Thay Scott

Seria mais um dia tedioso se não fosse por Greeny. Ainda bem que ele conseguia se comunicar comigo, eu já não aguentava mais ficar sozinha! Eu tentava fazer amizades com os fantasmas, mas nem todos eram legais. Alguns faziam panelinhas e ficavam conversando entre si. Talvez eu parecesse estranha por ser novata nesse mundo de espíritos.

Greeny sempre ia à mansão, ficava em frente ao espelho e conversava comigo, já que era a única forma de poder me enxergar era dentro do espelho. Passei a ficar mais tempo naquela mansão, ficava explorando-a já que não tinha nada para fazer. Era um lugar muito grande, dava até um pouco de medo. Às vezes avistava alguns fantasmas por lá. Alguns do bem e outros não. Existem os fantasmas bons e os ruins, sim. Os bons não costumam fazer nada de errado, na maioria das vezes, eles só querem se divertir e tentar se comunicar com algum pinguim vivo. Já os maus, querem assustar e fazer coisas erradas. A aparência deles também é bem diferente.

Certo dia, conversávamos sobre a Grande Fome. Vários casos de falta de alimento estavam ocorrendo na ilha, sem contar o incêndio no jardim comunitário que Greeny criara com os pinguins.

— Eu queria poder ajudar de alguma maneira, porém, sou um fantasma! Não faço nada de útil. — eu disse e soltei um suspiro.

— Ei! Não diga isso, mana! — Greeny falou, enquanto tentava passar sua nadadeira em meu ombro, porém, bateu a mesma no espelho. — Ai!

— Cuidado! — Respondi dando um sorriso sem ânimo.

— Espera! Eu acho que sei como você pode ajudar! — O pinguim disse, parecendo ter se livrado da dor da nadadeira.

— Como? — perguntei.

— Você é um fantasma, então os pinguins não podem te ver, certo? Sem contar que você pode sobrevoar por toda a ilha. Você poderia investigar e ver onde estão os alimentos roubados!

— Boa ideia! Posso ir agora, já que não tenho nada para fazer aqui dentro... — eu disse e Greeny sorriu em ânimo. — Já volto! — Eu disse saindo do espelho.

Corri até a floresta, praia, até no esgoto eu fui! Porém, não achei nada. Não foi nada rápido, demorou bastante. E só pelo fato de eu ser um fantasma, não quer dizer que eu possa voar. Bem, eu ando treinando, mas não consigo ficar nem dez segundos pairando no ar.

Voltei para a mansão desanimada por não ter encontrado nada. Entrei no espelho e me sentei, assuntando Greeny, que provavelmente não esperava minha chegada repentina.

— Que susto... — sussurrou. — Bem, você achou alguma coisa? Alguma comida escondida? Um pedaço de pizza? — ele parecia bem animado fazendo as perguntas, porém, eu teria que desanimá-lo com minhas notícias.

— Não... Eu não achei nada. Nem um pedaço de peixe eu achei! — o sorriso que estava formado no rosto do pinguim logo se desmanchou. — Poxa, ou a comida literalmente acabou de alguma forma, ou alguém realmente escondeu tudo muito bem!

— E agora? O que podemos fazer? — ele disse se levantando, e andando em círculos, enquanto observava as pinturas do local. — Já sei!

— O que?

— Que tal irmos até a EPF, para ver o que descobriram até o momento? Nós podemos pegar mais informações e ir investigando. Quem sabe nós não conseguimos ver algo que eles não conseguiram, né?

— É uma boa! Porém, como que você vai me levar? Posso até tentar me comunicar com você, mas é mais fácil pelo espelho. E seria estranho você falar sozinho, certo?

— Verdade... Será que você consegue entrar em um espelho um pouco menor? Eu tenho um bem pequeno, até dá para disfarçar.

— Acho que consigo sim. Espero não entalar. — eu disse e nós rimos.

Greeny retirou um pequeno espelho de seu bolso. Era um daqueles espelhos pequenos, sabe?

Eu tentei entrar e, por sorte, consegui. Logo depois saí, pois queria acompanhar o trajeto. Nós fomos caminhando, até a EPF, que não era tão longe da mansão. Chegando lá, Greeny tomou muito cuidado para não ser visto por nenhum guarda. Ele entrou e, logo avistou um dos seguranças dormindo com seu chapéu cobrindo seu rosto. Pelo visto seria bem fácil de entrar.

Perto de uma sala, havia uma espécie de armário, onde tinham algumas roupas de agente. Greeny pegou uma calça, blusa, sapato e chapéu e entrou na sala para se vestir. Eu fiquei do lado de fora para avisar caso algum guarda chegasse.

Depois de alguns minutos, ele saiu da sala todo vestido.

— Lindíssimo amigo! — eu disse rindo.

— Essa roupa é muito estranha! — ele disse puxando o tecido para baixo. — Entre no espelho, querida. — Continuou, enquanto abria uma espécie de caixa.

— Sim senhor! — eu disse e entrei.

Logo depois, ele deixou o espelho no bolso da calça, caso ele precisasse, ele falaria comigo. Dava até para sair e ver alguma coisa, então comecei a vigiar.

Greeny entrou na passagem que dava acesso à sala de reuniões, onde havia alguns pinguins. Ele passou por todos e, aparentemente, ninguém desconfiou dele.

Ele sentou em uma das mesas e começou a mexer no computador, procurando o arquivo que continha vídeos das câmeras de segurança. Vendo os vídeos, percebemos que a forma de andar do ladrão era um tanto quanto estranha, e que nós a conhecíamos de algum lugar.

— Será que é quem pensamos? — Perguntei.

— Eu sempre desconfiei desse ser imundo. — Ele disse com raiva.

Nós desconfiávamos de alguém, mas não tínhamos provas e certeza para acusá-la.

Avisei para Greeny que iria novamente procurar mais alguma coisa, e ele disse que continuaria a procurar informações nos vídeos. Fui até a floresta para procurar Minkis, Juan e Marcus. Eu estava com saudade de poder conversar com eles. Chegando lá, os avistei. Eu fiquei muito feliz, mas eu não poderia falar nada ou chegar perto, eu poderia assustá-los e atrapalhar. Não consegui distinguir muito bem a roupa deles, já que minha visão é um pouco escura quando sobrevoo por essa “dimensão”. Não sabia quanto tempo fazia desde que tudo aconteceu e eu acabei morrendo, acredito que algumas semanas? De qualquer forma, estava com saudades, muito tempo se passou e eu ainda tinha dúvidas sobre o meu futuro.