Mirai no Monogatari
84 Capítulo 70 – Levante-se e Siga em Frente.
Notas iniciais

Capítulo 70 – Levante-se e Siga em Frente.
— Esta é uma mensagem para todos no campo de batalha, incluindo os membros da juugetsu e os servos da Kuon – disse a voz da Ino ressoando em suas mentes – a usuária do rinengan conhecida como Kuon está morta, repetindo: a usuária do rinengan conhecida como Kuon está morta.
Imediatamente todos pararam de se mover, os ninjas da aliança esperaram instruções, foi lhes dito que a menos que fossem atacados eles deveriam recuar para a capital, dito isto todos começaram o processo de retirada.
Kurare e Shirare pareciam em estado de choque, eles haviam sentido que a presença dela desaparecera, mas a confirmação da morte foi terrível para eles, diante dos dois Tenma pegava Yarizui inconsciente no chão e a colocava em suas costas.
— Se ela está morta não tem porque continuar lutando – dizia ele dando as costas para os dois – e essa aqui subestimou os poderes do rinengan e estourou o limite num instante.
— Você acha que pode ir embora assim? – perguntou Shirare com uma voz assustadora.
— Você ainda quer lutar? Mesmo que mal se aguente em pé? – perguntou Tenma – se vocês fossem samurais essa era a hora de realizar o seppuku.
Era verdade que ambos falharam em proteger sua mestra, Tenma vendo que eles perderam a vontade de lutar apenas retirou-se, Shirare então caiu de joelhos no chão chorando, Kurare de pé ao seu lado segurava a katana quebrada durante a luta.
— Devemos mata-los, todos eles! – dizia Shirare batendo o punho no chão – vamos matar todos que rejeitaram Kuon-sama!!
— Kuon-sama queria ser aceita neste mundo, não destruí-lo – disse Kurare – não temos porque buscar vingança.
— Como pode agir assim? Tiraram nossa razão de viver! – disse ela – temos que vingar Kuon-sama mesmo custando nossas vidas!
— Ainda há algo que podemos fazer por ela – disse Kurare – pense bem no que ela realmente desejava, e também quem realmente lhe fazia feliz.
O próprio Kurare estava destruído por dentro, assim como sua parceira ele não tinha mais uma razão para existir, a única coisa que o motivava agora era o desejo de Kuon, ele tinha uma ideia do que ela realmente queria, por isso seguiria em frente com isso.
— Ao menos vamos matar esses desgraçados com olhos na testa – disse Shirare se levantando – Kuon-sama também desejava isso.
— Claro, não engoli a surra que levamos – respondeu Kurare – além disso aquela de antes profanou a forma da Kuon-sama, não vamos deixar isso barato.
Em vários lugares os ninjas se juntavam e se retiravam, as crianças na pousada também ouviram a noticia, todos ficaram arrasados com a morte de Kuon, na verdade eles eram os únicos sentindo a morte dela, já que os ninjas em volta deles comemoravam.
— O que aconteceu com o Boruto? – perguntou Basara preocupado.
— Eu vou tentar perguntar a minha mãe – disse Inojin se concentrando.
— Kuon-chan... – dizia Chochou chorando.
— Vamos para a capital, é mais fácil sabermos de tudo lá – sugeriu Sarada – se o Boruto estiver bem ele deve estar lá também.
Os gennins seguiram os ninjas mais velhos em direção a capital, no caminho eles lembravam-se da Kuon, o time 7 não era tão próximo dela, mas Basara e Sarada pareciam arrasados demais, eles a conheciam desde dias antes, andaram e comeram com ela, eram amigos de verdade dela.
Mas eles estavam mais preocupados mesmo era com Boruto, ele era a pessoa mais ligada a Kuon, era quem mais se importava com ela, e se ele estava próximo quando ela morreu significa que viu tudo, Boruto com certeza estaria sofrendo muito agora.
No lugar onde ocorreu a batalha, a colina mais alta do país agora tinha um buraco em uma de suas faces, ela poderia desmoronar a qualquer momento, mas isso não importava para os presentes, Hinata assistia com uma dor no peito o seu filho chorando, Boruto ajoelhado em frente a mancha negra onde o amaterasu queimou Kuon, ao lado dele Sasuke prestava seu respeito a ela.
— Não vejo os nossos inimigos em lugar nenhum – disse Juugo aproximando-se de Sasuke.
— Eu também pensei nisso, mas ainda dentro do susanoo eu olhei na direção daqueles dois – respondeu Sasuke – eu vi os dois serem consumidos pela explosão, o ataque do Hachibi conseguiu acabar com eles.
Boruto levantou-se e encarou Sasuke, ele bufava de raiva e seus olhos tremiam tamanha a fúria dele, com um único movimento ele saltou e socou a cara de Sasuke, o Uchiha tinha visto tudo mas intencionalmente se deixou acertar.
— Você a matou!! – gritou Boruto.
— Pare com isso Boruto! – pediu Hinata – o Sasuke-san, ele...
— Eu não a matei, ela morreria de qualquer jeito – explicou Sasuke – mas tendo aquele corpo ela estaria consciente enquanto derretia, você queria que ela tivesse uma morte lenta?
Boruto baixou a cabeça, ele queria salva-la, mas nada podia fazer, no final o Sasuke só abreviou o sofrimento dela, mesmo assim Boruto parecia querer descontar sua frustração nele, quando o menino ergueu o punho para atacar Sasuke ativou o sharingan, e com um genjutsu o fez dormir num instante.
— Perdoe o meu filho, ele...
— Ele está sofrendo e quer descontar em alguém, eu entendo isso – respondeu ele – você está bem agora?
— Posso ficar de pé já, mas acho que ainda vou precisar de um médico – respondeu ela.
— Ele vai dormir por 24 horas, então vamos para a capital – disse Sasuke – você pode se tratar lá.
Sasuke pôs Boruto no ombro e o carregou no caminho para descer a colina, Juugo continuava ajudando Hinata a se mover, algumas horas depois eles estavam entrando na capital quando encontraram Bee no caminho deles, o jinchuuriki ao ver Boruto nos ombros de Sasuke se curvou.
