Chat Noir estava mais uma vez pulando entre os prédios das ruas de Paris. Não havia nenhum akuma mas o mesmo causava olhares de exclamação e admiração conforme as pessoas o encontravam no ar, o que era tudo que ele mais queria. Sorriu, como há muito tempo não fazia. Logo se aproximou do prédio onde já passara um bom tempo conversando com o que, logo se tornaria, o seu mestre de saber do miraculous. Avistou uma pequena janela aberta e com um movimento rápido de seu bastão no telhado de onde estava, atravessou a janela e entrou no local.

Teve uma surpresa quando viu outra pessoa conversando com o velho chinês e não pôde deixar um sorriso atravessar seu rosto mais uma vez.

— Ladybug? – indagou.

A mesma se virou para o gato preto, séria. Seus olhos estavam firmes indicando que conversava sobre algo sério com Mestre Fu, mas Chat Noir conseguiu enxergar um brilho de felicidade de vê-lo novamente. Ele pôde sentir. A garota parecia não entender como o mesmo descobrira aquele lugar que até aquele momento ela somente visitara. Seus olhares se encontraram por alguns segundos e ela finalmente reagiu, dando um pequeno sorriso para o garoto.

— Olá Chat Noir. – cumprimentou ainda sorrindo. – O que veio fazer aqui?

— Eu pergunto o mesmo para você, My Lady. – rebateu a encarando. – O que você veio fazer aqui?

— Eu precisava conversar com o Mestre Fu sobre algo sério. A propósito agradeço que tenha vindo até aqui. – a heroína disse calmamente. Depois lhe lançou um olhar divertido. – Mas afinal fui eu quem perguntou primeiro, pode me dar sua resposta agora gatinho?

O herói não conteve uma pequena risada ao se aproximar de onde Ladybug e o chinês estavam sentados.

— Também tenho um assunto que preciso resolver com o Mestre Fu. – disse arrumando seu bastão em suas costas e se sentando com ambos.

— Pois então diga jovem Chat Noir. – o chinês se pronunciou lhe encarando profundamente. – Sobre o que se trata o assunto em que você precisa conversar comigo?

O garoto suspirou. Olhando mais uma vez para a joaninha ao seu lado, abriu um dos pequenos bolsos de seu uniforme. Do lugar tirou o pequeno enfeite de cabelo em forma de pavão, colocando sobre sua mão.

— Se trata disto. – respondeu sério.

***

Nos arredores mais luxuosos de Paris se encontrava o hotel de luxo onde Cholé morava e onde a garota fora almoçar. Estava mais uma vez, conversando com seu kwami sobre como agir quando houvesse um akuma e ela tivesse que ajudar Ladybug a salvar a cidade. A loira tentava de todo jeito melhorar sua pontaria e tentar acertar onde Lily lhe mandava atirar.

— Cholé você precisa tentar até realmente conseguir acertar o alvo. Você precisa saber lidar com suas lanças na hora de um combate e para isso precisa de treino. – Lily, seu pequeno ser flutuante em forma de abelha, lhe repetia mais uma vez. A garota começava a ficar com os ouvidos doendo de ouvi-la.

— Eu sei Lily, mas não adianta. Eu não tenho a mira que a Ladybug tem. Só vou conseguir acertar aquele maldito alvo quando me transformar em Abelle e adquirir as habilidades especiais que você me dá. – comentou olhando pela janela do quarto. Não sabia o que pensar sobre o quanto de trabalho que estava tendo para ser heroína ou se realmente estivesse dando efeito.

— Se você continuar pensando assim, nunca vai ser nada menos que a sombra da Ladybug. – Lily disse tentando provocar a garota.

A mesma fechou os olhos com força. “Talvez isso dê certo.” A kwami pensou com um sorriso.

– Na verdade, eu acho que nem isso serve para você. Afinal, é sempre ela que leva os créditos por tudo e você nunca seria igual a ela.

— Lily, cale a boca. – repreendeu irritada com a provocação da pequena abelha. Ela não gostava de ser rebaixada a nada. NADA.

— Por favor Cholé, você sabe que isso é verdade. A Ladybug é e sempre vai ser melhor que você. – continuou, segurando o alvo com uma das mãos.

— Já chega! – gritou atirando um lápis afiado na direção da kwami e acertando em cheio o alvo em sua pequena mão. Encarou o ser a sua frente e suspirou. – Você não precisava ter chegado a esse ponto.

