Mirror Myself In You
30 I just want to be the one you love
Notas iniciais
Victória Pov.
Fiquei alguns segundos em silêncio sem saber o que dizer. COMO ASSIM QUE TIPO DE BEIJO EU QUERO? Caralho! O que você quer dizer com isso? Vai me beijar como eu quiser? Deus, isso não pode ser real! Só pode ser um sonho. Coisas assim não se realizam dessa forma. É A GALATEIA E ELA VAI ME BEIJAR! Não é possível que seja verdade. Eu estou dormindo e vou acordar a qualquer instante, não tem condição.
— Um beijo normal? – Perguntei confusa. ESPERA!! Eu nunca beijei ninguém. Porra! Eu nunca beijei, caralho. Eu quase não converso com outras pessoas, quem dirá beijar elas. MEU DEUS! A Galateia vai me beijar. Meu primeiro beijo. – Eu... – Comecei receosa e brinquei com meus dedos. Isso é real? — Er... Nunca fiz isso antes. – Confessei.
— O quê? Beijar? – Ergueu uma sobrancelha e cobri o rosto com ambas as mãos. Meu coração tá disparado demais para ser um sonho, isso é real. Porra, não acredito que está mesmo acontecendo.
— Er...
— Tudo bem. Eu te mostro como é. – Misericórdia, socorro Deus. Eu não sabia que Galateia tinha tanta atitude assim. Me sinto dentro do próprio meme do cachorro Balltze, Galateia é ele forte e eu sou ele encolhido no canto. COMO QUE EU VOU BEIJAR ESSA GAROTA SE EU NÃO SEI BEIJAR?
— Ah... – Sussurrei e cobri a cabeça com meu travesseiro. – Bom... Então como vamos fazer isso? – Perguntei e minhas mãos tremeram por ela puxar o travesseiro do meu rosto e se aproximar de mim, me deixando completamente ansiosa. Tá, beijar a Galateia. Até agora não era uma possibilidade real e eu não tinha pensado sobre o fato de não saber beijar.
— É bem simples. – Chegou mais perto de mim e prendi a respiração por suas pernas passarem para cada lado do meu corpo e ela se sentar sobre meu abdômen para abaixar o tronco em minha direção. PELO AMOR DE DEUS, GAROTA! Porra, muito perto, perto demais aaaaah. Deus, meu coração vai sair na minha boca. Na casa da Sam era outra situação e eu já estava surtando. AGORA ELA ESTÁ FAZENDO ISSO PORQUE VAI ME BEIJAR.
— Bem perto, né? – Falei em puro nervosismo e ela sorriu.
— E vou chegar um pouquinho mais. – Falou baixo e quase dei um sobressalto por sua mão direita pousar sobre a minha esquerda, que estava sobre o colchão. Desviei a atenção para elas juntas e deixei seus dedos se encaixarem entre os meus. – Nervosa? – Riu baixinho e ergui a cabeça para lhe olhar, perdendo completamente minhas estruturas por focar no azul escuro tão intenso dos seus olhos.
— Não. – Sussurrei pelo meu nervosismo ser substituído por uma calmaria em um passe de mágica. Soltei o ar lentamente e um arrepio subiu por minha coluna por sua mão livre tocar meu rosto. A não, o nervosismo voltando, porra aaaaaaaaah.
— Ótimo. – Sussurrou e fechei os olhos por sua respiração se chocar com a minha. Os dedos da sua mão sobre a minha se apertaram de leve e meu coração disparou pela maciez dos lábios dela se pressionar sobre os meus.
Galateia pov.
Toquei nossos lábios de leve e deslizei suavemente minha mão por seu rosto. Ela está nervosa, eu quase posso ouvir as batidas do seu coração pelo silêncio do quarto. Mantive meus lábios parados por alguns segundos e os movimentei levemente para lhe dar o tempo certo de me seguir, o que ela não demorou para fazer, me acompanhando no ritmo lento. Aproximei meu corpo um pouco mais do seu e quase sorri por sua mão direita segurar minha cintura, apertando com um pouco de força.
Sorri afastando os lábios dos seus só para voltá-los em seguida, soltando sua mão para guiar meus dedos em seu pescoço, fazendo um suave carinho antes de sugar seu lábio inferior lentamente com os meus, lembrando que mais cedo ela havia se machucado e não queria que sentisse dor. Sua outra mão livre acompanhou o movimento da direita e deslisei minha língua por seu lábio, focando minha atenção no superior, quase comemorando por sua mão se apertar em minha cintura e seus lábios se moverem com mais maestria junto dos meus.
