Minkis Mackenzie

Estava no Centro, juntamente com os outros investigadores, porém, apenas Juan e Marcus estavam ao meu lado. Estava acontecendo o evento do solstício de inverno, que estava sendo organizado por Greeny e outros pinguins. Estávamos tentando dar um copo de leite para um pinguim que estava no chão. O mesmo estava muito fraco, não queria pensar negativamente, mas ele não sobreviveria. Quando a sua nadadeira tocou no copo, o pinguim fechou os olhos. Acabei fechando meus olhos juntamente a ele, mas diferentemente do mesmo, em seguida abri. Não estava acreditando, eu havia presenciado uma morte. Saí de perto, não estava aguentando ficar ali, e acabei sendo acompanhada pelos dois garotos da investigação. Investigação que eu não sabia se tomaria algum rumo positivo, a ilha estava acabada, muitas mortes e provavelmente, não demoraria muito para algum de nós tomarmos o mesmo destino, e só de pensar isso, minhas penas arrepiavam.

Aproximei-me de Bella, que estava fora da multidão e tentei dar um sorriso para ela, mas acabei suspirando. Marcus andou um pouco mais rápido, juntamente a Juan para conseguir me alcançar, e assim que parou ao meu lado, disse:

— Está tudo acabado, muitos pinguins morreram, e provavelmente nossa hora está próxima.

Eu já havia pensado nisso, mas escutar isso de Marc deu um choque maior. Eu não estava preparada, eu esperava conseguir seguir uma carreira, eu esperava conseguir abrir uma escola que nem o Gary. A “Mackenzie’s School”. É, mas o sonho estava acabado, não seria possível realizá-lo estando morta.

Bella estava afetada, olhando para baixo, e enquanto olhava para ela, a garota levantou a cabeça, perguntando:

— Minkis, posso conversar com você em particular?

Estranhei a pergunta da menina, mas não questionei, apenas assenti com a cabeça, concordando.

A garota andava em direção ao canto do Café, perto de um banco. Eu apenas segui, parando em frente a menina. Bella parecia um pouco nervosa, mas não sabia como acalmar a mesma, suas nadadeiras tremiam, e eu jurava que não era de frio.

— A-ah, e-eh... Como eu vou te dizer isso?

A pinguim olhava para céu completamente avermelhado, poxa, eu estava curiosa! Entendo que não deve ser fácil para ela, mas a curiosidade estava tomando conta de mim.

A garota retornou o olhar para mim, e em seguida para o chão, como se não tivesse coragem de falar olhando para mim, nos meus olhos.

— Eu roubei os alimentos.

Fiquei um tempo parada, olhando para a pinguim de cabeça abaixada enquanto processava o que ela havia dito. Não era possível, não era! Fechei meus olhos, com raiva, tentando me acalmar, mas não era possível. Eu não acredito que aquela garota havia esperado vários pinguins morrerem para me avisar. Eu não acreditava que ela tinha roubado na verdade!

Abri meus olhos, olhando para ela, que nessa altura, já estava olhando para os meus olhos. Minha expressão deveria ser de ódio, já que era a coisa que eu mais sentia naquele momento. Na primeira vez durante todo esse período, eu consegui sentir algo com tanta clareza, nenhum sentimento lutava com esse para permanecer, apenas a raiva estava presente.

Mesmo amando a garota, eu não consegui segurar, levantei minha nadadeira, batendo-a no rosto da pinguim, que fechou os olhos. Eu tentava, mas não consegui segurar as lágrimas, eu estava tão decepcionada, mas ao mesmo tempo, eu me sentia arrependida por ter batido em Bella.

A garota, ainda de olhos fechados por conta do tapa, começou a chorar, repetindo a frase:

— Me perdoa, por favor! Perdoe-me!

Naquele momento, eu não conseguia pensar em nada claramente. Eu estava um turbilhão de sentimentos, eles passavam pela minha mente de uma maneira que nunca haviam passado, era inacreditável.

Ignorei a garota, andando até os outros dois pinguins que me olhavam com curiosidade, e assim que parei na frente de ambos, Juan me perguntou:

— O que foi?

No exato momento em que o pinguim terminou de falar, respondi, imediatamente:

— Descobri quem roubou os alimentos. E esse pinguim foi a Bella.

