Marinette estava com uma enorme dor de cabeça naquela manhã. Acordou com a voz de Sabine que havia subido até seu quarto, preocupada por ela não ter descido para o café.

— Filha, você melhorou?

Dessa vez Marinette não precisou mentir

— Não mãe. Estou péssima! Minha cabeça dói.

— Você não pode ir à escola hoje. Quer que a levemos ao médico?

— Não precisa, vou melhorar. Tenho apenas que descansar um pouco mais.

— Está bem. Se quiser, volte a dormir. Vou ligar para a escola e pedir que mandem a lição de casa por alguém.

— Obrigada mãe!

Claro que não conseguiria voltar a dormir, os acontecimentos do dia anterior vieram quase que instantaneamente invadir seus pensamentos assim que ela abrira os olhos.
Olhou para Tikki que já estava do seu lado.

— Você está bem Marinette?

— Sim Tikki, apenas com dor de cabeça. Provavelmente por ter chorado muito ontem. – Ela sentou-se na cama e franziu a testa — A propósito Tikki, porque apesar de tudo eu não fui uma vítima de akuma?

Tikki pensou sobre aquela pergunta antes de responder. Não sabia ainda o quanto poderia revelar a garota, mas decidiu que um pouco da verdade não lhe faria mal.

— Marinette, você não foi escolhida para ser portadora de um miraculous à toa. A Lady Bug não pode ser uma pessoa que não consegue ter controle sobre fortes emoções, principalmente raiva, ódio ou tristeza. Apesar de você ter ficado arrasada com tudo que aconteceu, conseguiu manter o controle e não deixou que a mágoa a dominasse! Seu choro incontrolável foi como um desabafo que liberou todo sentimento negativo dentro de si.

Marinette refletiu que Tikki tinha razão. Ela havia desabafado nos braços de Chat Noir e depois no telefone com a Alya. Havia se esvaziado daquela dor intensa.

— Às vezes as lágrimas podem curar... — Conjecturou

— Exatamente! Você não foi vítima do akuma porque não permitiu que a mágoa e a ira dominassem seu coração, mesmo enfrentando muita dor e sofrimento.

Marinette lembrou-se de quando tropeçou e caiu nos braços de Adrien. Talvez tenha sido o momento mais difícil para se manter o controle, pensou. Por um breve momento achou que gritaria toda a sua dor diante dele, tinha sido pior do que enfrentar a Chloé no banheiro. Mas conseguiu reunir o resto de força que ainda tinha para simplesmente fugir dali.

— Agora eu entendo Tikki. Creio que aprendi um pouco mais sobre mim com tudo isso.

— Faz parte do amadurecimento Marinette. O controle de suas próprias emoções vem com a maturidade e passar por momentos difíceis e dolorosos faz parte do processo.

A garota suspirou.

— Isso me faz pensar que devo agradecer ao Chat Noir. Ele me ajudou muito ontem. Se ele não estivesse aqui, não sei se realmente conseguiria me livrar de toda aquela dor intensa sozinha – Ela pensou em como ele havia sido carinhoso e compreensivo. Ele ficou ouvindo suas lamúrias sem julgá-la, apenas lhe emprestando seus ouvidos e o conforto do seu abraço.

— Chat Noir é seu parceiro e amigo Marinette e mesmo ele não sabendo que você é a Lady Bug, de alguma forma ele a encontrou para auxiliá-la em mais uma batalha, agora no âmbito pessoal.

— Tem razão Tikki! Não consigo me livrar desse gato bobo – Marinette sorriu pensando no loiro mascarado.

***

Adrien chegou à padaria dos Dupain-Cheng naquela tarde ensolarada. Pediu ao gorila que o esperasse. Ele não pretendia demorar ali dessa vez. Suspirou. Ele precisou usar toda sua persuasão para convencer Alya a deixá-lo levar a matéria escolar para Marinette. Porque precisava vê-la.
Alya havia dito à amiga que Adrien não sabia de nada do que tinha acontecido. E que achava apenas que ela havia passado mal no final da aula e por esse mesmo motivo faltado naquele dia.
Isso foi outra coisa que Adrien teve muito trabalho para convencer a ruiva a dizer, ela não queria mentir para a melhor amiga. Mas no final ela entendeu que se Marinette soubesse seria muito mais difícil ela voltar para a escola e encará-lo.
Essa era a solução para que ele ganhasse um pouco mais de tempo para tentar resolver as coisas e evitaria que ela se sentisse constrangida com ele.

