Mirai no Monogatari
66 Capítulo 54 – Senhores do Submundo.
Notas iniciais

Capítulo 54 – Senhores do Submundo.
— E esse é o relatório de hoje – dizia Sai fechando a pasta com documentos.
— Eu gosto de semanas tranquilas – disse Shikamaru do outro lado da mesa.
— Eu não sei por que, mas semanas que começam tranquilas tendem a me trazer problemas depois – disse Naruto.
Os presentes riram, Naruto já se acostumara a ter um monte de problemas pra resolver durante a semana, mesmo assim com seu tempo limitado ele fazia todo o possível, assim quando o dia terminava sem incidentes Naruto suspirava aliviado.
— E quanto ao incidente do time desaparecido? – perguntou Tsunade.
— Eu aproveitei que o time 7 iria cumprir uma missão por lá – dizia Naruto – e por isso eu pedi que Akane investigasse.
— Que bom que você seguiu o meu conselho – disse Shikamaru para lembra-lo de quem foi a ideia.
— Mandando o time 7? Não estaria favorecendo sua pupila e seu filho não é? – provocou Tsunade.
Shikamaru apenas virou a cara disfarçando e os outros riram dele, mas Kakashi apoiou a decisão dele, Akane era uma ninja completa capaz de realizar quase qualquer missão, mesmo sozinha ela seria capaz de investigar esse sumiço inexplicável.
— Eu quero que amanhã a Ino entre em contato com a Akane e peça um relatório – dizia Naruto – e... se ela não responder devemos nos preparar para uma missão de resgate.
— Temos dois times nas redondezas que podem chegar lá em menos de um dia – disse Kakashi – hoje mesmo vou deixa-los de prontidão.
Naruto estava preocupado com o time 7 apesar de tudo, ele não queria agir precipitadamente mas queria estar pronto para tudo, se Akane não respondesse ao chamado de amanhã as coisas ficariam feias.
— Eu já deveria ter feito isso antes, mas eu vou estudar as lendas locais e qualquer coisa que possa ser útil – dizia Shikamaru – se houver algo que não sabemos eu vou descobrir.
Naruto dispensou a todos e saiu, deixando a central de inteligência ele seguiu para o prédio Hokage, hoje seria um daqueles dias em que não dormiria em casa, pensando nisso ele lembrou de ligar para Hinata e avisar sobre isso.
Ele também ficava se perguntando sobre o time 9, o que aconteceria se um dia eles sumissem em uma missão? Naruto afastou esses pensamentos pessimistas e decidiu confiar na atual geração, não só o time 9 como o time 7 eram muito eficientes, lembrava a eles mesmos naqueles bons tempos.
— hun... quando for possível eu vou reunir a turma, para beber e falar sobre os velhos tempos – disse Naruto sorrindo.
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— Hei hei, isso só pode ser brincadeira – disse Shikadai vendo o monstro diante daquele casal.
O monstro ergueu suas mãos e agarrou os dois jovens pelo pescoço, eles gemiam de dor enquanto eram sufocados aos poucos, rapidamente Shikadai pulou da árvore onde estava, saltando o mais próximo possível ele usou o kage mane e ligou sua sombra a do monstro, com isso ele fez largar o casal que caiu no chão tossindo.
— Voltem para o festival e avisem todo mundo! – gritou Shikadai.
Os dois se levantaram e saíram correndo e gritando dali, Shikadai se perguntou o que diabos acontecera com ele para fazer isso, mas agora ele estava a poucos metros de distância de um monstro enorme que lutava para se libertar de sua sombra, Shikadai começou a suar a medida que ele fazia força para manter o jutsu ativo, pois no momento em que o jutsu perdesse efeito ele seria esmagado por aquele monstro.
— Parando pra pensar eu fui um idiota, aqueles dois podem simplesmente fugir sem dizer nada – Shikadai falava como se alguém estivesse ouvindo – ou podem falar e ninguém acreditar, de qualquer jeito eu me ferrei.
Shikadai estava formulando planos para sair dessa situação, se o monstro fosse lento o suficiente ele poderia desviar do primeiro ataque, se isso acontecesse o próximo passo seria sair de perto dele e fugir, mas e se ele fugisse? Era provável que o monstro fosse em direção ao festival criando o caos.