— Não precisa se preocupar, estamos todos bem – disse Sasuke – e seu ataque eliminou o líder da juugetsu, nos poupou muitos problemas.
Mas Bee ainda se sentia culpado, ele quase matou a família do Naruto, como ele não sabia do que aconteceu lá acreditava que Sasuke salvara a todos, e estes quando foram vistos pelos ninjas foram aplaudidos, para todos os presentes esta equipe lutara contra o líder da juugetsu e o derrotaram.
— Estamos sendo ovacionados por algo que não fizemos – dizia Hinata se sentindo humilhada – e por algo que não devia ter acontecido.
— Kuon não merecia a morte, mas a morte dela é a sua libertação – dizia Sasuke – mas precisamos trabalhar para que outras pessoas não sejam perseguidas no futuro.
Horas depois os gennins chegaram à capital, Sarada ao ver o pai foi correndo abraça-lo, Basara fez o mesmo com seu pai, os membros do time 7 foram descansar em uma barraca.
Enquanto todos se recuperavam Sasuke contava o que aconteceu para os gennins, falou sobre o nobre sacrifício da Kuon e de suas ultimas palavras, no final Sarada e Basara ficaram na mesma tenda que Boruto, os dois imaginando como ele reagiria ao acordar.
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— Ela está morta, e o mundo não parece melhor agora do que era antes – disse Naruto.
— Como pode dizer isso? Uma ameaça enorme sumiu de nossas cabeças – disse Kurotsuchi – sem falar que conseguimos nos livrar da juugetsu!
— Apenas o líder e sua parceira, ainda temos pelo menos mais 6 membros para eliminar – dizia Chojuro – mas eu acredito que sem o líder a organização vai perder seu proposito e virar apenas uma facção terrorista.
— Eu entendo o ponto onde quer chegar Hokage-dono – dizia Hanako – mas diante do rinengan não podemos vacilar ou hesitar.
— A vila da nuvem vai assumir a responsabilidade pelos danos que causamos – dizia Darui – mas se seu filho não tivesse interferido a situação teria se resolvido mais rápido.
— Ou a Kuon teria sido capturada pela juugetsu, não vamos procurar culpados agora – disse Naruto – assim como das outras vezes, a aliança shinobi se responsabilizará igualmente.
Naruto foi informado que os ninjas que estavam na missão retornaram, entre eles estavam sua esposa e filho, Naruto pediu desculpas mas precisava recebe-los após o trabalho duro que tiveram.
— Ah sim, o Bee disse que quer pedir desculpas pessoalmente – disse Darui antes do Naruto sair – você quer recebe-lo?
— Diga a ele que não tem o que se desculpar, eu não estou bravo e nem nada – respondeu Naruto – mas por causa do Boruto é melhor ele ficar longe por um tempo.
Naruto deixou a sala prometendo conversar com eles em breve, depois disso ele deixou o prédio e seguiu para a rua principal, ele e outros ninjas esperaram a comitiva atravessar o portão principal da vila, logo ele já avistava Sasuke a frente de todos, logo depois Hinata e seu filho sendo carregado numa maca.
— Eu o fiz dormir com um genjutsu, e estendi o efeito para ele não acordar durante a viagem – explicou Sasuke – ele deve acordar em algumas horas.
— Bom trabalho todos vocês, quem estiver ferido vá ao hospital – pediu Naruto – os outros podem descansar até amanhã, e vocês crianças, eu quero falar com todos vocês a noite.
Hinata passou por ele e só fez tocar seu ombro, ela também iria ao hospital para tratar seu organismo, mas ela pretendia ficar ao lado do filho o máximo possível, os outros gennins passaram por Naruto, todos de cabeça baixa.
Naruto tinha muitos problemas para lidar agora, ele precisava ler relatórios, conversar com os jounins, velar os ninjas mortos... como Hokage ele parecia ter os papeis como inimigos.
Assim ele fez algo que não gostava nem um pouco, Naruto criou 10 clones e botou cada um deles para fazer algo diferente, Naruto não se importava com a dor de cabeça que teria depois, ele só precisava estar com sua família agora, mas antes precisava conversar com Sasuke.
— Me conte tudo – pediu Naruto – sobre sua luta, e sobre a Kuon também.
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— Ele acordou! – disse Himawari satisfeita – mãe! Pai! Ele acordou!
Boruto estava completamente desnorteado, acordar de um genjutsu após dormir mais de um dia, a primeira coisa que ele reparou é que estava no seu quarto, em seguida viu que estava usando seu pijama, queria saber o que tinha acontecido.
E então tudo veio de uma vez, as lembranças de quando foi ao país dos rios, de ter encontrado Kuon e seus seguidores, de ter lutado para protegê-la, e de finalmente vê-la morrer consumida por chamas negras, ao recordar tudo as lagrimas praticamente explodiram de seus olhos.
Nesse momento Naruto e Hinata entraram no quarto com Himawari logo atrás, assim que entraram viram a expressão de dor do menino, era alguém que tinha perdido algo importante e machucado profundamente.
— Boruto meu filho, vai ficar tudo bem – dizia Hinata indo até ele – você está em casa agora e...
— Não vai ficar nada bem! Eu a deixei morrer! – gritou ele – ela contava comigo e a deixei morrer!
Hinata notou que Boruto parecia prestes a explodir emocionalmente, ela ia fazer algo mas Naruto a impediu, segurando-a levemente pelo ombro ele balançou a cabeça negando qualquer atitude.
— Fique a vontade por enquanto – disse Naruto para o filho – voltamos mais tarde.
Naruto removeu Himawari que saiu a contragosto junto com a mãe, após fechar a porta Naruto viu os olhares das duas encarando-o, ele precisava explicar a situação.
— Ele está furioso consigo mesmo e com o mundo todo, não adianta falar com ele agora – disse Naruto – deixe-o sofrer um pouco, deixe-o botar tudo pra fora, quando ele estiver melhor vai precisar de nós.
— Eu entendo, as vezes eu esqueço que ele é só uma criança – disse Hinata – você ouviu querida, vamos deixar o seu irmão a sós por enquanto.
