Mirna - Longe da Alcatéia
4 Capítulo 4 Conhecendo um Novo Mundo
Pov Daniel
Mirna: Então... Os seres humanos agem diferente, as lojas são um tipo de caverna que vocês constroem e trocam coisas por umas pedras e folhas estranhas que vocês produzem e chamam de dinheiro, os abrigos construídos por vocês são chamados de casa, na casa vocês tem umas coisas que vocês chamam de móveis e cada um tem uma função, vocês tem umas coisas que levam vocês para onde quiserem ir, que chamam de carros e usam essas coisas no corpo que chamam de roupa... — Ela fez uma expressão pensativa - Eu acho que é isso, né?
Ri por ela se mostrar receosa com minha resposta
Daniel: É, Mirna... Eu acho que só. Mas tenho muito mais para te ensinar, só que acho que por hoje chega!
Estávamos andando pelas calçadas, queria que Mirna conhecesse mais do meu mundo. Isso depois de ter ensinado Mirna a andar em pé, levou um tempo, porém, ela pegou o jeito! Acho que ela já estava se acostumando com esse lugar, também 'tivemos' que pular a janela do meu quarto, para que minha mãe não a visse sair ou eu 'tivesse' que a deixar sozinha do lado de fora, me esperando. Agora, andando, vi uma sorveteria...
Daniel: Ei, Mirna, que tal tomarmos sorvete? — disse parando em sua frente, a fazendo parar também
Mirna: Sorvete? — Ela fez aquela carinha linda de confusa, entortando o rosto pro lado e sorri
Daniel: É um tipo de comida, vem! — A puxei pra dentro da sorveteria e fomos no balcão - Oi, pode me dar dois sorvetes? — Falei com uma atendente
Atendente: Claro, quais os sabores? — Disse sorridente e senti a mão de Mirna apertar a minha
Daniel: Pode me entregar um de chocolate e outro de... Me traga dois de chocolate com dupla cobertura de chocolate morango, por favor! — Vi a moça assentir e se virar, indo preparar os sorvetes, enquanto me virei para Mirna, a vendo com os dentes trincados e o olhar de ódio em seus olhos vidrados na atendente.
Prestando mais atenção vi os olhos de Mirna mudando, sua pupila ficava menor, sua íris mostrava sua cor mais viva e os arredores de seus olhos já escureciam, notei também ela começar a rosnar baixo. Arregalei meus próprios olhos e a puxei para mim, a abraçando, quando escutei a voz da atendente, para que a moça não visse seus olhos assim.
Atendente: Aqui estão— Me entregou os sorvetes que segurei com uma só mão, sem soltar Mirna
Quando a moça se afastou para atender outros clientes, afastei Mirna, para olhá-la nos olhos, eles haviam voltado ao normal... Ou ao normal para um ser-humano, claro! Sorri com o pensamento, mas logo os tirei de minha mente, voltando a ficar sério
Daniel: Mirna! O que foi isso?! Por que rosnou e queria atacar a moça? Seus olhos quase voltaram a ser de lobo, sabia?! — Como a segurava por seus braços, senti quando ela estremeceu e encolheu um pouco os ombros, porém, em segundos elas levantou sua postura, se livrando de minhas mãos e se mostrando indignada
Mirna: Olha só, você não pode falar nada de mim, 'tá'?! Não sei se isso é normal aqui, mas não é nada normal de onde eu venho,uma fêmea se mostrar para um macho com outra fêmea do lado dele! Mas se vai ficar irritadinho assim, eu descubro o que 'tá' acontecendo comigo sozinha!
Me assustei com sua explosão e fiquei estático, todos nos olhavam, todavia, foi quando a vi sair da sorveteria, que dei por mim e corri atrás dela, deixando os sorvetes caírem. A vi um pouco longe, descendo a rua e me apressei, quando a alcancei abracei-a por trás, a parando...