Pressionei seu corpo um pouco mais no colchão e parei lentamente de comandar o beijo, deixando que ela fizesse isso para ganhar confiança, mas foi a confiança dela chegar que acabei perdendo um pouco do equilíbrio por suas mãos irem para meu pescoço, puxando meu rosto mais em sua direção, capturando meus lábios de um jeito tão suave que suas mãos em meu pescoço me deixaram nervosa. Suspirei voltando a ter controle do beijo e mordi seu lábio inferior para dar um ritmo mais intenso ao perceber que o “não saber” dela era uma pura fralde, porém, afastei nossas bocas no mesmo instante por seu gemido dolorido. Ah, não! Seu machucado.
— Oh! Me desculpa, desculpa. – Pedi levando as pontas dos dedos lentamente sobre seu lábio mais vermelho em um único local, onde havia se cortado quando caiu. – Eu estava ligada nisso, mas por um momento me esqueci. – Falei preocupada se sentia dor e foquei em seu rosto, o cabelo preto bagunçado sobre o colchão, os olhos verdes em uma cor mais escura e as pupilas levemente dilatadas. Deus! Ela é linda demais. Liane disse para que eu abordasse o assunto do desejo de novo e, eu já estava desistindo de conseguir chegar lá sem parecer uma louca desesperada, mas então Vick joga a chance no meu colo. Caramba, quando perguntei, estava crente que realmente iria precisar lhe desafiar, porque sua resposta seria não. Agora estou praticamente deitada sobre ela, que disse “não saber” beijar. Deus, se isso é não saber, como será quando aprender? — Aceitável para o seu desejo? – Perguntei receosa em um sussurro e seus lábios se curvaram em um sorriso adorável.
— Aceitável? Garota... – Sussurrou e me olhou carinhosamente. – Foi... Bom, muito. – Contou e foi minha vez de sorrir. Por um momento achei que as coisas ficariam estranhas assim que nosso beijo acabasse, mas parece que as coisas vão seguir normais.
— Ótimo, então o seu desejo foi realizado. Não precisa mais comer chocolate. – Falei divertida e seu olhar focou em meu rosto.
— Você... Er... – Olhou para os lados e sorri por saber que está com vergonha. Ela é muito fofinha quando não está falando sem parar.
— O quê? – Cheguei mais perto e seus olhos focaram nos meus.
— Beija muito bem. – Sussurrou e sorri. É, eu a beijaria o tempo todo se fosse possível, mas infelizmente essa cabecinha dura acha que estou brincando toda hora que abro minha boca. Será que de agora em diante ela vai me levar a sério?
— A gente beija bem juntas. – Tentei flertar e engoli uma risada por só faltar sair fumaça da sua cabeça, de tanto que seu rosto ficou vermelho. Deus! Ela está com vergonha, tão fofinha.
— Acho que... É. – Sorriu e olhei para baixo, vendo que ainda estava setada sobre seu corpo e me retirei lentamente da posição, me sentando sobre o colchão para olhar ao redor.
— A disposição. – Falei e olhei para ela, vendo que a mesma se sentava na cama, focando a atenção nas próprias mãos por estar envergonhada. – Então, o que você faz nesse horário? – Questionei no intuito dela se sentir menos envergonhada, o que pareceu surtir efeito, já que sorriu.
— Não prefere tomar café? Faço algo para comermos. – Ofereceu e assenti ficando de pé. – Perfeito! O que você costuma comer de café da manhã? – Veio em minha direção e pegou minha mão direita com carinho. Olhei para seu gesto um pouco surpresa e depois tentei focar no seu rosto, sorrindo por ela estar olhando para o outro lado. Fofa.
— Tomo suco e como sanduiche. – Contei e ela abriu a porta para sairmos do quarto, onde encontramos seu pai sentado no sofá enquanto usava um notebook.
— Bom dia, garotas lindas. Como vão nessa manhã maravilhosa em que os passarinhos acordaram cantando? – Perguntou animado e ri baixinho. O pai da Vick passa uma vibe muito hippie.
— Não poderia ser melhor. – Vick falou animada e se virou para mim com um sorriso. — Você quer esperar aqui ou quer ir comigo? – Questionou e pensei um pouco, olhando para o lado quando sua irmãzinha passou com a cachorra no colo e se sentou no outro sofá da sala.
