Mirai no Monogatari
19 Especial III – Aprendizado.
Notas iniciais

Especial III – Aprendizado.
– Ver alguém cantarolando enquanto varre um chão é revigorante – comentou Tsunade tomando seu café da manhã.
– Oh me perdoe Tsunade-sama, eu estou incomodando? – perguntou Mika que estava surpresa.
– Não não, pode continuar – respondeu a Hokage rindo – mas qual é o motivo de toda essa animação?
– Hoje é dia de aula com o Shino-san – respondeu ela sem parar o trabalho.
– Entendo, então nesse caso não precisa ficar até tarde, pode comer e depois ir pra casa – sugeriu Tsunade.
Mika agradeceu e depois de terminar de varrer a casa foi comer, assim que ela terminou despediu-se da Hokage e saiu correndo para sua casa, a Hokage divertia-se com isso enquanto revisava alguns documentos.
– Tsunade-sama, por que a Mika-san está tendo aulas com o Shino-kun? – perguntou Shizune curiosa.
– Parece que se conheceram durante o festival, e o Shino se ofereceu para ensina-la – respondeu a outra – eles não são adoráveis?
– Eu reparei que ela está mais atenta a detalhes, essas aulas são boas para ela então – respondeu Shizune.
Tsunade gostava da pessoa que arranjou para sua casa, ela era esforçada e gentil, não era maliciosa e nem precisava se preocupar com espionagem da parte dela, uma vez para testa-la Tsunade deixou documentos espalhados sobre a mesa, a garota nem sequer olhou para eles juntando todos e guardando dentro de uma gaveta, também fingiu estar numa reunião importante com Shizune e deixou a porta meio aberta, Mika pediu licença e fechou a porta ao passar, certamente ela só estava interessada em cumprir seu trabalho.
– Isso também é muito bom para o Shino, acho que ela pode ajuda-lo a se socializar mais – comentou Tsunade – os membros do clã Aburame são muito fechados, precisam passar mais tempo com pessoas comuns.
Tsunade realmente torcia por isso, após juntar suas coisas ela foi para o seu escritório no prédio Hokage, sabendo que as aulas deles eram só nos fins de semana Tsunade organizava uma agenda, fazia o possível para que Shino não recebesse nenhuma missão nesses dias, queria dar a eles o máximo de tempo possível.
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– Vamos logo Kenta! Você sempre se atrasa – reclamou Mika com os passos rápidos.
– Me da um tempo nee-chan, eu queria dormir – reclamou o menino bocejando.
Era apenas 8:00 da manhã e os dois já se dirigiam para o clã Aburame, desde o dia do festival a um mês Shino os ensinava durante os fins de semana, Mika sempre agradecia pela gentiliza de arranjar tempo para eles, embora Kenta fosse muito preguiçoso pela manhã.
As aulas consistiam do mesmo conteúdo ensinado aos alunos da academia, mas pulando tudo o que era desnecessário a eles para ganhar tempo, Shino se focava mais em ensinar a história de Konoha, os termos comuns ao mundo shinobi... todo o conhecimento que eles precisavam para se adaptar ao mundo dos ninjas.
Quando os dois chegaram às terras pertencentes ao clã Aburame pararam diante do portão, Mika olhou para uma árvore posicionada ao lado do portão onde havia uma espécie de guarita, o jounin Aburame escondido dentro dela ativou um mecanismo e o portão se abriu permitindo a passagem.
– Obrigado senhor – disse ela entrando.
O jounin nada respondeu, fora instruído para permitir a passagem desses dois e já tinha memorizado o chakra deles, mas ele achava estranho que esses dois aparecessem todo fim de semana, afinal as únicas visitas que recebiam eram pra tratar de negócios, e certamente civis eram mais raros ainda.
Mika sempre se impressionava com as terras do clã Aburame, era uma espécie de grande fazenda, tinha um pequeno lago ao fundo e um bosque interno, ao passar por uma área via os membros do clã cuidando da criação de abelhas, mesmo as crianças do clã controlavam as abelhas muito bem, o clã Aburame tirava sua renda extra da venda de mel e também de qualquer coisa que pudessem fazer com insetos, inclusive venenos exóticos.