Hinata sugeriu a filha que preparassem algo gostoso para o Boruto, as duas foram para a cozinha enquanto Naruto ia pra sala, ele olhava as fotos de família, a muito tempo que ele não tinha a chance de ser apenas o pai deles e marido de Hinata.
— Sabe, eu acho que o Boruto se apaixonou por ela – comentou Hinata trazendo um lanche para Naruto.
— Você acha? – perguntou Naruto quase rindo – bem, pelo que ouvir do outros... eu não sei, ele parecia mais trata-la como uma irmãzinha.
— Como você e a Sakura-san? – perguntou a outra – eu acho que ele realmente gostava dela.
— Pra mim era um sentimento menos complicado, a Kuon inocente era alguém que confiava nele, que dependia dele, que queria estar ao lado dele – explicava Naruto – o Boruto queria protege-la, queria ser importante para ela, porque aqui em Konoha ele é sempre o filho do Hokage.
O Naruto via isso constantemente, algumas pessoas tentavam se aproximar do Boruto por ele ser o filho do Hokage, outras se afastavam dele pela mesma razão, Boruto tinha poucos amigos de verdade, quase todos eles filhos dos amigos de seus pais.
Então para ele Kuon era uma amiga de verdade e alguém que ele podia cuidar e proteger, Boruto se sentia realizado tendo alguém que dependia dele, assim ele podia sair da sombra do pai por um momento, mas falhar em protegê-la deve ter sido o pior golpe de sua vida.
— O Boruto saiu do seu quarto – disse o Naruto que sentiu a presença dele se afastar.
— Para onde ele vai? – perguntou Hinata preocupada.
— Talvez andar sem rumo, é melhor deixa-lo em paz – disse Naruto – mas eu vou atrás dele por precaução.
Como havia dito ele passou a ir atrás de Boruto de longe, o seguiria por toda a vila mas o deixaria em paz enquanto não fizesse uma besteira, depois ele foi atrás do Boruto sentiu sua barriga revirar.
— EU VOU MATAR AQUELE IDIOTA DO Bee!! – gritou Kurama dentro dele.
— Oh? Já recuperou a consciência? – perguntou Naruto olhando pra barriga.
— Mas que merda, meu corpo finalmente tinha alcançando sua força, agora vou ter que começar tudo de novo! – reclamava o bijuu – vou levar pelo menos um mês só para alcançar forma física!
— Pare de reclamar, antes você ficava aí dentro quieto não era? – pedia Naruto – aguarde até eu reunir o chakra, vou tentar fazer isso rápido.
— Está tudo bem, eu vou acumular sozinho mesmo – disse o bijuu – até lá treine aquele pirralho corretamente.
— Hã? Treinar o Boruto? Por quê? – perguntou Naruto.
— Você não percebeu? O chakra dele mudou – disse o bijuu – eu percebi quando ele estourou uma cauda daquele monstro, com o poder que ele tinha não era possível fazer isso.
Naruto ficou surpreso com isso e ativou o seu poder para sentir o Boruto melhor, com a percepção do modo bijuu Naruto sentiu o chakra dentro do Boruto, era como se uma parte dele tivesse se transformado em algo novo, era um chakra que ele já sentira antes, de dentro dele mesmo quando ganhou os poderes do rikudou sennin.
— Eu explicarei isso melhor mais tarde, mas saiba que o Boruto desenvolveu o mesmo poder que Ashura tinha – disse o bijuu – o poder de ultrapassar qualquer limite.
Naruto sorriu orgulhoso, se Boruto conseguisse superar essa dor seria ainda mais forte, mesmo trilhando um caminho diferente o destino era o mesmo para eles.
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— Então ele morreu mesmo? – perguntou Mizore – espera, você também não deveria ter morrido?
Suugen não respondeu, ela apenas abriu o portal usando o cajado de jade, Mizore e Obujo a acompanharam pelo portal para retornarem para sua base em outra dimensão, após percorrer as passagens e corredores eles chegaram à sala do trono, onde os outros os aguardavam.
— Hã? Tá vivo mesmo! – disse Mizore rindo – você é duro de matar não é? Mas que tatuagens são essas?
Ela dizia isso vendo Sakamori sentado no trono, seu corpo estava coberto por selamentos, não dava pra sentir qualquer poder vindo dele, Suugen foi para o seu lado e deixou o cajado ao seu alcance.
— Nós dois sobrevivemos, mas o preço foi o sharingan da Suugen – explicou ele – ela utilizou o izanagi para reverter nossas mortes.
E assim ela perdeu a capacidade de abrir o olho em sua testa, Suugen ainda conseguia usar o chakra Yin do sharingan, mas não podia mais contar com ele pra lutar, mesmo assim ela considerava um preço pequeno demais para salvar seu líder.
— Não vejo o moleque que anda com o Gakou, e nem a safada do Tenma – dizia Obujo olhando em volta – eles morreram?
— O Hitoshi está na câmara de regeneração, ele sofreu queimaduras violentas – explicou Sakamori – aquele menino tinha uma força incrível, ele suportou tudo aquilo e ainda queria lutar.
— A Yarizui abusou demais do mangekyou, vai ficar uma semana de cama – disse Tenma – e ela não é nada minha além de parceira.
— Bom, isso não importa agora, o que importa é saber o que vai ser da juugetsu agora – disse Obujo – já tivemos algumas baixas, alguns membros estão incapacitados e nossos lideres incapazes de lutar.
— A juugetsu vai continuar, apenas vamos nos esconder nas sombras por um tempo – respondeu Sakamori – eu vou dar um jeito de tirar esse selamento, e também vou dar um jeito de recuperar tudo o que perdemos recentemente.
Embora ninguém tenha aberto a boca todos tinham opiniões, alguns não ligavam para o que aconteceriam, só queriam continuar com seus planos pessoais, outros achavam que a organização estava indo para o buraco, apenas Suugen continuava firme diante do desejo de servir Sakamori.
— Se vocês quiserem sair e continuar com suas vidas fiquem a vontade – sugeriu Sakamori – é até melhor que vocês circulem por aí, assim a aliança vai pensar que a juugetsu se dissolveu mesmo.
