Notas iniciais
Olá queridas ovelhas, sei que tirei a Fic do ar e muitas pessoas que não tinham qualquer tipo de contato comigo ficou sem saber o que estava acontecendo, mas eu estou reescrevendo essa história e gostaria que embarcassem nessa comigo mais uma vez. Para você que é das antigas, Galateia que tanto ama terá uma participação muito maior nessa nova versão e você vai poder saber o que ela pensa desde o quinto capitulo postado. Para você que é nova nesse barquinho, espero que goste da minha história e se divirta lendo ela. Mirror Myself In You teve uma grande repercussão na minha vida e na de muitas outras pessoas ao longo do tempo, então eu não podia deixar (uma história que me levou a conhecer e ter o prazer de participar de tantas vidas) que continuasse com um inicio tão meia boca, que mesmo eu odiando, todos gostavam. Você que é antiga aqui, sabe que no inicio a minha escrita não era assim tão legal, na verdade era horrível, pode admitir. Mas mesmo assim tu foste capaz de relevar e continuar lendo e me vendo progredir a cada capitulo postado. Agora eu lhe trago ela reescrita com todo o carinho possível, com mudanças nos lugares certos e um pouco mais de emoção. Pra você que tá chegando agora e só quer ler logo, seja muito bem-vinda e saiba que a autora que vos fala está sempre disponível para falar com você se assim desejar, sem mais delongas... Música do titulo: ABC - Jackson 5 ~ Boa leitura!

Victória Pov.

Minha mãe sempre me disse que para se ter sucesso na vida, a primeira coisa que você precisa fazer é ver se o sucesso que quer partiu do seu desejo ou do de outra pessoa e que nem sempre o “sucesso” deveria ser o motivo pra você apoiar os sonhos dos outros. Acho que ela só dizia isso porque eu sempre adorei nadar e assistir teatro. Meu sonho para o futuro se resume a fazer algo que eu gosto e essa frase dela sempre deixou claro que não importa o que eu faça, ela sempre irá me apoiar.

Me chamo Victória Frieck e nasci no interior de Amsterdã. Eu diria que sou uma pessoa privilegiada em várias formas, mesmo com meus pais divorciados desde que nasci. O único privilégio que não tive foi de morar com os dois ao mesmo tempo, mas isso não me privou de ter uma boa convivência com ambos. Meu pai morava na cidade grande, mas tinha todos os fins de semana dedicados pra mim, já a minha mãe... Bom, nós sempre moramos em uma fazenda, então eu sempre tive espaço de sobra pra brincar livre por aí quando ela estava ocupada com o trabalho. Ela é estilista e dona de uma grife muito conhecida, então os fins de semana do meu pai, acabava que virando os fins de semana dela também, o que era ótimo! Eu não convivia com os dois durante a semana, mas poderia ter os dois no fim de semana. Eles são separados, porém a convivência deles é extremamente madura, tanto que ambos possuem seus designados pares românticos e são tão amigos.

Embora minha família de ambos os lados seja o que chamamos de rica, minha mãe insistia em morar numa fazenda, o que comecei a detestar depois que atingi meus dez anos, então tentei conseguir minha carta de alforria e implorar para morar com meu pai na cidade, já que ao que tudo indicava, eu tinha uma meio irmã que nunca havia conhecido antes e a ideia de ter a companhia de uma irmã me animava.

Enfim, sem problema algum eu consegui a aprovação do meu pai, que parecia mais animado que eu para que a mudança acontecesse, já com minha mãe a situação foi um pouco delicada. Desde os meus oito anos que eu tinha aulas particulares em casa, saindo só para o meu curso de natação que fazia desde que me conhecia por gente. Mãe sempre foi muito preocupada com minha segurança em um todo. Então quando pedi minha mudança de endereço, tive de pensar em tudo nos mínimos detalhes para convence-la.

