Juan Hussie

Agora que tínhamos o fio de cabelo, já tínhamos um rumo por onde começar. Parecia que logo chegaríamos a um resultado, e ainda era o segundo dia da investigação. Enquanto andávamos de volta ao quartel para irmos à nossa sala fazer a análise.

— Ei, gente, vocês não acham estranho? — Bella perguntou no meio do caminho. Ela tinha ganhado a função de guardar o fio de cabelo, pois tinha sido decidido que ela analisaria as provas — Aquela gravação é muito suspeita. Como alguém levaria dois minutos para roubar toda aquela comida? A sala era enorme! O ladrão teria que ter levado tudo muito rápido. E se tivessem sido várias pessoas, alguém teria visto, afinal ainda era de dia.

— O que você quer dizer com isso? Que a equipe forense mentiu para nós? — Marcus perguntou — Eles são especialistas contratados, por que fariam isso?

— Não sei... Só acho suspeito. E surreal.

— Bom, um ano atrás estavam usando aquelas esferas de teleporte para sequestrar os pinguins — falei, me lembrando do incidente — Será que o ladrão não usou algo relacionado? Não é muito improvável.

— Sim, você pode estar certo — ela me disse.

— A gente pode pedir pra alguma equipe verificar se o mineral foi extraído, ou se as esferas foram usadas recentemente. Talvez o Gary tem uma máquina pra isso — Minkis sugeriu.

— É, melhor contatar alguma equipe mesmo. Vou fazer isso assim que chegarmos lá — Marcus disse.

Não demorou muito para que nossa caminhada terminasse. Entramos no quartel e fomos direto à nossa sala. Mas, antes de entrar, eu chamei Minkis em um canto, precisava falar algo.

— Minkis... Eu estou com medo. Essa gravação...

— Você não acha que...? — ela me perguntou, esperando que eu entendesse o final da frase.

— Sim. Pode ser um dos cavalos. Se for, vai ser tudo mais grave. Você viu o dano que Dylan causou e o poder que Gerda tinha. E agora Miranda já tem duas correntes quebradas. O terceiro cavalo pode ser muito mais forte do que os dois!

Minkis pareceu preocupada, e olhou para o chão com um sorriso nervoso.

— Certo, vamos manter a calma. Será que devíamos contar sobre isso para Bella e Marcus? — ela perguntou.

— Não! — eu exclamei se nem esperar — Quer dizer... Talvez o Marcus seja confiável, você o conhece já faz um tempo. Mas a Bella nós conhecemos faz um dia. Talvez ela nos ache loucos.

— Mas se eles souberem eles vão poder nos ajudar! — ela argumentou.

Eu olhei para ela com uma cara de que não concordava, tentando dizer que devíamos esperar um pouco. Parece que ela entendeu a mensagem.

— Tá bom... Vamos esperar um pouco. Mas se as coisas ficarem muito drásticas, nós vamos ter que contar, ok? — ela disse.

— Certo... — eu concordei, e assim entramos na sala.

Quando entramos no escritório, vimos os dois detetives observando a lista de suspeitos.

— Ei, gente, vem aqui! — Bella nos chamou, fazendo um sinal que nos chamava com a nadadeira — Estamos analisando a lista de suspeitos. Mandamos mensagens para as outras equipes e eles nos mandaram as listas deles, para termos uma maior abrangência. Resolvemos olhar todos os pinguins loiros.

Eu me sentei ao lado de Marcus, e Minkis ao lado de Bella.

— Mas eu me lembrei mais desse pinguim que analisamos. Ele está entre nossos dez suspeitos e é loiro — ela continuou, apontando para o sexto pinguim da lista. Embora ele não era um dos quatro com antecedentes criminais, tinha agido de maneira suspeita nas gravações das câmeras — Era aquele que ficava olhando no relógio e depois olhando para trás repetidamente. Ele estava passando por uns becos depois de sair do Plaza. Lembram?

Eu me lembrava da gravação, e de fato aquele era um dos que mais agiam estranho. Eu li seu nome em baixo da foto: Yury Evans.

— Então, vamos chamá-lo?

— Já fizemos isso. Logo, a polícia vai chegar aqui com ele.

Nós esperamos um pouco. Marcus ligou para uma equipe que tinha alguns geólogos enquanto isso, e disse para eles investigarem as esferas. Eles disseram que iriam para a mina em seguida para ver se alguém tinha extraído o minério e nos contatariam no dia seguinte.

Quando a polícia nos mandou uma mensagem dizendo que tinham chegado com o suspeito, Bella foi correndo para trazê-lo até nossa sala. Enquanto isso, nós três esperamos. Marcus configurava o Analisador de Pelos 3000, uma máquina do Gary que iria revelar se o fio de cabelo que a equipe forense tinha encontrado era o mesmo do suspeito. Provavelmente, teríamos que tentar várias vezes até encontrarmos o verdadeiro ladrão.

Após alguns minutos, Bella voltou com o suspeito.

— Olá. Yury Evans, certo? — Marcus o cumprimentou — Por favor, sente-se aqui — ele disse, mostrando uma cadeira — Se acomode. Apenas precisaremos de um fio de cabelo seu.

O pinguim andou devagar até a cadeira e se sentou, sem falar nada. Acho que qualquer um ficaria nervoso sendo chamado na delegacia em meio a todo aquele clima tenso.

— Se me permite — falou Bella, se aproximando e arrancando um pouco dos cabelos loiros do pinguim. Os fios realmente se pareciam com os que tinham encontrado na cena do crime. Ela foi andando até o analisador, calmamente, até Minkis chamar sua atenção:

— Bella, e as evidências?

— Ah, é claro... — ela disse, um pouco envergonhada por ter esquecido. Ela foi até o canto de sala, onde havia uma cadeira com sua bolsa, e ficou de costas para procurar o saco de plástico com o fio de cabelo — Calma, está aqui em algum lugar... Achei!

Ela trouxe os fios de cabelo do pinguim em uma das nadadeiras e os que estavam no saco de plástico na outra. Eu virei o analisador para que ela pudesse colocar, cada fio separadamente no lugar correto e aguardei. Primeiro, ela colocou a evidência, e nós aguardamos. PRI. O barulho sinalizava que precisávamos colocar os outros fios.

Bella repetiu o processo e aguardou. Alguns segundos... Mais de um minuto... Aproximadamente dois. PRI. A máquina mostrava o resultado. Eu senti até um pouco de alegria, enquanto o suspeito parecia cada vez mais nervoso na cadeira onde ele se sentava.

— Isso está errado! Não fui eu! Eu não fiz nada! — o suspeito gritava após ver que o teste da máquina mostrava ser positivo — Eu não fiz nada! Por favor, acreditem em mim!

— Acalme-se, senhor — Marcus disse, se aproximando, mas recebeu um tapa do pinguim, que se afastava para a parede e continuava gritando.

— Fique onde você está! — Minkis exclamou — Você vai ter o direito de falar o que quiser... No interrogatório.