Miraculous! ~ As aventuras de Queen B
3 Proposta
Notas iniciais
Adrien/Chat Noir
Durante o dia, sou Adrien. Filho de um famoso estilista de moda parisiense.
Mas tem algo em mim que muda tudo... E é que eu tenho um segredo: Sou o super-herói Chat Noir. E ontem pode ter sido o dia mais tenso do meu trabalho...
É sério, lutar contra akumas, com certeza, assusta menos que um homem com uma pistola na mão. Aliás, a arma parecia mais era com um canhão de mão! Dava para vê-la pesando não mão do homem! E ver a Queen B caída no chão, encolhida daquele jeito, agonizando... Se não fosse a My Lady, eu poderia ter sido o próximo. – Ou o primeiro, já que não foi uma bala e sim um dardo do seu Ataque Especial. – Mas isso não diminui o pânico que me deu naquela hora. Ok, eu já passei por situações de quase morte várias e várias vezes e falar que uma arma assusta mais que um monstro akumatizado é um absurdo. Mesmo assim, só tive a noção real dos riscos da vida dupla que eu levo naquele momento. Nenhum plano mirabolante da Ladybug podia ajudar se eu fosse atingido, levar a novata para o hospital arriscaria sua identidade e as nossas, não sabíamos se o Miraculous Ladybug curava feridas... Estávamos impotentes!
Bhá! Chega de pensar nisso! Vou pular logo para o que aconteceu hoje.
A aula da Srta. Bustier estava até que boa, o assunto era uma revisão de romantismo. Todos estavam prestando atenção porque sabemos que ela sempre dá uma revisão extra quando tem teste surpresa mais tarde. Eu estava anotando tudo quando...
“Alô, alô. Testando: 1, 2, 3...”— Ouvi uma voz dentro da minha cabeça. Tinha um eco estranho, era feminina e até, de certa forma, familiar.
Levei um susto tão grande que pulei da cadeira e assustei todo mundo. Todos riram e a Srta. Bustier me olhou com cara feia.
— Desculpe... – Falei sem graça e me sentei de novo.
— Cara, o que houve? – Nino sussurrou com uma sombra de risada na voz.
— Nada, acho que vi uma... Aranha. – Dei um pisão. – Matei.
Nino se virou e me olhou com o canto dos olhos, achando que eu estava maluco.
“Sim, Nino, eu estou ficando maluco...”— Cobri o canto do rosto com a mão quase surtando.
“Não, não está! Sou eu, a Queen B.” — Retrucou a voz.
“Queen B?!” – Gritou outra voz. Parecia a My Lady.
“Ladybug?”— Perguntei.
“Chat Noir?!” – Gritou ela.
“Queen B!”— Falou ela sem paciência. – “Agora que fomos todos apresentados, vamos direto aos negócios.”.
“Calma lá! Primeiro me explica como estamos fazendo isso de... De...”. — Ladybug, apavorada.
“‘Conversar por telepatia’?”— Ironizou a Queen B. – “Desculpa, pensei que soubessem. Eu sou o Miraculous Comunicador, sou encarregada de chamar os outros heróis caso aconteça alguma coisa.”.
“Você está aqui e agora, na minha escola?!” – Quase pulei de novo.
“Pode ser que sim... Ou pode ser que não...”— Desdenhou a Queen B.
“Chega de joguinhos, fala logo!” – Gritou a Bugboo.
“Calma, Ladybug! Eu quis dizer que posso estar tanto nessa tal escola quanto fora. Você, por exemplo, está em casa, certo?”
De alguma forma, senti o medo da Ladybug.
“Como você...?”— Ela não terminou a frase.
“Ela é o Miraculous Comunicador, acho que é só uma das obrigações dela.” — Respondi.
“Que bom que você entendeu. Posso falar o que vim falar, agora?” — Desdenhou ela de novo.
Silêncio.
“Pode.”— Permitimos.
“Ok. Primeiramente, quero pedir desculpas novamente pelo fiasco do outro dia, prometo que nunca mais irá se repetir. Segundo, quero me encontrar com vocês quando for possível.”.