Comecei dizendo que meu pai morava em condomínio e que não existiria lugar mais seguro no mundo, depois engrenei contando que a esposa dele era a diretora de uma ótima escola particular com aulas de natação e que se ela me deixasse ir, eu entraria nessa escola e seria da escola para casa e de casa pra escola e que se por algum acaso quisesse acrescentar algo no meu mapa diário, lhe comunicaria. Papai também me ajudou a apresentar soluções para possíveis problemas que eu fosse enfrentar, então ela acabou concordando depois que deixei claro que viver em uma fazenda não era minha visão de vida boa. Devido a isso, desde meus 11 anos vivo com meu pai no centro da cidade. Claro, sempre fazendo tudo o que ele me pedia, não saindo do protocolo que eu mesma disse que seguiria. Então agora vivo com ele, sua esposa e minha meio irmã criança e infelizmente, precisei entrar na escola, já que ter aulas particulares não era algo que meu pai aprovava. Segundo ele, uma criança precisa de amigos e socialização com outros seres humanos.

Depois que entrei em uma escola de novo foi que percebi que eu nunca gostei de estudar. Nunca gostei da maldita escola cheia de pessoas! Me acostumei tanto em ser só eu e uma professora, que entrar numa escola que divide os alunos em grupos de três, duas meninas e um menino, me deixou surpresa e desgostosa. Sempre fui colocada em grupos estranhos, como com um casal de namorados, esnobes ou nerds, todo tipo de grupo. Se eu pudesse escolher não entraria em grupo. Achei que seria cada aluno na sua mesa, fazendo suas atividades em silêncio, mas fui lamentavelmente surpreendida. Eu odeio depender de outra pessoa para cumprir algo que estou com vontade. Enfim, isso foi no passado, mas infelizmente hoje em dia isso não é diferente, só que dessa vez eu não sou mais criança, tenho 17 anos e sei lidar melhor com “amigos” o que acho que são só conhecidos.

Porém tem uma pessoa em especifico da minha sala que me atrai a atenção e eu seria amiga dela com muito gosto. Assim como eu, ela é uma garota que não se enturma com ninguém, já que quase todo dia é zoada por seu nome. Ela se chama Galateia, um lindo nome para ser sincera. Eu a “conheci” quando tinha 15 anos, mas parando pra pensar agora, nós estamos na mesma sala desde que vim para escola, só que foi só com essa idade que comecei a prestar atenção nela, o que é uma história um pouco engraçada.

Diariamente Galateia estava lendo livros, sempre que não tinha nenhuma atividade para fazer. Um dia eu estava voltando para sala de aula na hora do intervalo e acidentalmente trombei com ela na entrada da sala, o que nos derrubou no chão e fez o livro que ela lia cair aberto. Já que havia sido minha culpa de ter batido nela, lhe ajudei a levantar e me abaixei para pegar seu livro. Eu não sei porque, mas quando o peguei aberto a dedicatória seguida de um autógrafo me chamou a atenção, então eu posso acidentalmente ter lido o que dizia ali, que se resumia a:

“Minha segunda obra prima para minha primeira obra prima. Mamãe fica muito feliz que leia meu livro.”

Com carinho: Scarlet. M. Maiden

Como quem não havia feito nada de mais, eu devolvi o livro fechado e por um momento olhei pro rosto dela e... Sabe quando você olha pra alguém e a única coisa que vem a sua cabeça é de que a pessoa é linda? Eu nunca tinha reparado na beleza das pessoas ao meu redor antes, mas Galateia mais parecia um anjo. Ela me pediu desculpas e eu fiz o mesmo, então cada uma seguiu para o seu lado, mas algo bem estranho aconteceu quando me sentei no meu lugar, fiz algo que normalmente não fazia e nunca fiz antes, olhei ao redor da sala de aula. Não sei exatamente o que eu estava procurando, mas quando vi a garota sentada no outro extremo da sala ao lado da janela, pareceu que eu havia achado. Ela estava lendo seu livro de novo.

Como era intervalo e eu não tinha nada para fazer, peguei meu celular e digitei Scarlet. M. Maiden e fui respondida com uma enxurrada de informações de que era uma escritora pra lá de famosa. Curiosamente olhei para menina outra vez, lembrando que na dedicatória estava escrito “mamãe”. Ela era filha da escritora? Teria lido a informação de um dos sites se o sinal do fim do intervalo não tivesse soado, então tive de guardar o celular e prestar atenção nas aulas.

