Notas iniciais
Dingou bel, dingou bel. Não sou papai Noel, porém capítulo caiu do céu!!!! Antes que diga, não! Eu não morri. Quase? Talvez, mas não, viva, firme e forte :) Alguém comentou recentemente, pediu um capítulo de Natal e eu pensei por que não? Não tô fazendo nada além de sofrer... Então se tu tá ai na reunião de família, enjoada de política, comentários ruins ou só tá no tédio esperando para encher a barriga... Esse capítulo é para você!!!

Victória Pov

Saí do quarto ainda sentindo a mão da Galateia segurando a minha com firmeza, como se tivesse medo de me deixar escapar de novo. O corredor estava silencioso, iluminado por luzes frias que eu sempre odiei e que agora, pareciam realçar cada detalhe do humor dela. A expressão séria, o maxilar travado, o corpo inteiro em alerta, talvez não pela nossa “briga” anterior, mas por tudo o que Sam disse, por tudo que vem acontecendo ultimamente.

Ela soltou minha mão só quando paramos diante da porta de vidro que separava o corredor da pequena sala de espera. Lá dentro, Vicent estava sentado exatamente como antes, curvado para frente, as mãos entrelaçadas, o rosto enterrado nelas por puro nervoso. Ele parecia menor, mais frágil.

Respirei fundo, pronta para chamá-lo, mas Galateia ergueu a mão, pedindo que eu esperasse.

— Deixa que eu falo. — disse baixo, num tom calmo demais pra quem tinha explodido com ele antes.

Assenti. Abrimos a porta e, como se tivesse sentido, Vicent levantou a cabeça na mesma hora.

— Ninfa! — Se levantou rápido, o alívio estampado no rosto… mas travou ao notar a postura séria dela. — A Sam… como ela está?

— Vem. — Galateia chamou, direta, sem levantar a voz, mas com uma firmeza que fez Vicent se encolher. — Ela quer falar com você. — Murmurou e ele piscou, surpreso.

— Ela… quer?

— Quer. — Confirmou, cruzando os braços. E só pela tensão no ombro dela, percebi que a conversa anterior estava queimando na cabeça.

Vicent se aproximou, devagar, como se estivesse com medo de irritar ela de novo. Os passos eram cautelosos demais para ele.

— Galateia, eu… — começou, a voz baixa. — Me desculpa por antes. Eu juro que não quis—

— Eu sei. — Ela o interrompeu de novo. Mas dessa vez, o tom foi suave. Era… sincero. Exausto. Parecido com a forma como ela tem falado comigo desde que decidiu me dar uma chance. — Você sempre faz isso. Age sem pensar. Fala sem pensar. E nem percebe quando passa dos limites, mas dessa vez… eu exagerei um pouco também. — Murmurou, e eu me encolhi quando vi sua mão vir até a minha, tateando o espaço até encontrar meus dedos e segurá-los de novo.

— Eu não teria dito se soubesse que ia te chatear. — Vicent falou, olhando de relance para mim e depois para nossas mãos.

— Está tudo bem. Eu exagerei na minha reação. Não devia ter jogado minhas frustrações assim, e também peço desculpas. — Disse, a voz quase mais leve que um sussurro e suspirei comovida.

Galateia tem uma maneira própria de enxergar tudo, sempre girando pensamentos dentro da cabeça até transformar cada palavra em algo firme.

Às vezes parece que suas frases saem forjadas, moldadas com precisão, como se ela estivesse martelando a si mesma para não perder o controle.

Ela consegue ser absurdamente séria e madura em situações que eu provavelmente encararia chorando ou explodindo. A forma como lida com o próprio emocional me assusta e me admira ao mesmo tempo, porque eu não consigo ser tão equilibrada quanto ela. Tudo em mim transborda: choro, me irrito, me desespero, enquanto ela…

Ela concilia frustração e raiva, cansaço e vulnerabilidade, sem perder a clareza. Consegue manter uma conversa que eu não sustentaria se estivesse no lugar dela.

Acho que eu preciso tentar me expressar melhor, usar as palavras como ela usa. Tentar, nem que seja um pouco, controlar meu emocional, para que ela não precise carregar o dela e o meu, como tem feito.

— Eu te conheço Vicent, e mesmo sendo dramático, pegajoso e completamente maluco na maioria das vezes… eu sei que não faz as coisas por mal e principalmente, sei que ama a Sam. Você está sofrendo com sua situação atual e mesmo assim vem tentando acertar. Eu não devia ter reagido daquele jeito e sinto muito. — Continuou e Vicent ergueu o olhar devagar, como se tivesse medo de acreditar no que ouviu.

— Então… você não está com raiva de mim? — Galateia respirou fundo, apoiando uma das mãos no quadril.

— Eu estou chateada. — Respondeu sem rodeios. — Mas não é com você ou pelo o que disse. Isso é algo meu que estou tentando conciliar e pra ser sincera.. não estou tendo muito progresso nisso, mas deixando isso de lado... A sam está chateada com você em especifico! Não por maldade sua. É porque você não sabe lidar com as próprias emoções e vira o completo oposto do garoto que ela ama.