— Acho que vou ficar aqui. – Falei animada para ir me sentar junto com as duas coisas que adoro, criança e bichinho.
— Você quer é babar na minha irmã e na Kis. – Falou divertida e lhe olhei culpada.
— Claro, até a Kis é mais bonita que você. – A criança implicou e Vick fechou os olhos para respirar fundo.
— Não vou correr atrás de você para te matar hoje porque estou de bom humor. – Murmurou e se inclinou para deixar um beijo no meu rosto. – Trarei seu café da manhã. – Soltou minha mão e foi em direção a cozinha, me deixando para trás. Sorri por ter ganhado um beijo no rosto e fui me sentar ao lado da criança, que trançava o pelo do animal.
— Você quer me ajudar? – Perguntou animada e assenti várias vezes, me afastando um pouco para ela colocar a cachorra preguiçosa entre nós duas no sofá. – Você é muito bonita. – Elogiou e sorri.
— Obrigada, você também é muito bonita.
— Poderia ser mais se tivesse puxado um pouquinho pra Vick, mas ela é minha meio irmã. – Murmurou e ri divertida. Ela acabou de dizer que a cachorra é mais bonita que a irmã dela.
— Eu também tenho uma meio irmã. – Contei e ela parou de mexer na cachorrinha para me olhar.
— Sério?
— Uhum, o nome dela é Liane. Só que somos bem parecidas, puxamos mais o lado da nossa mãe. Só que o cabelo dela é loiro e igual ao seu.
— Não brinca! – Falou animada.
— Eu sou uma mistura dos meus pais. Minha mãe é ruiva e meu pai era moreno, já o pai da minha irmã é loiro. – Expliquei tendo totalmente sua atenção.
Victória Pov.
Entrei na cozinha um pouco avoada com tudo ao meu redor e fui preparar o café da manhã. Galateia me beijou! ELA ME BEIJOU. Eu nem sei mais se estou andando ou flutuando pela casa em algum tipo de transe. Porra, essa garota parece uma deusa! Minhas mãos estão meio trêmulas até agora. O MEU DESEJO SE REALIZOU PORRA! E QUE REALIZAMENTO. Pelo amor de Deus, Galateia beija bem demais, caralho. Eu achei que fosse derreter quando ela deslizou os dedos pro meu pescoço para fazer carinho, na verdade eu acho que vou derreter o tempo todo quando estou perto dela, mas puta que pariu, praticamente pude sentir meu corpo se liquidificando.
Eu nem sei mais como ficar olhando pra ela agora sem ter vontade de beijar. Eu nem sabia fazer isso e agora quero fazer de novo e quantas vezes forem possíveis. Será que se eu pedir ela me beija outra vez? Ou foi só um ato de caridade? Deus do céu, se for ato de caridade, não me importo de implorar não.
— Você está vendo o que está fazendo? – Vanessa perguntou e lhe olhei confusa, acompanhando seu olhar para minhas mãos, vendo que o pão de forma em que passava geleia de cereja parecia ter sido atropelado e suas entranhas estivessem saindo.
— Ops. – Peguei o pano de prato para limpar minha mão e Vane o puxou na mesma hora.
— Não limpe suas patinhas imundas no meu pano branquinho. – O juntou perto do peito e estreitou os olhos. — Você sabe o quanto é difícil manter isso aqui limpo estando em uma casa onde seu pai existe?
— Por que compra branco? – Reclamei indo lavar minhas mãos na pia.
— Porque é bonito? Não vou me privar de ter coisas que gosto porque moro na casa dos três porquinhos. – Reclamou e revirei os olhos. – E por que se lambuzou toda de geleia? Estava no mundo colorido das tapadas?
— Não interessa. – Murmurei e voltei para o pão lambuzado, retirando o excesso de geleia com a faca. – Galateia e eu nos beijamos. – Contei em um sussurro e ela me olhou curiosa.
— Ué, e já não tinham feito isso? – Perguntou e lhe olhei em choque.
— Não??? Era pra você ficar surpresa.
— Mas eu estou surpresa, que isso não tenha acontecido antes. – Se virou para passar o café e fiz um bico voltando a focar minha atenção no que fazia. – Mas então... Agora estão namorando?
— Não? As coisas não são assim.
— Não são? Como você explica el-.
