Mirror Mirror
2 A Encrenca: em pessoa
Notas iniciais
Paulinha
Música: Trouble- P!nk
POV’s Aryl
-Aryl, acorda. Vamos hoje é seu primeiro dia de aula, levante logo!
-Já vou mãe.
Bem vindo a minha vida, só pra avisar ela não é nada interessante, minha mãe nunca aguenta ficar em uma cidade por muito tempo, ela está sempre trocando de emprego, às vezes eu acho que ela mais parece estar fugindo...
E meu pai, bem ele morreu, eu tinha só seis anos, estávamos indo acampar, só eu e ele, eu estava muito feliz naquele dia, passar pelo menos cinco minutos com o pai já me tranquilizava, mas do nada apareceu uma espécie de reflexo como se um espelho gigantesco sem começo nem fim tivesse aparecido, nem o carro nem o meu pai atravessaram o reflexo, só eu.
Eu cai, em um gramado branco, como se estivesse coberto por neve, pensei ter visto pessoas, mas no instante em que eu me levantei, me virei e atravessei o reflexo novamente, o carro estava totalmente em pedaços, corri procurando meu pai, mas ele não estava mais lá, ele havia desaparecido, ouvi ele me chamar e quando e virei vi um homem imenso vestido de branco segurando ele, o homem segurava uma enorme e horrenda espada, meu pai estava sangrando muito, eu quis ajudá-lo mais eu não consegui me mover, então ele disse:
-Adeus minha Aryl, eu amo você.
Logo após o homem cravou nele a espada e desapareceu, desmaiei imediatamente...
Hoje era o meu primeiro dia de aula como você já notou, eu simplesmente odeio primeiros dias de aula ainda mais em uma cidade nova com pessoas que eu nunca tinha visto na minha vida. Levantei, tomei café e me arrumei pra escola, minha mãe já havia ido trabalhar, ou seja, eu estava só.
Fui caminhado pra escola e pude ver o bando de gente que estudava lá, era o primeiro dia pra todos, mas eles já estudavam lá há cinco anos e eu era a única novata pelo visto, a escola se chama Gold Lion, nome ridículo não?
Logo que entrei pelo portão já pude ver as panelinhas, de todas as 29 escolas e 15 internatos aquela com certeza era a mais organizada em relação aos grupos, o sinal tocou e eu entrei, a primeira aula era de Filosofia, chegando à sala me deparei com uma cena meio... desagradável, um casalzinho estava se agarrando na maior cara de pau, procurei um lugar vazio e achei um bem lá no fundo, ultima carteira, do lado da janela, infelizmente a sala era toda separada em duplas e a minha dupla não havia chegado ainda...
-Bom dia alunos, como vocês sabem essa era a aula do professor John, mas infelizmente ele não pode vir, agora peço a vocês que se comporte enquanto a aula não acaba. –Disse uma senhora que eu não sabia quem é. Ela já estava saindo até que parou. – Ah me desculpem eu quase me esqueci, senhorita Lewis, por favor, venha até aqui para eu lhe apresentar aos seus novos colegas.
Me levantei e fui em direção a ela enquanto isso eu podia sentir os olhares de desaprovação e as criticas dos meus “colegas”.
-Senhorita Lewis é um imenso prazer conhecê-la finalmente, meu nome é Sarah a supervisora da escola. –Eu não sabia o que dizer então apenas dei um sorriso, ela me virou para toda a turma e os olhares só aumentaram a minha vontade de fugir dali. – Meus caros, essa é sua nova colega Aryl Lewis, e vocês tem algo a dizer a ela?
Todos da sala repetiram em um uníssono meio sonolento e sem vida, como se já estivessem cansados de repetir a mesma frase: “bem vinda nova colega de classe”.
-Sejam gentis com ela turma, bem senhorita Lewis agora eu preciso ir, mas onde esta sua dupla?
-A Campbell ainda não chegou senhora Sarah. –Respondeu um garoto da primeira fileira, ele parecia ser o nerd da sala.