Ele abriu a boca para protestar… mas fechou quando ela ergueu um dedo.

— A Sam não precisa disso agora, Vicent. — completou. — Ela está cansada, confusa. Tá assustada. E tudo o que menos precisa é de você surtando e colocando o peso da sua preocupação em cima dela. Mais do que tudo, o que ela quer do lado dela nesse momento, é a sua positividade.

Vicent ficou imóvel. Depois se encolheu.

— Ela… disse isso? — Murmurou e Galateia suspirou.

— Ela te ama muito! Mas não quer lidar com as suas inseguranças, Vicent. Não enquanto está tentando sobreviver ao próprio corpo.

Ele levou uma das mãos ao rosto, respirando fundo, como se tivesse levado um soco emocional.

— Mas ela quer te ver. Quer falar com você. Com você de verdade. Não com o seu pânico. Não com as suas crises.

— Eu… eu não sei se consigo. — Confessou, num sussurro quebrado. — E se eu fizer tudo errado de novo? Eu a amo muito Ninfa, ver ela assim, nesse estado... — Galateia suspirou. Um suspiro pesado, cheio de uma ternura que eu sei que ela nunca admitiria ter por ele.

— Vicent… tenta só ser você. Quem não vive com medo do que vai dizer, que tenta sempre arrancar um sorriso de todo mundo. É desse menino que ela precisa agora, não do seu lado negativo. — Ele assentiu, enxugando discretamente os olhos.

— Tá… tá bom. Eu… eu vou tentar.

— Não tenta. — ela corrigiu. — Faz! — Vicent respirou fundo e sacudiu a cabeça, levando as mãos para as bater de ambos os lados do rosto.

— Eu entro então?

— Sim. — Galateia assentiu. — Mas lembra que eu fiz uma promessa para Sam. Se você chorar igual uma torneira, eu vou te enforcar com o equipo do soro. — Vicent arregalou os olhos e soltou uma risada baixa.

— Isso é algo que você facilmente faria.

— É. — Galateia concordou, abrindo a porta do corredor para ele. — Agora vai, antes que ela mude de ideia. — Ele passou por nós, ajeitando a roupa, respirando fundo como quem estava indo para uma batalha emocional. E, quando já estava quase entrando no quarto, ele se virou para nós duas.

— Obrigado. De verdade. Se vocês não tivessem falado com ela… vocês são incríveis. — Galateia virou o rosto para o lado, claramente fugindo do elogio. Já eu, só soube sorrir, já que não havia dito absolutamente nada e quem lidou com a situação foi ela.

Vicent entrou. A porta se fechou atrás dele e, pela primeira vez desde que chegamos, Galateia pareceu soltar a tensão dos ombros… lentamente.

E eu apertei sua mão um pouco mais. E como resposta a isso ela só voltou a andar, me puxando com ela da mesma forma que fez para me tirar do quarto da Sam.

Galateia Merok Pov.

Assim que a porta fechou atrás do Vicent, senti o silêncio cair sobre o corredor como um peso físico. E vinha se acumulando atrás da minha nuca desde o quarto da Sam, desde as palavras dela, desde o jeito que a Vick olhou pra mim enquanto eu falava com Vicent.

E eu precisei andar. Não para fugir da situação, mas para impedir meu peito de transbordar.

Puxei a Vick pela mão, porque se eu a soltasse… sabia que meus pensamentos iam começar a correr mais rápido do que podia controlar.

Só parei quando o som dos passos dela mudou, aquele tropeço leve que só acontece quando alguém tenta acompanhar o ritmo sem entender porque está indo tão rápido.

— Galateia, espera... o que está acontecendo? — Parei tão bruscamente que senti o corpo dela bater no meu. — Ai… — Um som baixinho escapou dos seus lábios e virei rápido. Vendo que massageava o nariz, a testa franzida com um pingo de dor e outro de surpresa.

— Deixa eu ver. — segurei seu pulso, afastando sua mão com cuidado. E ela piscou meio perdida, mas meu toque na ponta de seu nariz lhe arrancou um sorriso torto.

— Tô bem… — murmurou. — Só não tô entendendo nada.

É claro que não está. Nem eu entendo.

Soltei o ar devagar, tentando estabilizar algo que dentro de mim não queria estabilidade nenhuma, aquela espiral familiar, incômoda, urgente. O caos, sempre à espreita, sempre pronto para rasgar as paredes por dentro e me fazer ter mil pensamentos ao mesmo tempo.

E ela estava olhando para mim como se eu tivesse todas as respostas. O que nunca tenho. O que tenho são apenas dúvidas e mais dúvidas que nunca consigo chegar em um consenso se podem ou não se tornar certezas.

Levei a mão até sua bochecha. O rosto dela sempre me silencia… e ao mesmo tempo, me desarma.