Na ultima aula acabei que precisando entregar um trabalho que havia feito para o professor e olhei de novo na direção da garota, que lia o livro outra vez, o qual consegui ler o titulo pela forma que ela o segurava, Mirror Myself in you. Não sei exatamente porque aquilo estava despertando tanto a minha curiosidade, mas saber se ela era ou não filha de uma escritora me fez ativar meu lado detetive, então assim que as aulas acabaram eu fui para estação de metrô, entrei no meu vagão e voltei a abrir a aba de pesquisa do meu celular, digitando agora o nome do livro para saber do que se tratava, porém não achei nada. Não tinha resultado para o título, então só precisei jogar o nome da escritora na frente e bingo! Nada.

Aquilo me deixou confusa. Pela minha pesquisa anterior a Scarlet era uma escritora e ao que tudo indicava a Galateia lia um livro dela, então porque não tinha resultado de pesquisa? Acabei que apagando a pesquisa e digitando o nome dela de novo, abrindo a primeira notícia que tinha sobre, descobrindo que ela era uma escritora de histórias sobrenaturais, romance e drama, mas eu estava interessada em achar o livro que Galateia estava lendo, então comecei a ler uma notícia atrás da outra, até que encontrei “O livro fantasma de Scarlet”. Ao que tudo dizia, ela havia escrito um livro, publicado e no mesmo dia cancelado as vendas e agora só existiam 15 cópias dele no mundo. Acabei que me frustrando pela pesquisa e deixei o celular de lado até chegar em casa.

Depois de chegar, tomar meu banho, jantar e me deitar para dormir, me rendi a curiosidade e fui pesquisar mais a respeito da escritora, nem eu sabia o motivo de estar tão curiosa, só sei que era como se eu precisasse fazer aquilo, ou não conseguiria dormir. Pelo que eu soube depois de muita pesquisa, foi que das 15 cópias publicadas, todas foram enviadas de presente para parentes da Scarlet. Ninguém fora essas pessoas já o leu ou teve contato com o livro. Saber disso e ligar com a dedicatória da capa, só confirmava que Galateia era mesmo a filha da escritora do livro que lia e que ela estava lendo uma relíquia, já que eu só fiquei sabendo sobre o nome porque vi o título quando Galateia o lia, até então ele era conhecido como “livro fantasma” e por isso não obtive resultado quando o pesquisei.

Muitas pessoas em blogs falavam sobre ele, reclamando que gostariam de ler, já que quem o havia escrito tinha sido a Scarlet, e que com toda certeza era perfeito assim como todos os outros, mas que era frustrante não saberem nem o nome. Ver tanto reboliço sobre a Scarlet chamou um pouco mais da minha atenção e decidi pesquisar sobre as outras obras dela, me surpreendendo com um total de 28 livros publicados, todos com uma crítica favorável. Naquele dia acabei que comprando um dos livros de sobrenatural mais aclamado pelos fãs para ler e por pura fascinação ao termina-lo, acabei comprando todos os outros que ela tinha publicado e, por Deus... São incríveis! Ela realmente é a melhor escritora de todos os tempos, uma pena que nunca se apresente para imprensas ou jornalistas.

As entrevistas com ela são apenas escritas, sem fotos nem nada, nós não conhecemos o rosto dela. Praticamente o mundo todo é fã da tão amada, escritora fantasma. E pela primeira vez na vida eu fui igual aos outros, me tornei uma fã fanática pelas obras dela. Isso foi aos meus 15 anos e desde então fiquei fascinada com tudo que pertencia a Scarlet, isso incluiu Galateia. No comecinho não, mas à medida que eu lia mais e me tornava cada vez mais fã, passei a observar a primeira obra prima dela como estava na dedicatória, e posso dizer que ela de fato é uma obra prima.

Sento na mesma direção que ela, a diferença é que é do outro lado da sala, o que diariamente permite com que eu a observe o quanto quiser. Ela é uma garota perfeita, seus olhos são azuis, o cabelo dela é liso de pontas rebeldes, enorme e em um tom castanho escuro adorável, além de bater próximo do bumbum, sedoso e cheiroso. Sei disso porque quando acidentalmente trombei com ela pela primeira vez, acabei a derrubando no chão e seu cabelo bateu em meu rosto. Eu não sei o que deu em mim, mas depois que fiquei curiosa sobre ela, sempre invento formas de “acidentalmente” trombar com ela na saída da sala e mesmo sendo sempre culpa minha, ela é quem pede desculpas. Posso dizer que sua voz também é encantadora, não que ela converse, na verdade nunca a ouvi conversando com alguém, o máximo que já ouvi dela foi um “Desculpe” baixo, com a voz rouca e suave.