— Shiiiiiiiiiiu! Fala baixo. Você ficou louca? E se ela escutar você? – Rosnei lhe interrompendo e a mesma ergueu ambas as mãos em rendição.
— Não falo mais também. Você que se foda. – Resmungou separando uma xícara de café e lhe dei língua indo pegar umas laranjas na geladeira para fazer um suco. — Que milagre é esse? Vai beber suco? Logo você? Que bebe refrigerante as seis da manhã?
— É para Téia. – Murmurei.
— Téia? Tem certeza que foi só um beijo? – Perguntou em um tom malicioso e joguei uma laranja em sua direção, a qual ela pegou no ar. – Sério que você quis ME acertar com essa laranja? Logo eu, que era a melhor Catcher do time de basebol? – A jogou para cima se gabando e me virei para fazer o suco, ignorando sua presença. – Qual é, sabe que te amo. Não faz essa carinha emburrada pra mim. – Veio em minha direção e me abraçou por trás. – Bichinho birrento. – Beijou meu rosto e olhei para porta da cozinha, por onde Galateia entrou passando a mão nos cabelos para ajeitar a franja que caía sobre seus olhos. Abri a boca praticamente babando por ela e Vane me deu um beliscão na costela, me trazendo de volta a realidade.
— Bom dia, Galateia! – Saudou me soltando para voltar ao seu lugar e Galateia sentou-se à mesa.
— Bom dia! – Sorriu carinhosa e seus olhinhos brilharam ao olhar pro pote de geleia que eu havia deixado aberto perto do seu sanduiche.
— A formiga em você já farejou o doce, né? – Perguntei divertida e enchi um copo com o suco que havia feito. — Aqui! Eu já ia levar. – Coloquei o copo junto com o sanduiche a sua frente e me sentei ao seu lado. – Meu suco não é muito bom. – Confessei e ela o provou primeiro, sorrindo logo em seguida.
— Está muito bom. Igual o que a minha tia faz pra mim todas as manhãs, e olha que ela é fanática pra escolher as frutas.
— IGUAL A VANESSA! – Gritei surpresa por ter outro ser humano igual ela nesse mundo. — Ela passa quase uma hora no mercado pra escolher as frutas, isso quando não sai com raiva e vai comprar na feira. – Contei e Galateia olhou para Vane com uma sobrancelha erguida, o que a fez suspirar e colocar a xícara vazia na pia.
— Desiste. – Falou e franzi o cenho por Galateia dar de ombros, mordendo seu sanduiche logo em seguida.
— Eu perdi algo? – Perguntei confusa e ela riu baixinho.
— Não, meu amor. – Voltou a morder seu lanche e foquei minha atenção no vidro da mesa por meu coração disparar pelo apelido. PELO AMOR DE DEUS, GAROTA! NÃO ME CHAMA DESSE JEITO DO NADA.
— Eu quero panqueca. Mamãe, cadê minha panqueca? – Jhu falou entrando na cozinha e Vane colocou o que ela queria em um prato e lhe estendeu. – Calda?
— Sem calda pra você, está de castigo. – Avisou e ela fez uma careta vindo se sentar na mesa. – Se pegar geleia vai ganhar uns tapas. – Alertou de costas pra gente e Jhu voltou a mão que estava esticando em direção ao pote e ri olhando para trás por meu pai entrar correndo na cozinha.
— Atrasado! Muito atrasado. – Falou abrindo as portas do armário e Vane estendeu a mão em sua direção, a qual segurava seu copo térmico que provavelmente já estava cheio de café.
— Teria saído com tempo se não ficasse no sofá assistindo jogo. – Revirou os olhos e ele pegou o copo lhe deixando um beijo no rosto.
— Ainda bem que tenho você. Bom dia, meu amor. – Veio na nossa direção e beijou a cabeça de Jhu, fazendo o mesmo comigo. – Vou trazer pizza quando estiver vindo. Bom dia Galateia. – Passou a mão sobre a cabeça dela e saiu correndo da cozinha. Olhei para Téia com um sorriso e ela estava com a mão esquerda sobre a cabeça como se não tivesse entendido o que tinha acontecido. Ela é muito fofinha, meu Deus do céu.
— Vamos ver filme depois? – Convidei e ela assentiu.
— Eu posso também? – Jhu perguntou e lhe olhei como se estivesse louca, o que ela realmente está. Por que ela quer ir junto? Não gosta de ver filme no meu quarto.