— Ah merda, quando foi que eu comecei a me meter em coisas problemáticas assim? – disse ele nervoso.
O monstro já estava vencendo na disputa de força, em pouco tempo o chakra de Shikadai vacilaria e ele seria esmagado, e quando a sombra rompeu o monstro urrou e ergueu o punho para esmaga-lo.
— Nikudan Sensha! (tanque de carne humana) – gritou uma voz conhecida se aproximando.
Uma bola branca enorme acertou o monstro bem na cara jogando-o para trás, depois disso a bola branca quicou e caiu atrás de Shikadai que caiu no chão ofegante, era a Chochou que tinha usado o jutsu tradicional da sua família.
— argh, eu vi a morte bem de perto! – disse o jovem Nara – e ela tinha bafo de macaco!
— Eu espero que você não esteja falando de mim, pois eu só comi takoyaki agora a pouco – disse Chochou olhando pra Shikadai com sangue nos olhos.
— Ele está falando daquele filhote de cruz-credo ali – disse Inojin que chegava – a proposito Shikadai, que porra é essa?
— E você pergunta pra mim? Eu encontrei com ele agora a pouco – respondeu Shikadai levantando – ele tava querendo comer aqueles dois que correram.
O monstro olhou para os três e urrou novamente, agora livre da sombra ele podia avançar o quanto quisesse, Shikadai mandou todos se espalharem e assim cada um saltou para um lado.
— Esse bicho é muito forte, temos que detê-lo primeiro – dizia Shikadai – vamos com a manobra 18.
— OK! – disseram os outros dois já se preparando.
Enquanto Inojin pegava seu pergaminho Shikadai mais uma vez esticou sua sombra em direção ao monstro, ele ficou feliz de ver que a fera era praticamente irracional pois não fez nada para evitar isso, assim que sua sombra o capturou Inojin já tinha terminado de desenhar o que queria.
— Chouju Giga! Ikago! – de dentro do pergaminho uma lula gigante saltou e se materializou.
A lula gigante se agarrou ao monstro imobilizando-o ainda mais, mesmo assim estava difícil mantê-lo preso, rapidamente Chochou fez seus braços crescerem e correu na direção dele, a menina então começou a socar o monstro com força fazendo os sons dos seus punhos serem ouvidos de longe.
— Cai logo de uma vez seu bicho feio! – ordenava Chochou sem parar de socar – eu ainda tenho que provar os crepes!!
Chochou ficou cansada de bater assim e seus braços murcharam voltando ao tamanho original, o chakra de Shikadai já estava enfraquecendo novamente e isso seria um problema, com o monstro se debatendo eles não sabiam quanto tempo durariam assim.
— Sai daí logo Chochou! – gritou Inojin – se ele se soltar você vai ser a primeira que ele vai pegar!
A garota que estava ofegante saiu logo dali, a sombra de Shikadai se soltou e o monstro começou a se debater para se livrar da lula, quando ele finalmente conseguiu esmagou a criatura cobrindo-se de tinta.
— Droga, eu queria não usar isso – disse Shikadai pegando uma tarja explosiva da bolsa ninja.
— Espere, se você tinha uma por que não usou antes? – perguntou Inojin.
— Tá brincando? Não dão tarjas explosivas para gennins! – respondeu ele – essa aqui eu peguei das coisas da mamãe, e se ela descobrir seria melhor deixar esse monstro me comer!
Quando o monstro avançou na direção deles o trio se afastou, Shikadai enrolou a tarja no cabo de uma kunai e se preparou para usar, mas o monstro catou uma pedra grande no chão e atirou neles.
— “Merda! Ele não é tão burro quanto parecia!” – pensou Shikadai vendo a pedra vindo em sua direção.
Tudo aconteceu muito rápido, vendo que a pedra iria atingir Shikadai a Chochou fez seu braço crescer novamente, ela apanhou a pedra no ar mas a força a fez girar e acertar os outros, Inojin caiu sobre uma árvore, Shikadai e Chochou caíram no chão atordoados pelo impacto, além disso Chochou sentia que o musculo do seu braço doía muito.
— Hei vocês dois, saiam daí agora! – gritou Inojin.
Não havia tempo ou condição para isso, o monstro já estava sobre eles com os dois punhos unidos, um único golpe iria esmaga-los como moscas, mas antes dos punhos alcança-los o monstro parou de se mover.