– Sejam bem vindos – cumprimentou Shino na varanda de casa.
Shino apareceu assim que os dois se aproximaram da casa dele, o Aburame vestia um kimono casual que mais parecia um roupão todo verde, não estava usando nada que escondesse o rosto, mas usava seu tradicional óculo escuro.
– Bom dia Shino-sensei – cumprimentou Mika.
Ele ainda não se acostumara a isso, ser chamado de sensei significava uma interação mais direta com as pessoas, agradecendo por virem ele pegou o quadro negro e o pendurou na viga, as aulas eram dadas do lado de fora já que só tinha dois alunos, os dois sentaram-se em uma mesa de piquenique e depositaram o material de estudo sobre ela.
– Hoje eu vou ensinar sobre a hierarquia shinobi e as funções de cada classe – explicou Shino escrevendo no quadro – a base da hierarquia começa com os gennins, os gennins só possuem autoridade quando estão cumprindo missões, mesmo assim sua autoridade se limita aos civis.
– Isso significa que eu posso mandar na nee-chan? – perguntou Kenta empolgado.
– De forma alguma, como eu acabei de dizer sua autoridade é limitada – explicou Shino – por exemplo, quando Konoha foi atacada a 5 anos os gennins receberam autoridade para ajudar a evacuar os civis, em uma missão para caçar um criminoso o gennin pode pedir colaboração das autoridades.
Shino via que Kenta era igual ao Naruto em se tratando de aprendizado, por outro lado ele via Mika anotando tudo num caderno cuidadosamente, também soube que de vez em quando ela ia a biblioteca pegar algum livro especifico, isso mostrava o quanto ela estava empenhada em aprender.
– Os jounins representam a verdadeira força de uma vila, poucos chegam a esse nível – continuou Shino – eles assumem todos os papeis de liderança, treinam times de gennins e dominam os mais poderosos jutsus.
– Shino-sensei, qual é a sua posição? – perguntou Mika interessada.
– Sou um jounin, mas ainda novato – revelou ele – fui promovido a poucos meses.
– Her? Igual ao Sasuke-sensei? – perguntou Kenta.
– O Sasuke é um caso especial, ele não é um ninja oficial da vila ainda – respondeu Shino – mas se fosse ele seria um jounin de elite, uma classe especial com funções especificas.
– Eu já sabia que a Hokage-sama era a pessoa mais importante da vila – dizia Mika revisando o assunto – mas os jounins de elite são quase iguais...
– Para um jounin ser considerado de elite ele precisa cumprir muitas missões rank S – continuou Shino – ou ser promovido para um cargo de liderança, Nara Shikamaru que é da nossa turma foi promovido para líder da divisão de inteligência.
Shino via que Kenta estava entediado, como sempre aconteceu em todas as aulas durante este mês, Mika vendo que Kenta nem prestava mais atenção deu um tapa na cabeça dele despertando o menino para a realidade.
– Kenta-kun, se você não tirar boas notas no teste que fará não poderá se tornar gennin – avisou Shino – sabia que as provas chuunins já vão começar?
Shino explicou que logo após o festival de verão se iniciava a fase do exame chuunin, esse ano o exame chuunin seria realizado na vila da rocha e por isso Konoha já tratava de preparar seus candidatos, quando o exame fosse encerrado Kenta poderia se juntar a algum time que só teve um membro promovido.
– Então se eu tirar boas notas poderei me juntar a algum time? – perguntou o menino empolgado.
– Sim, mas apenas se um dos membros do time for aprovado, assim uma vaga se abre para você – explicou Shino – você tem mais um mês para provar que merece ser um gennin.
Empolgado o menino pediu um monte de lições para fazer em casa, Shino então passou a copiar questões básicas em algumas folhas para passar pro menino, enquanto Kenta se distraia por aí Mika sentava ao lado do Shino.
– Obrigado por ajudar meu irmão, o Sasuke-san só consegue ensina-lo a lutar – disse ela.
– Não precisa agradecer, além disso foi você quem me ensinou como manter a atenção de um aluno – respondeu ele.
