Mirai no Monogatari

3 Capítulo 03 – Uchiha Sarada.


Notas iniciais
Desculpe por fazê-los esperar mais de 10 dias por uma atualização, além de uns probleminhas esse cap foi grande também. Então sem mais delongas vamos a One de Uchiha Sarada, espero que esteja do agrado de vocês!

Capítulo 03 – Uchiha Sarada.

– Muito bem alunos, a aula acabou, podem ir pra casa e divirtam-se com o final de semana – anunciou o professor ao olhar para o relógio – mas lembrem-se: as provas de fim de ano estão chegando!

Os alunos animados saíram eufóricos da sala quase atropelando o professor, era sexta-feira e finalmente teriam seus dias de folga, na semana seguinte na próxima sexta eles teriam a ultima prova do ano, a prova que decidiria se eles iriam para a próxima turma ou se continuariam por mais um ano naquela turma, por isso muitos deles estavam estressados.

– Ah! Finalmente essa aula acabou! – disse alguém nas cadeiras mais acima – o que vamos fazer agora a tarde?

Uchiha Sarada olhou para trás e viu um de seus colegas Boruto tentando arranjar companhia para brincadeiras, o menino não tinha nenhuma dificuldade em juntar uma turma para alguma travessura ou para brincadeiras.

– Não vai dar, a minha mãe me mata se eu não estudar esse fim de semana – argumentou um dos amigos.

– Eu vou sair com meu pai para visitar a capital – respondeu outro.

Boruto foi convidando todos os seus amigos da turma e a maioria tinha alguma desculpa, já desistindo ele olhou para Sarada que estava arrumando suas coisas dentro da mochila.

– Você quer... ah esquece – ele desistiu e foi embora.

Por um instante a garota quis que ele a convidasse para brincar, mas assim como Boruto previra a resposta que ela daria seria não, Sarada não conseguia se enturmar e raramente participava de alguma coisa, nem mesmo as outras garotas da turma se davam ao trabalho de chama-la para fazer algo, Sarada já estava acostumada e não se importava, ao menos não demonstrava se importar.

Após arrumar todas as suas coisas Sarada tomou o caminho para deixar a academia, do lado de fora vários pais e mães aguardavam seus filhos para leva-los pra casa, mas a menina não tinha ninguém para busca-la e nem precisava, aos 7 anos Sarada tinha uma maturidade muito superior à das outras crianças, sua casa também não era longe e por isso ela sempre voltava sozinha.

Ao chegar em casa ela olhou a entrada e não viu o calçado da sua mãe ou do seu pai concluindo que nenhum deles estava em casa, suspirando ela seguiu pela casa passando pela sala vazia em direção ao seu quarto, já estava acostumada a ausência do pai mas sua mãe de uns tempos pra cá também estava muito ausente, quando não estava no hospital da vila estava em alguma missão e quase sempre era alguma urgência médica.

Em seu quarto ela trocou de roupa e sentou-se na mesa de estudos pondo todos os seus livros e cadernos de anotações, tranquilamente começou a resolver todas as lições de casa que o professor passara, pelo menos isso a manteria ocupada até sua mãe voltar.

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– Já pode ir pra casa Sakura, a essa altura nada demais vai acontecer – avisou Tsunade.

– Então eu já estou indo – respondeu Sakura contendo a felicidade.

– E dê um olá por mim para a Sarada-chan – disse Tsunade com um sorriso alegre.

Sakura agradeceu e saiu correndo do hospital, Tsunade achou isso muito engraçado pois o maior amor da Sakura era o seu trabalho como líder da divisão iryounin, seu valor era reconhecido por todo o continente e um de seus deveres era desenvolver novos jutsus e treinar recrutas, quando não estava fazendo isso ela ajudava nos casos mais complicados do hospital.

Sakura correu o mais rápido possível para casa afim de encontrar sua filha, conhecendo-a tão bem sabia que ela estava em casa aguardando seu retorno, Sakura sentia-se mal por deixa-la sozinha mas ultimamente os problemas aumentaram e ela era muito requisitada, pra piorar o Sasuke que só era chamado pra cumprir missões rank S passava dias ou até semanas fora, Sakura sabia que a menina se sentia sozinha mesmo quando dizia que estava tudo bem.