Os dois pinguins tiveram expressões idênticas a minha, todos estavam com raiva. Porém, imagino que era a única que estava com outros sentimentos presentes, além do ódio.

Eu, juntamente com os três pinguins, voltamos à trilha. A comida provavelmente estava lá, e nós iríamos recuperá-la.

A trilha foi silenciosa, igual a anterior, mas agora, era por um motivo diferente. Não era por conta da atenção, era por conta da raiva. Ninguém pensava em falar, todos estavam presos em seus pensamentos e não pensavam em abrir o bico tão cedo. Não entendíamos o motivo dela ter roubado a comida, esperava que ela fosse sincera em relação ao motivo. A raiva que sentia pela pinguim foi se passando aos poucos, e em certo momento, apenas estava decepcionada com ela, e até mesmo com pena. Afinal, os outros dois pinguins estavam sentindo ódio, não gostariam de ver o rosto da pinguim.

Estávamos no final da trilha, e isso era demonstrado pois as folhas de tomates e as migalhas estavam acabando. Um flashback acabou se passando na minha mente, do momento em que estávamos na ilha, e as migalhas estavam acabando, porém, dessa vez estávamos na correta.

Todos nós paramos quando encontramos o cofre, acabei olhando para Bella, que era a ultima da fila, sinalizando para ela abrir o objeto. A garota andou, até estar próxima, mas, a mesma parecia hesitante, e isso se confirmou quando a mesma se virou em nossa direção, dizendo:

— Eu sou o cavalo negro da fome.

Arregalei meus olhos, não! Não! Não era possível! Olhei para Juan, que estava com a mesma expressão, a chance disso tudo for um plano de Miranda aumentava cada vez mais, e eu quase estava sem dúvidas, aquilo sim foi causado pela entidade maligna.

Após ver as nossas reações, a policial médica se virou, abrindo o cofre. Estava aliviada, finalmente poderia distribuir a comida para todos aqueles pinguins! Porém, quando a porta do cofre se abriu completamente, apenas pude abrir meu bico, em espanto. Não havia nenhum resquício de alimento, nem ao menos uma folha ou uma migalha. A mais espantada entre nós naquele momento era Bella, que logo começou a dizer:

— Não fui eu, eu juro! Eu posso ter roubado a comida, mas eu não tirei ela daqui a nenhum momento! Dessa vez eu não fui a culpada.

Enquanto falava, as lágrimas desciam pelo seu rosto.

Desespero.

Era isso que a pinguim sentia naquele momento. Acabei indo em direção a garota, abraçando-a, na tentativa de acalmá-la. Imaginava o quão difícil foi assumir tudo isso, e a possibilidade de nós pensarmos que ela roubou tudo novamente era grande, então conseguia sentir o que ela sentia. Se a situação se fosse comigo, provavelmente sentiria o mesmo, e apenas de imaginar um momento como se fosse eu no lugar de Bella, meu coração se apertou, me fazendo apertar a menina em meus braços.

Separei o abraço, segurando as nadadeiras da garota e olhei para a mesma, dizendo:

— Fique calma, respire.

Bella obedeceu, respirando e expirando, se acalmando aos poucos e sorriu em minha direção, como se estivesse agradecendo.

Soltei as nadadeiras da pinguim, me virando em direção aos dois pinguins, que estavam nos olhando, falando para eles:

— Vamos procurar a comida antes da Bella se entregar, já que isso vai atrasar a investigação.

Os pinguins concordam, e nós quatros saímos da floresta, voltando a trilha inteira.

Acabo me separando de todos, indo em direção ao meu iglu, na tentativa de me tranquilizar. Andava com pressa até minha residência, já que entre a Floresta e a Estação de Esqui existia uma grande distância, e também porque mais do que tudo, eu necessitava descansar em meu sofá.

Felizmente meus passos não eram tão curtos, e acabei chegando em meu iglu rapidamente. Abri a porta, sendo recebida pelos meus puffles, Companheira e Brisa. Sorri, em direção aos dois animais, colocando comida nos seus respectivos potes.

Sentei no sofá, me acomodando. Comecei a pensar, e se eu perdesse meus puffles? Eu não saberia o que fazer, mas com essa grande fome e com essa muralha cercando a ilha inteira, além de muitos pinguins morrerem, muitos puffles também faleceram. Meus olhos se encheram de lágrimas, pensar naquela possibilidade era péssima, eu tinha que parar!