— Claro. – Galateia respondeu e abri a boca lhe olhando em choque. QUÊ?
— Por quê? – Perguntei emburrada.
— Para de querer a Galateia só pra você! Ninguém mandou trazer ela aqui pra casa, agora eu a amo. – Jhu fez bico e lhe olhei totalmente chocada.
— Você? Ama a Galateia? Eu que amo a Galateia.
— Eu amo mais. – Implicou.
— Você a conheceu hoje! Não pode amar ela mais do que eu.
— Eu não só posso, como amo.
— Eu retiro o seu direito de amar ela, sendo que foi EU que a trouxe. – Reclamei.
— Você não pode mandar nos meus sentimentos. Mesmo que retire o meu direito, meu amor ainda continuará aqui, só será ilegal perante a sua lei, que cá entre nós, estou cagando.
— Vocês querem parar com isso? As duas amam a Galateia, fim. – Vane falou se sentando com a gente como se estivesse entediada com nossa “briga”.
— Mas eu amo mais do que ela! – Afirmei emburrada e Vane revirou os olhos.
— Vick, você é mais criança que a Jhu. Para de implicar com uma menina de 10 anos. Galateia aceita o amor de vocês duas e acabou a discursão. – Reclamou e bufei olhando para Galateia, que ria com seu copo de suco próximo da boca.
— Por que você tá rindo? – Perguntei com um sorriso e a mesma negou com a cabeça colocando o copo de volta na mesa.
— Sua família me deixa com o coração quentinho.
— Own! – Falamos todas em coro e seu rosto ficou vermelho. Deus! É muito fofa, que coisinha mais adorável.
XxX
Bocejei quando o filme acabou e olhei para Galateia, que fazia carinho em Jhu. Essa pirralha implicante correu para deitar perto dela quando a chamei para ver filme no MEU quarto, ela nem devia estar junto e ainda deitou no colo da Galateia e eu acabei que tendo de ficar com os travesseiros.
— Agora eu vou tomar banho. – Jhu falou indo pro chão e lhe olhei com os olhos estreitos. Por um lado, eu sei que ela realmente gostou da Galateia e quer ficar grudada nela. Jhu pode ser um diabinho na maioria do tempo, mas se gosta de algo, vira um grude. Entretanto, esse algo tinha de ser a Galateia?
— Depois traz pipoca? – Pedi vendo Galateia se sentar para analisar as coisas em minha cômoda, pegando os bonequinhos de Pokémon e outros, que eu colecionava.
— Tá bom. – Saiu do quarto e sorri.
— Hey, Téia. – Chamei e sua cabeça se virou rapidamente na minha direção. – Você tem coleção de alguma coisa?
— Não... Antes eu colecionava ursos de pelúcia, mas quando me mudei para casa da minha tia, deixei de colecionar.
— Por quê?
— Não era mais legal, mas acho que agora tenho coleção de jogos? – Perguntou confusa, voltando sua atenção para os bonequinhos e sorri reunindo toda a minha coragem para me aproximar mais e lhe abraçar por trás.
— Gosta de parques de diversão?
— Aleatória. – Riu baixinho e fiz o mesmo, fechando os olhos em apertar meus braços um pouquinho mais ao seu redor. Galateia é tão cheirosa, puta que pariu. – Só fui uma vez com a minha irmã, ela vomitou horrores por irmos em um brinquedo simples. – Murmurou colocando meu bonequinho do Wolverine em posição de batalha contra o Cyborg. – Daí ela passou mal durante a noite toda e nunca mais fomos.
— O que você gosta de fazer?
— Por quê? Vai me convidar pra sair? – Perguntou divertida e engoli em seco. Como ela sabe?
— Talvez.
— Gosto de patinar e jogar boliche. – Contou animada e a puxei para trás, fazendo seu corpo cair em cima do meu e a abraçando apertado.
— Nãooo! Eu estou brincando. – Reclamou tentando se erguer com os bonequinhos nas mãos e ri divertida quando rolou para o lado.
— Brincando. Toma vergonha, Galateia. Você é alguma criancinha pra ficar brincando?
— Sou. O Wolverine vai tomar uma surra. – Começou a fazer os bonecos a brigarem e ri alto.
— O Wolverine? Tomar uma surra do Cyborg?
— Sim, ele vai apanhar feio e ficar chorando em posição fetal. – Fez uma voz maldosa e neguei com a cabeça.