— Sei, você simplesmente nos deixaria ir embora assim? – perguntou Mizore.
— Obviamente, se vocês quiserem deixar a organização eu pegarei de volta os olhos em suas testas – respondeu ele – assim eu procuraria novos usuários, ainda que fosse difícil.
— Não queremos pessoas que nos seguem por medo ou obrigação, queremos pessoas dedicadas – completou Suugen – não tem sentido forçar alguém a nos servir, mas queremos lealdade em troca do que fizemos por vocês.
Os membros restantes pararam para pensar, Tenma logo respondeu que já tinha assumido o compromisso e por isso iria até o fim, Mizore era o tipo que queria causar um grande impacto no mundo ninja e por isso continuou com a juugetsu, Gakou era um crente que acreditava na vontade dos deuses, apenas Obujo permaneceu relutante, mas ele viu que era melhor ter a organização como escudo do que enfrentar Sunagakure sozinho.
— Eu suponho que esse silêncio seja um sinal de que continuarão conosco – disse Sakamori – amanhã Suugen os levará para onde quiserem, por hoje descansem aqui.
O grupo se dispersou cada um indo para seus aposentos, depois que eles se foram Sakamori desfez sua expressão séria mostrando dor, o selamento não bloqueava apenas o chakra, fazia com que ele sentisse o chakra queimar quando ele se acumulava demais.
— Aquela maldita! Precisamos desfazer esse selamento logo! – disse Suugen preocupada – talvez o Orochimaru saiba, eu vou trazê-lo aqui!
— Desista, mesmo que consiga arrasta-lo aqui seria perigoso – disse ele segurando a mão dela – ele pode fazer algo ainda pior do que um selamento, lembre-se que eu roubei este coração dele.
Ele continuou sentado no trono suportando a dor, Suugen ajoelhou-se do lado dele segurando sua mão, assim como Amagami suspeitava eles eram amantes, mas ela o via como um deus, alguém a quem ela serviria de corpo e alma, e nesse momento ela queria que toda a dor dele fosse para ela, ela estava acostumada à dor.
— Toda essa operação deu errado, não conseguimos capturar a menina do rinengan, sofremos danos e tecnicamente morremos – dizia ele quase rindo – expus meu rinengan, mas felizmente a aliança pensa que eu morri, senão seriamos ainda mais caçados.
— Eu não entendo, por que aquela menina foi abençoada com o rinengan? – perguntava-se Suugen – enquanto você teve que criar um que não pode ser usado livremente...
— É verdade que só posso usa-lo por um minuto a cada dia, mas dependendo de como se use ele funciona – respondeu ele – mas não se preocupe, eu vou descobrir como torna-lo permanente, e quando isso acontecer o nosso sonho estará a um passo de se realizar.
Sakamori passou a mão em sua testa, o selamento mais forte estava localizado ali, do seu ponto de vista era como se a menina soubesse o perigo que ele representava, então o lacrou para proteger o mundo, Sakamori não pôde deixar de achar isso irônico, um rinengan se opondo a outro.
— Nossos agentes devem ficar quietos por enquanto, vamos evitar qualquer ação que revele que ainda estou vivo – disse ele – mas nosso espião em Konoha, eu tenho um serviço para ele.
— E o que seria? – perguntou Suugen.
— Diga para nosso espião ficar de olho em Uzumaki Boruto e Uchiha Sarada, aqueles dois possuem um poder incompreensível – disse ele – eu quero estar a par de tudo sobre eles.
— O senhor acha que eles podem ser uteis? – perguntou ela.
— É apenas uma intuição, algo me diz que eles são a chave para tudo – respondeu ele se levantando – ou talvez um caminho para algo maior.
Ele foi dar um passo mas a dor na perna o fez cair, ele se agarrou instintivamente ao que estava mais próximo, o que nesse caso era o peito de Suugen, ela fez uma expressão de vergonha mas não parecia rejeitar isso.
— Ops, isso foi um acidente – disse ele – não que não seja agradável.
— Eu... não me importo – respondeu ela – talvez eu possa ajuda-lo a esquecer essa dor hoje.
Ela falava isso com uma expressão gentil e envergonhada, não era a primeira vez que eles faziam isso, mas ela só mostrava essa face para ele, aos outros era só indiferença, e aos inimigos puro ódio, só Sakamori conhecia o lado sedutor dela.
— Do jeito que você é quando perde o controle? Eu amanheceria mais dolorido – respondeu ele rindo – mas eu aceito o convite, no seu quarto ou no meu?
— Se desejar, podemos fazer isso aqui mesmo – disse ela abrindo seu kimono.
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Boruto caminhou pelas ruas de Konoha, ele não sabia o porquê de ter feito isso, mas ele simplesmente quis andar.
Fora os ninjas que patrulhavam não havia ninguém, e mesmo os ninjas patrulheiros não se aproximavam dele, simplesmente o observavam de longe como se soubessem que ele queria ficar sozinho, ainda assim algumas figuras o seguiam de uma distância segura.
— Aí está você – disse Sarada – eu estava preocupada.
— Passamos em sua casa, seus pais disseram que você tinha saído – disse Basara – então eu comecei a rastreá-lo.
— Intrometidos... – resmungou ele.
Eles passaram em frente ao ichiraku, a essa hora ele já estava fechado, mas para os três a visão de Kuon comendo ramen ainda estava fresca, Boruto sentou-se no banco vazio e olhou para aquele ao seu lado, ele logo lembrou de cada detalhe dela comendo feliz.
— A outra Kuon lembrava do ramen, mesmo que tivesse sido a negra que comeu – dizia Sarada.
— Eu queria traze-la aqui de novo... – Boruto bateu no balcão com raiva.
— Boruto, você não falhou em protegê-la, você o fez até o fim – continuou Sarada – ela que escolheu se sacrificar para lhe proteger.
— Por isso mesmo! Eu sou um fracassado que não consegue cuidar de si mesmo!! – gritou ele – ela precisou me proteger, sendo ela eu tenho certeza que teria se salvado!