Antes de focar toda minha atenção nela eu tinha crush na Joan Jett e até então, pra mim era super tranquilo ter crush nela porque tipo, famosa, linda, talentosa. Mas daí comecei a observar a Galateia e de repente comecei a achar tudo o que ela fazia fofinho e foi aí que minha falta, até agora, de interesse por rapazes começou a fazer sentido. Eu sempre fui meio desligada deles quando mais nova e à medida que crescia, até mesmo ser olhada por eles me incomodava. Antes da Galateia eu achava que só tinha pouco interesse neles, mas agora sei que não tenho interesse algum, nulo. Todo um mundo novo se abriu para mim a partir do momento que aceitei meu crush na minha colega de sala.

Ela é tão tranquila, tira boas notas, presta atenção nas aulas e o uniforme preto, estilo terno da nossa escola faz um contraste perfeito com a pele branca dela e a boca levemente rosada. Ela em si parece ter sido desenhada e depois criada pela Scarlet, é praticamente perfeita, como um personagem de um livro. Diria até que há uma personagem de Scarlet que é a Galateia em pessoa, a famosa “Agnes”. Às vezes gosto de observar ela quando a mesma está distraída, o que acontece quase todos os dias, se não dizer todos. Ela sempre parece alheia sobre todos e é raro as vezes que me pega olhando pra ela. Eu queria fazer amizade com ela, mas minha insegurança de me aproximar de qualquer outro ser vivo me mantêm só de longe, cobiçando o gramado do vizinho.

Atualmente eu acabei de passar para o terceiro ano do ensino médio da minha escola. Passei praticamente implorando a professora de matemática, já que quando tem mais de uma pessoa do meu lado, minha concentração em aprender cálculos se resume a nada.

— Victória Frieck! — Ergui a cabeça após ouvir meu nome, apenas para dá atenção ao professor David, que está lendo alguns nomes na pauta para designar os devidos grupos, como em todo ano. Como eu não me apresentei para arrumar um, coisa boa não vem. Eu já sabia que seria chamada, mas não que seria tão rápido assim, já que meu nome começa com a letra V. Nunca costumo me interessar por esses grupos, sou o tipo de pessoa que não se enturma com ninguém e tento evitar ao máximo conversar com alguém do meu grupo. Por isso a maioria das pessoas convence os professores a não ser colocado no mesmo grupo que o meu, e sim! Todos os alunos escolhem seu devido grupo, eu faço parte do 1% que é encaixado em qualquer um, já que a maioria das pessoas da minha turma estuda comigo desde que eu me lembro, e mesmo assim nunca fiz amizade com nenhuma delas.

— Céus! Você como sempre nunca procura um grupo. – Suspirou, passando folha por folha de seu caderno, o qual contém o nome dos “indesejados” para grupos. — Galateia Merok! – Chamou, e involuntariamente virei o rosto em direção a garota que estava sentada na terceira cadeira ao lado da janela, sorrindo por ela fazer uma careta. Ela é linda até fazendo careta, como é possível? — Galateia! Você também não fez esforço algum para arrumar um grupo esse ano. Saiba que quase todos os grupos estão formados, se não se apressar ficará sem. — Olhei em direção ao professor e meus olhos brilharam! Sério isso? Ela está sem grupo?

Cara... Sempre tento arrumar uma desculpa para tentar ir falar com ela, só que sempre acabo dando pra trás. A ideia de fazer um grupo com ela nunca passou por minha cabeça, já que ironicamente está sempre em um grupo estranho, assim como eu. Esse é o último ano que tenho estudando com ela, talvez eu consiga fazer grupo com ela, mas eu não tenho cara de chegar nela e perguntar se quer fazer grupo comigo, primeiro que eu começaria a gaguejar e segundo... Eu estaria me tremendo toda.

— Amanda! Você também. Poxa gente, também tem Vinício, Vicent, July, Caroline, Evan, Patrícia... O que há com vocês? – O professor perguntou, suspirando em seguida. — Vocês têm até amanhã para formarem grupos, se não fizerem isso eu escolho por vocês. – Arregalei os olhos surpresa, olhando as horas em meu relógio. Falta pouco para o intervalo, necessito falar com Vanessa urgentemente. É minha única e última chance de formar um grupo no qual eu realmente queira estar. É meu último ano nessa escola e infelizmente eu não tenho a droga da coragem para ir na mesa da Galateia e perguntar se ela quer estudar o resto do ano do meu lado. Preciso fazer isso em segredo.