Ao entrar em casa viu os calçados da filha na entrada, sorriu ao ver como ela gostava de deixar tudo organizado e por isso colocou os seus ao lado do dela, anunciou sua chegada a qual foi respondida pela menina.

– Seja bem vinda mãe – cumprimentou Sarada contendo a alegria.

– Olá minha filha, desculpe a demora – disse Sakura sentida por isso – aguarde só um pouquinho, eu já vou fazer o jantar.

Sarada foi para a sala ficar sentada lendo um livro enquanto sua mãe encaminhava o jantar, assim que ela pôs as panelas no fogo correu pro lado da filha sentando-se com ela.

– Como foi o seu dia? – perguntou Sakura.

– Foi normal, fizemos uma revisão para a prova final da semana que vem – respondeu Sarada – Bolt-kun mais uma vez aprontou durantes as aulas.

– Ele é igualzinho ao pai! – disse Sakura rindo – com o Naruto por perto nunca tínhamos uma aula decente!

– E o que o papai fazia? – perguntou a menina interessada.

– O Sasuke? Ele ficava quietinho no canto dele ignorando todo mundo – respondeu Sakura nostálgica.

A conversa continuou até que as duas sentiram cheiro de queimado, mesmo correndo para salvar a comida era tarde demais e mais uma janta arruinada, Sakura frustrada jogava a comida no lixo enquanto Sarada vinha com duas bandejas de comida congelada.

– Que pena que não da pra usar iryouninjutsus em comida não é? – perguntou Sarada com um tom irônico.

– Eu consigo fazer cirurgias delicadas em pacientes agonizantes mas não consigo cozinhar um simples ensopado... – Sakura se sentia arrasada – bem, sempre há o forno elétrico pra resolver isso.

Na cozinha as duas continuaram conversando enquanto esperavam a comida descongelar, foi quando Sakura lembrou de algo bem interessante.

– Ah sim, hoje a Hinata-san nos convidou para ir a sua casa amanhã – disse Sakura animada – o que acha de passarmos o dia de amanhã com o seu tio Naruto e a família dele?

– Bem, não tenho nenhum compromisso pra amanhã mesmo – disse Sarada fingindo desinteresse.

Sakura riu da forma como ela falou isso, é claro que ela queria muito ir mas não gostava de demonstrar, ela sempre erguia uma fachada durona ao seu redor para se proteger dos outros.

Após a comida descongelar as duas falavam sobre o seu dia enquanto comiam, Sakura adorava desabafar com a filha sobre o dia estressante que tinha, Sarada ouvia tudo atentamente e dava conselhos quase como se fosse uma adulta, Sakura se impressionava com isso e imaginava o tipo de ninja que ela seria quando se formasse na academia, ainda estava longe disso, mas ela estava no caminho certo.

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Sarada achava o clã Hyuuga muito tedioso e enfadonho, pelos seus modos tradicionalistas e conservadores eles pareciam ter parado no tempo.

Mas a casa do Naruto era uma outra história, ainda que seguisse um estilo tradicional na arquitetura seu interior era mais alegre e personalizado, se no jardim da frente havia um daqueles laguinhos com peixes no quintal havia uma piscina para divertimento com churrasqueira e tudo mais, era um verdadeiro lar para uma família.

Por isso ainda que não gostasse de admitir ela adorava quando seu tio Naruto a convidava, só era um incômodo ter que aturar o Boruto, pelo menos a pequena Himawari era uma boa amiga ainda que mais jovem.

– Bom dia Hinata – cumprimentou Sakura assim que a Hyuuga abriu a porta – ora, já estão na piscina?

– Bom dia Sakura-san, sejam bem vindas – cumprimentou Hinata de volta – o Naruto-kun já está com as crianças na piscina, e fez questão de me jogar nela também.