Mirna: Ei, me solta! Me solta! É melhor me soltar ou eu vou... — Ela já rosnada e eu ri, a virando para mim
Daniel: Vai o quê? Me morder, Mirna? — Mirna tinha arregalado os olhos, mas depois da minha fala, voltou ao normal e me empurrou, cruzando os braços
Mirna: O que você quer?! E é melhor que não me venha com brincadeiras ou eu rapidinho descubro como voltar à minha forma de lobo e te faço picadinhos, se não eu te arrebento com essas coisas mesmo — Ameaçou, em último caso se referindo às próprias mãos
Daniel: Ei, calma! Por que 'tá' com tanta raiva? Eu só tinha ficado preocupado de alguém ver seus olhos daquele jeito, se vissem, logo você pararia na internet e seria caçada, tanto por cientistas e pesquisadores, quanto por gente obsessivas por coisas sobrenaturais. Acabei não me segurando e descontando em você, por não se controlar — suspirei, abaixando minha cabeça, a ouvindo suspirar também
Mirna: Tudo bem — voltei a erguer minha cabeça, a vendo descruzar os braços e se render — Desculpe também, eu devia ter me controlado mais — Sorri e a puxei para um abraço, adorava seu cheiro e amava estar perto dela, isso me assustava um pouco por a conhecer a tão pouco tempo
Daniel: Vamos voltar, ainda temos que tomar sorvete! — Segurei sua mão, a levando de volta à sorveteria
Comprei novos sorvetes e nos sentamos numa mesa do lado de fora do estabelecimento, vendo o movimento da rua, conversando e tomando sorvete.
Pov Mirna
Já tínhamos voltado a casa do Daniel, estava de noite e ele teve que se explicar para a mãe, por ter sumido o dia todo, 'trancado no quarto'! Ele disse pra ela que 'tava' se sentindo mal, mas que já tinha melhorado e ela acreditou, o mandando ir dormir. Daniel estava tomando banho... Não me perguntem o que isso quer dizer, ele só me disse: "Fique aí, eu vou tomar banho e já volto". Por falar nisso, ele acabou de voltar pro quarto, apenas de bermuda e secando os cabelos com uma toalha... Como eu sei a diferença de calça, bermuda ou qualquer coisa assim? Digamos que sou curiosa e enquanto ele tentava me ensinar sobre o mundo dele, eu só fazia mais perguntas!
Daniel: MIRNA! — Gritei e caí da cama, quando ouvi seu grito, acabei batendo a cabeça no criado-mudo
Mirna: Ai, garoto, para de ser escandaloso! Ficou louco ou o quê?! — Reclamei me levantando, enquanto ele ria de mim
Daniel: Escolho o 'o quê' e o meu é que você 'tava' aí, voando e não me ouviu te chamar sem gritos, então 'tive' que apelar, não acha?
Mirna: Não, não acho! — Falei emburrada - O que você queria? Quero dizer, antes de me fazer cair da cama! — Fiz careta, enquanto ele sorria, amava esse sorriso! Certo, minha raiva passou e eu deixei escapar um sorriso
Daniel: Eu vim perguntar se você não quer tomar banho? — Fiquei confusa, entortei o rosto, tentando entender melhor o que ele queria dizer
Mirna: E pra quê que serve esse negócio?
Daniel: Ah, é! Lobinha, tinha esquecido esse fato — bateu em sua própria testa rindo e me espantei
Mirna: Por que você fez isso?!
Daniel: Isso o quê?— Estranhou
Mirna: Você se bateu de propósito — Disse e ele riu
Daniel: Ah, você quer dizer eu ter 'batido' em minha testa?! Isso é um gesto que nós seres-humanos usamos que meio que significa um "Nossa, que bobo ou burro eu sou!"
Mirna: E porque você se chamariam de bobos ou burros?!