O que Mika explicara é que crianças não gostam de fazer nada por obrigação, então é preciso fazer com que elas queiram aprender, e a melhor forma de fazer isso é fazendo com que as lições sejam um passo para o objetivo, Shino então elaborou as aulas de modo que ajudassem Kenta a se tornar gennin.
– Shino-sensei, será que eu poderia me tornar ninja também? – perguntou ela interessada.
– Eu acho impossível, se a rede circulatória de chakra não for desenvolvida na infância ela fica atrofiada – explicou ele de forma direta – as chances de uma pessoa adulta ativar essa rede é de...
Shino percebeu que dissera algo horrível, sua forma fria de analisar situações lhe impediu de perceber que tirou as esperanças dela, talvez uma outra forma de falar fosse mais apropriada, mas agora era tarde.
– É impossível não é? Eu acho que já sabia disso – ela deu um sorriso mas sem muita animação.
Mesmo um pouco decepcionada ela continuou assistindo a aula normalmente, Shino explicou o que eram as missões que os ninjas recebiam, suas classificações e como eram escolhidos para cumpri-las, a aula prosseguia até o meio-dia quando os dois precisavam partir, afinal as atividades internas do clã não são para ser vistas, agradecendo por mais uma aula Mika e Kenta voltaram para casa.
Shino que os tinha acompanhado até a saída acenava para a garota, ele ainda não entendia muito bem, mas sabia que gostava dela.
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A manhã de uma segunda-feira era agitada em Konoha, era o dia em que viajantes chegavam ou partiam, entregas eram feitas e tudo mais que era importante pra semana inteira.
A vila da folha tinha praticamente o mesmo tamanho da capital do país e a mesma importância, para alguns a vila ninja era até mais importante para o país do que a própria capital.
Mas nada disso importava muito para uma pessoa simples, Mika que sempre viveu em um vilarejo nas montanhas não ligava, mas ela achava incrível a quantidade de lojas que vendiam de tudo, em seu vilarejo ela nunca viu esses produtos e por isso tinha trabalho para compra-los, felizmente Shizune lhe passara uma lista detalhada e o local certo para comprar tudo.
– Vejamos... queijo kazuko, acho que é pra lá – dizia Mika olhando a lista – qual é a diferença do queijo normal?
– Queijo kazuko usa limão no lugar do sal – explicou alguém atrás dela.
Mika reconheceu a voz e se virou, ela viu Hinata atrás dela carregando uma cesta de compras, atrás dela um rapaz que ela ainda não conhecia mas que tinha os mesmos olhos.
– Fazendo compras para a Hokage-sama? – perguntou Hinata.
– Sim, Shizune-san fez essa lista e me disse onde comprar – respondeu Mika – mas é muito difícil identificar essas coisas.
Hinata pediu para ver a lista e olhou para a cesta que a garota carregava, alguns produtos estavam errados, Hinata gentilmente a indicou quais produtos eram os certos e a ajudou a comprar, Mika agradeceu pela ajuda e conversava com Hinata enquanto esperavam na fila do caixa, uma segunda-feira é sempre movimentada.
– Ah sim, desculpe não ter me apresentado – disse Mika para o Hyuuga ao lado de Hinata – meu nome é Mika, me mudei para Konoha recentemente.
– Bom dia, meu nome é Hyuuga Juh – apresentou-se o rapaz.
– Você também tem olhos perolados, é parente da Hinata-san?
– Bem, não deixa de ser meu parente – respondeu Hinata depois de rir levemente – todos do meu clã tem esses olhos, é hereditário.
Hinata deu uma pequena explicação do que era um clã de shinobis, quando ela falou do clã Uzumaki explicou para a garota como isso funcionava.
– O se pai ou os pais dele nasceram no clã Uzumaki, mas ele se afastou desse clã – explicou Hinata – o seu irmão Kenta herdou as qualidades do clã Uzumaki assim como o Naruto-kun, embora seu irmão pareça mais com um Uzumaki.
– Então um clã ninja é uma grande família de pessoas com habilidades iguais? – ela estava intrigada – é igual ao clã do Shino-san então, lá todo mundo é igual!
– O clã Aburame é um pouco diferente, mas você está certa – respondeu Hinata.