Sakura riu disso e pediu permissão para entrar, Sarada cumprimentou Hinata com toda formalidade que era esperada dessa menina e logo em seguida entrou também, mesmo de dentro da casa dava pra ouvir a algazarra nos fundos.

– Podem usar o quarto de hospedes para se trocarem – sugeriu Hinata – eu vou me trocar também, podem ficar a vontade.

Como Hinata pediu Sakura e Sarada foram para um dos quartos de hospedes e vestiram suas roupas de banho por baixo das roupas leves, logo em seguida foram se juntar aos outros no quintal para desfrutar da piscina que tinha uma parte mais funda e outra mais rasa para crianças.

– Sakura-chan! Sara-chan! – gritou Naruto balançando os braços.

– Aiai, chegou a birrenta – reclamou Boruto balançando a cabeça.

– Olha só, um sapo amarelo na piscina – disse Sarada com um olhar mortal.

– Sara onee-chan! – gritou Himawari que estava sobre os ombros do pai.

Sarada acenou para a menina sorrindo, era praticamente a única amiga que tinha, Boruto também era seu amigo apesar de todas as alfinetadas entre eles, logo Sakura foi falar com Naruto enquanto Sarada entrava na piscina, a parte rasa era ótima pra crianças e mesmo Himawari conseguia ficar de pé nesta parte com água até o peito, os outros ficavam com a água pela cintura.

– Bolt-kun, fique de olho na sua irmã – pediu Naruto – Hima-chan, cuidado para não escorregar.

– Eu estarei de olho nela tio Naruto – avisou Sarada.

Logo Hinata juntou-se a Naruto e Sakura na piscina, um kage bunshin do Naruto cuidava do churrasco que estava assando e as crianças faziam guerra arremessando água um no outro, estava sendo muito divertido para todos.

– Nossas crianças se dão tão bem não é? – comentou Hinata satisfeita.

– De um jeito ou de outro – disse Naruto sorrindo.

– Seria tão bom se tivéssemos esse tipo de amizade naquele tempo não é? – Sakura imaginava como seria se todos eles já fossem amigos antes.

– Podemos compensar o tempo perdido fazendo mais reuniões como essa – disse Naruto animado – e da próxima vez vou chamar a turma toda!

– Eu espero que o Sasuke-kun esteja aqui também – disse Sakura sentida.

– Nenhuma noticia do Sasuke-san ainda? – perguntou Hinata olhando pro seu marido.

– Aquele folgado, eu pedi a ele pra me mandar um relatório todo dia – reclamou Naruto de braços cruzados e irritado – mas já faz três dias que não manda nada.

– Não aconteceu nada com ele não é? – Sakura preocupou-se com a possibilidade.

– Relaxa Sakura-chan, se ele quase conseguiu me matar uma vez ninguém pode com ele – disse Naruto tentando mostrar confiança.

– Naruto-kun, acho que essa referência foi meio infeliz – uma gota escorreu pela testa de Hinata.

Sakura olhou para sua filha que estava do outro lado discutindo com Boruto, sabia que a menina dava o seu máximo para que seu pai pudesse se orgulhar dela, mesmo que tanto ela como Sasuke já tivessem dito que não era necessário provar nada a eles, ainda assim Sarada tentava ser uma filha exemplar e uma futura kunoichi perfeita.

Mais tarde após o almoço Sakura conversava com Hinata descontraidamente, Himawari tirava um cochilo e Boruto ainda se empanturrava de comida, já Sarada estava num canto descansando com um chapéu de praia na cabeça, Naruto vendo a menina sozinha foi até ela sentando-se ao seu lado embaixo da árvore que fazia sombra.

– Sabe, missões de rank S são as mais difíceis e importantes que um ninja pode cumprir – comentou Naruto – apenas o próprio kage ou os seus ninjas de elite são enviados para cumprir essas missões.

O conteúdo das missões era algo que Sarada só aprenderia no próximo ano, por isso ela não estava ciente da importância que uma missão de rank S tinha, Naruto já sabia disso e por esse motivo veio falar com ela.