Daniel: Não, é só que... Ah, Mirna, deixa isso, vai!— Sorriu divertido
Mirna: Seres-humanos são estranhos
Daniel riu
Daniel: É, mocinha, são sim! Mas enfim, como eu ia explicar: 'tomar banho' é o ato de se lavar, sabe
Mirna: Ah, como os elefantes que se lavam nos rios da floresta!
Daniel: Bom, quase isso, sim... — Riu - Mas nesse caso, tomamos banho de chuveiro, que é uma coisa de onde cai água para nos banharmos
Mirna: Como uma cachoeira?
Daniel: É, Mirna, como uma cachoeira. Só que essa cachoeira é pequena, a água cai sem muita força e ela é criada pelos humanos!
Mirna: Mas vocês inventam cada coisa, hein! — O fiz rir e, por isso, sorri
Daniel: Vamos, Mirna, você vai tomar banho?
Mirna: Lobos não tomam banho, Daniel. Nós não ficamos sujos, não sabe que canídeos saudáveis têm sempre o pelo limpo e não criam mau-cheiro!
Daniel: É, mas humanos sim, ficam sujos e com mau-cheiro. E enquanto a senhorita estiver em forma humana, vai ter que agir como tal!— Ele se aproximou, me puxando pelas mãos até o banheiro, me deixou e saiu, voltando em seguida com uma toalha na mão - Eu vou tentar te explicar como que se toma banho, 'tá'? — Assenti e ele sorriu, pegando um frasco estranho - Isso daqui se chama shampoo, usamos ele para lavar o cabelo...
Mirna: Então isso tem vida? É como uma rêmora, que se alimenta dos restos de comida presos nos dentes do tubarão? Ou como um anu, que pousa nas costas do boi e come os insetos e parasitas que incomodam o primeiro? — O interrompi, animada, tomando o frasco de sua mão
Daniel: Não, Mirna — Ele riu, pegando o shampoo, que eu olhava com tanta curiosidade, de mim - Na verdade, não tem vida, é mais algo que nós humanos criamos e...
Mirna: Ah, mas não tem nada nesse mundo que você não tenham criado, não é?! — Questionei, já irritada. Que coisa, cadê o natural desse lugar?! Aquilo que é único e irreplicável! Daniel suspirou, deixando o shampoo em cima da pia e saindo do banheiro, o acompanhei e vi-o pegar um negócio estranho - O quê é isso?
Daniel: Isso? — balançou o objeto na mão e eu assenti - Um celular! Serve para a gente falar com outra pessoa que 'tá' longe de você
Mirna: Ah, tipo quando nós uivamos! — gritei animada e ele me pediu silêncio com o indicador nos lábios
Daniel: Esqueceu da minha mãe?
Suspirei e murmurei um 'desculpe', me sentando de cabeça baixa na cama
Daniel: Mirna... — Daniel foi interrompido por seu "celular" tocando - Alô? [...]
Enquanto Daniel falava com um amigo dele, fui até o espelho do lado de sua cama. Me sentei no cão, em frente o espelho e fiquei me olhando. Eu era branca, quase pálida, meus olhos continuavam azuis, mas pareciam mais apagados, acho que por causa da pupila maior, tinha lábios carnudos, porém uma boca pequena, meus cabelos tinha raízes negras e ia se tornando branco. Aquela não era eu, mas por outro lado, sentia que era! Pelo que tinha notado, eu ainda era diferente dos outros, acho que nunca vou conseguir ser normal e acho que nunca vão me aceitar por completo... Meus pensamentos sumiram, quando senti uma mão em meu ombro e gritei, quase pulando...
Daniel: Ei, calma que sou eu! — sorriu
Mirna: Quer parar de me assustar?!— me levantei brava
Daniel: Calma, Lobinha, só queria saber se 'tá' bem?
Mirna: Claro, não viu direito minha cor quando eu era uma loba?
Daniel: Vi, um lobo negro, o que isso tem haver? — Me olhou confuso
Mirna: Já viu algum lobo negro chorar?