Enquanto conversavam Mika falou que estava tomando aulas com Shino, Hinata já sabia disso mas ouvia ela falar como se não soubesse de nada, a garota falava empolgada de como as aulas eram boas e como Shino ensinava bem, já do lado de fora da loja elas ainda andavam juntas, Hinata carregando uma pequena sacola de compras pessoais e Mika com duas sacolas das compras para Tsunade.
– Eu quero fazer uma torta para o Shino-san e dar a ele na próxima aula – comentava ela – poderia me dizer se ele prefere chocolate ou creme?
– Ah bem, o Shino-kun não gosta de doces, pra ser mais exato ele não come doces – respondeu Hinata.
– Não come doces? Que pena... – ela parecia chateada – então quem sabe uma torta de frango? Ou quem sabe cachorro-quente...
Hinata deu um suspiro e pediu ao seu acompanhante para pegar as bolsas com a Mika e levar para a Hokage, ele protestou dizendo que seu dever era protegê-la, mas Hinata insistiu com o pedido, derrotado ele pediu as bolsas para Mika que entregou sem entender o que estava acontecendo.
– Apenas precisamos de um tempo para conversar – explicou Hinata – e não é bom falar isso com alguém vigiando.
Hinata pediu para Mika acompanha-la e as duas foram para uma lojinha, sentaram em uma mesa num canto e Hinata pediu dois sorvetes para a moça que as atendeu, depois que os pedidos foram entregues Hinata decidiu explicar a situação para Mika.
– O Shino-kun assim como todos do clã dele tem uma dieta especial, eles não podem comer qualquer coisa – explicou Hinata – eles só comem o que é produzido no clã deles, mesmo quando estão em missão eles evitam comer qualquer coisa, na verdade quando a missão é demorada ele só come frutas e saladas.
– Ah não, eu não sabia... – disse Mika triste – se eu desse qualquer coisa ia constrangê-lo não é?
– Eu acredito que ele explicaria a situação, mas depois do trabalho que você teria talvez ele comesse só para não ofende-la – explicou Hinata – uma vez tivemos um jantar com um cliente em uma missão, ele comeu o que foi oferecido para evitar problemas, mas no dia seguinte ele passou mal.
Mika se sentiu mal por isso, ela não sabia nada sobre a pessoa que a ajudava tanto, por achar que ninjas são iguais a todos ela não se preocupava em perguntar nada disso, nem sabia se devia perguntar, Hinata percebendo isso decidiu esclarecer tudo a ela.
– Você parece se importar muito com o Shino-kun, isso é muito bom – dizia Hinata – mas se quiser se aproximar dele há coisas que você precisa saber, mas se souber não terá mais volta, o que você escolhe?
Mika parou para pensar, ainda que ela não soubesse gostava muito do Shino, então o que ela deveria escolher? Se recusar a ouvir algo desagradável significa que ela não se importa com ele?
– Eu quero saber, eu quero entender o Shino-san melhor – respondeu ela.
– Muito bem, eu te direi então – disse Hinata mais tranquila – você já viu o Shino-kun usando os insetos não viu?
– Sim, ele chama de kikaichuus não é? – respondeu ela.
– o Shino consegue usa-los por que esses insetos nascem e crescem dentro do corpo dele – explicou Hinata – para isso quando ele tinha 8 anos uma larva foi inserida dentro dele, a larva de uma rainha que produz outras larvas.
Mika não conseguia acreditar, imaginar uma larva sendo inserida num corpo era estranho demais, Hinata explicou que quando a larva é inserida libera veneno, a criança passa por muito sofrimento durante vários dias até se adaptar, enquanto cresce a larva da rainha cria um espaço especial no corpo dele para armazenar o enxame.
– Emoções fortes afetam a química do corpo, insetos são sensíveis a mudanças – continuou Hinata – por isso todos do clã Aburame precisam suprimir suas emoções, esse é o motivo deles serem tão frios e distantes.
– Eu acho que entendo... – disse Mika com um olhar triste.
– A maioria das pessoas não entendem os Aburame, acham que eles são pessoas nojentas com insetos vivendo neles – disse Hinata meio triste – eu confesso que mesmo convivendo com um por tantos anos não consigo lidar bem com eles, suas personalidades são complicadas.
