Miranda: Starve
5 First Suspect
Juan Hussie
Agora que já tínhamos quatro suspeitos, já sabíamos por onde começar. No entanto, ainda eram pistas muito rasas e nada concreto, mas não custava tentar, pois precisávamos dar o primeiro passo.
Pedimos para que alguns agentes chamassem o primeiro da lista para, ao menos, ser interrogado. Enquanto esperávamos, ficamos conversando sobre o caso. Conversando um pouco com Bella, ela aparentava ser agradável e até um pouco insegura, mas inteligente.
Enquanto estávamos esperando, um agente veio nos notificar que uma equipe forense tinha se direcionado até o local onde a comida tinha sido roubada, para procurar qualquer tipo de evidência. Como a maioria dos outros grupos estava ocupada, nós éramos os primeiros da lista a ter contato caso eles encontrassem algo.
Depois de alguns minutos, a polícia chegou com o primeiro suspeito. Esperávamos conseguir algo. Ele era um pinguim com os cabelos platinados e parecia bem incomodado.
— Não precisa ficar nervoso, nós só vamos fazer algumas perguntas — Minkis falou, tentando acalmá-lo.
Ele foi levado até uma sala com uma escrivaninha e se sentou em uma cadeira. Eu fui encarregado de fazer as perguntas, e me sentei na cadeira do outro lado, olhando diretamente em seus olhos.
— Então, Nicolas Barnes — falei, chamando-o pelo nome — Como deve saber, alguns alimentos desapareceram recentemente do estoque do governo, às onze da manhã do dia anterior.
— Sim, eu soube. Mas eu não sei de nada, nem quem fez — ele foi cuspindo as palavras rapidamente, com certeza estava muito nervoso —, na verdade eu nem sei onde fica esse estoque.
— Fique calmo, por favor — eu disse, seriamente — Eu só queria ver se você observou algum comportamento estranho na ilha... Algum pinguim agindo de maneira estranha...
— Não, acho que não reparei em nada fora do normal...
— E onde você estava no horário do incidente? — perguntei olhando diretamente em seus olhos. O grupo estaria ouvindo a conversa e olhariam nas câmeras imediatamente para ver se o suspeito estava falando a verdade.
— Às onze...? É... Bom, eu estava... — Ele começou a pensar. Imaginei que ele estava tentando inventar alguma mentira — ...indo para o restaurante almoçar. Eu sempre almoçava por volta da uma hora, mas pela falta e comida eu resolvi ir mais cedo para ver como a situação estava lá.
— Qual restaurante?
— O Restaurante Mãe Natureza.
Imaginei que nesse exato momento, Marcus estaria observando todas as câmeras para ver se ele realmente estava lá. Fiz mais algumas perguntas, até mesmo sobre seu antigo crime. No entanto, não consegui nenhuma informação especial. Quando terminei de interrogá-lo, pedi para que ele continuasse na delegacia e fui encontrar meus amigos.
— Então? — perguntei quando vi eles.
— Ele está falando a verdade sobre onde estava. Olhe, aqui. Andando até o Restaurante Mãe Natureza — Marcus me mostrou.
Olhei o horário e a data, e tudo se confirmava. Parecia que ele não tinha feito nada, de fato.
— Então, podemos trazer o próximo suspeito? — Bella perguntou.
— É, melhor sim. Não temos tempo a perder — respondi.
Quando íamos informar a polícia para procurar o próximo suspeito, um agente chegou.
— Olá, agentes. Então, algumas pistas foram encontradas no estoque. A equipe forense solicita seu comparecimento para analisá-las e seguir com a investigação.
Ouvindo aquilo, nos preparamos em menos de cinco minutos para sair. Quando tudo estava pronto, saímos do quartel e começamos a andar pela ilha até o local onde a equipe nos esperava.
Enquanto andávamos, vimos os supermercados com filas e vários pinguins com sacolas andando de um lado a outro. Tudo estava em movimento, e em uma correria. Eu ficava preocupado com o que poderia acontecer se as coisas continuassem daquele jeito por muito tempo. Mas não demorou muito até eu perceber que outros crimes terríveis poderiam ser acarretados.