Daniel: Não, mas isso porquê nunca vi lobo algum chorar!
Mirna: Isso, porquê lobos não choram, se for um lobo negro então...!
Daniel: O que isso tem haver? Qual a diferença de um lobo negro e o de outra cor?
Eu estava pronta para responder, quando... Quando descobri que não sabia a resposta
Mirna: Bom, é que... É óbvio que os lobos negros... Mas é que os outros lobos...
Daniel: Se não sabe a resposta... Por que tem certeza do que disse? — Se aproximou, colocando uma mão em meu rosto
Mirna: É o que escuto me dizerem desde que fui acolhida... — Opa! Eu não podia ter dito isso - Q-Quer dizer, nasci! É o que me dizem desde que nasci — Sorri amarelo
Daniel: Mirna, você... — Ele 'tava' desconfiado, entretanto, antes que terminasse de falar, alguém bateu na janela do quarto dele, me coloquei em posição defensiva, mas logo lembrei que não era mais uma loba e me levantei, suspirando. Enquanto Daniel abria a janela para um garoto com uma mochila nas costas, que pulou a janela e eles bateram as mãos... Espécie estranha! - Mirna, esse é o Guilherme, meu amigo! Gui, essa é a Mirna, a garota que te falei — Nos apresentou
O tal de Gui se aproximou de mim, tentando seduzir e mexeu a cabeça, falando...
Gui: Eae, Gatinha, acho que não fomos apresentados direito, eu sou o Guilherme ou Gui! — Gritou do nada tirando a camisa - Mas pode me chamar de parceiro
Mirna: Eu sou a Mirna!— o imitei, brincando - E você não é meu parceiro
O Daniel riu, enquanto Gui deixava os ombros cair, olhando pra baixo e resmungando...
Gui: Que coisa!
Daniel: Calma, Gui, um dia você acerta— Deu dois tapinhas nas costas do amigo, enquanto passava por ele e ficava ao meu lado
Mirna: Foi com ele que falou por celular aquele momento, Daniel?
Daniel: Sim, para quê trouxesse algo para nos ajudar! trouxe, Gui?
Gui: Eu sou eficiente, sabe, eu não sirvo só para lustrar cabeças de cera ou encantar a mulherada com meu corpo lindo!
'Tá', posso admitir pelo menos em pensamento, ele é realmente engraçado! E eu ri
Daniel: Certo, me entrega, Gibby! — Daniel pediu e Gui lhe entregou algo que parecia uma roupa, só que estranha. Então Daniel se virou para mim, me mostrando aquela roupa estranha - Mirna, isso daqui a gente chama de biquíni, é um tipo de roupa, só que roupa de banho...
Mirna: Ah, então vocês tem roupa até pra tomar banho, é?
Daniel suspirou e se voltou para Gui
Daniel: Acho melhor você ir para casa, amigo, depois nos vemos — Então Gui saiu e Daniel fechou a janela. Voltando até mim, me levando ao banheiro
Mirna: E esse negócio? Isso, esse 'biquíni... É pra mim usar?
Daniel: Sim, Mirna. Você precisa tomar um banho, porém não sabe como se faz, eu tentei te explicar, mas você me mostrou que demoraria muito graças à senhorita ser 'tão' curiosa e teimosa!
Mirna: Então como vai ser? Você vai vestir um desses biquínis aí? — Ele riu
Daniel: Não, Mirna, esses biquínis são de mulher, sabe, fêmea. Homens usam 'sunga', que é a roupa de banho para homens. Mas não, não vou usar roupa de banho, vou apenas te ajudar, não acho que vou me molhar tanto assim! Olha, você vai usar isso, para quê eu possa te ajudar no banho, mas depois, no seu próximo banho, você vai começar a fazer isso sozinha, então não precisará vestir nada. Segure, essa é a parte de cima e essa a parte de baixo!