As palavras da Sam latejavam, simples demais, verdadeiras demais. Era quase irritante como tudo parecia óbvio quando ela falava. Como se o problema sempre fosse eu não ter coragem de admitir o que sinto.

Merda. Talvez seja mesmo. Eu sempre guardo as coisas para mim e no fim, quase md afogo nelas.

Encarei Vick por um segundo longo demais. Podia sentir meu próprio coração batendo contra as costelas, como se tivesse pressa de me entregar antes de pensar melhor. O que basicamente venho fazendo desde que decidi me aproximar dela.

Vick franziu de leve o cenho, insegura. E a ver assim, foi mais forte que eu, e simplesmente… fui. Ela prendeu a respiração assim que cheguei mais perto e, antes que o medo pudesse me puxar de volta, me inclinei e encostei meus lábios nos dela.

Um selinho. Simples, mas que foi suficiente para me incendiar por dentro.

Os lábios dela se moveram devagar, respondendo ao gesto, e meu caos inteiro pareceu inclinar-se na direção dela, pedindo mais um segundo.

Minha mão subiu até sua orelha, traçando o contorno com uma delicadeza que eu não sentia, só executava. Era automático, como se meu corpo soubesse lidar com ela melhor do que a minha cabeça.

E para ser sincera... Essa é a melhor forma que eu poderia usar para organizar meus sentimentos.

Quando nos afastamos, apoiei minha testa na dela. Não consegui abrir os olhos de imediato. A respiração dela veio quente contra minha boca.

E a verdade que eu estava tentando esconder, simplesmente saiu.

— Como imaginei… gosto de você mais do que queria. — Não foi uma declaração bonita. Foi só… o fato. Seco, cru.

Vick soltou um riso nervoso, aliviado, quase desesperado.

— Sei que é abuso da minha parte dizer isso, mas... porra, graças a Deus! — ela me puxou num abraço apertado e, pela primeira vez em dias, meu corpo simplesmente cedeu, e relaxei nos braços dela. E isso, pra mim, já era quase um pedido de socorro.

— Eu vou te levar para casa. Ainda está ficando com a sua mãe? — perguntei, tentando organizar minha voz, mas falhando miseravelmente em organizar meu coração, afastando de seu abraço suavemente.

— Sim. Ela vai embora amanhã à tarde, então quero passar o tempo com ela. Você não precisa me levar, tudo bem? — falou depressa, e notei o tremor leve nos dedos. Suspirei, fitando seu rosto, aquele nervosismo quase suplicante pra que eu dissesse que ficaria.

Nesses dias eu tenho a visto muito assim e para ser sincera, me dói a ver pisando em ovos, por mais que talvez, eu devesse nem sequer me importar, mas não seria eu se fosse diferente.

— Está tudo bem, Vick. — Sorri de canto. — Eu quero ficar perto de você.

— Ah... entendi... isso... isso é bom, né? Digo... significa que... quer dizer... — tropeçou nas palavras, jogando a franja pra trás, o rosto inteiro corando.

Inclinei a cabeça levemente para o lado, curiosa para como sua frase terminaria, isso é, se ela a terminasse.

— Você me beijou, né? — disse, ainda meio atônita. — Isso é... uau. Parece até que foi a primeira vez. — A mão subiu à boca num gesto automático, escondendo o sorriso nervoso, como se ficar feliz por isso fosse algo errado. — Desculpa, eu só tô feliz... e nem sei se devia estar — murmurou, encolhendo os ombros. Naquele instante, tive certeza: Sam estava certa.

Eu não posso desistir dessa garota por causa do que aconteceu. Eu gosto dela o suficiente para acreditar que tudo pode ser reconstruído.

— Vamos fazer assim — Eu disse, respirando fundo e estendendo a mão para ela. — Oi, meu nome é Galateia. Nós éramos amigas quando crianças... eu gostava muito de você, mas parece que você não se lembra. Então... prazer. Quer me conhecer de novo?

— Meu Deus! — quase gritou, pegando minhas mãos com as duas dela.

— Oi! Oi e oi! — riu nervosa. — Eu sou a Victória. Hahaha oi. — A animação súbita me arrancou um sorriso inevitável. — Eu posso não lembrar que você era minha amiga, mas, porra, eu tenho uma queda enorme por você agora! Quer dizer, tem uns três anos. — declarou sem fôlego. — Então sim! Quero te conhecer de novo. Prometo fazer tudo certo dessa vez.

— Então está combinado. — Inclinei a cabeça, sorrindo. — Por enquanto, vou te levar para casa, tudo bem?

— Sim! — exclamou e pulou em meus braços, enterrando o rosto no meu ombro. Fiquei surpresa, mas logo a envolvi num abraço firme ao perceber que não parecia ser sua intenção me soltar. — Obrigada — sussurrou, e havia tanto alívio naquela palavra que só consegui assentir, passando a mão em seu cabelo com um carinho silencioso.