— Então você está com raiva por ter sobrevivido e ela não? – perguntou Basara – mas se foi ela que escolheu, você não acha que isso a fez feliz?
Boruto lembrou dos últimos momentos dela, Kuon estava sorrindo o tempo todo, ela partiu desse mundo feliz por tê-lo protegido, ironicamente foi esse ato que mostrou o quanto ela era boa, que ela só precisava de uma chance.
Mas para ele não era fácil encarar essa realidade, ele queria poder cuidar dela, cumprir a promessa de que iria protegê-la, ao falhar nisso ele não se via nem como ninja e nem como homem.
— Eu vou pedir para meu pai me treinar, eu vou me tornar uma Hokage que não vai deixar isso acontecer de novo – dizia Sarada determinada – se alguém como a Kuon aparecer de novo eu vou protegê-la e não deixarei que nada lhe aconteça.
— Como se um Hokage pudesse fazer isso – desdenhou Boruto – quando eu mais precisei dele o meu pai me abandonou!
— O tio Naruto fez o que pôde, ele realmente estava preocupado com você a Kuon – respondeu Sarada – ele apenas tinha o dever de cuidar de todo mundo.
Ele achou essa conversa ridícula e saiu, Sarada e Basara iam atrás dele, mas logo Naruto os impediu, tocando em seus ombros ele os parou.
— Por enquanto ele não quer aceitar a situação – disse Naruto – podem deixar que eu cuido dele hoje.
— Tio Naruto, se eu fosse a Hokage, eu poderia ter feito algo pela Kuon? – perguntou Sarada duvidosa de si mesma.
— Não era algo que dependia só de uma pessoa, mas se algo igual acontecer no futuro você estará preparada – respondeu ele com um sorriso – porque aprendemos com nossos erros e evitamos comete-los novamente.
Sarada agradeceu por essas palavras, ela e Basara decidiram deixar com Naruto que logo foi atrás de Boruto, ele sempre o observava de longe, sentia o aperto no coração do menino.
Boruto acabou chegando à praça destruída, havia uma cerca isolando a área, ele a pulou e foi até o centro onde seu pai lutou contra Kuon, Boruto viu o que sobrou do banco de praça onde ele e Kuon descansaram, ele ainda lembrava da sensação dela dormindo tranquilamente com a cabeça em seu ombro, isso até ela despertar com o rinengan e lutar contra Naruto.
Boruto foi até uma pedra e sentou-se nela, ele olhava para a lua, era onde ele pretendia esconder Kuon até ela estar segura, ele começou a chorar quando imaginou ela a salva na lua, Naruto de longe achou que este era o momento de ajuda-lo.
— Como você se sente agora? – perguntou Naruto que vinha caminhando.
— Cai fora – foi tudo o que Boruto disse.
— Não dessa vez, já está bom de chorar sozinho – respondeu Naruto sentando-se na rocha em frente a ele – pode botar tudo pra fora agora.
— Por que você não a ajudou? – perguntou Boruto – você ajuda todo mundo, menos quem mais precisava!
— Existem coisas que eu posso e não posso fazer, para as coisas que eu não posso fazer eu conto com os outros – respondeu Naruto – eu queria ajuda-la, mas estava fora do meu alcance.
Boruto olhou para seu pai que permanecia sério, o olhar do menino cheio de lagrimas e raiva, era como se Boruto quisesse socar seu pai, mas o punho que tremia cedeu e o jovem desviou o olhar do seu pai.
— No fim foi eu que não pôde fazer nada por ela – dizia Boruto apertando o punho – quando ela mais precisou eu fui um completo inútil.
— Não foi isso o que o Sasuke e sua mãe disseram – disse Naruto – eles me contaram que você a protegeu até o fim, como um verdadeiro shinobi.
Naruto esticou o braço para por a mão na cabeça dele, Boruto apenas baixou a cabeça, ele se sentia ridículo sendo elogiado por seu pai, ele não conseguia perdoar a si mesmo por deixar Kuon na mão.
— Eu sei o que você está sentindo agora, quando meu sensei Jiraya morreu eu me senti da mesma forma – disse Naruto chamando a atenção dele – eu me senti um lixo, impotente e incapaz, eu me perguntava o que poderia ter feito por ele, e fiquei sofrendo até que o Iruka-sensei me ajudou a pensar nisso.
Boruto sempre ouviu falar do Ero-sennin Jiraya, Naruto falava dele como se fosse um avô, alguém que fosse da família, Boruto sempre via saudades no olhar do seu pai quando ele falava de como perdeu seu “avô” e mestre.
— Poucas vezes na vida eu me senti tão arrasado com isso, quando eu ouvi a noticia eu culpei a vovó Tsunade, briguei com ela, e ela aceitou cada palavra que joguei encima dela – confessava Naruto – eu saí pelas ruas assim como você fez, e me sentia vazio por dentro enquanto lembrava de cada bom momento ao lado do Ero-sennin.
— Como? Como você aguentou isso? – perguntou Boruto aflito.
— Eu tinha pessoas que se importavam comigo, o Iruka-sensei foi o primeiro a me ajudar – respondeu ele – todos se preocuparam comigo, exatamente como estamos preocupados com você.
Boruto limpou as lagrimas do rosto e segurava o choro, ele se sentia patético e envergonhado, principalmente por ser seu pai que estava ali dizendo essas palavras, foi quando ele percebeu que realmente seu pai estava lá, algo muito raro de acontecer.
— Lembre-se sempre desse sentimento, e jure a si mesmo que não vai deixar acontecer de novo – respondeu Naruto – lembre-se da Kuon-chan, dos bons momentos que passaram juntos, e finalmente prometa que vai ficar mais forte.
Boruto sentou-se ao seu lado, ele consolou o filho que raramente se deixava consolar, os dois ficaram ali conversando e Naruto se ofereceu para ajuda-lo, disse que se ele quisesse o ajudaria a ficar mais forte, foi quando um ANBU apareceu.
— Hokage-sama, há visitas esperando pelo senhor em sua casa – anunciou ele.
— Eu achei ter dito que não queria falar com ninguém hoje – disse Naruto.
— Eu acredito que este é o tipo de visita que não pode ser ignorada – disse ele meio temeroso.
