhou nele.

E pela primeira vez em anos, ela não viu um monstro, ou algo reprovável.

Ela viu apenas uma garota cercada por pessoas que se importavam com ela, que não estava mais solitária. Uma garota comum, como ela sempre quis ser.

Notas finais
Eu particularmente gosto muito dos Eternals, mesmo que todos eles tenham um lado problemático de algum jeito. Praticamente dá pra resumir eles em um bando de malucos com poder demais e sanidade de menos... ainda pretendo escrever mais fics sobre os membros do grupo.
E sobre o título da fic e o trecho inicial, eu realmente acho que essa música encaixa bem no personagem da Tweyen/Song. É parte da soundtrack de RWBY pra quem não conhece e estiver curioso.

Isso é tudo e até a próxima, pessoal~
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!