O mais estranho é que, pela manhã, eu ainda duvidava de tudo. Agora, no entanto, parece que todas as minhas dúvidas se dissolveram. Talvez o jeito que Vick se esforçou pra me entender, pra respeitar minhas exigências, tenha pesado mais na balança.

XxX

O som do motor preencheu o silêncio confortável entre nós. As luzes dos postes passavam intercaladas pelo vidro, banhando o interior do carro num tom dourado que me fazia observá-la sem perceber o tempo.

Sua expressão era distante, quase melancólica, como se tentasse decifrar o próprio reflexo no vidro, e isso me fez me inclinar em sua direção, preocupada.

Levei a mão até seu ombro para chamá-la, mas ela se sobressaltou no mesmo instante, dando um pequeno pulo no banco e virando-se para mim.

— Meu Deus! — murmurou, a respiração acelerada e a mão sobre o peito. — Você me assustou.

— Ei, calma... — falei num tom mais baixo, observando-a com atenção. — Está tudo bem? Você parece... distante. Está se sentindo mal? — Toquei sua testa, afastando um pouco a franja para checar se estava quente demais. Ela negou rapidamente, um sorriso sem jeito aparecendo.

— Ah, não... eu só estava pensando. — respondeu, e os olhos baixos denunciavam mais do que as palavras.

— O que foi? — perguntei com cuidado, inclinando um pouco a cabeça.

— Nada! — respondeu rápido demais, gaguejando logo depois. — Qu-quer dizer... nada mesmo. — A forma como ela desviou o olhar só confirmou o oposto.

— Victória, olha pra mim. — Pedi, mantendo a voz calma. Ela me encarou, o rosto lentamente se tornando vermelho. — Qual é o problema? – perguntei e suspirei quando ela desviou o olhar do meu, virando o rosto em outra direção.

— É que... — murmurou, hesitando. — Você me beijou hoje.

— Fiquei te devendo uma explicação? — soltei com um sorriso leve. — Ou você ficou desconfortável com isso? — Perguntei preocupada de realmente ter ultrapassado um limite e ela balançou a cabeça depressa.

— Não! Tá doida? Pode me beijar todo minuto se quiser! Quer dizer... Claro que não. É só que... — respirou fundo, buscando coragem. — Você me disse pra gente começar de novo. Como se estivéssemos nos conhecendo agora, certo?

Assenti em silêncio, o que pareceu deixá-la ainda mais nervosa.

— Isso significa que... existe alguma chance de eu poder ficar com você? Tipo... de verdade? — perguntou, me olhando com tanta sinceridade que senti o peito apertar. — É que... você me beijou, e eu só consigo pensar nisso desde então. — Riu nervosamente, olhando as próprias mãos. — Eu... eu fui no hospital com a minha mãe depois que desassociei na escola. O médico disse que as chances de eu recuperar qualquer memória são de um por cento. E tentar... pode me causar dor de cabeça, ou pior.

Fez uma pausa, tragando o ar devagar antes de continuar. Eu já sabia disso, mas ouvir da boca dela ainda doí, por saber que ela está passando por esse tipo de situação e como isso a atinge.

— Só que... naquele dia, eu nem sei se queria lembrar. Acho que só me importava se você me perdoaria. — Sua voz vacilou. — E agora... eu sinto que você não gosta mais de mim da mesma forma, né? Eu só... não quero que você faça as coisas esperando que a Vick antiga volte. — Sussurrou, vulnerável. — Você gostava dela, e o meu eu atual... te decepcionou.

Respirei fundo e me virei completamente para ela, dobrando uma perna no banco para poder encará-la melhor.

— Desde o momento em que soube da sua falta de memória, nunca esperei que você voltasse a ser a Vick do passado. — falei com firmeza. — Às vezes eu queria que você lembrasse de alguma coisa, sim. Mas era egoísmo meu. Eu queria sentir de novo a conexão que a gente tinha.

Levei as mãos ao peito, num gesto instintivo.

— A Vick do passado me conhecia, mas conhecia uma parte de mim que já não existe. — Continuei. — Eu mudei, e você também. Aquela criança que você conheceu não tinha os traumas que eu carrego agora. Mesmo que lembrasse, eu não faria sentido para você. Eu sou outra.

Ela me olhava como se quisesse guardar cada palavra. Os dedos apertaram o tecido da saia e por um momento senti que estava usando as palavras erradas.

— A Galateia que você conheceu... — repeti, mais baixa. — Ela não conhecia o mundo como eu conheço hoje, ela era uma criança sonhadora demais e Victória que era amiga dela, tinha quase os mesmos sonhos. — Sorri por ela parecer mais relaxada. — Mas eu gosto dessa Victória, dessa versão sua que está aqui.

— Você promete? — perguntou num fio de voz, os olhos marejados.

— Eu prometo. — Respondi com ternura. — Além do mais... eu estou conectada ao você de agora, não ao que ficou para trás.

Toquei seu rosto com delicadeza e enxuguei a lágrima que escapou pela bochecha.