Hinata tomara a iniciativa de avisa-la sobre isso, não gostaria que ela descobrisse algo desagradável e entendesse errado, pior ainda é que sua reação pudesse magoar Shino.
Com sua experiência Hinata via que essa jovem gostava do Shino, mas o sentimento ainda precisava amadurecer e se fortalecer, se ela pudesse gostar do seu amigo de forma natural e verdadeira faria um imenso bem ao Shino, então Hinata queria limitar sua interferência, mas se Mika viesse a magoa-lo seria obrigada a dar um jeito nela.
– O que... o que eu posso fazer pelo Shino-san? – perguntou Mika um pouco nervosa – tem algo que eu posso fazer por ele?
Hinata sorriu animada, Mika não parecia querer desistir dele por saber a verdade sobre os Aburame, então Hinata assumiu o compromisso de ajuda-la a entender melhor esses detalhes complicados, faria o possível para que eles pudessem se dar bem como uma vez Sakura a ajudou com o Naruto.
– Muito bem, eu vou te dar umas dicas – respondeu Hinata feliz.
Hinata conversou com Mika sobre os gostos pessoais do Shino e a instruiu sobre como agir com os Aburame, como funcionavam as regras deles e a maneira como eles pensavam, com tudo isso ela compreendia bem melhor o seu amigo, inclusive a reação dele ao dizer que ela não poderia ser ninja.
– Ele disse isso? – perguntou Hinata sem entender.
– Algo sobre a rede de chakra – disse a outra – eu não entendi direito.
Por mera curiosidade Hinata ativou o byakugan e olhou para Mika, do seu ponto de vista a rede de chakra não era nada atrofiada, apenas muito dormente, isso por si só já era uma surpresa, já que após os 15 anos as chances de ativar a rede de chakra começava a cair drasticamente.
– Você não me parece inapta para usar chakra, talvez não dê para seguir carreira ninja apenas – explicou Hinata – acho que você herdou um pouco da linhagem Uzumaki do seu pai afinal.
– Então eu posso usar chakra? – perguntou Mika um pouco mais animada.
– Você tem tempo durante a semana não tem? Então venha ao clã Hyuuga – disse Hinata entregando um cartão a ela – acho que podemos fazer algo por você.
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– Aquela garota virá hoje também? – perguntou o chefe da família.
– Sim, ela deve estar chegando – respondeu Shino.
Shino aguardava sentado na varanda de casa, mesmo que sua expressão não mudasse ele estava ansioso pela chegada deles, ensinar ao Kenta era um desafio intelectual e um treino para suas habilidades sociais, mas ensinar à Mika era um interesse pessoal e um desejo, algo que ele nunca experimentara antes.
– Você já é adulto agora, então não quero dizer-lhe o que fazer – começou o seu pai – mas você deveria afastar essa moça.
– Afastar... não é o que sempre fazemos? – disse Shino sem olhar para o pai.
– Pessoas de fora não entendem nossos modos, mesmo sua amiga Hyuuga – explicou o outro – isso também é para a proteção dela.
Shino não aceitava a ideia de gente de fora ou dentro, se todos faziam parte da mesma vila por que viviam separados? Ele entendia que o clã Hyuuga elitista e tão antigo se isolasse por tradição, mas por que os Aburame se isolavam? Apenas por que as pessoas sentiam nojo deles? Nesse caso receber de braços aberto alguém que os aceitava deveria ser o certo.
Shino viu Kenta e Mika chegando para a aula, a pontualidade deles era admirável, assim que se aproximaram cumprimentaram Shino e o pai dele, o chefa da família respondeu de volta educadamente e se retirou, quando ele se foi Shino notou que Mika trazia uma cesta de piquenique.
– Bom dia Shino-sensei, o que vamos aprender hoje? – perguntou Mika como se fosse criança.
– Her... bem, vou explicar sobre a função do chakra e como ele funciona no corpo – respondeu ele entregando algumas folhas.
As folhas continham diagramas e desenhos para ajudar com a aula, enquanto explicava a origem do chakra Shino notava que Kenta estava um pouco mais atento, aparentemente o assunto o interessava, em um certo momento ele falou sobre os bijuus que eram os únicos seres feitos inteiramente de chakra.