– Nesse momento o Sasuke está servindo de escolta para o senhor feudal do nosso país – informou Naruto – proteger o daimyo é um das missões mais importantes que um ninja pode receber.

– Por que está me dizendo isso tio Naruto? – perguntou ela sem entender.

– Eu só quero que saiba que seu pai está fazendo algo que ninguém mais pode – explicou Naruto – e que esse é o único motivo para ele estar tão ausente.

Sarada entendia o quão importante era o trabalho do seu pai, mas ouvir essas palavras do Hokage fazia com que ela compreendesse a verdadeira importância de uma missão rank S, por isso Sarada ficou ainda mais determinada, quando o seu pai voltasse ela teria que ser uma ninja.

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A semana seguinte foi extremamente corrida para a maioria dos alunos da academia, muitos deles precisavam revisar assuntos básicos das matérias ensinadas, alguns deles já estavam sem esperança quanto a conseguirem passar na prova e outros sabiam que mesmo tirando nota máxima na prova não conseguiriam, estes últimos por sinal eram os que mais aprontavam nas aulas.

– her... o Boruto está estudando? – perguntou um dos garotos da lista negra.

– Que raro ver isso! – zombou outro.

No fundo da sala Boruto estava com a cara num livro tentando assimilar a matéria, mas pelo jeito que seus olhos giravam ele parecia já ter sido derrotado, mais ou menos no meio da sala Sarada olhou para trás e viu seu amigo gritando e jogando o livro pro alto, suspirando ela fechou seu livro e saiu da sala, não ia conseguir se concentrar ali.

Sarada foi para a biblioteca da academia onde poderia se concentrar melhor, chegando lá algumas mesas já estavam ocupadas por alunos que corriam risco de reprovação, ignorando a todos ela seguiu para uma mesa vazia num canto e sentou-se para estudar.

– Olha só pra ela, esnobando todo mundo – comentou uma garota irritada.

– Ela já está praticamente aprovada e mesmo assim fica estudando, ela está zombando de nós? – reclamou outra.

Elas falavam baixo mas Sarada conseguia ouvi-las, já estava acostumada a essa hostilidade por parte dos outros alunos mesmo que não soubesse o porque disso, ou talvez soubesse, sabia que seu pai já foi considerado um nukenin no passado e que o terrível Madara que quase destruiu o mundo era um Uchiha, tudo isso criou uma mácula sobre o nome Uchiha que jamais seria apagada, mesmo assim ela se esforçava para superar esse estigma cravado no seu nome.

– Olha só a orgulhosa Uchiha Sarada – dizia uma menina que se aproximava – tentando conseguir a melhor nota da turma?

– Bom dia pra você também senpai – respondeu Sarada sem desviar os olhos do livro.

A garota à frente dela não conseguiu passar de ano e por isso repetia estas aulas, graças a isso ela gostava de se impor sobre os novatos, tinha até algumas seguidoras como toda patricinha metida a besta, mas com Sarada ela não conseguia absolutamente nada.

– Já que você não tem problema em passar de ano viemos te convidar pra turma – continuou ela.

– Não vejo nenhum motivo pra me enturmar com vocês – respondeu Sarada – até por que isso acabaria fazendo minha nota cair.

– Você se acha melhor que os outros só por que tem pais famosos não é? – provocou a garota.

Sarada fechou o livro e se levantou para deixar a biblioteca, foi quando a garota segurou seu braço enquanto as outras duas barravam seu caminho, a jovem Uchiha encarou a outra quase como se quisesse mata-la.

– Whoa! Meu pai falou para nunca encarar um Uchiha! – disse a outra desviando o olhar – mas já que você não tem sharingan não tem problema não é?

– O que a faz pensar que não tenho? – disse Sarada irritada.

– Então me mostre o seu sharingan, eu nunca vi um – provocou ela – além de você só tem o seu papai não é?

– Então nunca vamos ver mesmo, ele nunca tá por perto! – zombou outra.

Sarada apertou o punho com força e estava prestes a socar a cara de todas elas, mas nesse momento o chuunin responsável pela biblioteca voltou do seu lanche e viu a bagunça que estava começando, irritado ele mandou todos saírem.