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— p-po-por que está me olhando assim? – perguntou Hinata um pouco ansiosa.
— Desculpe a minha parceira, ela lutou com alguém que tinha a sua aparência – disse Kurare – a Shirare tem uma personalidade terrível, mas ela é bem centrada e responsável.
Kurare e Shirare estavam na sala de visitas da residência Uzumaki, após anunciarem suas identidades e suas intenções eles foram levados até lá, mesmo assim dois agentes da ANBU e dois Hyuuga estavam presentes na sala para vigia-los, Hinata como diplomata os recebera e logo notou o olhar hostil que Shirare dirigia a ela.
— Meu marido chegará logo, então por favor fiquem a vontade – pediu Hinata tentando ser cordial – mas não esperávamos que aparecessem.
— Foi algo que decidimos enquanto andávamos por aí – respondeu Kurare – temos que seguir a vontade de Kuon-sama da melhor forma possível.
— Era a vontade dela que viessem até aqui? – perguntou Hinata sem entender.
Nisso Naruto e Boruto entraram na sala, assim que eles entraram Naruto pediu para os outros saírem, os ANBU ficaram do lado de fora da porta, os Hyuuga deixaram a casa mas observavam tudo com atenção, já Boruto ao ver aqueles dois sentiu um novo aperto, esses dois pareciam amar Kuon com todo o coração deles.
— Desculpe, eu falhei em protege-la – disse ele curvando-se um pouco.
— Falhou mesmo, venha aqui para que eu possa lhe bater – pediu Shirare.
— Combinamos que iriamos nos comportar não foi? – disse o outro apertando a mão dela – falaremos disso depois garoto.
Naruto sentou-se ao lado de Hinata, Boruto foi para um canto da sala sentar numa cadeira, os outros dois permaneceram sentados no sofá enquanto Shirare tomava um pouco do chá oferecido.
— Eu não sei como começar isso, então eu tenho que perguntar – disse Naruto – o que são vocês dois?
— Quando Kuon-sama despertou naquele laboratório ela vagou sem rumo pelas redondezas – começou Kurare – então ela encontrou dois camponeses, estes aproximaram-se dela preocupados com o fato dela parecer perdida.
— Então Kuon-sama usou o Idenshi Taisha no Jutsu (Reconstrução genética) para nos conceder estes poderes – explicava Shirare – e usou o Reikibutsu no Jutsu (Receptáculo da Alma) para colocar sua vontade em nossos corpos.
— Espera, isso significa que ela transformou duas pessoas inocentes em seus servos? – perguntou Naruto surpreso – existe alguma forma de desfazer isso?
— Não sabemos e nem queremos, entenda que as pessoas que éramos antes não existem mais – respondeu Kurare – somos a vontade de Kuon usando-os como receptáculos, não temos ideia de quem eles eram antes, nem memorias ou sentimentos deles.
— Mas e se eles tiverem famílias? Com certeza há pessoas esperando pela volta deles! – disse Hinata sem entender.
— Se eles tinham famílias isso não significa nada para nós – disse Kurare – a única pessoa com significado para nós era Kuon-sama.
— E ela não está mais aqui, e vocês não querem voltar a ser como antes – dizia Naruto – então por que vieram aqui?
Era uma pergunta bem direta, se Kuon era a única razão da existência deles não havia motivo para terem ido a Konoha, eles não pareciam estar em busca de vingança, mas Naruto não conseguia entender a razão deles estarem ali.
— Kuon-sama tinha o desejo de ser aceita neste mundo, queremos realizar este desejo – explicou Kurare – mas sabemos que pela perspectiva de vocês éramos os vilões, sabemos que cometemos crimes imperdoáveis, por isso viemos nos submeter à justiça de vocês.
Kurare baixou a cabeça, e com a mão ele fez Shirare baixar também, eles realmente vieram para aceitar a punição pelas vidas que tiraram, isso incluía as pessoas que cruzaram o caminho deles, os ninjas do país dos rios, os ninjas de Suna e outros, eram crimes pesados demais.
— Vocês parecem dispostos a levar o castigo no lugar da Kuon, mas as vidas que tiraram jamais voltarão – explicou Naruto – o único jeito de pagarem por isso é continuar a viver e fazer de tudo para compensar seus erros.
Boruto ouvia essas palavras, ele sentia que também precisava compensar seus erros de outra forma, ele precisava ser capaz de fazer o que não conseguiu fazer, em seu coração ele precisava continuar em frente para que Kuon não chorasse por ele.
— Eu falarei com os outros kages e explicarei a situação de vocês – dizia Naruto – eu farei o possível para que eles permitam que vocês vivam e possam compensar seus erros.
— Eu sou grato, na verdade tínhamos planos de visitar todos os países desse continente – agradeceu Kurare – e isso seria difícil se estivéssemos sendo caçados.
— Visitar os países? Algum motivo para isso? – perguntou Hinata.
— Para fazer memorias deles, pretendemos levar o máximo possível de memorias quando nos encontrarmos com Kuon-sama – respondeu Shirare – experimentar coisas novas, viver novas experiências, assim quando retornamos a ela estaremos levando um presente.
A resposta deles pegou todos de surpresa, eles falavam como se quisessem viver o máximo possível para depois morrer, e então levar as memorias para Kuon, Shirare explicou que uma vez que eles morressem suas almas retornariam para sua criadora, mas não havia como saber o que aconteceria agora que ela estava morta também.
— Também temos outro objetivo, queremos encontrar aqueles que usam olhos nas testas – continuou Kurare – Kuon-sama os declarou como inimigos, e eles a encurralaram até o ponto final, jamais poderemos perdoar isso.
— Vamos caçar cada um deles até o ultimo – disse Shirare mostrando sua hostilidade.
— Eu também irei! Me levem com vocês! – pediu Boruto se levantando – eu não posso perdoar aqueles caras, eu vou ajudar vocês!
— Nem pense nisso mocinho! Você não sabe as consequências disso! – advertiu Hinata.
— Mas o papai saiu numa jornada com o Ero-sennin na minha idade! – justificou-se o jovem – e foi para lutar contra a akatsuki!