— Eu sou apaixonada por você, Vick. — Sussurrei. — Te beijei porque precisava saber se meus sentimentos eram mais fortes que os meus medos... e são.

Ela soltou o ar num tremor suave, os olhos brilhando de alívio e sorriu focando a atenção na janela.

O silêncio que veio depois não foi desconfortável. Foi… denso. Carregado demais para o que a gente tinha acabado de dizer.

Vick tentou falar alguma coisa, eu vi pela visão periférica a forma como a boca dela abriu um pouco quando olhou para mim, mas o motorista já estava desacelerando, virando na rua do hotel onde ela estava ficando com a mãe.

— Chegamos, senhorita. — Ele avisou olhando pelo retrovisor. — Vick deu um pequeno sobressalto, como se tivesse esquecido que existia um mundo fora daquele carro.

— Ah… é… — ela murmurou, ajeitando a blusa, o cabelo, qualquer coisa que lhe desse tempo para respirar. — Já? — Assenti, forçando um sorriso mais calmo do que eu realmente sentia. Mesmo depois de tudo que eu disse, seria errado não querer que ela se afaste de mim?

Ela colocou a mão na maçaneta, mas hesitou, e todo o nervosismo dela explodiu de vez. As bochechas ficaram vermelhas, a respiração curta, e seu olhar desviando como se eu fosse luz demais para encarar.

— Galateia… — disse num fio de voz. — Eu… ainda tô meio… — gesticulou com as mãos, sem conseguir formar a frase. — Sabe. — Apontou para a própria boca de um jeito tão desastrado que eu quase ri por conseguir entender ao que ela se referia.

— Eu sei. — Respondi suave. — Fica tranquila.

Pedi, mas ela não ficou.

Na verdade, ficou pior. Apertou a alça da mochila, mordeu o lábio e balançou a cabeça como se tentasse reorganizar os próprios ossos.

— Desculpa! — soltou de repente, apressada. — Eu não deveria estar… assim. Agindo como se fosse a primeira vez que alguém… que a gente… que… — afundou o rosto nas mãos. — Meu Deus. Eu sou ridícula. — Toquei de leve seu antebraço, apenas para impedir que se afundasse ainda mais.

— Não é ridícula. Só está nervosa. — falei em um tom quase neutro, tentando ser o mais cuidadosa possível. — E está tudo bem. — Ela ergueu o olhar devagar, como se não esperasse gentileza nenhuma de mim. Como se tivesse medo que eu recuasse seu nervosismo.

Mas nos ajudando a sair daquela situação, Robert abriu a porta para ela, e ela quase caiu para fora do carro de tão atrapalhada que ficou, o fazendo rir.

— Me desculpe, senhorita. — pediu e me virei no banco para continuar olhando para ela, que se desculpava com ele em meio a risadas.

Robert a ajudou ajeitar a mochila no ombro, e ela agradeceu com aquele sorriso que sempre parece maior do que cabe no próprio rosto.

A luz do poste atingiu seu cabelo num ângulo estranho, deixando algumas mechas douradas, outras quase ruivas, e por um segundo eu só… fiquei parada.

Ela falava com ele, rindo da própria atrapalhação, e eu deveria estar pensando em outra coisa. Qualquer coisa. Mas não consegui.

Meu olhar ficou preso nela como se fosse inevitável.

Vick tem essa mania irritante de parecer luminosa quando está envergonhada. As bochechas coradas, os dedos mexendo no zíper da mochila como se aquilo pudesse esconder o que sentia. Tudo nela é tão… vivo.

E eu só observava, quieta, como se fosse algo perigoso, e é! Porque meu peito apertou de um jeito que eu não esperava, o tipo de sensação que eu normalmente ignoro sem pensar duas vezes. Mas ali, vendo-a tropeçar nas próprias palavras com o Robert, algo em mim cedeu.

Ela é linda de um jeito que incomoda. De um jeito que bagunça o que eu tento manter alinhado dentro da minha cabeça.

— Galateia? — Chamou, ainda metade dentro, metade fora do carro e pisquei voltando a mim.

— Hm?

— A gente… — pigarreou. — Então, a gente tá… bem? Tipo… de verdade? — Soltei o ar devagar, segurando firme a borda do banco para não estender a mão até ela.

— A gente está recomeçando. — disse com calma. — E isso já é o suficiente por hoje, Vick. — Os ombros dela relaxaram como se eu tivesse tirado um peso absurdo dali. Um sorriso pequeno, tímido, completamente sem jeito, apareceu no rosto dela.

Ela assentiu, apertou os lábios para conter outro sorriso idiota e deu um passo para fora.

— Então boa noite, Téia. — disse, baixinho, como se tivesse medo de que a palavra quebrasse, como se aquele apelido não pudesse mais ser usado.

— Boa noite, Vick. — Respondi e ela fechou a porta. Ficou um segundo parada na calçada, abraçando a mochila contra o peito, ainda sorrindo como alguém que ganhou um presente que não esperava receber.