– Hei sara-chan, vamos lanchar alguma coisa? – perguntou Boruto que vinha em sua direção.

– Eu tenho outras coisas pra fazer – respondeu ela – além disso você não devia estar estudando? Se você reprovar vai ser uma vergonha pro Hokage.

– O meu pai disse que só preciso fazer o meu melhor! – respondeu ele virando a cara.

– Então boa sorte daqui a dois dias – disse ela indo embora.

Irritado Boruto foi embora deixando-a só, Sarada não queria nenhuma distração que lhe pudesse custar a nota perfeita e quem sabe pular um ano adiantando-se, se pudesse se formar antes de todo mundo ela estaria mais perto do seu sonho.

Então lembrando do que aconteceu hoje Sarada viu um caminho para se tornar gennin o mais rápido possível, e havia alguém que podia ajuda-la nisso.

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A primeira coisa que Sarada fez foi voltar pra casa e deixar seus materiais de estudo no seu quarto, após isso deixou um bilhete sobre a mesa avisando sua mãe que iria ficar fora até de noite, era um gesto meio inútil já que dificilmente sua mãe estaria em casa pela tarde.

Após isso Sarada seguiu para um dos bairros nobres de Konoha, lá procurou uma casa que seu pai a levara uma vez e quando finalmente achou soltou um sorriso discreto, na entrada havia alguns bonequinhos de cachorros pendurados.

Após bater na porta ela foi recebida por Shizune, Sarada a conhecia bem do hospital sendo a senpai da sua mãe, mas não era ela quem Sarada queria ver.

– Boa tarde Shizune-san, o seu marido está? – perguntou ela educadamente.

– Claro, pode entrar Sarada-chan – respondeu Shizune abrindo espaço – Kakashi! Alguém quer te ver!

Não demorou até Kakashi chegar com uma menina nos braços, a filha dele só tinha alguns meses de vida e por isso ele parecia mais cansado que o normal, ainda assim ao ver a menina ele sorriu e pediu para Shizune cuidar da pequena Rin por ele.

– Que raro você vir me visitar sozinha – comentou ele – espere, é a primeira vez que me visita sem a sua mãe ou seu pai.

– Desculpe incomoda-lo Kakashi-san, eu queria pedir sua ajuda – respondeu ela.

– Para uma menina de 8 anos você parece bem séria – comentou ele – muito bem, acho que você quer conversar em particular não é? Vamos para o quintal.

Shizune achou uma graça a forma como Sarada agia, parecia muito mais madura do que era, após chegarem ao quintal Kakashi sentou-se encostado numa árvore enquanto Sarada permanecia de pé.

– Eu quero que você me ensine a despertar o sharingan – disse ela sem rodeios.

– Hun... antes de responder ao seu pedido eu quero que responda a minha pergunta – determinou ele – o quanto você sabe sobre o sharingan?

– Não muita coisa, o meu pai só o mostrou pra mim uma vez – confessou ela – ele me disse que o sharingan permite ver os movimentos do adversário e entender melhor os ninjutsus e genjutsus.

– Muito bem, vejo que ele só lhe falou o básico – disse Kakashi – então com isso eu imagino que ele não queira que você desperte o sharingan.

– E por que ele não iria querer!? – perguntou Sarada – eu não mereço usar a linhagem do nosso clã!?

– Para despertar o sharingan você precisa perder algo importante – respondeu Kakashi – o seu pai quer lhe proteger, impedir que você sofra.

Sarada não conseguia entender o que Kakashi tentava lhe dizer, sabendo que ela era jovem demais para compreender o significado por trás do sharingan ele pacientemente começou a explicar de uma forma que ela entendesse.

– Quando o meu amigo Obito despertou o sharingan foi para me salvar da morte eminente – começou ele – quando o Sasuke despertou o sharingan foi para superar um adversário que ele não poderia derrotar normalmente.

– Então isso significa que...

– O sharingan irá despertar quando sua força não for o suficiente para proteger aquilo que lhe é importante – respondeu Kakashi – você não acha triste chegar a esse ponto?