XxX

Bati na porta da diretoria três vezes seguidas e olhei mais uma vez para os lados, checando se ninguém estaria me vendo nesse lugar. Não que eu não costume vir aqui direto, mas desde que meu objetivo se tornou puxar a Galateia para o meu grupo, parece que estou cometendo um crime.

— Entre! – Ouvi a voz de Vanessa e suspirei abrindo a porta.

— Oi, Vaneeeee. – Saldei com um sorriso, a vendo erguer a cabeça com uma expressão nada agradável.

— Victória... Qual o professor que você insultou hoje?

— Nenhum! Não posso sentir saudades? – Perguntei a vendo revirar os olhos. Ok! Ela é a última pessoa na face da terra que eu sentiria saudades.

— Diga logo quem você matou, o motivo e onde escondeu o corpo.

— Quero fazer um pedido. – Defendi-me, a vendo erguer uma sobrancelha. Não a culpo por desconfiar de mim, infernizo a vida dela dia e noite, literalmente.

— Pedido? Isso é surpreendente, sua voz está até mais mansa. Qual seria o seu pedido, senhorita problema? Já disse que não ajudo a esconder corpos, nem os desenterrar. – Suspirei, não é novidade eu estar na diretoria. Casualmente passo aqui pelo menos três vezes na semana, seja por chegar atrasada, por mandar o professor tomar no cu, xingar meus coleguinhas de grupo ou por simplesmente não fazer meu dever.

— Quero entrar em um grupo.

— O quê? Você? – Perguntou um tanto quanto surpresa.

— Qual o problema? – Murmurei indignada com sua surpresa. — Só quero um grupo como todo adolescente normal. É pedir muito?

— Não! É que... Você me surpreendeu. Justo você querer um grupo. – Disse a si mesma, como se estivesse absorvendo a informação. Revirei os olhos e me sentei na cadeira a sua frente. — Então vejamos... Se veio é porque tem preferências dessa vez, certo?

— Sim! – Afirmei enquanto ela pegava o panfleto que normalmente escrevemos o nome dos integrantes dos grupos para oficializar o trio.

— Então me diga seu nome completo. – Pediu e a olhei com o cenho franzido. — Certo! Não precisa dizer, eu sei o seu nome. – Revirei os olhos, lógico que ela sabe o meu nome, é casada com meu pai há quase quinze anos. — Qual as outras pessoas?

— Galateia! – Respondi abrindo um sorriso só de pronunciar o nome dela. Mas Vanessa não compartilhou da minha animação e soltou a caneta que segurava, me olhando surpresa.

— Galateia? Galateia Merok? Você tem certeza?

— Tenho, por quê?

— Desculpa, mas não posso juntar vocês duas no mesmo grupo. – Disse guardando o panfleto e voltando a mexer em suas coisas como se eu já tivesse dito: Okay, obrigada por seu tempo, até amanhã.

— Por que não? – Questionei curiosa. Isso só pode ser brincadeira! Minha única chance não pode estar indo para o lixo, não desse jeito.

— Por quê? Você é a pior aluna de todos os tempos, Vick! É a pior pessoa para trabalho em grupo que eu conheço e a Galateia... Bem... Ela se enquadra perfeitamente na mesma situação que você.

— Hã? – Perguntei surpresa, a vendo suspirar e massagear as têmporas. Não estamos falando da mesma Galateia, impossível!

— Ela não é boa com trabalho em grupo! É um desastre total. Nunca se preocupa em ajudar ninguém, diria que são bem parecidas nisso, as duas tão pouco se fodendo para colaborar com os colegas. – Sorri, nunca deu para saber como ela agia em um grupo, porque ironicamente tinha de prestar atenção no meu, que sempre eram um bando de enjoados preocupados com as notas.

— Um motivo para nos unir. Somos iguais!

— Não! Esse é exatamente o motivo para não as unir. Que tipo de grupo seriam? – Perguntou retoricamente.

