Miranda: Midwinter
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Greeny Wicked
— Quem diria que Cream Soda é uma substância tão mágica, isso soa poético. — Eu disse, enquanto procurava uma garrafa do líquido espumante na geladeira do iglu.
— Não encontrei mais nenhum fardo na despensa, ainda tem na geladeira? — Disse Juan saindo de dentro da sala onde estavam todos os alimentos.
— Ótimo, estamos sem Cream Soda, porque bebemos tanto refrigerante mesmo? — Disse Thay aborrecida revirando os olhos.
— Mas você tá brava? — Perguntei rindo.
— Não querido, eu não tô brava! — Respondeu Thay.
— Tadinha ela tá chateada! — Eu respondi desviando o olhar.
— Espera! Tem mais algum alimento na despensa? — Perguntou Minkis, ajeitando seu coque.
— Bom, se não tiver nada, nós vamos ter mais um problema. Na geladeira só tem uma caixa de leite que por sinal está estragada. — Eu disse, tentando encontrar alguma outra coisa dentro do refrigerador.
— Parece que o problema é real... A despensa está vazia! — Terminou Juan. O desespero começou a surgir, fazendo um caos tomar conta da nossa mente, só pensando no que poderia acontecer conosco nos próximos dias. Eu não queria morrer de fome.
— Parece que vamos fazer um tour pela ilha para encontrar alimentos, alguma sugestão? Meu iglu é no oeste e bem, isso é um pouco longe daqui. — Disse eu.
— O iglu das meninas que nós não salvamos... Era o último alimento, mas isso não significa que não possa ter alguma bebida! — Disse Minkis com as nadadeiras no queixo.
Depois disso, nós aproveitamos a luz do sol para irmos arrumar nossas malas, eu iria tentar levar poucas coisas, mas não podia me desfazer de todos os chapéus e ponchos que comprei com minhas moedas.
Peguei todos os meus chapéus, ponchos, calças quentinhas e luvas, guardei tudo em uma bolsa pequena e coloquei perto do sofá junto com a mala de todos.
Quando a noite começou a cair, todos sentamos em volta da mesa de jantar e começamos a bolar um plano para sair do iglu sem ser vistos.
— E se nós nos disfarçarmos de encapuzados? — Sugeriu Thay pegando uma toalha de mesa bem escura e uma tesoura prateada que se encontrava na gaveta de madeira.
Passamos alguns minutos cortando os tecidos e então nos preparamos para sair, a porta estava aberta, bem ela estava aberta desde a visita do encapuzado.
Pegamos nossas mochilas, cobrimos nossos rostos e conferimos a janela para ver se tinha alguém na vizinhança.
Quando Juan ia dar o primeiro passo para fora, Thay segurou sua nadadeira:
— Não. — Disse.
Ficamos sem entender, Thay nos puxou para trás e vimos o encapuzado entrar em um iglu próximo do nosso.
Minutos de tensão depois, ele saiu do iglu que entrou e jogou o pó mágico em si mesmo. Eu fui o primeiro a me levantar, corri na frente, conferi a vizinhança e chamei os outros, estava tudo limpo agora.
— Acho melhor partirmos de manhã, agora não é seguro, o encapuzado vai aproveitar a noite para caçar novas vítimas. — Disse Thay.
— Quando foi que você ficou tão inteligente? — Disse Minkis dando risada.
Todos riram, mas depois fomos nos preparar para dormir de novo, no clássico armário.
Estava bem apertado e um pouco abafado, eu não aguentava mais essa situação de medo, eu precisa fazer algo para mudar.
***
Quando o dia amanheceu eu fui o primeiro a sair do armário, não aguentava mais aquele calor.
Logo que saí, senti um choque térmico, o armário estava quente, mas o exterior dele não. Thay saiu logo atrás de mim, levemente preocupada.
— Vistam um casaco e coloquem os capuzes que fizemos ontem, nós vamos partir. Agora. — Disse Thay, pegando todas as capas pretas e luvas.
— Mas por quê? Que horas são? — Perguntou Juan coçando os olhos.
— Garota, você tá doida? — Perguntei.
— Eu não sei que horas são, mas é cedo e uma nevasca está se aproximando, levantem! — Continuou Thay vestindo o seu capuz e calçando uma bota para conseguir andar na neve.
Juan e Minkis saíram do armário, pareciam cansados, mas também assustados.
Calcei minha bota de neve, tirei meu chapéu e coloquei o capuz. Estávamos todos em silêncio, mas eu nunca ouvi tanto barulho em minha mente, eu estava perdido, com medo e em pânico.