O carro voltou a andar e eu encostei a cabeça no vidro, finalmente deixando a respiração sair pesada, mas junto dela um riso divertido.

Um recomeço era perigoso. Mas, naquele instante, parecia… possível.

XxX

Quando cheguei em casa, a porta mal teve tempo de bater atrás de mim antes que Liane viesse deslizando pelo corredor em uma parada mal feita de corrida.

— Sister!! Você demorou. Eu já estava quase ligando pro hospital, achando que tinha acontecido algo sério com a Samanta. — falou preocupada e neguei algumas vezes com a cabeça.

— Ela está bem, vai até receber alta. Eu meio que estava... Falando com a Vick. — Encolhi os ombros e seus olhos se demoraram em mim antes de pegar a mochila do meu ombro e a colocar no canto da parede.

— Você precisa de uma caminhada. Vamos dar uma volta no bairro e tudo ficará bem. — Passou o braço por meu ombro, abrindo a porta de novo e só me deixei ser guiada para fora, olhando para trás quando já estávamos no portão. — Tia Cass não está aí. Recebeu uma ligação da Vanessa e foi ver do que se tratava, não se preocupe.

— Mas eu deveria mandar mensagem?

— Nada, antes dela sair eu disse que quando você chegasse a gente ia dar uma voltinha aqui no bairro. — Garantiu e assenti, fechando o portão quando passamos por ele. Liane não seria louca de caçar encrenca com a tia outra vez.

Saímos caminhando pelo bairro enquanto ela falava sobre as coisas mais idiotas possíveis, fazendo pausas apenas para me olhar de lado, como se avaliasse meu humor.

— Então… — começou arrastando a palavra. — Você quer contar o que aconteceu na conversa de vocês? —olhei para a calçada e chutei uma pedrinha só para não ter que olhar diretamente para ela.

— Eu... nós meio que tivemos a conversa “certa” dessa vez. — Murmurei e ela sorriu. E por alguns minutos apenas continuamos andando em silêncio

Quando vimos, estávamos entrando no pequeno parquinho do bairro. O balanço vazio rangia devagar com o vento, e Liane foi direto até ele, como se tivesse oito anos.

Sentou-se e apontou para o balanço ao lado com a cabeça, como se desse espaço para eu escolher, mesmo sabendo que eu escolheria sentar.

Sentei e ficamos ali em silêncio por alguns segundos, o tipo de silêncio confortável, morno, sem cobrança.

Lily balançou os pés no ar, lenta, quase meditativa.

— Então… — ela disse, finalmente. — Você disse a conversa certa? Então se resolveram e agora são namoradinhas? — Soltei o ar, deixando meu corpo relaxar no balanço.

— Não é nada assim. — comecei em um murmuro.

— Sister. — Virou o rosto para mim, levantando uma sobrancelha. — Você só usa esse tom chocho quando aceita uma coisa que não quer. — Estreitou os olhos. — O que a Victoria fez?

— Nada, não é algo que ela fez. —Desviei o olhar, encarando as correntes do balanço entre meus dedos. — Nós só... — comecei, sem saber ao certo como continuar. — Foi um dia estranho.

— Estranho bom? Ou estranho que vai te deixar triste por dias? — inclinou a cabeça, a preocupação completamente visível.

— Os dois. — Admiti. — É complicado. — Ela manteve o olhar em mim por mais alguns segundos e depois olhou para o céu.

— Tudo que envolve o amor e responsabilidade afetiva, se torna uma sensação agridoce. — Dei uma risada fraca, balançando o balanço só o suficiente para ouvir o rangido velho.

— Eu só… — comecei, mas parei. Ela esperou. Não insistiu. Só ficou ali, como sempre faz.

E pela primeira vez desde que deixei a Vick na porta, senti meu peito afrouxar um pouco. Como se estar ali com Liane, naquele balanço idiota, me lembrasse que eu não precisava resolver tudo imediatamente.

— É. — murmurei por fim. — Foi um dia estranho. — Lily estendeu a mão, e deu três batidinhas na minha cabeça antes de começar a fazer um carinho.

— Você tinha perguntado pra mim se eu estava com problemas e tal. — Começou e lhe olhei rapidamente.

— Vai me contar o que é? — perguntei um pouco ansiosa. Desde que voltou ela basicamente tem feito de tudo para me agradar e isso não envolve falar sobre si.

— Acho que devo, não é mesmo? Não posso só esperar que você me conte as coisas que te deixam mal e ficar te deixando no escuro sobre mim, por mais que eu te conheça o suficiente para saber que você e Vick decidiram ser só amigas. — Revelou e arregalei os olhos, realmente surpresa por ela acertar.

— Como você...

— Chame de superpoder de irmã mais velha. — Riu divertida e empurrou minha cabeça de leve para baixo. — E embora você não saiba, sua linguagem corporal diz basicamente tudo que você disfarça nessa sua carinha bonita de paisagem. — Brincou e empurrei sua mão para longe, não evitando de rir.

Eu senti mais falta de Liane do que imaginei ter sentido.