Meu principal objetivo naquele momento era me acalmar, eu precisava. Por isso, fui em direção ao meu banheiro, tomando um banho quente. Muitos recursos da ilha estavam acabando, por isso, não demorei, fechando o registro e me enrolando na toalha.

Fui até meu quarto, colocando roupas parecidas com as anteriores, apenas alguns detalhes eram alterados, como por exemplo, a cor do tênis, que dessa vez era vermelho, porém, do mesmo modelo. Quando voltei para a sala, olhei para o relógio que estava presente em uma das paredes, vi o horário, era de noite. Pensei um pouco e bom, não era nada mal dar uma volta na ilha e tentar esfriar a cabeça, era necessário.

Sai do meu iglu, iniciando a caminhada. Quando cheguei no Centro, olhei para a direita, onde se localizava os iglus e encontrei vários deles, a maioria estava com as luzes apagadas, mas um deles estava com as luzes acesas e com uma música tocando. Achei estranho, em meio a aquela situação, haviam pinguins comemorando? Por isso, peguei meu celular e chamei o grupo de investigadores, falando que encontrei um iglu estranho no Centro. Em poucos minutos, eles chegaram, e assim que Juan colocou seus olhos na residência, arregalou os olhos, dizendo:

— Aquele iglu é dos Hendersons! A família que financiou o portal do Dylan.

Quando Juan mencionou o nome da família, Bella franziu o cenho. Mas, poucos segundos depois, desfaz a expressão, olhando para nós, dizendo:

— Alguns servos da Miranda tomaram a identidade deles.

Com isso, resolvemos entrar no iglu, mas antes disso, passamos no quartel, pegando algumas armas da EPF caso fosse necessário. Era melhor estarmos preparados e armados, afinal, não conhecíamos esses servos.

Já equipados, nos aproximamos da residência e Marcus arromba a porta, nos dando a visão de dois pinguins na sala, um sentado no sofá e o outro próximo a um aparelho de som, que ao nos ver foi desligado.

Quando o pinguim que estava sentado no sofá avistou as armas em nossas nadadeiras, olhou para o que estava em pé e em seguida os dois tiraram armas das costas, como?

Resolvi esquecer minha pergunta idiota e focar na situação, qualquer deslize e eu poderia acabar com um tiro em alguma parte do meu corpo. Os servos de Miranda iniciaram a minibatalha, indo em nossa direção, porém, ainda não havia sido necessário usar as armas, por isso, Marcus deu um soco em um, e Bella, no outro.

Após serem atingidos, ambos se levantaram, com mais raiva ainda. Apontando suas armas em nossa direção, e sem hesitar, mirei a minha na cabeça de um, enquanto Juan fez o mesmo, só que no outro pinguim. Quando o pinguim que estava mirando, disparei atingindo sua cabeça. O pinguim tomou sua forma original, idêntica a de Owen, e desapareceu, indo para o chão. O outro servo olhou para mim, com ódio, e mirou sua arma em minha direção, mas antes que pudesse atirar, Juan disparou, atingindo o mesmo que fez o mesmo.

Respirei aliviada, eu praticamente vi a morte! Olhei para Juan, dando um sorriso, em forma de agradecimento, e o mesmo piscou para mim, dizendo um “de nada!”. Resolvemos avançar, tínhamos que vasculhar o iglu em busca dos alimentos, afinal, eles eram servos de Miranda. Entrei em um corredor que apenas tinha uma porta no final do mesmo, andei até o objeto de madeira colorida, e apreensiva, abri. Era um quarto todo decorado com a cor verde e alguns detalhes em azul. Entrei completamente no cômodo, abri o guarda roupas, gavetas de cômodas e criados-mudos, mas não havia nada. Até mesmo olhei embaixo da cama, mas não havia nada. Saí do local, fechando a porta, pronta para ir até outro lugar. Quando estava próxima de outro corredor, escutei alguém gritando um “achei!”, e esse alguém estava próximo de mim. Corri em reto, abrindo a porta, e encontrei Juan, com os alimentos roubados.