– Mas o meu pai disse que o sharingan era o orgulho do clã Uchiha! – ela não conseguia entender tudo isso.

– E é mesmo, ninguém disse que o sharingan era vergonhoso – respondeu Kakashi calmamente – mas para chegar até ele você precisa encontrar uma muralha que não pode ultrapassar com sua própria força, só então você conseguirá a força para superar esse obstáculo.

Sarada se sentiu desolada, se para despertar o sharingan ela precisava encontrar um grande obstáculo como ela faria pra consegui-lo agora? Para ela uma derrota agora seria uma vergonha, por isso ela começou a pensar em outro jeito de superar seus limites, Kakashi ao vê-la se portando assim reconheceu nela todos os traços do pai.

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Os dois dias se passaram e para os alunos do 1º ano da academia era como estar no inferno, quando o professor passou as provas para os alunos parecia que tudo o que aprenderam durante o ano fugira de suas cabeças, em especial o Boruto que já suava frio vendo a folha sobre sua mesa.

Diferente de todos Sarada parecia pronta para devorar aquela prova, assim que o professor deu sinal de inicio ela começou a responder as questões velozmente, já estava na metade quando de repente sentiu tontura e febre ao ponto de sua visão embaçar.

– “O que está acontecendo comigo?” – perguntou-se nervosa – “eu não posso falhar agora, vamos lá!”

Se esforçando cada vez mais Sarada ia respondendo as questões, sua cabeça doía com o esforço e suas mãos tremiam, o seu corpo parecia queimar e mesmo assim ela dava tudo de si na ultima prova do ano, Boruto que estava sentado quase do lado olhou para ela e estranhou a aparência de sofrimento dela.

– Sensei, eu acho que a Sarada tá passando mal – disse ele erguendo o braço.

– Cuide da sua vida! – reclamou ela encarando-o friamente.

O professor foi até ela e viu os olhos vermelhos e a expressão de dor, tocando a testa dela logo sentiu a febre.

– Você está com febre Sarada, pare a prova e vá para a enfermaria – disse ele.

– Não! Eu estou quase terminando! – disse ela assustada – só faltam três questões!

– Você vai desmaiar antes disso, Bolt-kun, ajude a Sarada – disse ele – assim que a deixar lá volte pra terminar a prova, e não dê uma de espertinho!

Sarada levantou-se revoltada se esforçando apenas para ficar de pé, Boruto ia andando ao lado dela pelo corredor encarando-a como se esperasse que ela caísse a qualquer segundo, dava pra ver muita frustração no rosto dela.

– Você não tinha que se meter nisso! – reclamou ela.

– Fala sério, você parece um pimentão! – disse ele – você pode fazer a prova amanhã sabia?

– Você nunca leva nada a sério não é? Por isso que você vai reprovar! – disse ela – essa é minha grande chance, eu não posso falhar!

Quando chegaram na enfermaria a médica responsável surpreendeu-se de ver a filha da sua mentora Sakura, imediatamente a pôs sentada na maca para examina-la com um ninjutsu básico.

– Estranho, não tem nada de errado com seu corpo pelo que posso ver – disse ela sem entender – eu vou chamar sua mãe, talvez ela saiba...

– Não! Por favor não! – pediu a menina – eu ainda posso voltar pra fazer a prova!

– Do jeito que você está queimando? Nem pensar! – respondeu a médica – volte pra sala Bolt-kun, eu vou cuidar dela agora.

Boruto ainda hesitou mas seguiu a ordem da médica e voltou para a sala de aula, enquanto isso a médica usava um selo especial para mandar uma mensagem rápida pro hospital, 5 minutos depois Sakura apareceu na porta da enfermaria ofegante pela corrida que fez.

– O que aconteceu? Quais são os sintomas? – foi perguntando Sakura ao entrar.

– Uma febre horrível, tontura e tremedeira – informou a médica – se bem que melhorou um pouco desde que começou.

