Miranda: Midwinter
15 Wicked Secrets
Greeny Wicked
Era poucas horas depois do amanhecer, eu estava tomando café e comendo algumas panquecas que eu mesmo fiz. De repente comecei a ouvir sons, barulhos vindos do andar de baixo. Eu até usaria o elevador, mas ele estava quebrado devido ao confronto que tive com um dos encapuzados, por isso usei minha magia, e com um movimento delicado em minhas nadadeiras conjurei um teleporte que me levaria exatamente para onde os barulhos vinham.
Logo depois que a névoa verde da minha magia passou eu tive a visão de quem estava invadindo meu refúgio, era meus amigos, meus amigos que deixei na cripta antes de partir.
Eu estava surpreso, sim, mas não podia demonstrar isso então, logo que enxerguei seus rostos, eu apenas abri um sorriso perverso e desfiz os feitiços de proteção em cada alimento.
O olhar de cada um era diferente: Minkis parecia emocionada e feliz em me ver, ao contrário de Juan que parecia querer arrancar cada uma das minhas penas, Thay estava apenas chocada, eu não conseguia decifrar se estava feliz ou triste.
— Greeny! É bom te ver! — Disse Minkis correndo para as minhas nadadeiras. Abraçamo-nos e então logo nos separamos.
— É bom te ver também, mas o que estão fazendo aqui? Como chegaram aqui? — Perguntei.
— A história é longa. Agora eu que pergunto como você chegou aqui? Você não foi sequestrado? E como você apareceu do nada com uma fumaça estranha? — Interrogou Juan com as nadadeiras cruzadas.
— A história é longa. — Eu disse com um sorriso no bico.
— Como saíram do iglu imagino que já saibam que estamos em uma situação difícil e... — Disse eu, até ser interrompido:
— Eu tenho visões! — Disse Juan com os olhos fechados. Eu não entendi, e aparentemente não fui o único, olhei para Minkis e depois pra Thay que pareciam tão confusas quanto eu.
— O quê? — Dissemos em conjunto.
— Os sonhos que eu tenho são visões, eu queria contar pra vocês, mas eu não tinha certeza, parecia ser tudo uma coincidência no começo! Não me odeiem! — Continuou Juan, cuspindo as palavras e dizendo tudo muito rápido.
— Lembram de quando eu peguei uma caneta na dimensão das caixas? Sim, eu sabia que eu iria precisar dela, por isso eu a coloquei no bolso antes de tudo. — Disse ele.
Eu e Minkis olhamos pro rosto de Thay com raiva:
— Bata na sua cara antes que eu bata. — Dissemos em conjunto, depois começamos a rir.
Depois disso, Juan nos contou sobre um sonho, um sonho estranho que ele teve, não sabia ao certo se era uma visão, pois nem sempre seus sonhos realmente aconteceriam.
— Alguém tem mais alguma coisa pra expor? Se tem, esse é o momento. — Disse Minkis.
— Acho que Greeny tem. É hora de falar sobre aquela fumaça verde. — Respondeu Juan cerrando os olhos para mim.
Eu estava meio aflito, tinha medo deles acharem que eu tinha alguma ligação com os encapuzados e começassem a me atacar, então resolvi mudar o assunto.
— Vocês sabiam que o Club Penguin News tem um público de mais de 1,7 milhões de pinguins? — Eu disse.
— Chega de enrolação Greeny! Nós somos seus amigos! — Disse Minkis com raiva.
— Certo! Eu sou uma bruxa! — Eu gritei.
Todos ficaram chocados e confusos, provavelmente queriam me queimar em uma fogueira.
— Por que você não contou antes? — Disse Minkis.
— Você poderia ter destruído o encapuzado, você poderia ter nos protegido! — Disse Juan com muita raiva.
— Não é bem assim que funciona, eu sou só um, eles são milhares! — Eu disse desesperado.
— Espera. Existe mais de um encapuzado? — Disse Thay com um tom de voz bem diferente.
— Vocês não sabiam? Existem vários encapuzados, e eles não trabalham individualmente, existe alguém no epicentro desse terremoto. — Eu disse sentando em uma cadeira giratória.
Acessei o computador da Elite Penguin Force e mostrei algumas imagens que vi com ajuda das milhares câmeras espalhadas pela ilha.
— Eles não estão sozinhos... Eles obedecem á alguém! — Disse Minkis biqueaberta.
— Faz sentido, ninguém é capaz de sequestrar tantos pinguins em um evento... Havia mais pinguins de capuz naquela festa... — Continuou Juan.
— Então o que vamos fazer agora? Temos esse lugar para nos abrigar, mas não durará para sempre, o pó que eles usam consegue passar pelas minhas barreiras mágicas. Alguma hora irão notar que estamos aqui! — Eu disse, enquanto desligava o computador.
— Nós somos um alvo. Ontem um pinguim invadiu um iglu que nós estávamos e achou que tínhamos fugido. Inclusive esse pinguim já tinha entrado no iglu de férias antes, ele que entregou o pinheiro pra Lina e pra Thay. — Disse Juan.
— Falando sobre a Lina, nós encontramos uma miniatura de lula perto da cama dela e encontramos essa mesma lula com o pinguim que invadiu o nosso iglu. — Continuou Minkis enquanto Juan tirava a lula do seu bolso.
— Nós achamos que ela é suspeita, ela nem hesitou em abrir a porta naquele dia! — Disse Thay.
— Vocês acham que a Lina faz parte da organização? — Eu disse, com certo medo.
Eles concordaram e isso me desestabilizou por um momento, meu coração bateu mais forte, eu poderia estar nos colocando em perigo sem saber.
— Ela está aqui... — Eu disse bastante apreensivo.
— Lina está aqui? Como? — Perguntaram.
— Depois que eu saí da cripta eu me deparei com o encapuzado, ele tentou jogar uma esfera de pó mágico, mas eu usei minha magia e teletransportei aquilo nas minhas nadadeiras, ele tentou me atacar, mas antes eu consegui usar a esfera em mim mesmo e me enviei pra cá, quando eu cheguei aqui eu me protegi com os feitiços e essas plantas mágicas. Eu dormi perto da cascata e então de madrugada ouvi alguém dizer ‘socorro’, então corri pro andar de cima e vi Lina, ela estava trancada na cela com um capuz marrom rasgado, sem comida e sem água, eu precisava fazer algo, então a libertei e a protegi dentro da sala de comando. Nós passamos a dormir lá, até que vocês chegaram hoje. Eu não sabia que ela era suspeita, me desculpem! Ela ainda deve estar lá, nós precisamos subir e interroga-la antes que seja tarde. — Eu disse.
Então com a minha magia, eu nos teletransportei para a sala de comando, descemos os degraus e então chegamos na sala, eu olhei para cada lado e não enxerguei Lina, aparentemente o boato era verdadeiro, Lina realmente estava envolvida nessa bola de neve.
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