“Sobre o que você quer falar?”— My Lady indagou mais acostumada com a situação.
“Eu disse que preciso falar pessoalmente. Enquanto eu não tiver certeza de que ninguém mais pode nos ouvir, precisamos ser discretos.”— Falou a Queen B mais séria. Mais um silêncio. – “Vou desligar. Cambio, desligo.”.
Tentei falar com ela, mas não pude. Seja lá como, ela desconectou a linha.
— Admito, é da hora. – Murmurei baixo, cansado de ouvir vozes na cabeça.
***
Marinette/Ladybug
Agradeci a Deus quando a conversa telepática acabou. Se eu estivesse na escola, correria o risco de ter minha identidade revelada ou até de descobrir a do Chat Noir. – Não que eu tivesse esperanças do Chat estudar na minha escola. – Que sorte que eu dei a desculpa de estar passando mal para os meus pais.
— Você ouviu isso, Tikki? – Me sentei na cama e deixei meu Kwami sentar em minhas mãos.
— Mais ou menos... – Tikki fez uma careta estranha. – Desculpa, devia ter te contado.
— Que história é essa de “Miraculous Comunicador”?
Tikki flutuou até o meu rosto.
— O Miraculous da Abelha tem muitos deveres: detetive, interrogador e comunicador. O dever dela é contatar os outros Portadores de Miraculous caso ocorra algum perigo que seja necessário todos nós. – Ela fez uma pausa. – E, por causa desse dever, ela é obrigada a saber as identidades de todos os heróis.
— O que?!— Gritei dando um salto da cama.
— Fique calma, Marinette! – Tikki ficou meio brava.
— Como eu posso ficar calma?! – Desci as escadas e comecei a andar para os lados com as mãos prensando a cabeça. – Ela sabe as nossas identidades! Eu nem sei se podemos ou não confiar nela! E se ela estiver aliada com o Hawk Moth?! E se ela resolver nos trair?! E se ela for...
— Marinette! – Tikki gritou pela quarta ou quinta vez. Fiquei espantada, ela nunca se altera, sempre foi tão calma e fofa.
Ficamos nos olhando por um tempo. Tikki inspirou forte com as mãos na boca e cobriu os olhos.
— Marinette, desculpa... Eu não sei o que me deu... – Tikki começou a cair aos poucos. A segurei.
— Calma, Tikki, tá tudo bem. – Me sentei no meu divã. – Termina de falar o que você começou.
Tikki respirou fundo e voltou a flutuar.
— Eu não te contei antes porque você já sabia nos dois casos e seria redundante, mas eu posso sentir a força do Kwami em um herói, como naquela vez da Temporizadora. Não senti com a Laila, mas com a Queen B, sim. E se ela foi a escolhida para ser a Portadora do Miraculous da Abelha, ela deve ser confiável. Lembre-se do que o Guardião disse para você.
— “Seja corajosa e confie em seus companheiros”... – Murmurei. – Está bem... E-eu vou tentar. – Sorriso falso.
Subi novamente as escadas para arrumar a cama com alguns travesseiros e almofadas amontoados como se fosse eu encolhida; apaguei as luzes e coloquei uma música suave para meus pais pensarem que fosse eu dormindo.
— Tikki, transformar! – Gritei.
Transformação feita, sai pelo terraço olhando para todos os lados. Fiquei saltando de prédio em prédio sem rumo tentando chamar a Queen B por telepatia. Depois de muito tempo, consegui.
“Aqui, tentem seguir minha presença.”— Ouvi a voz dela na minha cabeça.
“Como?”— Perguntamos Chat e eu.
“Só tentem!”— Ela respondeu.
Não sei como, mas decidi tentar. Me lancei para o prédio mais alto e olhei em volta, procurando sei lá o que. Dei uma volta completa até que comecei a me sentir atraída para uma construção muito familiar: a catedral de Notre Dame.
“Não era mais fácil dizer o prédio?”— Perguntei irritada. Notre Dame fica, literalmente, de frente para a minha casa.
“Eu não disse que precisamos ser discretos?”— Rebateu ela.