— O que estão esperando? Saiam logo daí! – gritou Akane que tinha acabado de chegar.
Sem nem pensar duas vezes os dois se afastaram do monstro correndo para detrás de Akane, Inojin também saltou da árvore e ficou atrás dela, quando todos estavam em segurança Akane desfez o kage mane no jutsu.
— Eu não sabia que você podia usar o nosso jutsu – disse Shikadai olhando torto pra ela.
— O seu pai me ensinou mesmo violando a regra do clã Nara – respondeu ela – mesmo assim eu não sou boa em usa-lo, não tenho o chakra adequado.
Akane olhou para o monstro que estava a sua frente, ele era exatamente como foi descrito pela velha senhora, um Oni de 3m de altura com a pele vermelha brilhante, chifres na cabeça e presas afiadas, não dava pra saber se ele era inteligente ou não, simplesmente parecia uma besta infernal.
— Vocês fizeram bem em segura-lo até aqui – disse Akane – mas agora eu vou assumir isso.
— Sensei, essa coisa é forte – avisou o Shikadai – tem horas que ele parece muito burro e outras horas muito esperto.
— Não importa se ele é esperto ou não, eu simplesmente vou destruí-lo – e nesse momento os gennins sentiram o ar ficando pesado – eu não posso passar vergonha na frente dos meus gennins.
Mesmo dizendo isso Akane estava cuidadosa e pensativa, se esse foi o monstro que aniquilou o time de caça ele deveria ser forte, no time de caça havia um jounin e três chuunins especializados em batalhas e rastreamento e mesmo assim não deram conta.
— “Talvez eles não soubessem com o que estava lidando e subestimaram esse monstro” – pensou ela – “é nisso o que eu acredito, então eu tenho que ser decisiva nos meus ataques, elimina-lo antes que ele possa reagir ou aprontar alguma coisa”
Akane sacou as duas laminas que herdou do seu pai, assim que ela as empunhou as laminas começaram a vibrar com o chakra fuuton que circulava por elas, os gennins instintivamente recuaram para saírem do alcance dessa luta, mas permaneceram perto para ajudar se ela precisasse.
— Acho que é a primeira vez que a sensei fica assim – disse Inojin – com sede de sangue eu quero dizer.
— “Como ela é quase da família costumamos esquecer isso” – pensou Shikadai – “mas a Aka-nee é uma jounin, é a primeira vez que vamos ver um jounin lutar a sério”
Akane aproximou-se do monstro e este tentou acerta-la com um soco lateral, a jovem jounin abaixou-se evitando o golpe e revidou com um soco no estômago do monstro, a força do soco nem de longe seria o bastante para feri-lo, mas o fuuton na lâmina tratou de lhe causar um corte, ainda assim o corte foi raso e saiu um sangue branco dele.
O monstro tentou chuta-la e Akane uma vez mais se esquivou, ela também acertou um golpe na perna dele e mais uma vez fez um corte raso, sempre que o monstro tentava acerta-la Akane esquivava e revidava causando um corte.
— Incrível, ela parece dançar ao redor dele – disse Inojin surpreso.
— Quando será que ela vai me ensinar a fazer isso? – perguntou-se Chochou.
Akane desviou de um soco e se afastou do monstro, ela reavaliou se precisaria pegar mais pesado, mas o que ela estava estranhando era o dano mínimo que ela causou ao monstro, com suas laminas de fuuton ela poderia facilmente cortar metal, mas o couro desse monstro não parecia mais duro do que isso.
— Fuuton! Kazegama no Jutsu! (foice de vento) – ela fez o movimento de cortar e uma lâmina de vento voou em direção ao alvo.
O ataque foi veloz e preciso acertando o alvo no peito, o corte foi mais profundo dessa vez, mas ainda assim não foi o suficiente, o monstro urrou e agarrando um galho de uma árvore ele arrancou para usar como arma, ele tentava acertar Akane que agora só podia esquivar do alcance dele.
— Sensei, precisa de ajuda? – perguntou Shikadai.
— Fiquem fora disso, tem algo de estranho com essa coisa – disse ela – tá mais difícil evitar seus movimentos, ele parecer estar se adaptando a mim.
Akane bloqueou o ataque com o galho usando suas laminas, assim que ela cortou o galho avançou para dar mais um ataque no monstro, mas este girou o corpo e revidou o golpe com força, Akane gritou e saiu rolando pelo chão caindo bem longe do monstro, este então saltou não direção dela.