— Mas falamos disso depois. Você quer saber quais os males que me aflige? — assenti algumas vezes e ela voltou a olhar para o céu. — Eu estou quebrada, financeira e emocionalmente. Não que isso seja uma novidade né, eu estou assim desde que você foi morar com a tia. — Riu divertida e a olhei em silêncio, sabendo que sua risada era só um disfarce para esconder como estava mal.

— Você sabe bem que dinheiro não é problema. Mãe vem enchendo uma conta para mim e eu nem sequer uso, se você está precisando, eu te dou tudo que tem nela. — alertei e ela me olhou por alguns segundos e negou com a cabeça.

— Da mesma forma que você não quer o dinheiro dela, minha princesa, eu também não quero. — Olhei para o chão e suspirei.

Ela tem um ponto.

— Mas essa parte do dinheiro eu resolvo, já estou vendo uns trambique aí, já a parte emocional... Isso já é algo que eu não garanto que consigo. — Voltou a rir e guiei a mão até a sua, a segurando suavemente antes de apertar.

— O que aconteceu? — perguntei e ela respirou fundo, ainda segurando minha mão, e por um instante pareceu… vulnerável. De um jeito quieto, raro nela.

— Eu... conheci uma garota na Itália. — disse enfim, baixando o olhar para os próprios dedos entrelaçados nos meus. Minhas sobrancelhas subiram sem que eu percebesse.

— Uma garota? No sentido romântico?

— Uhum. — Riu, mas era um riso pequeno, quase tímido. — E não foi qualquer coisa, Galateia. Foi… importante. Daquelas coisas que você sabe que vão te marcar mesmo antes de perceber que já marcaram.

Fiquei em silêncio. Não por não ter o que dizer, mas porque ela precisava desse espaço.

— E eu não estou falando de paixonite como foi com a aquela moça mais velha, Sara ou com a Kate — continuou, e suspirou. — Foi real. Intenso. Do tipo que te deixa meio burra.

— Você? Burra? — provoquei, e ela me deu um empurrãozinho de leve no ombro.

— Cala a boca. — disse rindo. Mas seus olhos estavam úmidos, brilhando com alguma memória que parecia doer e confortar ao mesmo tempo. — O ponto é: eu realmente me importei com ela. Muito mais do que eu achei que fosse capaz depois de tudo.

Contou e apenas mantive o olhar nela, analisando como suas palavras tinham um tom tão sério e sentimental.

— Como é o nome dela? — Perguntei e ela olhou para cima e soltou o ar lentamente, como se o céu fosse uma tela onde pudesse rever tudo.

— Chiara. — disse com cuidado, como se dissesse algo precioso demais para apressar. Deixei o nome repousar entre nós, sem perguntas. Liane percebeu e soltou um suspiro agradecido, se balançando devagar, como se estivesse organizando o próprio coração.

— Italiana? — perguntei depois de alguns minutos e ela sorriu.

— Uhum, mas ela insistia em falar comigo no nosso idioma porque ela “sabia” e toda vez que errava uma palavra ou mudava o significado dela eu morria de amores. — Fechou os olhos e soltou um riso baixo. — Dai Liane! — imitou em um tom irritado e voltou a rir. — Eu realmente a amava. — Confessou e deitou a cabeça em meu ombro.

— Quer me contar o que aconteceu para agora você estar aqui e não com ela?

— Se eu for te contar tudo… — ajeitou o cabelo atrás da orelha. — Vou ter que explicar desde o início. Itália, a Kate, o caos todo… e como eu tropecei emocionalmente naquela garota até cair nos braços dela. É uma longa história, Sister! Por que ela está envolvida em todo o meu processo de adaptação na Itália, antes de sermos um casal, ela foi a minha melhor amiga e o meu anjo da guarda.

— Eu tenho tempo. — Respondi sem hesitar.

Os olhos dela se suavizaram de um jeito familiar, aquele olhar de “eu precisava disso”. E então começou a falar. E eu só escutei, deixando que o parque, o vento, o rangido do balanço e a voz da minha irmã preenchessem tudo.

O tempo passou sem que eu percebesse.

A história inteira saiu dela como quem desamarra um nó antigo, e quando finalmente olhei para o relógio, já passava das dez horas. O parque estava vazio, silencioso, só o rangido leve das correntes quebrando o silêncio.

— Lily… — chamei, baixinho. — Você se arrepende?

Ela soltou um suspiro que parecia vir de um lugar muito fundo. Endireitou as costas, depois desabou de novo no balanço, deixando o corpo ceder como alguém que finalmente parou de fingir que não está cansada.

— Às vezes. — Admitiu, com um riso curto que não tinha humor nenhum. — Tem momentos em que eu penso: “por que eu deixei ela ir?”. E aí… lembro quem ela é. — Seus olhos buscaram o chão, como se ali estivesse a imagem da garota. — Lembro do brilho que ela tinha quando falava desse sonho desde antes de pensarmos em ter um relacionamento, que era um sonho distante dela e que talvez ela nunca alcaçaria.