— Nem em um milhão de anos o Cyborg ganharia dele.
— Pode até ser, mas quem faz as regras sou eu, então segundo elas, o Wolverine vai apanhar. – Fez os bonecos se baterem de novo e deixou o do Wolverine cair na cama. – Oh não! Tenha piedade. – Moveu o mesmo como se estivesse se arrastando e fez o outro bonequinho pisar sobre ele em uma pose da vitória. – Você é fraco, mutante. – Fez uma voz grossa e usou as pernas do boneco para jogar o outro de lado. – Eu venci. – Ergueu os braços dele e caí na risada.
— Francamente! Você parece uma criança. – Murmurei me inclinando sobre ela e depositando um demorado beijo na sua bochecha. Quando afastei meu rosto ela sorriu e levou as mãos em meu pescoço e me puxou para um abraço. Corei, sentindo todo meu corpo gelar e tremer de leve. Porra, ela está me abraçando de um jeitinho tão carinhoso. — Galateia. – Sussurrei sentindo as batidas do meu coração falhar, a ouvindo rir baixinho enquanto se aconchegava mais em mim. Eu vou desmaiar.
— Eu só quero ficar te abraçando. – Murmurou e soltei um pouco o peso do meu corpo sobre o dela, fechando os olhos para lhe abraçar, sentindo agora o seu cheiro delicioso de cereja.
— Você ama cereja, não é? – Perguntei divertida e ouvi sua risadinha.
— Muito e muito.
— Ai meu Deus, você é muito fofa. – Beijei seu rosto várias vezes e lhe olhei carinhosa antes de tentar me afastar, o que fui impedida por seus braços me puxarem de volta para outro abraço. Garota! Eu estou a ponto de te beijar, não fica me tentando. — Você é bem carente, né? – Perguntei com uma voz divertida, querendo espantar meu desejo de agarra-la de uma forma totalmente diferente desse abraço. Por Deus! Meu corpo está tão quente agora.
— Sou e gosto de abraço, então me abraça. – Murmurou emburrada e sem pedir permissão a apertei o mais forte possível. Se ela gosta de abraços vou abraçar até quase lhe esmagar.
— Pode me abraçar quando quiser. – Propus, analisando sua expressão fofa, incrivelmente fofinha por receber um abraço. Deus! Ela muda de expressão sempre que ganha um abraço? – Posso fazer um teste? – Perguntei e ela assentiu. Com sua confirmação me afastei do seu corpo e me sentei, estendendo a mão para ela fazer o mesmo. Observei sua expressão neutra e a abracei de novo, vendo suas bochechas corarem e seus olhos ganharem um brilho, o que fez meu coração disparar. — AAAAAAAAH SUA FOFA. – Gritei a apertando em outro abraço.
— UAU! – Ouvi a voz de Jhu da porta e me separei da Téia, vendo que ela segurava uma tigela de pipoca.
— Olha que lindinha, Jhu! Téia gosta de abraços. – Falei animada e quase pude ver a interrogação em seu rosto. – Se liga só. – Engatinhei na cama até ficar nas costas da Galateia e ela virou o rosto para trás tentando ver o que eu fazia. – Olha pra ela. – Pedi virando seu rosto para minha irmã e a abracei pelas costas, apertando meu corpo no seu.
— MEU DEUS QUE GRACINHA. – Jhu gritou e ri por Galateia se encolher.
— Parem com isso. – Murmurou envergonhada.
— Para nada, você é muito fofa, por isso que a Vick te ama.
— É mesmo? – Perguntou tentando se virar na minha direção, mas não conseguiu virar por completo, já que eu a abraçava. Ela me deu carta branca para fazer isso no momento em que disse que era carente e gostava de abraços.
— Amo muito e muito. – Confessei esfregando o rosto no seu de leve, ouvindo uma risadinha dela.
— Eu trouxe a pipoca em vão? Por que se forem continuar agarradas assim, vou comer tudo. – Jhu falou e lhe olhei de olhos estreitos.
— Eu não quero mais pipoca, me alimentarei da presença da Galateia na minha vida. O amor dela me manterá repleta de energia e saúde.