— Eram circunstancias bem diferentes, mais tarde eu explicarei tudo – disse Naruto – mas a questão aqui é que sua mãe está certa, nada de jornada em busca de vingança pra você.
— Mas...
— Garoto, você já fez mais pela Kuon-sama do que pode imaginar – disse Kurare – antes ela só tinha um objetivo em mente, mas você deu a ela possibilidades, e pessoas que se importavam com ela.
— Você pode não ter conseguido protege-la, mas parece que ela partiu desse mundo satisfeita – continuou Shirare – ambas as Kuon estavam felizes, então não temos arrependimentos de ter deixado-a com você.
Boruto sentiu-se leve pela primeira vez, aqueles que mais se importavam com Kuon o perdoavam por sua falha, e ainda disseram que ele fez muito por ela, com essas palavras Boruto se sentiu confiante de seguir em frente.
— Eu vou arranjar um lugar para vocês ficarem hoje, então descansem – pediu Naruto – vocês podem partir em sua jornada amanhã.
— Eu agradeço a oferta, conhecer Konoha melhor também vai ser bom – disse Kurare se levantando seguido de Shirare.
— Garoto, você pertence a Kuon-sama, então nem pense em se engraçar com outra garota – disse Shirare apontando o dedo para ele – e trate de morrer logo para se encontrar com ela!
— Nem fudendo! – gritou ele mostrando o dedo pra ela.
Hinata lhe deu um cascudo bem forte e o repreendeu pelas palavras, Naruto riu pedindo desculpas e pediu para alguém leva-los a uma pousada, depois que os dois se foram Boruto relaxou um pouco, e Naruto viu que ele tinha um olhar muito melhor.
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— Onde estamos? – perguntou a Kuon negra.
— Acredito que aqui é o lugar conhecido como paraíso – respondeu a Kuon branca olhando em volta.
— Não exatamente, mas está bem próximo do correto – respondeu uma terceira voz.
As duas olharam na direção da voz, sentado em uma pedra no meio de um lago, elas viram um homem muito idoso em vestes brancas, a Kuon branca logo reparou em seus olhos.
— Acredito que você seja o famoso rikudou sennin – disse ela.
— De fato eu era conhecido por esta alcunha – respondeu ele – mas o meu verdadeiro nome é Otsuki Hagoromo.
— Eu tenho muitas perguntas para você – disse a Kuon branca.
— E eu responderei tudo o que quiser saber – disse Hagoromo – e quanto a você minha jovem? Há algo que queira agora?
Ele olhava para a Kuon negra, ela parecia bem perdida e confusa, em seus últimos momentos ela dividiu a consciência com a outra Kuon, por isso parte do que ela sentiu veio da outra, mas agora ela estava a meio caminho do paraíso, isso a lembrava que ela morreu de verdade.
— O Boruto-kun... ele está bem? – perguntou a menina tímida.
— Não se preocupe com ele, seu sacrifício o salvou – respondeu o rikudou com um sorriso amigável – e até onde eu vi ele sente muito a sua falta.
Por um lado ela ficou feliz, quando ela viu aquela situação não pensou duas vezes, usou todo o sue poder para salva-lo, mas ela também estava triste, queria estar ao lado dele agora, e também não gostava de saber que ele poderia estar sofrendo com tudo isso.
— Eu gostaria de saber por que estou aqui – perguntou a Kuon branca – eu não deveria existir como entidade própria, eu sou só...
— Uma vontade materializada? Isso não é totalmente verdade – interferiu ele – é verdade que originalmente você era um fragmento da vontade da minha mãe, mas ao adquirir consciência própria, sentimentos e desejos você se tornou uma entidade viva, você desenvolveu sua própria alma.
— Eu tenho uma alma? Isso é verdade? – perguntou ela esperançosa.
— Sim, e isso significa que você um dia pode reviver também – disse ele satisfeito – você um dia renascerá como uma criança no mundo humano, sendo você mesma.
A noticia a deixou tão feliz que uma lagrima escorreu de seu olho, ela própria ficou surpresa com isso, ela estava demonstrando emoções que não conhecia antes, a Kuon negra a abraçou deixando a branca totalmente constrangida, mais uma emoção que ela desconhecia.
— É verdade, você ainda não tem uma identidade própria – disse o rikudou – para começar você precisa de um nome, que tal Aiko?
— Aiko? Esse nome tem algum significado? – perguntou ela.
— Seria o nome que eu daria a minha primeira filha, bom, isso foi antes de saber que seria um menino – respondeu ele – também significa “amor infantil”, esse nome não lhe agrada?
— Não tenho nenhum problema com ele – disse ela sorrindo – Aiko, então é assim que me chamarão agora?
— Não é maravilho Aiko-chan? – disse Kuon rindo.
— “Aiko-chan”? Me sinto ridícula sendo chamada assim – disse ela ficando vermelha – talvez Aiko nee-sama.
— hahahahah e quem disse que você é a mais velha? – perguntou a outra provocando – eu fui a primeira a acordar, lembra?
— Ora sua... que bom que podemos seguir caminhos diferentes agora – disse Aiko irritada.
— Mas eu gosto de ficar com você... – a outra batia a ponta dos dedos de cabeça baixa.
— Eu acho que posso deixar você me acompanhar por um tempo – disse a outra cruzando os braços e virando o rosto.
— Vocês terão uma longa jornada de aprendizado aqui – explicou o rikudou – e essa jornada é mais agradável acompanhada de uma pessoa querida.
— Eu quero aprender muito mais, quero me tornar uma pessoa completa – dizia Aiko empolgada – para que quando eu renascer possa aprender muito mais!
— Eu também quero renascer logo, para me encontrar com o Boruto-kun! – dizia Kuon empolgada.
— Boba, quando isso acontecer ele já estará velho – disse a outra – ou talvez nem esteja vivo como mortal.
— Não importa! Um dia me encontrarei com ele – disse Kuon sem se importar – mesmo que leve mil anos!
— O que? Não fique tão empolgada! Lembre-se que eu também o quero! – disse a outra.