-Obrigada senhor Collins, como sempre atento. Você disse Campbell? Mas é claro, só podia ser eu me resolvo com ela depois.
Voltei ao meu lugar e logo em seguida chegou uma garota cheia de rímel e com um batom vermelho, ela usava uma jaqueta de couro preta, seus jeans eram meio rasgados, usava um all star preto de cano longo e uma enorme bolsa vermelha. Imediatamente todos da sala fizeram a mesma coisa com ela, olhares e sussurros de como ela era estranha, a senhora Sarah olhava pra ela com uma terrível cara de desgosto.
-Senhorita Campbell! A senhorita sabe que horas são? –Perguntou Sarah.
A garota puxou um pouco a jaqueta, olhou em seu relógio de couro vermelho e disse:
-São 7h e 45 min.
-E que horas o sinal toca?
-Ah 7h em ponto?
-E a senhorita não acha que se atrasou um pouco demais?
-Olha aqui meu bem, hoje é o primeiro dia dos bilhões que você vai ter pra me atormentar e que eu saiba ninguém me avisou de questionário, se você quer tanto saber a hora, COMPRE UM RELÓGIO E SEJA FELIZ!
-Não ouse me responder senhorita Campbell.
-O que você vai fazer Sarita? Me expulsar? Vá. Faça isso, me expulse! Eu não me importo. Agora me da licença que eu preciso me sentar. Até loguinho.
Sarah simplesmente fez uma careta e saiu, a garota veio em minha direção, a cada passo que ela dava eu podia ouvir mais e mais criticas, no rosto dela só se via um sorriso sarcástico e ela andava totalmente devagar passo... por... passo, como se ela quisesse ouvir o que eles diziam e por pior que fossem as criticas ela não parecia ligar.
Chegando finalmente no fundo da sala, ela parou, deu uma olhada de baixo pra cima em mim, e logo após apenas sorriu, ela se sentou, tacou a balsa no chão. colocou os pés sobre a mesa e disse:
-Novata?
-Oi, meu nome é Aryl.
-Aryl? Que graça... Olá Aryl, olha você até que parece ser legal então deixa eu te dar um pequeno conselho, não se deixe corromper por esses inúteis, eles só querem que você caia na vida e que não seja ninguem não é mesmo meus queridinhos colegas?.
-Ah, obrigada. E qual o seu nome?
-Sou Lydia Campbell, ou como me chamam a encrenca em pessoa.
-Prazer.
-Então, Aryl me diz o que você esta achando dessa droga?
-Uma droga. –Respondi, fazendo Lydia dar uma gargalhada bem engraçada.
-Gostei de você garota! É uma das minhas.
Até que ela não era má nem nada, Lydia era apenas diferente e exatamente por ela ser assim os outros julgavam ela, mas ela afinal tinha virado minha amiga, ela me chamou para dormir na casa dela no fim de semana, e eu aceitei.
A semana toda foi bem divertida, eu e Lydia nos davámos muito bem, quando chegou sexta eu estava muito animada pra dormir na casa dela...
No intervalo estávamos sentadas sozinhas em uma mesa e todos nos cercavam de olhares de nojo, raiva, ódio e mais não sei o que.
-Não ligue pra eles Aryl, eles não gostam de gente como eu.
-Ninguém gosta de encrenca Lydia. –Não falei isso pra ofender, ela sabia disso, mas por mais que eu gostasse a Lydia ela era mesmo uma encrenca, ela me fez ficar na detenção a primeira vez na minha vida, me fez levar uma ocorrência e etc.. Mas apesar de tudo ela era minha amiga.
-Ah nisso você tem razão. –Ela riu bem alto... como sempre.
Até que aquela cidade não estava sendo tão ruim, quando minha mãe a conheceu eu achei que ela iria surtar comigo por fazer uma amiga louca como ela, mas ela amou a Lydia disse que seria bom eu ter um pouco de encrenca na minha vida.
Afinal eu mesma estava virando uma encrenca ou talvez eu sempre tivesse sido, mas só não tinha parado pra notar...
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