Quando todos se terminaram de se vestir, Thay foi para a porta, ver se estava tudo limpo, e desta vez, estava.
Pegamos nossas malas e demos nosso primeiro passo para o exterior daquele iglu que tinha se tornado tão monótono e cinza. Ainda não tinha caído a ficha que estávamos vivendo em um regime baseado no terror.
Eu me senti em outro lugar, finalmente senti o vento fresco nas minhas penas, de certa forma foi bom, só que não nessas circunstâncias.
Pensamos em entrar no iglu das meninas, mas Thay disse que não havia mais alimentos lá, e sugeriu que entrássemos no iglu vizinho. Eu não sei como ela sabia disso, mas preferi não perguntar.
O iglu vizinho estava revirado como todos os outros, logo que entramos, notamos que o encapuzado havia passado há pouco tempo: tinha pó mágico no chão.
Minkis foi a última a entrar, por isso fechou a porta, se agachou e começou a examinar o pó.
— É o mesmo do nosso iglu, só que este está mais novo. — Disse ela enquanto tocava em cada grão do pó.
— Será que tem cream soda aqui? — Disse Juan que logo abriu a geladeira do iglu. O que foi um choque, a geladeira não estava abastecida, ela era apenas uma passagem secreta para um andar subterrâneo daquele iglu:
— Vocês tem que ver isso! — Disse Juan.
Todos correram para ver o que era e realmente, era uma porta para descer uma escadaria.
Minkis foi a primeira a descer, como não havia corrinadadeira, colocamos nossas nadadeiras na parede para não tropeçar. Eu tinha uma leve claustrofobia e aquele lugar parecia fechar mais a cada segundo.
A escadaria parecia infinita, parecia que estávamos indo para um calabouço, mas quando chegamos ao destino, definitivamente não era uma prisão e sim uma cripta, ou melhor, uma cripta camuflada.
Todos sentiram medo por ter um caixão bem no meio da sala, mas eu sabia que não era real.
— Isso é assustador...— Disse Thay, ajeitando seu cabelo.
— É falso. — Eu disse, empurrando o caixão do meio, sempre soube que as melhores bruxas camuflavam o que lhes era importante.
Debaixo do caixão, existia mais uma escada, só que mais breve, provavelmente com cinco degraus.
Logo que desci, vi várias estantes cheias de vidros de poções e ingredientes mágicos como escamas de dragão, asas de fada e até uma varinha, também havia livros e velas por todas as partes, sem esquecer-se do enorme caldeirão no meio da sala.
Saímos da cripta e quando chegamos à cozinha do iglu novamente, a nevasca havia começado, não podíamos trancar a porta e as janelas, pois se não o encapuzado saberia que estaríamos no iglu. Fechamos a porta da geladeira e descemos a escadaria, quando de repente, uma ideia surgiu em minha mente, com todos os ingredientes mágicos, nós poderíamos lançar um feitiço de proteção na cripta, para que o encapuzado não conseguisse invadir.
Rapidamente a minha ideia se espalhou no pequeno grupo, Minkis foi pegar um livro de feitiços para encontrar a receita, assim como Juan, Thay estava com um isqueiro ascendendo o fogo para esquentar o caldeirão.
Quando Minkis encontrou a receita, ela me passou o nome de cada ingrediente, e todos estavam nas prateleiras, alguns como semente de girassol, uma pétala de acônito, sal e uma tulipa lilás.
Depois de recolher tudo, eu despejei cada um individualmente enquanto mexia com uma grande colher.
Quando a poção estava pronta eu peguei o líquido e distribui em pequenos recipientes para cada um de nós para nos proteger individualmente e com tudo que restou no fundo eu coloquei dentro de um vaso com terra.
Quando todos estavam distraídos, eu usei minha própria magia e acelerei o crescimento da planta que iria nos proteger. Eu não queria que me vissem usando magia, era um segredo que eu não queria que soubessem. O que iriam pensar de mim? Enfim, eles não precisavam saber que eu era uma bruxa, pelo menos não por mim, talvez algum dia eles desconfiem, mas eu espero que não seja em uma situação tão complicada como a que estamos vivendo.
Depois que terminei, todos estávamos bem cansados, resolvemos dormir dentro da cripta, não era fisicamente confortável, mas eu me sentia mais protegido.
Fechei meus olhos e me senti um pouco melhor até ouvir algumas vozes de fundo, vozes desconhecidas:
— Quem são eles? Como entraram aqui?
Eu me levantei, olhei para os lados e me deparei com todos os meus amigos de pé bastante confusos. Seja lá o que estava conversando conosco, mas eu sentia que não era bom.
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