— Não tem problema, eu fico com ele em uma vida e você fica com ele em outra – disse Kuon como se fosse simples.
Mesmo o rikudou não conseguiu segurar uma risada, essas duas já estavam discutindo por algo tão improvável e tão ilógico, mas era isso que fazia as pessoas fascinantes, ele nasceu humano mas seu poder fez com que ele transcendesse a humanidade, sua alma podia habitar o plano espiritual indefinidamente, isso lhe deu um grau de sabedoria divina, e mesmo assim ele se divertia em ver duas crianças tão jovens discutindo por algo tão bobo.
— Você possui o poder do rinengan, então um dia talvez possa se comunicar com ele – explicou o rikudou – então pensem bem no que dirão a ele, quanto a passarem uma vida com ele... você terão varias chances com o tempo.
As duas ficaram entusiasmadas com isso, mas havia muito o que aprender no mundo espiritual, Kuon ficou sabendo que sua família se encontrava lá, durante a guerra suas almas haviam sido tiradas do gedou mazou e usadas para fabricar zetsus, quando eliminados eles também foram libertados, ela ficou ansiosa para se encontrar com seus pais e seu irmão, e também para apresentar Aiko como um membro da família.
— Uma fração da sua vontade se tornou assim tão humana – dizia o rikudou vendo as duas meninas correndo pelo jardim – eu ainda sonho pelo dia em que nos reuniremos, minha querida mãe Kaguya.
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— Já está melhor agora? – perguntou Shikadai vendo Boruto chegando.
— Por causa de toda essa bagunça pegamos suspensão – disse Inojin – é bom que vocês nos compensem por isso.
— Valeu pela ajuda – disse Boruto virando a cara – e foi mal pelos problemas.
Todos se assustaram, ainda que ele estivesse emburrado estava pedindo desculpas, por um instante os seus amigos acharam que ele tava possuído ou fora substituído por um clone defeituoso.
— Não me olhem assim, foi a minha mãe que mandou agradecer pela ajuda – disse Boruto cruzando os braços – e também vocês se arriscaram muito e tal...
— Pois é, pegamos suspensão de um mês, e ainda vamos ter que pagar os danos que causamos – dizia Shikadai – parece que você vai passar um bom tempo nos agradecendo por isso.
Boruto engoliu em seco, eles destruíram a pousada onde Kuon estava, ainda que parte da culpa seja da juugetsu, provavelmente eles vão passar o resto da vida perdendo metade do seu pagamento para compensar esses danos.
— Eu sinto muito! Eu não consegui ajudar a Kuon-chan! – disse Chochou segurando a jaqueta de Boruto e chorando – ela era tão legal!!
— Idiota! Não tínhamos combinado de não tocar nesse nome! – disse Shikadai batendo na própria cara.
Sarada e Basara logo olharam para Boruto, o olhar dele mudou só por um segundo, mas depois ele permaneceu firme, os dois não entendiam como Boruto se recuperou tão rápido da morte de Kuon.
— Está tudo bem, eu já superei – respondeu ele – eu vou aproveitar essa suspensão pata treinar todos os dias com o meu pai, assim eu não vou deixar mais ninguém na mão.
Todos eles notaram que Boruto tinha um olhar determinado, esses dois dias após o retorno devem ter sido decisivos para Boruto, assim como foi para eles.
— Ah sim, eu soube que Shirare e Kurare estavam em Konoha – disse Basara – o que eles vieram fazer aqui?
— Vieram falar com o velho, eles queriam pedir desculpas pela confusão que fizeram – respondeu Boruto – e eles também vão atrás da juugetsu.
— A sua cara diz que você quer fazer o mesmo – disse Inojin.
— Pode apostar que sim, eu vou acabar com a juugetsu – respondeu ele – mas eu ainda não sou capaz disso, preciso ficar mais forte!
— Todos nós vamos fazer isso, eu também tenho contas a acertar com eles – disse Sarada – você não está sozinho nessa.
— Tudo isso é muito problemático, mas se não acabarmos com esses caras não vamos ter sossego – dizia Shikadai – eu acho que posso me esforçar só mais um pouco pra aprender um jutsu ou dois.
— Bem, talvez vocês não tenham que fazer nada, quando o meu treinamento acabar eu vou ser o mais forte da turma – disse Boruto altivo.
— Oh? O que lhe deu essa ideia? – perguntou Sarada com uma veia pulsando na testa.
— O velho falou que parece que tenho um poder especial – disse Boruto apontando pra si mesmo – então ele vai me treinar para usa-lo, não é demais?
— Lá vai ele ficando convencido de novo – disse Inojin – passamos uma semana aguentando o ego dele quando aprendeu o rasenga.
— Mas dessa vez é diferente, eu sinto isso – disse ele apertando o punho – eu sinto que algo já mudou.
Sarada podia confirmar isso com o sharingan, ela notou que a aura que Boruto emanava mudou um pouco, ela estava mais densa e a cor era diferente, uma mudança assim não acontecia sem motivo.
— Muito bem, se você vai ficar mais forte eu também vou e num instante! – disse ela – qualquer coisa que você pode fazer eu farei melhor!
— Hei, eu também estou aqui – dizia Basara – eu também vou ficar mais forte.
— Então é unanime, todos nós vamos ficar mais fortes – disse Shikadai – até você gorducha, trate de malhar um pouco.
— Hã? Eu não posso, eu tenho que crescer mais para usar a técnica suprema do clã Akimichi – dizia ela – eu vou descobrir como o papai faz pra ficar magro de repente, custe o que custar.
— hehehehe então vamos ver quem fica mais forte primeiro – desafiava Boruto – o prazo é até os próximos exames chuunin, eu não vou perder para nenhum de vocês!
— Baka Boruto! Eu é que vou ser Hokage primeiro!! – gritou Sarada.
— Pode ficar com aquele chapéu ridículo – disse ele correndo para o ichiraku.
Sobre um telhado um bunshin do Naruto observava, ele tinha parado no caminho quando viu os gennins se reunindo, se todos eles estavam tão determinados então ele faria tudo para ajuda-los, e vendo-os andando juntos fazia sentir que o futuro estava em boas mãos.
Continua.
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