— Digo o mesmo sobre a Vick. – Téia sussurrou e eu a puxei para trás a agarrando como se fosse um ursinho de pelúcia, rolando com ela na cama. Pelo amor de Deus, como essa garota pode ser tão fofa apenas respirando? Esse fim de semana está sendo o melhor da minha vida. Em um dia e meio eu passei a chamá-la de Téia e ELA ME BEIJOU. Eu não sei mais como reagir perto dessa garota, a cada minuto que passa eu acho que vou entrar em combustão, principalmente agora que ela me mostrou que nós funcionamos muito bem se beijando.
— Bom, então se me dão licença. Eu preciso de nutrientes para viver. – Jhu murmurou saindo do quarto e fechando a porta no processo.
— Mas eu acho que quero pipoca também. – Téia murmurou e ri alto.
— Agora já era, vai ter que se alimentar do meu amor.
— Iiiih, estou vendo que vou morrer de fome. – Falou divertida e abri a boca em choque. Me sentando para olhá-la.
— Não, você vai morrer sufocada por duvidar do meu amor. – Peguei meu travesseiro e bati no seu rosto, arregalando os olhos por ela agarrar meu pulso e me puxar em sua direção.
— Me recuso a aceitar minha morte. – Falou ao me derrubar na cama e se sentar sobre minha barriga. Porra! Galateia tem um jeito de me jogar nos lugares e sentar em cima de mim que... Caralho. – Você vai participar do meu jogo. – Falou colocando ambos os meus braços sobre minha cabeça e me prendendo ali enquanto me encarava. Misericórdia! PORRA GAROTA, VOCÊ QUER ME MATAR DO CORAÇÃO? NÃO ME SEGURA DESSE JEITO. Ela quer brincar comigo? Nessa posição? O que a faz pensar que irei conseguir raciocinar sendo segurada assim? – Pronta para ação? – Perguntou com uma voz grossa, erguendo uma sobrancelha e ri divertida.
— Como funciona isso? – Questionei curiosa com o tempo que serei segurada assim. Dependendo do jogo, eu sei o quanto posso enrolar para fazer a coisa certa.
— Eu te conto duas verdades e uma mentira e você precisa adivinhar qual das três coisas é uma mentira. – Explicou e meus olhos brilharam. PORRA! ISSO É PERFEITO PARA CONHECER MAIS DELA.
— EU ADOREI! Pode começar.
— Certeza? Você tem três tentativas, se errar todas, perde o seu prêmio. Já está pronta? – Voltou a erguer a sobrancelha e sorri.
— Eu nasci pronta. – Declarei e ela me soltou para rolar na cama, ficando de lado para me olhar. – Por curiosidade. O que é o meu prêmio?
— Segredo. – Piscou e sorri. Não ligo pra ele também, só de poder saber mais coisas sobre ela é o suficiente.
— Manda.
— Tudo bem. A: Quando eu era pequena e fui pescar com meu pai, um peixe pulou dentro da minha roupa. – Contou e ri negando com a cabeça. Isso provavelmente é uma mentira. Ela tem aquafobia, não ia sair para pescar. – B: Quando eu tinha sete anos, quebrei meu braço ao escorregar do balanço da escolinha e... – Fez uma pausa e me ajeitei melhor na cama, apoiando o cotovelo no colchão para deitar minha cabeça sobre a minha mão. – C: Uma fruta que eu odeio com todas as minhas forças é maçã. – Terminou e sorri.
— A: Um peixe não entrou na sua roupa. – Falei convicta e ela fez uma caretinha fazendo o som de “Biiiii”. O quê? Não acredito.
— Errado! C: Eu odeio maçã. – Contou e arregalei os olhos. QUÊ?
— Você pescava? Mas tem aquafobia.
— Eu só desenvolvi essa fobia com oito anos, antes disso eu adorava tudo que tinha a ver com a água. Próxima? – Caralho.
— Quando quiser.
— A: Eu tenho um sobrenome italiano. – Falou e estreitei os olhos. Isso é possível, não sei o nome dela completo. – B: Não sei fritar ovo. – Falou e ri alto. Impossível não saber fritar um ovo, até eu sei. – C: Eu só durmo se comer chocolate antes de deitar. – Terminou e estreitei os olhos, a última está descartada, porque ela fez isso ontem. Sobrenome italiano ela possivelmente tem. Não creio!
— Você não sabe fritar um ovo? – Perguntei chocada e ela riu divertida.
— Eu não sei fritar um ovo, me queimo. – Falou entre o riso e mordi o lábio inferior.
— Qual seu sobrenome italiano?
— Visentine. – Contou.