Sakura fez uma sequência de selos e ao encostar no peito da filha a luz verde brilhou, ao mesmo tempo em que Sakura procurava as causas da febre ela ia aliviando os sintomas trazendo um pouco de paz a Sarada, poucos minutos depois ela terminou o tratamento.

– Pelo que posso ver não tem nada de errado com seu corpo – informou ela – será que talvez seja efeito psicológico?

– Muitas crianças ficam estressadas com uma prova – comentou a médica – talvez ela tenha colocado muita pressão sobre si mesma?

Sarada não queria acreditar nisso, se ela tinha adoecido por estresse significava que era muito fraca, com vergonha de si mesma ela acompanhou sua mãe de volta para casa, na saída ela percebeu que todos os alunos já tinham terminado a prova e estavam liberados, muitos deles encontraram seus pais as saída.

– Olha só, é o Naruto – disse Sakura satisfeita – hei Naruto!

O Hokage viu sua amiga e a chamou, logo Sarada e Sakura foram até eles, a menina cabisbaixa chamou a atenção dele.

– A Sarada passou mal durante a prova e eu vim busca-la – explicou Sakura – por falar nisso eu queria pedir permissão para...

– Fique em casa o tempo que precisar, eu posso fazer a vovó Tsunade cobrir seus turnos – disse ele sorridente – o mais importante é a Sara-chan ficar boa logo.

Naruto passou a mão na cabeça da menina fazendo-a ficar um pouco vermelha, era uma sensação aconchegante que ele não sentia a muito tempo, depois de se despedir do Naruto as duas estavam saindo quando viram Boruto vir correndo, ao ver o pai ele pulou sobre ele quase derrubando-o no chão, nunca Sarada sentiu tanta inveja do amigo.

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Esse era o pior dia da vida dela, Sarada em seu quarto já de pijama sentia-se uma completa idiota por passar mal durante a maior prova da sua vida, mesmo que ela pudesse realizar a prova no dia seguinte ou mesmo na segunda-feira era ridículo adoecer por causa do estresse, isso alguma vez já tinha acontecido com seus pais? Que tipo de filha fraca eles geraram que não aguenta a pressão de um simples teste?

Sentindo-se uma completa derrotada Sarada deitou-se e cobriu-se totalmente, poucos minutos depois ela ouviu a porta do seu quarto abrir discretamente, ela suspirou e tirou a coberta de cima da cabeça.

– Eu já estou melhor mãe – disse ela sem ânimo.

– Que bom ouvir isso minha filha – respondeu Sasuke.

Quando Sarada ouviu aquela voz ela arregalou os olhos e quase saltou da cama, era seu pai quem chegara e olhava pra ela da porta, sem hesitar ou pensar nisso ela pulou da cama saltando sobre os braços dele, Sasuke conseguiu ver um sorriso que raramente via.

– Pai! Você voltou! – disse ela abraçando-o fortemente.

– Me desculpe, eu pretendia voltar ontem – disse ele acariciando o cabelo dela – mas aquele daimyo sem noção gosta de fazer turismo e eu tinha que ficar do lado dele.

– Tudo bem, o importante é que você voltou! – dizia ela sem ligar pra mais nada.

– Sua mãe me contou que você ficou doente – disse ele após fazê-la olhar pra ele.

Parte da alegria pelo reencontro se foi com isso, Sarada começou a imaginar o que ele estava pensando agora, claro que não diria na cara dela que estava envergonhado, mas certamente ao saber do fracasso da filha ele não estaria nada feliz.

– Eu sinto muito pai, eu juro que vou fazer melhor da próxima vez – disse ela um pouco aflita – eu não sei o que aconteceu comigo mas...

– Eu sinto muito, foi minha culpa você adoecer – disse Sasuke voltando a abraça-la – você chegou a esse ponto para chamar minha atenção!

Sarada não entendia por que seu pai se desculpava, ele se sentia culpado pelo fracasso dela? Tudo aquilo era novo para ela.

– Você estava se esforçando para me deixar orgulhoso não era? Para que quando eu voltasse você tivesse algo para ser elogiado – dizia ele – eu sei exatamente como você se sente, quando eu tinha a sua idade eu fazia a mesma coisa, dava o melhor de mim para ouvir um elogio do meu pai.