— Não. – concordou encarando os olhos azuis da garota a sua frente. – Mas isso funcionou e já é o bastante para que você tente mais uma vez. Precisa estar preparada quando Hawk Moth atacar novamente.

A mesma assentiu voltando para o lugar em que estava e mirando no pequeno alvo que havia colocado próximo a parede da porta de seu quarto. Estreitou os olhos e tomou posição de ataque para atirar outro lápis especial. Respirou fundo e olhou para o centro do alvo.

Precisava mostrar que podia ser melhor do que Ladybug. Mostrar quem realmente era Abelle.

Precisava mostrar que podia ser outra pessoa além de Cholé Bourgeois.

***

— Isso é inacreditável! – o chinês exclamara admirando o pequeno objeto em suas mãos. – Tem alguma teoria de como ele foi parar onde o encontrou?

— Na verdade tenho sim. – Chat Noir afirmou, balançando a cabeça. – Acho que logo após o último uso e portador deste miraculous, algo ou alguma coisa foi feita e ele se perdeu junto com o Livro dos Miraculous. Como se passou muito tempo, algum caçador de tesouros deve tê-los achado e os vendido para este colecionador de objetos raros, que foi onde o encontrei. – explicou tentando passar o que ele mesmo formulara como resposta.

Ladybug parecia pensar na situação dita e estreitou os olhos para o chão. Logo levantou a cabeça e olhou para o chinês.

— É uma boa teoria. – afirmou, se virando em seguida para Chat Noir – Mas porque o encontrou só agora? Já pensou como ele teria sido útil em uma batalha com um akuma?

— Realmente já pensei. O único problema era que nunca havia prestado muita atenção nele dentro daquele cofre. – o garoto comentou coçando levemente a nuca, sem jeito. – Agora eu já expliquei o porque de estar aqui My Lady. Sua vez.

— Certo. – a garota arrumou a franja que caíra sobre a máscara e o encarou. – Estava tirando minhas dúvidas sobre Abelle com o Mestre Fu. Ele me disse que logo teremos uma equipe aliada a nós dois para lutar contra o Hawk Moth e finalmente vencê-lo.

— Exatamente jovem Ladybug. – o chinês os encarou com um pequeno sorriso. Ambos prestaram atenção no senhor a sua frente. – Como eu estava dizendo antes do seu parceiro chegar, vocês não serão mais uma dupla. Vocês serão uma equipe. E uma equipe precisa ser unida, não importa a situação. Hawk Moth vai tentar de todas as maneiras separá-los quando descobrir que estão atrás dele para detê-lo. E agora que descobriu que perdeu mais um miraculous, vai fazer o possível e o impossível para captura-los de volta. – os encarou profundamente sério e continuou. – Para impedir este objetivo, é o dever de vocês encontrar e proteger os seus aliados antes que ele faça isso.

— Mas como vamos fazer isso mestre? – Ladybug indagou. Sua expressão parecia preocupada com a missão que recebera.

O mesmo sorriu se levantando de onde estava e se dirigindo para a janela. Ambos continuaram lhe encarando a espera de uma resposta que lhes ajudasse.

— Vocês irão saber. Sejam uma equipe e encontrarão as respostas que procuram.

***

Marinette havia acabado de voltar para a escola e ainda estava com o semblante pensativo. O que Mestre Fu havia pedido era quase impossível. Como ajudaria ou defenderia alguém que a mesma nem sabe quem é? Alguém que ela não conhecia? Arqueou uma sobrancelha. Ser uma super heroína não era nem um pouco fácil.

“Acho que esse tipo de coisa deveria vir junto com um manual de instruções.” Pensou dando uma pequena gargalhada em seguida.

Entrou na sala e teve uma surpresa. Alya estava sentada com Nino na cadeira onde ela ficava. Os dois estavam sentados juntos. Olhou para a garota e sentiu o rosto começar a esquentar quando viu um sorriso malicioso sair da morena. Xingou mentalmente a melhor amiga de todas as piores coisas que já ouvira e se dirigiu até ela lentamente. Logo a mesma a encarava com uma sobrancelha arqueada, com um pequeno sorriso em seu rosto.

— Você quer fazer o favor de me explicar o que está acontecendo aqui? – indagou no tom mais baixo que conseguiu falar com a garota. A mesma riu descaradamente da cara da garota a sua frente.

— Eu estou te fazendo um favor amiga. Pode me agradecer depois. – disse entre risadas escandalosas e logo voltou ao seu estado normal.