Daniel me deixou sozinha no banheiro e fechou a porta. Me despi e coloquei o biquíni, me olhando no espelho do banheiro estranhei de início, entretanto logo entendi como se vestia aquilo e consertei os erros da minha primeira tentativa de vestir esse biquíni. Abrindo a porta e chamando Daniel, que entrou no banheiro, fechando a porta atrás de si.
Daniel: Conseguiu?
Mirna: Sim — Sorri e ele me acompanhou
Daniel: Vem, Mirna — Me puxou pela mão - lembra que falei do chuveiro, é esse o tal! — Ele girou um negócio na parede, parecido com uma maçaneta redonda, então começou a sair água daquele negócio, er, o 'chuveiro'!
Mirna: A pequena cachoeira! É mesmo diferente — Ri com ele
Daniel: Vamos, Mirna, Você tem de entrar embaixo do chuveiro!
Mirna: Tenho mesmo? — O olhei pidona, mas não funcionou, pois ele assentiu, sorrindo
Daniel: Vamos, Mirna, você têm que experimentar coisas novas!
Mirna: Acho que posso dizer que já experimentei coisa nova o suficiente, quando eu mesmo virei um novo ser, literalmente! — Rimos - Tudo bem... Eu vou! — Respirei fundo e entrei embaixo do chuveiro, 'tava' quentinha a água - Isso é muito bom! Muito, muito, muito bom! — Tentei pular, mas ia caindo, se não fosse por Daniel que me segurou, todavia acabou se molhando por inteiro
Daniel: Ótimo! Obrigado, Mirna, agora tomei um segundo banho antes mesmo que meu cabelo secasse — Seu tom parecia irritado, mas ele tinha um sorriso e um olhar brincalhão no rosto
Mirna: Besta! — Me afastei dele e enchi minha mão de água e joguei nele, que riu e jogou um pouco em mim também, antes de voltar a falar
Daniel: Vamos, Mirna, assim nunca vamos terminar!
Mirna: 'Tá', Papai! — A frase escapou de meus lábios e me fez sentir uma sensação estranha e calorosa, que aconchegava meu peito e clareava minha mente, logo eu não me via mais naquele banheiro com o Daniel.
Estava em uma floresta, vi uma pequena garotinha de cabelos escuros nas raízes, mas que se tornavam brancos em seu prolongamento, presos em dois lalais, a menina aparentava ter dois anos e estava assustada. Ela olhava para uma casa que pegava fogo, enquanto ela era levada por um homem, que parecia ser seu pai, ele se aproximava mais de mim, então parou ao meu lado e deixou a menininha no chão, era como se eu não estivesse ali...
Homem: Eu preciso que faça algo... Você faria algo por seu pai? — A pequenina assentiu — Quero que fuja, corra até não aguentar, quero que chegue até as montanhas do norte, você vai pegar alguns galhos de arbustos e uivará, peça ajuda, mas não esqueça de uivar pelos lobos do topo, então você se encostará nas raízes de uma árvore, coloque os galhos por cima de si... — O homem pegou uma espécie de carta, apenas um papel e arrancou o brasão de seu casaco, a entregando ambos — Então, coloque junto a si essas coisas e pode descansar, meu anjo, durma, se tudo der certo, você irá acordar em um lugar seguro. Mas tem um 'porém'! Você fará isso em sua forma de lobo — A menina pareceu se espantar e ele lhe segurou a mão - Eu sei, minha querida, você não está pronta para se transformar, mas será preciso, você ficará fraca no final, tente aguentar até estar debaixo dos galhos, então poderá descansar e uns amigos cuidaram de você. Tudo bem?
Menininha: 'Tá', Papai!