– Antigamente os bijuus eram selados em seres humanos para conter seu poder descomunal – explicou Shino – isso também servia para criar uma poderosa arma de guerra, afinal um ninja com tamanho chakra dentro de si era muito poderoso.
– O Sasuke-sensei me contou isso uma vez – disse Kenta – mas ele disse que Konoha não faz mais isso.
– Exatamente, graças ao Uzumaki Naruto jinchuurikis como você podem viver normalmente – respondeu Shino – os bijuus não são mais hostis a vida humana e os jinchuurikis não são mais armas de guerra.
– Por isso o Sasuke-san insiste que você compreenda sua posição – comentou Mika – você é o primeiro jinchuuriki a nascer depois da guerra, precisa dar o exemplo.
Shino surpreendeu-se pela forma como ela falava, o menino ria meio sem graça enquanto sua irmã lhe dizia isso, depois que a conversa sobre os bijuus acabou eles mudaram de assunto.
A aula continuou até o meio-dia como vinham fazendo, mas dessa vez os dois convidados não se levantaram para ir embora, em vez disso Mika pegou a cesta que trouxe e colocou sobre a mesa, ela foi tirando algumas coisas e dando ao seu irmão, Shino olhava aquilo e não entendia o que eles queriam.
– Junte-se a nós Shino-sensei – pediu Mika – eu fiz o seu favorito também.
Ele não imaginava como Mika poderia saber o seu prato favorito, mas quando viu os sanduiches naturais soube que ela acertara, além dos sanduiches Mika trazia suco natural e torradas com geleia.
– E se seus kikaichuus sentirem fome podem comer o meu irmãozinho! – disse Mika rindo – ele tem chakra de sobra pro clã inteiro.
– Hei!!! – protestou o menino.
Shino agradeceu muito pelo lanche e sentou-se ao lado dela, Mika colocava o lanche no prato e ofereceu a ele, após dar a primeira mordida no sanduiche Shino sentiu que foi a coisa mais saborosa que ele já havia provado.
– De agora em diante se você tiver uma missão demorada pode me procurar, eu posso lhe fazer lanches assim – disse ela amigavelmente – assim você não precisa comer nada estranho por aí.
– “Entendo, foi a Hinata” – pensou ele – obrigado Mika, deve ter dado muito trabalho preparar isso.
– Nem tanto, foi estranhamente divertido – respondeu ela – não sabia que preparar sanduiches naturais exigia mais esforço.
O lanche do Kenta era diferente mas eles comiam juntos, para Shino essa experiência era bem diferente, mesmo quando lanchava com seus companheiros de time não se sentia assim, era muito gratificante sentir isso.
Normalmente após a aula eles partiam, mas dessa vez parecia que nem ela e nem Shino queriam que isso acabasse, Kenta de barriga cheia deitou-se encostado a uma árvore e acabou pegando no sono, Mika conversava casualmente com Shino até que ela decidiu mostrar algo a ele.
– Eu pratiquei muito isso essa semana – disse ela indo até a varanda.
Ela chegou na viga que sustentava o telhado e colocou o pé nela, Shino viu espantado o chakra saindo pela sola do pé e com isso ela grudou na madeira, com um pouco de dificuldade ela colocou o outro pé do mesmo jeito.
Shino assistia Mika usando o chakra pra escalar a madeira, ela dava um passo de cada vez e parecia se concentrar bastante, além disso ela estava descalça para facilitar o contato, mesmo assim um passo de cada vez ela subia até chegar na metade da viga.
– “Ela aprendeu a usar o chakra? E em apenas uma semana?” – perguntou-se mentalmente – “mas ela já passou da idade de manifestar chakra, mesmo sendo habilidosa ela levaria meses pra chegar a isso!”
Mika usava os braços abertos para se equilibrar, e seu corpo estava agachado para não se curvar pra trás, ela sorria animada por mostrar sua habilidade ao Shino, mas em um determinado momento o chakra falhou.
Tudo aconteceu muito rápido, Mika estava caindo de costas após o chakra falhar, Shino num pulo se moveu na direção dela, mas seus insetos foram mais rápidos, saindo do seu corpo e voando na direção dela os insetos formaram um colchão e amorteceram sua queda.
