Mirror Mirror
2 Who is the fairest of them all?
Notas iniciais
Louis e Harry estavam juntos há tantos anos que eles se entendiam muito bem um ao outro. Eles conheciam cada mania, cada expressão um do outro. Louis conhecia perfeitamente as covinhas do rosto do mais novo, e Harry sabia quantas ruguinhas Louis tinha nos cantinhos dos olhos.
Quando Louis finalmente chegou, e depois de toda a emoção dos primeiros minutos juntos novamente, Harry tinha a pequena surpresa que ele estava levando naquele dia para Louis esperando na sala.
— Meu Deus!
O cachorrinho veio correndo ao ouvir Louis, mesmo ainda não tendo conhecido ele, e estava pulando na perna dele e lambendo o garoto. Louis o pegou no colo, beijando o filhote
— Harry! Ele é perfeito!
Louis riu, deixando o filhote lamber todo seu rosto, enquanto Harry apenas o abraçava por trás, beijando a nuca do garoto menor.
— Você já pensou no nome dele?
— Clifford, como a gente combinou.
Harry sorriu vendo o filhotinho aconchegar a cabeça no ombro de Louis, como se soubesse que o menino também era seu dono. Harry ainda estava descobrindo como esse outro lado funcionava e as magias dele, ou talvez Louis só fosse bom com animais.
— Clifford... -Harry repetiu, passando um dedo pelo focinho do cachorro- É perfeito pra ele.
O silêncio que seguiu era confortável, cheio daquela paz que só eles dois conheciam. Louis se virou e passou os dedos pelos cachos de Harry, o mesmo gesto automático que fazia antes de dormir todas as noites, e pela primeira vez em trinta e três dias, ele sentiu que podia respirar de novo.
— É tão estranho, H. Parece que tudo aqui é igual, mas… diferente.
— É porque aqui, nada dói -respondeu Harry, encostando a testa na dele.- Aqui a gente só guarda o que era bom.
Louis sorriu, e os dois ficaram assim por longos minutos, apenas ouvindo o som distante do vento, e quando o filhotinho foi para o chão, também as patinhas de Clifford correndo pela sala. Lá fora, o espelho ainda tremeluzia com o resto da chama da vela, e do outro lado, o mundo dos vivos seguia. Mas dentro daquela casa, o tempo parecia ter parado.
O mais velho estava sentado no chão, encostado no sofá enquanto brincava de jogar uma bola para o cachorrinho, e Harry estava sentado atrás dele, fazendo carinhos sem parar em seu noivo. Eles nunca conseguiram ficar no mesmo lugar sem estarem encostados.
— Agora estamos completos de novo
Louis sussurrou, acariciando a aliança no dedo de Harry, que tinha a mão em seu ombro.
— Pra sempre, amor.
🎃
O sumiço de Louis confundiu todos. Com todas as cartas escritas, o primeiro pensamento da família foi o suicídio, mas nunca foi encontrado nada para confirmar a teoria deles.
Lottie e Gemma começaram a pesquisar as lendas, sendo que Louis citou isso como explicativa do seu sumiço. As meninas descobriram os mesmos sites e rituais que Louis procurou, e esperaram o próximo Halloween.
— Eu tô super nervosa. E se a gente fizer alguma coisa errada?
Gemma disse, se abraçando. Claro que ela sentia saudades do seu irmão, mas também tinha medo do sobrenatural.
— Bom, eu espero que dê tudo certo... Eu quero muito poder ver o Lou de novo, a nossa vida é tão vazia sem ele.
As duas sentiam falta dos seus irmãos, afinal, elas eram muito apegadas com eles. Harry era o irmãozinho mais novo de Gemma, que ela criava como se fosse seu bebê, e Louis era o irmão mais velho de Charlotte, o exemplo que todas as crianças seguiam para serem corajosas e fortes como ele.
— Vamos lá, Gemma. Precisamos ser corajosas.
As meninas se sentaram na frente do espelho e começaram o ritual. Cada uma repetiu o nome do seu irmão três vezes, abrindo seus olhos ansiosas para verem os dois.
Louis e Harry estavam alí, ambos de pé em frente ao espelho, com pequenos sorrisos nos rostos. Como sempre, Harry tinha um braço ao redor da cintura de Louis, mantendo seu noivo perto.
— Louis! Meu Deus, é você mesmo?
Lottie tinha os olhos marejados, já Gemma estava chorando. Ela sentia tanta falta do seu irmãozinho.