Homem: Agora vá! — O homem tentou levantar, mas ela segurou uma manga de seu casaco e ele voltou a se ajoelhar — Eu tenho que voltar, minha pequena princesa, sua mãe ainda está lá. Eu te amo, Mirna! — Deixou um beijo na testa da filha e foi em direção da casa incendiando. Eu ainda observava ele ir, lágrimas escorrendo por meus olhos, voltei a olhar a menina e só pude notar um pequeno lobinho negro sumindo pelas árvores.
Comecei a escutar meu nome ser chamado e era como se houvesse um terremoto acontecendo, então dei por mim. Estava, novamente, no banheiro de Daniel, com o mesmo me chamando, enquanto me sacudia pelos braços...
Daniel: Mirna! Sam, você está bem? Mirna! Me responde! Mirna!
Mirna: Calma, Daniel! Eu 'tô' bem... 'tô' bem — Tentei acreditar em minhas próprias palavras, aquele 'sonho' tinha realmente mexido comigo
Daniel: Mas você 'tava' paralisada e então começou a chorar, eu não sabia o que fazer, eu não... — Ele limpou meu rosto, molhado de lágrimas, nervoso
Mirna: 'Tá' tudo bem, Daniel. Eu só vi algo, parecia uma lembrança... Vamos terminar esse banho, 'tá'? — Falei calma, queria que ele se acalmasse. Peguei suas mãos em meu rosto e ele respirou fundo, se acalmando
Daniel: Certo— Ele pegou o shampoo — vem, isso é pra lavar o cabelo, eu te ajudo dessa vez! — Sorriu, tentando fazer tudo voltar ao normal. colocou um pouco de shampoo em sua mão e o guardou, indo passar em meu cabelo, ele fazia um cafuné, enquanto passava o shampoo
Mirna: Desse jeito, vou acabar te chamando para passar shampoo, toda vez, no meu cabelo!— Ri
Daniel: Agora é só tirarmos— Ele enxaguou meu cabelo na água, tirando o shampoo, então me entregou um tipo de pedra estranha — Isso é um sabonete, é tipo um shampoo em barra para o corpo, sabe? É só passar no corpo, dessa vez, não posso, acho que minha ajuda terminou, senhorita. vou te deixar aqui passando o sabonete e depois que tirar na água o sabonete, pode sair, a toalha está do lado de fora do box. Vou aproveitar para me secar, vestir outra bermuda que essa aqui molhou, tudo graças a uma senhorita que tenta pular no chuveiro! — Riu - Além de ir pegar o pijama e ir ver a roupa que o Gui trouxe pra você!
Mirna: Por que o Gui tem coisas de menina?
Daniel: Ele tinha uma irmã, sabe, mas ela se mudou, foi morar em outra cidade, só que deixou algumas coisas. Acho que por enquanto a gente pode se virar com elas, assim! — Daniel saiu
Me ensaboei e logo tirei todo o sabonete de meu corpo, guardei o sabonete e desliguei o chuveiro, saindo e me enxugando com a toalha. Daniel bateu na porta e me ofereceu o pijama. O peguei e o vesti, saindo logo depois, voltando para o quarto, onde Daniel me esperava com um sanduíche e um suco. Que eu comi...
Mirna: E você? Não vai comer?
Daniel: Por incrível que pareça, seu tempo no banheiro foi suficiente para que eu preparasse um lanche para nós dois, comesse o meu, olhasse a roupa, te entregasse o pijama e ainda deitasse na minha cama! Eu sou um Flash!— Fiquei confusa com a última parte, entortando meu rosto, entretanto não me importei muito com isso e terminei de comer, deixando as coisas de lado e me deitando com ele na cama - Não se importa mesmo de dormir comigo?
Neguei com a cabeça
Mirna: Porque me importaria? Confio em você e já dormi com você na mesma cama, antes!
Daniel: Só que antes você era uma lobinha
Mirna: E você um ser estranho. Agora cale a boca, que eu quero dormir!— Então caí no sono, em cima de seu peito, sentindo seu coração bater e sentindo seu cheiro que eu tanto amo
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