— Katon! Joushou Ootori no Jutsu (Explosão Ascendente da Fênix) – Akane fez um movimento semelhante ao bater de asas.
Quando ela bateu as palmas das mãos uma onda de fogo foi liberada, era tão forte que subiu aos céus iluminando a noite e chamando a atenção de todos, o monstro foi jogado pra trás com esse jutsu e caiu no chão pegando fogo, mesmo assim ele se levantou cheio de queimaduras.
— Que droga de bicho durão – praguejou Akane – aquele foi um dos meus melhores jutsus!
— Sensei! Deixe-nos ajuda-la! – pedia Inojin – todos nós devemos conseguir!
Akane ponderou sobre isso, em situações imprevistas assim o jounin deveria manter os gennins longe do perigo, além disso se algo acontecesse caberia a eles buscarem ajuda ou proteger possíveis vitimas.
Mesmo assim Akane lembrou que a especialidade deste time era o trabalho em equipe, uma vez que lutassem juntos não deveria haver nada fora do seu alcance, Akane sorriu e fez um gesto com a mão chamando-os para seu lado.
— Formação 8, eu irei em 14 segundos – disse ela após os gennins se juntarem ao seu lado – vocês já sabem o que acontece se não sincronizarem direito!
Assim que Inojin abriu seu pergaminho a contagem foi iniciada, Chochou concentrou seu chakra enquanto Inojin desenhava, Shikadai atacou com sua sombra para ganhar tempo e distrair o monstro.
Como ele esperava o monstro desta vez evitou a sombra, isso confirmava que ele se adaptava aos ataques dos oponentes, mas quando ele evitou a sombra ficou aberto para os lobos desenhados por Inojin que atacaram num bando de 8 deles, assim que atacaram abocanhando o monstro eles o imobilizaram temporariamente.
Chochou que tinha acumulado chakra saltou bem alto e usou o nikudan sensha no ar, caindo sobre o monstro ela o afundou alguns centímetros no chão, mesmo assim com um tapa ele a mandou pra longe.
— E... zero – disse Akane após encerrar a contagem.
Durante o tempo que os gennins mantiveram o monstro ocupado Akane preparava o seu jutsu, ela aumentou a lâmina de vento transformando-a em uma espada larga, ao mesmo tempo ela soprou chamas na lâmina que se transformou em uma serra de fogo giratória.
Ao mesmo tempo em que ela encerrava a contagem os gennins já tinham saído da frente, eles conheciam o poder desse ataque e sabiam que ela não podia esperar se eles vacilassem, se não abrissem caminho seriam cortados também.
Mas graças a sincronia do time 7 o ataque era praticamente impossível de se evitar, com um shunshin no jutsu Akane encurtou a distância entre ela e o inimigo, com um corte lateral ela acertou o monstro, Akane sentiu a resistência dele mas dessa vez o ataque foi forte o bastante, ela conseguiu cortar o monstro ao meio.
— Conseguimos!! – gritaram os gennins vendo a metade do monstro caindo no chão.
— hunf! Monstro desgraçado, me fez usar minha arma secreta – reclamou Akane.
De longe vários gritos e aplausos surpreenderam o time, eles estavam tão concentrados na luta que não notaram que muitos observadores se juntaram, as pessoas do festival vieram ver o que estava acontecendo e viram uma grande luta, mesmo com o perigo eles não conseguiram deixar de torcer aflitos.
O time 7 de repente virou o centro das atenções do festival, Akane e Inojin ficaram terrivelmente vermelhos de vergonha, Chochou mandava beijos para todo mundo e Shikadai parecia que apenas queria ir pro quarto dormir.
Akane notou vapor sumindo dos restos do monstro, ao olhar para ele a sua carne antes vermelha estava se dissolvendo em uma pasta branca, quando o monstro derreteu completamente só restara uma gosma branca cobrindo o chão e um crânio estranho e fossilizado.
— Mas que porra está acontecendo aqui? – perguntou Akane bem nervosa.
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— O seu bichinho foi derrotado – disse uma mulher usando um capuz sobre a cabeça – o selo ligado a ele mostrou isso.