— Finalmente feliz, Lottie.
— E-Eu achei que você tinha...
Louis negou com a cabeça, entrelaçando a sua mão com a de Harry.
— Eu entendo, eu realmente não tinha nenhum motivo pra viver sem o Harry, mas não foi isso que aconteceu. Nós achamos um jeito de eu passar pra esse lado, pra vivermos juntos, mas foi quase como uma mágica. Eu não quis aprender a viver sem o H.
Harry beijou a testa do mais velho, trazendo ele mais para perto.
— Harry... Você tá bem?
Gemma perguntou, colocando sua mão no espelho. Ela estava tão feliz de ver o irmão, ao mesmo tempo que a saudade apertava em seu peito.
— Melhor que nunca, Gems. Aqui é um lugar realmente especial, não tem espaço para nenhum sentimento ruim, somos só nós, nosso cachorrinho, e os sentimentos gostosos.
Harry sorriu, colocando sua mão de encontro a da irmã. O véu estava forte, então nenhum deles sentiu o toque, mas significava muito.
— Vocês precisam seguir em frente, todo mundo. Nós vamos estar aqui, esperando vocês quando forem as suas horas, mas por favor, aproveitem tudo ao máximo antes disso.
Louis pediu, e Lottie concordou, abraçando Gemma para se confortar.
— Nós vamos, meninos. Se cuidem.
Gemma pediu, sorrindo triste para o seu caçula.
— Nós amamos vocês.
Harry reforçou, quando viu a chama da vela tremer. O tempo deles estava acabando.
— Nós também.
Lottie respondeu com um pequeno sorriso, e logo eles não se enxergavam mais.
🎃
— Clifford! Solta, menino!
Louis correu atrás do cachorrinho que estava com seu chinelo. O tempo passava mais devagar ali, o que significava que eles tinham um filhote por mais tempo.
Harry estava apenas assistindo os dois e rindo, quando eles ouviram batidas tímidas na porta da frente. Louis pegou Clifford no colo, e Harry abriu a porta, se assustando ao ver duas menininhas.
— O-Oi, senhor... Você sabe onde estão meus papais?
A mais velha tinha cerca de seis anos, e segurava pela mãozinha outra garotinha de uns dois. As duas meninas estavam desarrumadas, sujas, em um péssimo estado. Pelo jeito elas tinham acabado de chegar daquele lado, e Harry não queria imaginar o que as pequenas viveram.
— Oi, anjinho. Olha... Nós não sabemos, mas... Entrem, deixem-nos cuidar de vocês enquanto não achamos eles.
Louis deu o cachorrinho para Harry, se abaixando na altura das meninas.
— Venham, doce. Eu sou Louis, esse é o Harry e o nosso cachorrinho chama Clifford. Nós vamos cuidar de vocês.
Louis sempre foi mais delicado, principalmente com crianças, quase maternal. Talvez o fato de ter seis irmãos ajudasse também.
Eles acolheram as duas, limpando as meninas e deixando elas confortáveis na casa, e aos poucos eles foram descobrindo tudo que aconteceu.
Os pais das meninas eram terríveis com elas, a garotinha mais velha, Lizzie, contava sobre todas as agressões e maus tratos que as duas sofriam, enquanto a mais nova, Sophie, constantemente se assustava com as ações dos adultos e chorava muito com medo.
Infelizmente, no dia que as duas chegaram, os maus tratos chegaram ao extremo. Na mesma casa que Louis e Harry moravam, onde sempre foi um ninho de amor, as meninas viveram pesadelos até seu final.
Então eles adotaram as pequenas, para cuidar das meninas como elas mereciam e dar uma infância, ao menos no além, mais feliz para as pequenas.
E agora essa era a vidinha deles, todos os dias ensinar coisas novas para as meninas, que eram suas filhinhas adotivas, e ver as garotinhas crescendo e sendo crianças felizes junto com Clifford.
Sempre que Harry e Louis colocavam as meninas para dormir, eles podiam ir para seu descanso sabendo que, por mais um dia, fizeram alguma diferença nesse novo mundo deles.
Os meninos sempre sonharam com isso, em estarem casados, terem sua casa, um cachorrinho e crianças.
Algumas pessoas chamavam a casinha deles de paraíso. Mas, para os meninos, era apenas seu novo mundo.
O legado que eles deixavam, tanto em vida quanto na morte, era o do amor.
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