— Aaah! Qual é, Vane sua linda! Eu prometo me comportar. Faço tudo direitinho dessa vez e eu não zoarei o nome dela. – Alertei juntando as mãos.

— A questão não é essa, Victória!

— Então qual é? – Perguntei cruzando os braços. Não vou desistir! Não tão fácil assim. Pela primeira vez na minha vida quero escolher um grupo e não aceitar ser jogada em qualquer um.

— Vocês não se dariam bem.

— Como você pode saber?

— Eu conheço ambas muito bem! A personalidade da Galateia não bateria com a sua. Ouça a voz da experiência.

— Por que não? – Insisti ignorando o resto de sua frase. Quero um motivo maior que esse.

— São opostas. Você parece um carro alegórico em movimento constante e ela uma senhora de meia idade alimentando pombos. – Hã? Ela só pode tá de brincadeira.

— É um seguinte, Vanessa! Se você não me colocar no grupo dela eu me mato aqui e agora com esse estilete. Você presenciará um suicídio meu bem. Boa sorte em explicar para meu pai que me levou a cometer suicídio. – Falei irritada, pegando o estilete sobre sua mesa e abrindo ao máximo.

— Sério? – Perguntou com tédio e suspirei.

— Não, mas... Por favoooor. Jogo o lixo fora durante o ano todo e mantenho minhas mãos longe dos seus doces. – Propus voltando o objeto para mesa e ela ergueu uma sobrancelha.

— Realmente vai tirar o lixo? Você odeia tirar o lixo.

— É minha última chance de fazer grupo com ela! Me ajuda nessa. Prometo que tiro o lixo sem você precisar me pedir. É uma promessa de verdade. – Alertei desenhando um X imaginário no peito e a vendo suspirar. Eu nunca quebro uma promessa e ela sabe bem disso.

— Por que tanto interesse nela? – Perguntou curiosa, e várias coisas passaram por minha cabeça naquele momento. Não posso dizer que ela é filha da Scarlet e que estou completamente obcecada por ela. É da filha da Scarlet que estamos falando. A garota que tem o nome de Galateia, uma ninfa das águas, mas que nunca participa das aulas de natação, e... É isso!

— Porque eu quero que ela participe das aulas de natação. – Menti, vendo uma expressão confusa assumir o rosto de Vanessa. Acho que falei besteira.

— Interessante! – Murmurou. — Certo! Você venceu, okay? Quero o lixo fora do apartamento todos os dias. Não quero ter de olhar pro saquinho preto antes de vir para escola. – Alertou e me aproximei um pouco incerta. Sério que ela aceitou?

— Sério? Vai me colocar no grupo dela?

— Vou! Agora some daqui. – Resmungou pegando outra vez o panfleto e preenchendo todas as lacunas. Segui com os olhos cada movimento de sua caneta até ela suspirar e mostrar seu feito. Aleluia!

— Aaah! Eu te amo, Vane. – Gritei empolgada e ela semicerrou os olhos.

— Não acredito em você. Quem é a outra pessoa? – Perguntou e franzi o cenho.

— Outra pessoa? Que outra pessoa?

— O grupo, Victória! Três integrantes, lembra? – Apontou pra folha e olhei para meu nome escrito do lado do de Galateia, sorrindo por estarem juntos.

— Eu não faço ideia, pode escolher qualquer pessoa, meu interesse mesmo era a Galateia.

— Certeza?

— Claro. Faça como desejar agora. Vou voltar pra sala que tenho aula em cinco minutos. – Joguei beijo e ela riu negando com a cabeça.

— Uhum, você tem é um crush fodido na Galateia. – Acusou e arregalei os olhos parando meu movimento de abrir a porta, olhando para trás no susto. Quê? COMO ELA SABE DISSO?

— O quê?

— Jogar o lixo fora, Vick? Logo você? Nada vale tanto assim na sua perspectiva, exceto se você está extremamente interessada.

— Não é nada disso! Eu não... Não tenho crush nela. – Murmurei tentando evitar de deixar meu rosto ficar vermelho. De onde diabos ela tirou que eu tenho crush na garota? Eu não sou tão óbvia assim, sou?

— Uhum, imagina. O intervalo vai acabar, volte pra sala de aula. – Mandou e suspirei saindo da diretoria. Ela não vai comentar nada disso com meu pai, né?

Notas finais
gostasse?