Enquanto andávamos, eu vi um pinguim jogando as sacolas que carregava no chão e se pondo de joelhos.
— Por favor, não me mate! Leve o que quiser! — ele exclamava.
Era aquilo mesmo que eu estava vendo? Um assalto, assim, tão exposto? Vários cidadãos correram para os cantos assustados, ainda mais porque o assaltante tinha uma arma. Vi Minkis já pegando seu celular para discar para a polícia, mas eu observava a cena abismado.
Desde que Dylan tinha feito seu golpe, eu não aguentava mais... Ver brigas. Vários flashes se passaram por minha mente durante um segundo da batalha final na caverna. Eu não queria ver violência! Eu não queria ver o pinguim sendo assaltado, nem o assaltante atirando em ninguém. Mas o que eu poderia fazer? Se eu tentasse algo, acabaria sendo morto. Por sorte, a polícia chegou em alguns segundos. Realmente sorte, pois todos estavam muito ocupados, imaginei que pudesse demorar. Crimes assim poderiam estar acontecendo em vários locais.
O pinguim armado foi levado, e assim pudemos continuar nossa rota, mas aquilo não sairia de meus pensamentos tão rápido.
***
— Juan, você tá bem? — Marcus me perguntou assim que vimos o prédio onde a equipe forense nos esperaria — Você parece meio perturbado.
— Eu estou bem — respondi seriamente. O assalto ainda se repetia em minha mente, mas eu não podia desistir por uma coisa tão fútil. No final, nada de ruim tinha ocorrido.
Entramos no prédio e fomos direto ao elevador. Subimos até o terceiro andar e andamos pelo corredor até chegarmos na porta onde a equipe estaria.
— Vocês são a equipe da investigação? — um pinguim perguntou assim que abriu um pouco da porta para nós.
— Sim — Bella disse, levantando seu certificado para que o que tinha perguntado visse. Ele abriu a porta completamente e nós pudemos entrar. Os cinco pinguins pediram para que nos acomodássemos, então sentamos nas cadeiras.
— Então, o que encontraram? — Marcus foi o primeiro a perguntar.
— Primeiramente, tenho que admitir que esse é um dos crimes mais estranhos que eu já vi — um pinguim que parecia ser o líder da equipe falou — Não conseguimos encontrar quase nada. O criminoso deve ter disfarçado muito bem as evidências.
— E as câmeras? Vocês não encontraram nada observando nelas? — eu perguntei, quando percebi que o pinguim tinha ficado alguns segundos sem falar.
— Vejam por si próprios — ele respondeu.
Uma luz de um Datashow foi projetada em um quadro. Enquanto um pinguim fechava as cortinas, todos nós olhamos para lá. Em um minuto, o vídeo começou a ser mostrado.
O horário marcava 11:03, no dia do assalto. Toda a comida ainda estava lá, na enorme construção. Por alguns segundos, a câmera teve um tipo de interferência. A imagem travou e os pixels foram bagunçados. Depois, tudo voltou ao normal. Não exatamente ao normal. Era 11:05 e toda a comida tinha desaparecido.
Eu e meu grupo ficamos boquiabertos ao ver aquilo. Não fazia sentido nenhum. Como alguém conseguiria roubar toda aquela comida em dois minutos? Aquilo estava cada vez mais estranho. Me fazia pensar na...
— Como assim? Como o crime ocorreu? — Minkis perguntou, ansiosa.
— Nós não fazemos ideia. Acabei de enviar todas as fotos para seus contatos — o líder falou. Olhei em meu celular e percebi que tinha recebido várias fotos — Mas conseguimos uma pequena evidência. Esse fio de cabelo.
Ele levantou um saquinho com um fio de cabelo. Ele brilhava na luz e era bem claro. Era um fio loiro, levemente ondulado. Nossa primeira pista.
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