Miraculous - Broken Pieces
2 Capítulo 2
Notas iniciais
— Então...a pessoa que eu amava tem uma namorada.
Cat Noir olhou para Ladybug com a boca aberta, depois de ela anunciar o seu coração partido.
Tinha-se passado mais de um mês depois de ele reparar que ela estava destroçada mas aquela era a primeira vez que ela lhe admitia.
— Desculpa. — conseguiu dizer, apesar de não saber porquê.
— Eu é que devia pedir desculpa. — ela abanou a cabeça — Tu percebeste que algo estava errado e, mesmo assim, eu não tive coragem de te dizer o que era.
— M'lady. — murmurou ele. A palavra saiu-lhe tão rápido que deixou-o chocado.
Algures, nas profundezas da sua mente, uma vozinha irritante dizia "Agora é a tua oportunidade". E isso deixou-o envergonhado consigo mesmo.
— Mas não precisas de te preocupar. — ela suspirou e sorriu, como se um grande peso tivesse sido levantado das suas costas — Tenho pessoas que me estão a ajudar. Alguém que me ama. Que disse que vai ajudar-me a ultrapassar isto tudo. Amar-me pelos dois.
Ela suspirou e sorriu.
— Acreditas que existe alguém assim? — perguntou ela, mas não esperou pela resposta — Espero conseguir ama-lo um dia, como ele me ama a mim.
"Eu amava-te assim" era o que ele queria dizer "Eu amo-te assim".
Lágrimas encheram o seu coração, mas não os seus olhos.
— Estou contente por ti. — ele esperava que ela não reparasse que a voz dele estava a tremer — Se precisares de alguma coisa...
— Eu sei. — interrompeu ela — E desta vez, não vou deixar que isto atrapalhe o nosso desempenho.
Depois de falarem mais um bocado, até o seu anel começar a piscar, despediram-se e cada um foi para sua casa.
— Sabes, ela não morreu. — disse Plagg, flutuando em volta da cabeça do dono, que encontrava-se sentado na cama, com as mãos a tapar a cara — Para que é que são as lágrimas?
— Eu fiz uma coisa horrível, Plagg. — disse ele. As lágrimas eram silenciosas, mas extremamente dolorosas.
— Mas eu pensei que gostavas de estar com a Kagami. — lembrou Plagg.
— Eu gosto de estar com ela. Gosto de sair com ela, mas... — ele não conseguiu olhar para o seu kwami, ao que a sua voz soou abafada — Eu amo-a...eu amo-a! Eu amo a rapariga por detrás da máscara! Eu amo-a!
Adrien repetiu a palavra tantas vezes, como se a tivesse reprimido durante anos e não pouco mais de um mês.
— Foste cruel com a Kagami. — murmurou Plagg, chateado, não com o dono, mas com toda aquela situação — Fizeste-a crer qie gostavas dela como gostas da Ladybug.
Adrien limitou-se a anuir com a cabeça, porque não sabia o que mais dizer. Sentia-se miseravelmente deprimido e, depois de ler a mensagem que Alya lhe tinha enviado enquanto estava em missão, apeteceu-lhe dizer ao seu pai que queria voltar a ter aulas em casa.
— O que é que se passa? — perguntou Plagg, vendo o horror aparecer na cara de Adrien — Algo a ver com o Hawk Moth?
— A Alya quer fazer uma coisa especial para o dia dos namorados. — respondeu Adrien — Uma atividade em grupo.
Plagg achou que ele estava a ser um pouco dramático de mais em relação àquilo, mas drixou-o afundar-se no desespero romântico que fazia parte de todos os adolescentes normais.
Afinal, ele podia não ter muitos mais como aquele.
...
Luka olhava para o ecrã do telemóvel que Marinette lhe tinha passado depois de ler a mensagem de Alya.
— Pode ser divertido. — foi a resposta de Luka, que tinha ido passar a noite a casa dos Duppein-Cheng.
Marinette encolheu os ombros, como se não quisesse saber se iam ou não.
— O que é que se passa? — perguntou Luka, preocupado, começando a mexer no cabelo dela sem sequer notar.
Marinette abanou a cabeça, um sinal de que não queria falar sobre o assunto naquele momento, e Luka respeitava isso, porque sabia que, quando ela estivesse pronta, iria até ele.
Quanto a Marinette, encontrava-se destroçada. Falar com o Cat Noir, relembrar tudo pelo que passara depois de ver Adrien aproximar-se de Kagami...era como se estivesse a trair Luka, ao pensar nessas coisas todas quando ele tinha ido ali para estar com ela.
Por isso, não queria falar sobre o assunto. Estava a tentar esquecer, mas era difícil, especialmente depois de receber aquela mensagem.
— Achas que o Adrien e a Kagami vão estar lá? — perguntou Luka e viu Marinette a anuir com a cabeça — Se quiseres, não temos que ir. Posso dizer que estou doente...
— Não! — interrompeu Marinette, chateada consigo mesma por estar a afetar Luka — Vamos! A Alya pensou muito no assunto. Não quero desiludi-la. — ela tentou relaxar e sorrir. Esperava que não parecesse tão forçado como sentia que estava a ser — Para mais, é uma boa maneira de passar mais tempo com os nossos amigos.
— E não te importas que o Adrien esteja lá. — perguntou Luka, com uma sobrancelha levantada.
"Claro que me importo" era o que queria dizer, mas o que saiu foi — Claro que não me importo.
Luka não acreditava nisso, mas não queria dizer nada que pudesse magoa-la ou que a fizesse acreditar que não acreditava nela.
— Vamos, então. — disse Luka, finalmente — Mas, se te sentires desconfortável lá, tens de prometer que me dizes.
Marinette prometeu e, secretamente, desejou que tivesse de salvar alguém Akumatizado durante a reunião.
Queria ver Cat Noir. Agora, que ele já sabia de tudo, sentia-se mais confortável para falar com ele, tal como antes de o seu coração ter sido despedaçado.
E agora, já que ele tinha namora, pensou Marinette, sentindo uma pontada irracional no peito, já podia falar sobre assuntos do coração.
Estava entusiasmada quanto a isso, pensou Marinette. Mas sentia lágrimas a despontar, por trás dos olhos.
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