“Se é preciso ter tanta discrição, podíamos ter usado os comunicadores.”— Chat retrucou.
“Não sei exatamente qual é o mais seguro, então teremos que testar os dois.”— Ela se defendeu. – “Continuem, estou ficando velha de tanto esperar.”.
Bufei e segui até a igreja.
Aterrissei no campanário e olhei para os lados. Chat apareceu logo depois bem na minha frente.
— Bonjour, My Lady. – Ele fez sua reverência diária.
— Bonjour. – Falei de volta sorrindo.
— Então... Cadê a novata?
— Ué, sei lá. Vim aqui porque é o lugar mais discreto dessa catedral, então...
“Sem mais palavras.”— A ouvimos de novo. Eu e Chat nos assustamos e preparamos nossas armas um de costas grudadas no outro. – “Calma, gente. Venham para o favo de mel brilhante dentro do sino.”.
Procuramos embaixo de cada sino próximo até vermos um com um brilho em baixo e um par de pernas pretas. Uma mão acenou e chamou e fomos até lá. Passamos por debaixo do sino e entramos no hexaedro protetor; lá dentro, senti como se estivesse em um vácuo, como se fosse fora da nossa dimensão. Olhei abaixo dos meus pés e em volta, vi algo como o fundo do mar, mas era amarelo dourado, vazio com umas letras estranhas saindo do chão e estávamos em um tipo de bolha. Eu e Chat olhamos ao redor de boca aberta.
— Uau... – Chat suspirou.
— Bem legal, né? – Queen B perguntou animada.
Balancei a cabeça e voltei meu olhar para a novata.
— Por que nos chamou aqui? E por que tudo isso? – Frieza.
— Ok, vou ser curta e grossa: sei que é cedo demais para confiar em mim, mas preciso ver as pistas que vocês têm da identidade do Hawk Moth.
Fiquei envergonhada.
— Nhem... – Eu e Chat grunhimos sem jeito.
— “Nhem...”? Não me digam que vocês não tem pista nenhuma? – Ela ficou mais séria.
— Hã... Defina “pistas”. – Chat falou sem graça.
Queen B apertou entre os olhos de cabeça baixa.
— Tudo bem, tenho certeza que vocês se esforçaram muito mesmo sem resultado. – Disse ela mais calma.
— Hã... – Vergonha de novo.
— Espera aí, vocês nem investigaram nada? – Negamos. – Nenhum interrogatório? – Negamos. – Nenhum retrato falado? – Negamos. – Sabem qual estilista ele usa? – Uma careta de "fala sério!". Negamos. Depois a dúvida veio.
— O estilista é importante? – Chat perguntou sem pensar.
— Qualquer coisinha a toa conta!— Grunhiu ela. Queen B respirou fundo e meditou alguns segundos. – Ok... – Ela andou até uma ponta da bolha. – Vamos ter que começar do zero. Quando o próximo akumatizado aparecer, vamos leva-lo para um interrogatório para descobrirmos como o Hawk Moth parece.
— Mas, Queen B, os akumatizados não se lembram do que fizeram, quem dirá do rosto do Hawk Moth. – Lembrei-a.
— Sim, mas com o tempo e o dardo certo, eu posso trazer algumas memórias a tona. – Sorriu.
— É perigoso? – Chat.
O sorriso da Queen B murchou.
— Perigoso, sempre é, mas é doloroso. – Ela esfregou o cotovelo. – Ver lembranças tão marcantes trás muito sofrimento. Por isso tem que ser o mais recente possível, gera menos dor.
Cerrei os punhos e abaixei a cabeça.
— Sinto muito, Queen B, mas não posso causar dor para o povo. – Reergui.
[OST: https://youtu.be/cFQLWVl6-ws?list=PLgM9f9lUw8i7JQnxqOPmb7vE30hwPU2FA]
Queen B me olhou estreito. Ela começou a vir até mim ameaçante.