– Você... tentava fazer seu pai se orgulhar? – perguntou ela.

– E somente depois eu descobri como meu pai se sentia sobre mim – continuou ele – por isso vou dizer o que sinto por você.

A expectativa aumentou naquele quarto, Sarada sentiu seu coração acelerar quase como se fosse uma garota prestes a ouvir uma declaração, as palavras que seu pai tinha tanta dificuldade em dizer e que ela sempre quis ouvir.

– Você é o meu maior orgulho, não importa o que você faça eu sempre me orgulharei de você – disse ele.

Sarada não conseguiu segurar as lagrimas e chorou a vontade nos braços do pai, do lado de fora do quarto Sakura ouvia tudo e sorria satisfeita, quando ela contara ao Sasuke sobre o estado da filha ele ficou desesperado e correu para o quarto dela.

E agora ela podia testemunhar uma cena tocante entre pai e filha, Sasuke com poucas palavras compensou todos os momentos perdidos com sua ausência.

– O Naruto me deu um mês de férias, eu estarei ao seu lado por um bom tempo – disse Sasuke para anima-la – você fará a prova novamente e eu estarei lá para te buscar.

– Você vai mesmo pai!? – perguntou ela animada.

– Sim, mas de agora em diante por favor não se sobrecarregue tanto – pediu ele – eu quero que você cresça como uma criança comum, se divirta, descanse e aproveite a vida, quando chegar a hora você estará pronta para ser uma ninja.

– Sim! Eu farei isso pai! – respondeu ela animada – eu posso dormir com vocês hoje?

– Ora? Não está grandinha demais pra isso? – disse Sasuke ficando sem jeito – amanhã teremos o dia todo pra nos divertimos, alias, teremos o mês inteiro!

Mas ainda assim Sarada não deixou Sasuke escapar por mais de duas horas, ela contou tudo o que tem feito nos últimos dias, pediu para ele contar o que tem feito a quase um mês e ouviu dele os planos para o mês que passariam juntos, somente depois de dar-se por satisfeita é que Sarada deixou seu pai ir, após dar boa noite para ela Sasuke deixou o quarto da filha e não viu Sakura no corredor, certamente ela cansou de esperar e foi para o quarto sozinha.

– Desculpe, te fiz esperar não foi? – disse Sasuke ao entrar no quarto.

– Você me fez esperar um mês, algumas horas não são nada demais – respondeu ela sentada na beira da cama – resolveu o assunto com nossa filha?

– Sim, desculpe ter deixado isso nas suas costas por tanto tempo – disse ele sentando-se ao lado dela – o nosso clã tem um certo problema em lidar com as emoções.

– Mas você está se saindo muito bem, está quebrando os grilhões do clã Uchiha – respondeu Sakura – e nossa filha também não é como os outros.

– Bem, agora que resolvi o assunto da nossa filha...

Sakura entendeu imediatamente o que ele queria, sorrindo de forma sensual ela levantou-se para fechar a porta e depois foi a vez dela pular sobre Sasuke, precisavam por em dia um mês de abstinência para depois curtirem o mês de férias do Sasuke.

E no outro dia Sarada realizou a prova tirando nota máxima e deixando seus pais ainda mais orgulhosos.

Notas finais
Um detalhe sobre a minha fic: nela eu não fiz o Kakashi ser o 6º Hokage, a razão disso é que não concordo com a ideia da Tsunade só governar por 3 anos e o Kakashi assumir seu lugar só até o Naruto estar pronto, para mim o próximo Hokage de Konoha precisaria ser alguém da nova geração que nesse caso é o Naruto. Eu queria ter feito um final melhor, mais sentimental, ter explorado mais a relação de pai e filha, mas infelizmente eu sou muito ruim para trabalhar com emoções! Agora que já trabalhei com as três crianças que mais amamos vamos cuidar de outras coisas, tenho planos de mostrar coisas como a gravidez da Hinata e da Sakura, a nomeação do Naruto para Hokage e outras coisas mais.