— Alya, você sabe que isso não é uma boa ideia. – Marinette começou olhando para o lugar a sua frente. – Na verdade, é uma péssima ideia. A pior que você já teve.

— Por favor Marinette. Eu tenho certeza de que você vai me agradecer depois. – afirmou novamente lhe dando uma piscada travessa. Ambas ouviram a professora entrar e a morena lhe encarou sorrindo. – Acho melhor você se sentar no seu lugar logo Mari, senão a professora vai brigar com você.

— Eu...

— Por favor todos sentados. – a professora de geografia pediu arrumando suas coisas na mesa. Era a professora mais rígida da escola. – Senhorita Dupain-Cheng por favor, sente-se em seu lugar. Precisamos começar a aula.

— C-claro professora. – gaguejou dando um último olhar mortífero para a melhor amiga. – Você está morta. – sibilou se sentando a cadeira a frente.

Adrien estava apenas observando toda a cena e conteve um pequeno sorriso quando a mesma se sentou ao seu lado na carteira da frente. Marinette tentava parecer tranquila ao seu lado, mas por dentro a garota fazia o impossível para controlar sua emoção. Ambos se viraram para a professora que explicava a matéria do dia e tentaram se distrair prestando atenção as lições do dia.

Quando a garota percebeu que já passava da metade da aula e que todos os alunos estavam entediados com a professora, apoiou o rosto em uma das mãos começando a fazer rabiscos em seu caderno. Quando finalmente percebeu que estes rabiscos estavam virando uma nova criação deu um pequeno sorriso e continuou a desenhar ainda mais motivada. Era apenas um vestido degradê preto e branco com o toque de uma futura aprendiz de estilista. Pensou em um corte de cabelo e terminou o desenho com uma pequena expressão de felicidade. Fizera um bom trabalho.

Teve uma surpresa quando percebeu um papel sendo arrastado em sua direção. Olhou para o mesmo e uma onda de medo lhe atingiu. Com a mão trêmula, pegou o pequeno bilhete e o leu em silêncio.

“Você realmente tem o dom de desenhar. Adorei esse vestido que você fez.”

Sentiu o rosto começar a ficar vermelho novamente e escreveu uma resposta antes que pudesse tremer o bastante para não borrar o papel com tinta da caneta em sua mão. Arrastou o papel discretamente até o loiro que rapidamente leu o que estava escrito.

“Obrigada. Mas na verdade eu não havia planejado desenhar isso, foi apenas um rabisco que eu fiz. Bom, fico feliz que tenha gostado de algo que seja de minha autoria.”

O mesmo deu um pequeno sorriso e a olhou pelo canto do olho. Marinette conseguia ser fofa até mesmo nervosa. Escreveu mais uma pergunta e novamente o papel estava a frente da garota. Com um pequeno suspiro a mesma pegou o papel e olhou na direção da professora. Talvez a mesma não se importaria se ela escrevesse outra resposta para o garoto.

“Você é muito engraçada Mari. O que você achou do mais novo casal da escola? Eu sempre achei que no final eles ficariam juntos, tipo Bela e a Fera. Só que sem a parte da besta que odeia todo mundo porque o Nino é muito legal.”

A morena abafou uma risada e olhou para Adrien rapidamente. Ambos estavam se divertindo aquela altura sobre as perguntas que estavam fazendo um ao outro. Por dentro Marinette lutava para controlar seu coração e que o mesmo não saísse pela sua boca. Por fora não conseguia deixar de sorrir com cada pergunta feita pelo garoto.

“Então você já sabe. Eu realmente fico feliz que os dois estejam namorando agora. Sempre torci para que eles ficassem juntos também, mas sem a parte da besta fera que o Nino seria.’’

Adrien se virou para a garota e deu uma pequena risada. Ambos se encararam por um momento e a garota desviou o olhar, envergonhada com a aproximação do garoto. O mesmo arqueou uma sobrancelha e pegou o papel novamente. Logo estava a frente da garota de novo.

A garota pegou o papel ainda sentindo o rosto corado e viu a pergunta escrita no papel, quase perdendo o fôlego ao terminar de ler. Olhou para o mesmo que apoiava o rosto em uma das mãos, esperando uma resposta da morena. Balançou a cabeça incrédula com o que tinha lido. Adrien sorriu com a cara de Marinette.

“Então... você vai fazer alguma coisa mais tarde?”

Notas finais
*-* Até a próxima!