— Se você se importa mesmo com o povo, deveria fazer o que é certo. – Andei para trás quando ela chegou, Queen B continuou andando. Chat segurou discretamente seu bastão. – Se o Hawk Moth continuar na ativa, ele causará uma dor em longo prazo para Paris. – Cheguei à parede da bolha, Queen B me prensava para fora. – Mesmo que seja dolorosa, a minha dor só é em curto prazo e acaba rápido, igual a tirar um curativo da perna. – Eu estava quase pulando para fora, e eu não sabia o que poderia acontecer se eu saísse. Nem sei se tinha ar para eu respirar!— Admiro essa sua bondade e zelo pelo bem estar do próximo, mas no mundo real é preciso fazer sacrifícios por um bem maior. Está comigo ou fora? – Ela falou furiosa.
— Eu... – Eu estava com medo. – Eu...
— Se afasta dela! – Chat chegou e a segurou com o bastão.
Queen B murmurou um riso.
— Shippo muito vocês dois, mas... – Favos de mel brilhantes passaram em volta dela e ela sumiu. Aconteceu novamente nas costas do Chat Noir e ela reapareceu se debruçando nele. – Se sua vontade de lutar se baseia em proteger a sua Lady, então você não devia ser herói. – Chat ficou com tanto ódio que não sabia o que fazer na hora.
— O que você sabe sobre ser um herói?!— Retruquei fervendo de raiva.
Queen B se separou do Chat. Logo depois de segurar um pouco seu rosto, ato que Chat recusou.
— Eu sei que heróis fazem o que é certo, não importa o quanto seja doloroso... Para ele ou outra pessoa. – Ela caminhou até mim de mãos na cintura. – Vocês tem uma visão muito romantizada do que é ser um herói, estou aqui para quebrar isso. – Nos encaramos como se fossemos lutar a qualquer momento.
Queen B respirou bem fundo.
— Ok. – Ela voltou a ser a garotinha alegre. – Vou dar um dia inteiro para pensarem, caso digam sim ou não, é só voltarem para esse mesmo lugar nesse mesmo horário. Obrigada por sua atenção. – Queen B estalou os dedos.
Hexaedros dourados vieram para cima de mim e do Chat, foram poucos frames de favos de mel dourados até eu aparecer no meu quarto. Me senti tonta, minha cabeça estava dando voltas, caí sentada na cama e me destransformei. Tikki voltou girando e pousou no meu colo.
— Ela é bem intensa... – Tikki balbuciou.
— Tem certeza que ela é confiável...? – Segurei uma ânsia de vomito.
— Não muito... – O mesmo para Tikki. – Mas ela está com uma razão...
“Você deve sempre escutar seu Kwami.”— Ouvi a voz da Queen B na minha cabeça de novo. Achei que pioraria tudo, mas, estranhamente, quanto mais ela falava, mais eu me sentia melhor. – “Quero que pensem com carinho na minha proposta. Sei que deve ser errado agora, mas os resultados valerão a pena. Tentem não se arrepender depois.”— Ela sumiu.
***
Adrien/Chat Noir
— Viu? Eu não disse? – Plagg ressaltou o que disse sobre a Queen B saber o que está fazendo depois de a ouvirmos em nossas mentes de novo.
— Pra mim ela é louca. – Levantei do chão do banheiro da escola quando me senti melhor do enjoo.
— Você só diz isso porque ela foi dura com a Ladybug. – Plagg cruzou os braços.
— Ela podia ter matado ela!— Gritei.
— Ah, qual é! Era teatrinho. Nunca viu séries policiais, não? – Ele retrucou.
— Que seja! – Bufei e pensei um pouco. – Mas... Vocês dois estão certos. – Plagg relaxou surpreso. – Prender o Hawk Moth é o mais importante. Mesmo que alguém tenha que se ferir, eles vão nos agradecer depois. – Me apoiei na pia. – Mundo real... – Refleti.
***
Marinette/Ladybug
— Então... Como vai ser? – Tikki perguntou.
— Acho que não tenho escolha, tenho? – Riso de nervoso. – Acho que pode valer a pena. – Tikki continuou me olhando, esperando uma resposta concreta. – Eu vou dizer sim. – Conclui decidida.
Fale com o autor