— Que lindo! Vou te chamar de Visentine quando quiser sua atenção.
— Gosto mais de Téia. – Fez bico e me inclinei beijando sua bochecha rapidamente.
— Tudo bem, Visentine. Eu acertei essa, então significa que tenho mais uma chance para receber o meu prêmio.
— Sua confiança de que vai ganhar é adorável. Mas... A: Meu animal favorito é o cavalo. – Falou e pensei a respeito. Ela já me disse algo sobre isso uma vez. — B: Eu já lambi um porco. – A não! Ela só pode querer que eu ganhe essa, não é possível. – C: Eu não acredito no coelho da pascoa.
— Sério Galateia? Claro que é a B. Você nunca lambeu um porco. Se esforçasse mais para me fazer perder, lamentável.
— Biiiii, errado. – QUÊ?
— ME RECUSO! VOCÊ LAMBEU UM PORCO? GAROTA? – Gritei e ela riu alto. – POR QUE VOCÊ LAMBERIA UM PORCO?
— Minha amiga de infância me desafiou. A alternativa certa era a C. É óbvio que coelho da pascoa existe.
— Meu cu que existe! Sua ridícula! Eu perdi por sua culpa. – Reclamei.
— Perdão? Foi minha culpa você não acertar qual fato da minha vida é verdade? E coelho da pascoa existe sim. Eu nunca fiquei sem ganhar chocolate, ele sempre coloca embaixo do meu travesseiro.
— Meu ovo! É uma fada do dente agora? Por que diabos um coelho colocaria um chocolate embaixo do seu travesseiro? E como assim você lambeu um porco? MEU DEUS! Que bicho mais aleatório! – Falei indignada por ter perdido. Isso não faz o menor sentido!
— O coelho existe. – Fez bico e entreabri a boca surpresa por ela realmente acreditar nisso.
— Tá... Mas um porco? Por que logo um porco?
— Não sei, fui desafiada e só fiz. – Falou e bocejou logo em seguida.
— Então eu perdi o meu prêmio? Não tenho uma segunda chance? – Murmurei e sorri por ela se aproximar mais e me abraçar, escondendo a cabeça no meu pescoço. Caralho, caralho.
— Até teria, mas me deu sono, posso só dormir e a gente faz isso quando eu acordar? – Murmurou se aconchegando mais em mim.
— Pode, eu vou ficar abraçada com você até pegar no sono. – Beijei o topo da sua cabeça e sorri por ser apertada um pouco mais forte. Cantarolei uma música aleatória e suspirei por depois de um tempo sua respiração ficar mais leve. ELA TÁ DORMINDO ABRAÇADA COMIGO. HOJE É O MELHOR DIA DA MINHA VIDA INTEIRA.
— Bom sono. – Sussurrei lhe abraçando um pouco mais forte. Ouvi uma leve batida na porta e Jhu entrou logo em seguida.
— Vick! Me empresta o seu... – Se calou ao ver que Galateia dormia feito um anjinho. – Isso é muito fofinho. – Sorriu e fiz carinho na cabeça da Téia. — Me empresta o seu Pen Drive? Lucy me pediu pra arrumar um porque o pai dela vai me dá um jogo de presente. – Pediu e apontei para mesa do meu computador, a vendo correr até a mesma. – Valeu, te amo. – Foi até a porta e se virou antes de fecha-la. – Vocês juntas são muito fofinhas. Desculpa implicar com você. – Pediu e sorri. Eu sabia que era implicância dela.
— Tudo bem. Quando a Téia acordar, vamos tomar sorvete. Quer ir junto? – Convidei e seus olhinhos brilharam.
— Sério? Posso ir junto?
— Se não continuar implicando comigo, pode.
— Tá bom, qualquer coisa estou no meu quarto. – Falou um pouco mais baixo e fechou aporta ao sair. Sorri olhando para Galateia que dormia com a cabeça escondida em meu pescoço. Ela apaga do nada! Será que tem um botão de liga e desliga? Por que meu Deus, é a coisinha mais linda do mundo. Quando ela acordar vou chamá-la para irmos tomar soverte e depois, talvez podemos brincar um pouco mais de duas verdades e uma mentira. Eu adoraria poder deixá-la confusa. Deus, ainda não acredito que ela me beijou e agora estamos assim? Abraçadas pra ela dormir. Se eu jogar na loteria, ganho?
Fale com o autor