— Eu esperava que ele durasse mais, depois do que fez ao outro time – disse um homem sentado sobre um bloco liso de pedra.
O homem careca usava trajes monásticos cerimoniais, todo negro e esfarrapado, além disso uma mascara cobria metade do rosto, em sua mão esquerda ele tinha um colar de contas enrolado e brilhando com um tom sombrio.
— Usar o crânio do Oni como base fortaleceu aquela criatura, mas ele nunca foi muito esperto para começar – dizia a mulher – eu diria que ele teve sorte com o primeiro time, mas o segundo foi bem mais habilidoso.
— O objetivo era usa-lo como distração enquanto executávamos nosso plano, ao mesmo tempo em que capturávamos times ninjas enviados para elimina-lo – dizia o monge negro – ele cumpriu seu proposito, então vamos fazer a nossa parte.
— Isso significa que... – a mulher estava vibrando de alegria.
— O festival reuniu muitas vitimas para nós, vamos aproveita-lo – dizia o monge – reúna os outros e siga para aquela vila, divirtam-se a vontade mas não esqueçam de cumprir a cota.
— Beleza!! Eu sempre quis ir a um festival! – dizia a mulher – a proposito Butsuga-sama, o que devemos fazer com o time ninja que derrotou seu bichinho?
— Ora, sejam educados e convide-os para a nossa cerimonia – respondeu ele rindo.
A mulher riu e foi chamar os outros membros da seita, mas nem precisou ir longe, outras duas figuras usando mantos e capuzes surgiram das sombras, assim que se reuniram eles sumiram deixando apenas o líder no grande salão, este olhou para o lado onde um grande sarcófago negro reluzia de tão polido.
— Em breve abriremos o portão do submundo – dizia ele – e assim traremos a verdadeira paz a este mundo!
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— Sarutobi Akane, o Hokage pede um relatório – disse a voz da Ino ressoando em sua cabeça.
Akane que estava dormindo acordou num pulo, ainda usando pijama ela estava com o cabelo desgrenhado e olheiras fundas, a trabalheira que teve no dia anterior foi mais cansativa que uma semana de viagem.
— Espere um pouco tia Ino, eu estava dormindo – disse Akane bocejando.
— Se me chamar de tia mais uma vez eu vou fritar o seu cérebro! – avisou ela aumentando o tom – ande logo, o Naruto já tá vindo.
Akane correu para lavar o rosto e escovar os dentes, não que isso fizesse diferença para a comunicação, mas era o necessário para ela despertar de vez, enquanto fazia isso ela organizava as ideias para poder transmitir melhor o seu relatório, não demorou muito para Naruto ser adicionado à comunicação.
— Desculpe por fazê-lo esperar Hokage-sama – disse Akane após sentar-se na cama.
— Não se preocupe com isso, é um alivio saber que está bem – disse ele – e então? Como estão as coisas por aí?
— Muitas coisas aconteceram Hokage-sama, eu estava pensando na melhor maneira de explicar tudo – dizia ela – a nossa missão original começou bem e chegamos sem problemas, mas sobre a missão que me confiou...
Akane relatou tudo o que aconteceu assim que iniciou sua missão solo, ela explicou sobre a investigação que fez sobre o time desaparecido e as poucas respostas que obteve, falou sobre o que descobriu sobre o tal monstro e por fim a historia contada pela velha da vila, uma historia sobre um demônio de 300 anos atrás que foi derrotado por um herói.
— Ela me contou que desde então o herói era aclamado, e a um século um festival foi feito em sua homenagem – explicava Akane – o monstro surgiu muito próximo da época do festival, e desapareceu quando o festival estava sendo preparado, eu imaginei que tivesse uma ligação.
— Então você voltou correndo para o festival e encontrou o monstro? – perguntou Naruto.
— Sim, mais precisamente eu encontrei o time 7 lutando contra ele – ela disse essa parte com um certo orgulho – eles conseguiram impedir que o monstro ferisse os cidadãos.
Embora a situação fosse preocupante Naruto mostrou um sorriso, os gennins foram além das expectativas e protegeram os inocentes, lutaram mesmo sem as ordens de um superior e conseguiram ganhar tempo até Akane chegar.
— Mas como aconteceu? Quero dizer, como estão você e as crianças? – perguntou Naruto preocupado.
— Estamos bem, todos nós sofremos danos mínimos assim como o local do combate – explicou Akane – felizmente o local do combate era isolado e longe das pessoas.