Fui a sua direção, tentando pegar uma das sacolas que tinham os alimentos. Mas foi em vão, estava muito pesado. Na tentativa de fazer os outros detetives nos encontrarem mais rapidamente, eu gritei:

Pode é No primeiro corredor, a única porta, vem!

Arrastava as sacolas para um canto, separando-as das outras. Em pouco tempo, os outros dois pinguins chegaram. Bella começou a nos ajudar, e Marcus pegou seu celular, ligando para a EPF.

Em poucos minutos, era possível escutar sirenes perto do iglu. Haviam muitos agentes naquele cômodo, carregando as sacolas para fora do iglu, colocando-as em carros. Sai do local, para facilitar o trabalho dos agentes e me senti no sofá do iglu, juntamente aos outros investigadores. Marcus ligou a televisão do iglu, que estava transmitindo o Club Penguin News, com Tia Arctic falando:

— Atenção! Atenção! Os alimentos foram recuperados, iremos distribuí-los para a população de manhã, porém, temos outro problema. A comida reserva apenas durará por um mês, será necessário a quebra da muralha de gelo para o crescimento de grãos. Gary começará seus projetos para uma máquina, então, fiquem tranquilos, tudo irá voltar ao normal em poucas semanas. O evento de distribuição será amanhã de manhã, boa noite, pinguins do Club Penguin.

A transmissão foi encerrada, e eu sorri. Era o meu momento de brilhar! Quando a comida terminou de ser levada aos carros, saímos do iglu e tomamos o caminho de nossos respectivos iglus. Quando abri a porta do local, respirei aliviada. Eu não iria morrer, meus puffles não iriam morrer, meus amigos não iriam morrer, minha família não iria morrer! Após dar carinho nos pelos azuis e vermelhos de Companheira e Brisa, fui até o meu quarto, deitei na minha cama, tendo, finalmente, a primeira noite tranquila desde o início da fome, que nesse exato momento, estava prestes a acabar.

***

Acordei totalmente animada, tomei banho rapidamente e me vesti apressadamente, saindo do meu iglu e indo até o Centro. Quando cheguei no local, me aproximei e vi a população pegar os alimentos, felizes, pois não morreriam de fome. Vi Greeny passar reto por nós, sem ao menos olhar em nossa em direção, e foi se juntar a multidão, que nessa altura, já estava comemorando.

Ao lado do palco, consegui avistar Gary, era o meu momento! Mesmo estando nervosa, eu precisava tentar! Respirei fundo e comecei a andar em sua direção, fazendo os meus ex-companheiros de investigação olharem confusos para mim. Quando estava próxima ao inventor, ele me olhou, confuso. Não perdi tempo, já iniciando a falar:

— E-eh, olá, Gary! Eu sou a Minkinha, uma das investigadores do caso dos alimentos roubados, e durante toda a investigação, eu acabei fazendo alguns projetos de bombas para quebrar a muralha de gelo.

O pinguim me olhou, curioso e disse:

— Que incrível! Posso ver os projetos?

Assenti, tirando um papel do bolso do meu casaco, mostrando para o pinguim mais velho os rascunhos de bombas e embaixo, os nomes dos materiais utilizados. Enquanto Gary lia e observava minhas palavras e desenhos, estava com um sorriso no rosto. Será que estava ali a minha chance de salvar a ilha de uma vez por todas da fome?

Após a leitura, o inventor falou para acompanhá-lo até seu ateliê, e antes de começar a segui-lo, acenei com a nadadeira para os outros pinguins, pedindo para nos acompanharmos.

Ao chegarmos, expliquei para os antigos detetives o meu projeto e como havia montado. Demorou muito tempo para conseguirmos montá-los, mas eu pensava que demoraria bem mais, como por exemplo, dias de trabalho, mas tudo se facilitou quando Gary disse que tinha os materiais. Foram horas suando, para conseguir completar o trabalho, mas tivemos o auxilio de Juan, Marcus e Bella. Por volta das quatro da tarde, estávamos com as bombas prontas, apenas era necessário distribui-las nos extremos da ilha. Por isso, chamamos carros da EPF para transporta-las com cuidado.

Instalamos o detonador das bombas na Praia, para conseguirmos ver a muralha. Estávamos aguardando a autorização dos agentes que estavam encarregados em colocar a bomba no sul para apertarmos o botão, e mais uma vez, os sentimentos estavam fazendo uma festa dentro de mim. Estava com medo dos meus projetos estarem errados e no final, a muralha não se quebrar. Eu me sentiria humilhada, já que a notícia corria a ilha inteira, sentia pressão vindo de todos os pinguins, mas em uma proporção menor.