– “Os kikaichuus se moveram sozinhos, não dei nenhum comando” – pensou ele enquanto ajudava Mika a ficar de pé – “eles só fariam isso para proteger a mim mesmo como seu hospedeiro”
Shino verificou se ela estava bem e depois pensou sobre isso, mesmo que ela tivesse caído direto no chão não teria se machucado, pensando dessa forma sua ação foi irracional, ou será que tentar protege-la fosse a ação mais natural possível?
– aiai, acho que preciso praticar mais – disse Mika rindo sem jeito – me desculpe por lhe assustar.
– Onde você aprendeu a fazer isso? – perguntou Shino.
– Bem, a Hinata-san disse que talvez eu pudesse despertar meu chakra – respondeu ela um pouco envergonhada – então eu passei a semana toda treinando com alguém que ela arranjou para mim.
Não foi tão simples como ela dizia, primeiro ela teve um encontro com Naruto que lhe transferiu chakra, com o manto de chakra sobre o corpo a rede de chakra dela foi desbloqueada à força, além disso ela se familiarizou com a sensação do chakra fluir.
Depois Hinata arranjou um jounin do clã Hyuuga para ensina-la o básico, durante a semana inteira ela praticou até a exaustão e somente ontem ela conseguiu ativar o jutsu de escalar superfícies.
– Entendo, então daqui pra frente podemos gastar uma ou duas horas praticando ninjutsu – sugeriu Shino.
– Podemos mesmo? Muito obrigado! – agradecia ela abraçando-o – eu não sabia como era incrível saber usar o chakra!
– Hei vocês dois, já estão de pegação? – perguntou Kenta com uma cara estranha e sonolenta.
Quando ouviram a voz do menino Shino e Mika se separaram constrangidos, a garota estava toda vermelha e Shino sem muita reação, pedindo desculpas pelo incomodo ela juntou suas coisas para ir embora, mas ainda teriam aulas no domingo, e ambos estavam ansiosos por isso.
Enquanto a garota e o menino partiam o pai do Shino observava tudo por uma janela, ele nunca pensou que alguém de fora do clã seria tão amável com um Aburame, por isso ele considerou aprender com a situação.
Com todas essas aulas Shino levou a sério a ideia de ser um professor, por isso no final do mês com o inicio do exame chuunin Shino apresentou-se na academia, ele inscreveu-se para um curso onde ele poderia se formar oficialmente como professor da academia, os anciões do clã Aburame estranhamente aprovaram seu pedido como uma espécie de experiência.
Um certo dia Mika o convidou para visita-la em casa, ela animada contou que um professor procurou por seu irmão, então o chamou para fazer uma prova e felizmente o menino havia tirado uma boa nota, para comemorar havia convidado o responsável por esse sucesso.
– Pode comer sem preocupação, é um bolo de carne de soja – explicou ela – também temos esses doces de pasta de feijão, você gosta não é?
Shino experimentou o bolo e sentiu que o gosto era muito parecido com carne real, ele aprovou o prato deixando Mika muito feliz, Kenta mostrava a prova para ele e a nota que tirou.
– Hun, você passou arrastado – comentou ele.
– Tava difícil! – respondeu o menino envergonhado – o que importa é que passei não é?
– Sim, você conseguiu – disse Shino pondo a mão na cabeça dele.
Claro que isso não significava sua admissão como gennin imediata, ele precisava esperar os resultados do exame chuunin, se algum time perdesse algum membro, ou se apenas um membro do time fosse aprovado ele poderia entrar na vaga aberta, Kenta torcia para que não pegasse a vaga de alguém morto, seria desagradável se juntar a um time assim.
Shino estava muito feliz com essa festa, mesmo que fosse para apenas eles três, algumas horas depois Kenta já estava dormindo no sofá, por isso os outros dois foram para o quintal, as estrelas no céu estavam bem brilhantes e a lua agradável, sentando-se ao lado dele Mika pôs sua cabeça em seu ombro, com muita timidez Shino pôs seu braço por cima do ombro dela, agora ele entendia como Hinata se sentia em publico com o Naruto.
– Obrigado por tudo, Mika-san – disse Shino com uma voz gentil e agradável.
Fim do Especial.
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