— E sobre o monstro? O que ele era afinal? – perguntou Naruto curioso.
— Sobre isso eu diria que ele era um Oni, mas ele não parecia inteligente como as lendas dizem – explicou Akane – mas tinha algo muito estranho sobre ele.
— Algo estranho? Além de ser um besta do inferno? – perguntou Naruto.
— Bom, quando o derrotamos ele dissolveu e virou uma gosma branca – explicou ela – e além da gosma branca só sobrou um crânio monstruoso.
— Você disse “gosma branca”? – perguntou Naruto confuso – eu preciso investigar isso melhor, mas me fale sobre o que você acha, é possível que o time enviado antes esteja vivo?
— Sinceramente eu não acredito nisso, se eles subestimaram aquela criatura pagaram com a vida – disse Akane sentida – mas precisamos descobrir o destino das pessoas desaparecidas, existe a possibilidade de que estejam vivas.
— Muito bem, eu montarei um time de busca e enviarei imediatamente – disse Naruto – muito obrigado Akane-chan!
— Eu só fiz o meu trabalho – disse ela toda vermelha de vergonha.
— Não não, você foi além do seu trabalho, todo o seu time – elogiou Naruto – vocês resolveram um problema para o qual não estavam preparados, vocês são verdadeiros heróis!
— Será que podemos encurtar isso? Eu já estou ficando com dor de cabeça – pediu Ino.
Naruto não podia culpa-la por isso, mesmo usando maquinas amplificadoras era difícil entrar em contato com alguém tão longe, ainda assim Ino conseguia manter essa comunicação por mais de 15 minutos.
— Vocês ainda precisarão trazer a caravana de volta, então aproveitem o festival – pedia Naruto – em breve todo esse problema estará resolvido.
— Então nos veremos em Konoha em breve – disse ela – até a próxima Hokage-sama.
Com o fim do relatório a conexão foi desfeita, Akane sentia um certo cansaço mental mas não estava tão ruim, ela só precisava de uma aspirina para se sentir melhor.
Mas Akane estava mais preocupada com o seu time, eles estavam bem fisicamente, mas desde que acordou que ela não os via, Akane se perguntava o que eles poderiam estar aprontando.
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— Querem mais um pouco? – ofereceu uma senhora colocando uma bandeja diante das crianças.
— Muito obrigado, mas se até a Chochou parece satisfeita eu não aguento comer mais nada – respondeu Shikadai.
Os três jovens gennins estavam recebendo um banquete em sua homenagem, como os heróis que salvaram o festival eles recebiam o devido agradecimento logo pela manhã, Akane que estava mais cansada continuou na cama sem saber da festa que eles receberiam.
— Aquela mocinha se juntará a nós? – perguntou o prefeito da vila.
— A Akane-sensei? Ela estava muito cansada pelo gasto de chakra – respondeu Inojin – as vezes um ninja dorme dois dias seguidos depois de uma luta assim.
— Ok! Agora que eu descansei um pouco estou pronta para a sobremesa! – disse Chochou dando tapinhas na barriga.
— Só passaram 5 minutos desde o ultimo prato... – disse Shikadai imaginando onde iria parar tanta comida.
Chochou voltou a comer e Shikadai conversava com o prefeito sobre o festival, ele descobriu que o festival era uma homenagem ao herói que matou o Oni, e agora os gennins haviam salvado a vila da mesma forma que o herói, talvez fosse necessário construir um monumento em sua homenagem.
Depois de um tempo Akane juntou-se a eles na comemoração, assim que ela chegou logo recebeu uma salva de palmas e as atenções de todos, Akane estava toda vermelha de vergonha mas mostrava um sorriso feliz, ela e seu time conseguiram evitar uma tragédia na vila e salvar o festival.
— O festival continuará hoje como o planejado, para tranquilizar a todos eu triplicarei a segurança – anunciava o prefeito – e agora que a lenda confirmou-se vamos tratar o festival como um feriado nacional!!
— Eles estão fazendo disso algo muito maior não é? – perguntou Inojin preocupado.
— Bem, vilas pequenas tendem a valorizar qualquer coisa desse nível – disse Akane meio sem jeito – e para a comunidade esse festival é uma renda extra.