Quando o rádio que estava na nadadeira de Marcus apitar, sinalizando que um agente estava tentando se comunicar, meu corpo gelou, e ao escutar as palavras “pode apertar”, me desesperei. Será que realmente daria certo? Eu teria que apertar o botão para saber. Fechei meus olhos e suspirei, abri meus olhos e com a nadadeira próxima ao detonar, pronta para apertá-lo, fui interrompida por uma nuvem verde apareceu na minha frente, me fazendo soltar um riso, era Greeny.

Quando a nuvem sumiu e o corpo do pinguim estava ali, na minha frente com um pequeno sorriso no rosto e sua varinha em uma das nadadeiras, não deixei de sorrir. O pinguim, assim que apareceu por completo, disse:

— Eu sempre acreditei que toda ciência necessita de um pouco de magia.

O garoto fez um movimento com a nadadeira, completando um feitiço e em seguida, pegou na minha nadadeira, pressionando-a contra o detonador. O botão emitiu um barulho parecido com “pri”, causando um sentimento de ansiedade dentro de mim. O muro se quebrou, me fazendo fechar os olhos. Muita água caia, molhando todos nós e os pinguins que estivam próximos aos limites da ilha. Aquele momento era incrível, eu havia conseguido! Nós havíamos conseguido.

Recebi um abraço coletivo de todos e acabei deixando algumas lágrimas caírem, mas não fazia a mínima diferença, eu já estava inteiramente molhada.

Era possível escutar os gritos dos pinguins em locais próximos como a Estação de Esqui e o Ancoradouro, todos estavam felizes, a vida na ilha iria voltar ao normal, ela iria prosseguir.

Todos saíram do abraço, e resolveram explorar a ilha, que dessa vez, estava livre da muralha e da fome. Os grãos poderiam crescer e não faltaria comida para ninguém. Não seria necessária mais nenhuma morte.

Na Praia, apenas eu, Bella e Greeny estávamos presentes. Estava olhando em direção ao mar, era tão bom não ver uma muralha ali! Conseguia ver alguns peixes, e não deixei de sorrir, estava tão feliz! Escutei uma pequena tosse, e me virei. Greeny estava me olhando, e disse:

— Bem, acho que está na hora dessa aí ir embora para bem longe!

A bruxa apontou com a cabeça para Bella, e a garota deu um sorriso desanimado. Suspirei, concordando.

Fomos até a Montanha em passos lentos. Queria recordar muitos momentos com aquela garota, ela era tão especial, eu amava Bella!

Quando dei o último passo, já no topo da Montanha, Greeny levantou sua varinha, fazendo alguns movimentos e em pouco tempo, um portal se abriu. Olhei em direção a garota, que me olhava triste. Aproximei-me da pinguim, colocando minhas nadadeiras em seus ombros. A menina colocou suas nadadeiras em minha cintura e a distância entre nós era mínima, e a outra pinguim acabou com ela de vez, juntamos nossos bicos. Estávamos nos beijando. Lembrei da cena da Floresta, em que havíamos nos beijado pela primeira vez. Foi naquele dia que eu finalmente percebi que realmente gostava dela.

Nos separamos, tirei as nadadeiras de seus ombros e aquele foi o último contato físico que tive com ela. Bella olhou para Greeny que estava sorrindo e então fez o mesmo que ele. Sorriu. Acabei sorrindo também, mesmo em um momento triste, nós três estávamos sorrindo. A menina olhou pela última vez para mim antes de entrar no portão que tinha um fundo verde com uma espiral branca. Vi metade do corpo da pinguim entrando e imediatamente fechei meus olhos, não conseguiria vê-la partir. Enquanto eu via o escuro, o portal se dissipava no ar. Eu não acreditava, mas antes de abrir meus olhos, consegui ver uma cena de Thay, deitada em uma maca de hospital com um vestido branco. A cor branca predominava naquela cena, até que a garota gritou, e o grito da mesma ecoava na minha mente, me fazendo abrir meus olhos imediatamente. Aquela cena era horrível.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!