Riu baixo e inspirou fundo.

— Mas também lembro da forma como ela tentava fingir que não se importava com isso quando as chances de o realizar pularam na cara dela. Ela se fazia de sonsa e dizia que era algo idiota, só para não me magoar.

Pausou, respirou fundo de novo e voltou a sorrir.

— Quando penso nisso… fica tudo certo de novo. Dá essa sensação de… “foi o que precisava ser”. — Ela ergueu o queixo, mas a voz vacilou. — Eu a amava. Do tipo que faz você querer quebrar o mundo com as próprias mãos se for para ver a pessoa feliz. Então eu não podia prendê-la.

— Mas... deixar ela ir te doeu — sussurrei e ela riu de novo, mas com um som que só aparece quando algo nela dói demais para ser dito.

— Doeu e dói. — Confessou. — A despedida… foi horrível. Ela chorava como se fosse despedaçar. A mãe dela chorava também. E eu tentava ser forte, mas parecia uma idiota. — Passou a mão pelo rosto, como se afastasse uma lembrança teimosa. — Ela me deu um último beijo e… — fechou os olhos devagar — eu juro, Galateia, se eu me concentrar por um segundo, ainda posso sentir.

Meu peito apertou por seus olhos marejarem quando ela os abriu de novo.

— Mas vocês não se falam? Não dava para manter… sei lá, alguma coisa? — perguntei, mesmo sabendo que a resposta não seria simples.

— Não. — disse firme, sem hesitar. — Ela não conseguiria. A Chiara… — seu nome saiu como um carinho cansado — era intensa demais. Se eu mandar uma mensagem, se eu ligar… ela larga tudo. E eu não posso ser a razão dela quebrar o próprio futuro.

Apoiou o cotovelo no joelho e passou a mão pelo cabelo, exausta.

— Eu apaguei o número dela do meu celular, desinstalei meus aplicativos de fotos, mas... me lembro de cada dígito do número dela. — Riu sem humor. — Gosto de pensar que fomos uma estrela cadente na vida uma da outra, sabe? — sorriu de novo, mas era um sorriso arranhado, doído. — Algo bonito, breve, impossível de segurar. Agora… cada uma segue seu caminho.

— Já tem dois meses, né? — murmurei e ela assentiu, respirando fundo antes de completar.

— Uhum. — Fez uma pausa longa. — Antes dela ir… eu disse a ela que voltaria para casa e tentaria consertar as coisas com você, do jeitinho que ela vivia me dizendo para tentar, que eu não tinha te perdido e que você me perdoaria. — Fiquei quieta. O vento frio passou entre nós, balançando devagar os dois balanços. A mão dela escorregou até encostar na minha, procurando apoio sem pedir e, eu a apertei de volta.

— Ela estava certa. — Sussurrei.

— Ela sempre estava... Nosso tempo juntas como um casal mesmo, foi curto, apenas cinco meses, e eu sinto como se ela tivesse me mantido em um espaço tempo de 10 anos ao seu lado e, que eles não foram suficientes para mim. Todo o tempo com ela parece ter durado só dias, os mais felizes da minha vida. E esses dois meses parecem que fazem dois anos.

Engoli em seco e suspirei por agora saber todos os perrengues que ela passou na Itália e como esses anos parecem ter sido uma vida toda para ela.

— Existe uma chance de vocês se reencontrarem? — perguntei esperançosa e guiei rapidamente ambas as mãos ao seu rosto, secando as lágrimas que escorreram por sua bochecha. Me arrependendo instantaneamente de ter perguntado

— Ela foi feita para decolar, Sister. Como um foguete, voar alto! Eu jamais me perdoaria em ser as travas de segurança dela. Eu seria apenas um atraso na vida linda que ela tem pela frente. Por mais que isso doa tanto em mim quanto nela e eu saiba que ela não pense dessa forma... Eu seria uma âncora na chance única da vida dela.

As lágrimas voltaram e puxei sua cabeça para meu ombro, deixando que chorasse. Ela estava passando por tanta coisa desde que chegou e mesmo assim, se focou apenas em tentar concertar as coisas comigo...

— Você não é uma âncora, Lily. Tenho certeza que ela sabe disso e o fato de você ter priorizado a felicidade dela... é algo que ela guarda no fundo do coração. — Fiz carinho em suas costas e ela suspirou pela milésima vez.

— Ela jamais acreditaria nisso, por isso eu tive de deixar ela ir, Galateia. Porque o amor dela por mim era doce o suficiente pra considerar desistir de um sonho por mim. — sorriu e me olhou tão triste que quis chorar.

— Quando lembrei dela hoje, pensei em você e na menina que você gosta. — começou e voltou a suspirar. — Se você a ama e pode ficar com ela, e ela está arrependida... Não a deixe ir embora, porque não desejo essa dor pra você. De perder o amor da sua vida.


Notas finais
Volto ainda esse ano novo tá, palavra de dedinho s2
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.