O período da manhã e da tarde foi para reorganizar as tendas e barracas, fazer preparativos e hospedar novos visitantes, as comunidades vizinhas ficaram sabendo do ocorrido e logo muitos curiosos estavam vindo.
— Que caixa é essa sensei? – perguntou Chochou curiosa.
— Um presente que me deram, mesmo eu insistindo que não precisava... – dizia ela trazendo a caixa.
Ela abriu a caixa e mostrou para os gennins o belo yukata que ganhou de presente, a pessoa que enviou disse que gostaria de vê-la vestindo esta noite no festival, os gennins começaram a zombar dela dizendo que arranjara um admirador secreto.
Com a chegada da noite Chochou ajudou Akane a vestir o yukata, quando ela apareceu já vestida os meninos assobiaram, ela ameaçou jogar o tamanco neles mas estava rindo por dentro, estava muito bonita.
Pouco tempo depois o filho do prefeito apareceu, ele confessou ser quem enviara o yukata e pedia a honra de andar ao seu lado no festival, os gennins atrás dela riam discretamente deixando-a vermelha, Akane pensou em recusar mas pensando nas relações com a vila ela aceitou, o rapaz de 18 anos segurou sua mão e assim eles saíram juntos.
— heheheh a sensei é uma grande ninja mas não sabe se virar nessas horas – zombou Inojin.
— Vamos ajudar a Aka-nee com seu encontro – sugeriu Shikadai com um sorriso malicioso.
— Isso, assim eu posso encontrar o meu príncipe durante o festival – disse Chochou – e aí ela é quem vai me ajudar.
— Não viaja Chochou, agora vamos – Shikadai estava estranhamente empolgado.
Os gennins seguiram Akane que andava ao lado do rapaz chamado Yusuke, como na noite anterior Akane estava na outra vila tudo no festival era novidade para ela, então agora ela poderia desfrutar da diversão.
— Não tem festivais assim em Konoha? – perguntou o rapaz.
— Imagina, temos grandes festivais, principalmente o que comemora o fim da 4º guerra – dizia ela – é que é minha primeira vez com um rapaz...
Ela disse isso tão baixo que Yusuke não entendeu, quando ele perguntou o que ela disse Akane ficou vermelha e mudou de assunto, ela falava sobre como gostou da decoração e também agradecia pelo presente, Yusuke disse para ela não se incomodar com isso.
— Eu tenho que confessar algo, foi o meu pai que pediu para eu sair com você – disse ele – eu disse que ele estava exagerando, que você poderia não gostar de toda essa comoção.
— Desculpe por isso – disse ela – acabei lhe causando problemas.
— Do que está falando? Eu é que estou lhe causando problemas lhe constrangendo não é? – disse ele – fazendo você sair comigo assim e tal, ninjas são pessoas especiais que...
— Isso não é verdade! Não está sendo um incômodo para mim – disse ela – eu apenas... não tenho experiência.
— O quê? Você não tem namorado? Quero dizer...
Akane ficou toda vermelha, em todo esse tempo ela só se preocupou em desenvolver suas habilidades e subir de nível, jamais pensou em coisas de garota como encontros, shopping e afins, mas havia uma outra razão para ela não ter arranjado um namorado até agora, muitos rapazes em Konoha achavam estranho uma garota com um nível tão alto, rapazes da idade dela costumavam estar no nível chuunin e por isso uma garota jounin mais nova que eles era assustador.
— Eu não tive muitas chances, o trabalho como ninja é complicado – dizia ela.
— Bom, então ao menos hoje você pode aproveitar não é? – perguntou ele.
— Sim, acho que eu posso – respondeu ela sorrindo.
De uma certa distância os gennins observavam, Chochou suspirava de emoção vendo essa cena romântica, Shikadai parecia decepcionado pois ele esperava ver algo interessante, Inojin parecia querer sair dali pois achava que estavam atrapalhando sua sensei.
— Mas todos os ninjas são fortes como vocês? – perguntou Yusuke – você e aqueles meninos cuidaram de um monstro tão terrível!
— Imagina, tivemos muita sorte – respondeu ela envergonhada – além disso o nosso trabalho em equipe é muito bom, igual aos dos nossos pais.
Ele perguntou sobre isso e Akane contou a historia, ela explicou que o pai dela foi sensei dos pais deles, que devido a uma antiga tradição de Konoha eles estavam juntos como um time, e devido ao passado juntos foi natural que a escolhessem como sensei deles nesta geração.
— Isso é incrível, eu gostaria de conhecer mais do mundo ninja – dizia ele empolgado – e com certeza eu gostaria de usar ninjutsus!
Akane se empolgou e começou a explicar para ele como funcionavam os ninjutsus, em meio a suas explicações ela ia perdendo a noção e falando coisas complicadas como natureza de chakra e selos de mãos, enquanto dava explicações ela parecia incrivelmente feliz enquanto Yusuke ficava mais confuso.
— Ah me desculpe! – disse ela se curvando – eu me empolgo facilmente quando estou ensinando!
— “Nós sabemos bem disso!” – pensaram os três gennins juntos.
— Está tudo bem, fui eu que pediu para explicar né? – disse o outro – mas é muito bom ver alguém com gosto pelo que faz.
Os dois voltaram a passear pelo festival, Yusuke comprava lanches para os dois, participavam dos jogos e riam enquanto falavam sobre coisas triviais, com o tempo Shikadai ficou entediado e disse que ia dar uma volta por aí.
— Ora, não era você quem estava empolgado pra segui-los? – perguntou Inojin indo com ele.
— É mas eu esperava algo mais divertido, a sensei cometer uma garfe ou aquele cara fazer algo pervertido – respondeu Shikadai suspirando decepcionado.
— Apenas o que você tinha em mente? – perguntou-se Inojin.
— Não é tão ruim assim, pelo menos a sensei tá tendo seu primeiro encontro – dizia Chochou com algodão doce em mãos – nós conseguimos salvar o festival e a vida amorosa da sensei.
— Então foram vocês que mataram o Oni? – perguntou alguém atrás dele.
— Isso mesmo! Fomos nós que... – Chochou em sua empolgação se virou e viu algo estranho.
Inojin e Shikadai também se viraram, eles viram um homem usando manto e capuz negro, ele tinha uma pele pálida e olhos fundos, mas o mais estranho eram as pessoas atrás dele, todos com pele acinzentada e movimentos estranhos, alguns estavam cheios de feridas e todos já fediam como se fossem cadáveres.
— Vocês vieram para o churrasco? – perguntou Chochou ficando pálida de medo e nojo.
— Obrigado, esses caras estão loucos por carne – disse o homem – mas eles preferem crua, de preferencia ainda se mexendo.
Em outra área da vila Yusuke tinha levado Akane para um templo, era o único templo em toda a vila e ficava cercado por um parque, outros casais estavam visitando o lugar e todos estavam com uma atmosfera romântica.
— Eu acho que todo mundo pensou em vir pra cá – disse Yusuke meio sem jeito.
Akane estava muito vermelha, era seu primeiro encontro e já estava cercada por essa atmosfera romântica, na verdade ela se perguntava se não estava se deixando levar pela situação, mas seu coração acelerado estava deixando sua cabeça tonta.
— “O que diabos eu faço agora? Eu deveria ter pego dicas com minha mãe!” – pensava ela atordoada – “merda, isso tá pior que uma missão rank S!!”
— Akane-san, eu... o que foi isso? – perguntou Yusuke ao ouvir um som semelhante a uma explosão.
Akane se virou e olhou em direção a vila, uma coluna de fumaça subia de um bairro indicando que algo aconteceu, ela instintivamente pensou em correr pra lá mas seu yukata atrapalhou seus movimentos, foi quando Yusuke a empurrou derrubando-a no chão, ela não entendeu o que aconteceu até sentir sangue caindo em seu rosto.
— Que merda, teria sido um corte limpo e certeiro – disse uma voz feminina – no quê esse idiota estava pensando?
Akane estava perdida no meio disso tudo, ela via uma mulher usando manto negro segurando uma kusari-gana, ela via o corpo de Yusuke caído ao seu lado e um grande rasgo em suas costas, ele estava ofegante como se lutasse contra a dor e a morte que se aproximava.
— Não... Yusuke...
— Era o seu namorado? Sinto muito por estragar seu encontro! – disse a outra rindo – mas pode acreditar que hoje tem muita gente tendo um dia pior que o seu!
Akane olhou para a mulher que ria histericamente, nesse momento ela apertou os punhos e rosnou de raiva jurando extermina-la.
Continua.
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