Entrou pela porta e sentiu o cheiro delicioso de pão fresco, além do familiar perfume de flores e baunilha.

— Boa tarde Sabine!

— Adrien! – Ela o abraçou – Que bom revê-lo.

— O prazer é meu. Vim trazer as lições para a Marinette, ela melhorou?

— Sim, ela está bem melhor. Eu vou chamá-la. Venha aguardar aqui na sala.

— Obrigado, Não vou demorar.

— É sempre bom ter você aqui querido. Espere só um instante, vou avisar minha filha que você está aqui.
Adrien sentiu um leve desconforto. Sabia que esse encontro seria difícil, mas não podia simplesmente esperar até ela voltar para a escola. Queria, ou melhor, precisava vê-la!

Marinette fechou o diário com um suspiro. Havia acabado de registrar os acontecimentos do dia anterior. Relembrar tudo aquilo a deixou um pouco triste, mas ajudou a colocar as idéias no lugar.

Ouviu a leve batida na porta do quarto, seguida pela voz da mãe:

— Filha você tem visita!

— Está bem mãe. Já vou descer.

Quem poderia ser? Se fosse a Alya com certeza sua mãe a teria mandado subir. Desceu as escadas tentando ajeitar os cabelos soltos que caíam-lhe sobre os olhos.
Estacou no último degrau quando viu quem a esperava.

— A-adrien...

Ele viu tudo no olhar que ela lhe lançou. A surpresa, seguida de dor e tristeza. Ela parecia tão vulnerável com os cabelos soltos, pés descalços e um moletom folgado, mas continuava linda.

— Oi Marinette – ele forçou-se para sorrir – Como você está? Alya me contou que ontem você passou mal na escola e ainda não tinha melhorado.

— Pois é – Marinette respondeu coçando a nuca. Estava muito nervosa, mas exercitou seu autocontrole – E-eu estou bem melhor agora.

Adrien viu o alívio nos olhos azuis com o que ele havia dito. Pensou que havia tomado a decisão certa de não deixá-la saber que ele sabia sobre os sentimentos dela.

— Que bom que está melhor. Fico feliz – ele se aproximou de Marinette e percebeu que ela deu um passo para trás. Ele sentiu uma dor aguda no peito, mas não deixou transparecer – Aqui estão as lições de hoje.

Ele estendeu a mão com o envelope pardo. Ela demorou alguns segundos para se aproximar dele. Pegou o envelope de sua mão sem fitar seus olhos.

— O-Obrigada – murmurou. Não podia chorar agora, pensou Marinette. Ela precisava ser firme. Prosseguiu – M-me perdoe p-por o-ontem ter saído correndo sem... Dizer nada. É que eu realmente não me sentia bem... então...

— Está tudo bem Mari – Mais dor nas íris azuis quando ele a chamou pelo apelido carinhoso – Eu compreendo e não se preocupe com isso.

Ela assentiu e o silencio pesou sobre os dois até que Sabine entrou na sala

— Adrien porque você não almoça conosco?

Sem tirar os olhos de Marinette, ele respondeu.

— Eu agradeço muito Sabine, mas hoje não posso. O gorila está me esperando lá fora. Eu tenho aula de piano daqui a pouco.

Mais uma vez ele leu o semblante da garota. Espanto, medo e finalmente o alívio quando ele negou o convite.
Adrien suspirou. Levaria um bom tempo para ganhar a confiança dela de novo. Se conseguisse isso...

— Eu... Tenho que ir – ele queria abraçá-la, beijar-lhe o rosto como já havia se acostumado a fazer quando se encontravam. Queria pedir perdão por ter sido um completo idiota, mas não fez nada disso. Quando ela o olhou seu coração se partiu mais uma vez.

— Obrigada por ter se preocupado em me trazer a matéria.

— Não precisa agradecer. Eu queria saber como você estava — e essa era a desculpa, pensou — Até amanhã Marinette. – Virou-se para a mãe da garota – Obrigado mais uma vez Sabine. Até logo.

— Tchau querido, volte com mais tempo está bem.

Ele sorriu e se foi.

Sabine ficou olhando a filha que permanecia paralisada no mesmo lugar, com o pensamento distante. Ela já estava desconfiada de que havia acontecido algo a mais com Marinette, além do mal estar repentino.
E depois de presenciar a conversa dos dois na sala, tão distantes e formais, seu coração de mãe se alarmou.

— Está tudo bem entre você e o Adrien filha?

Marinette assustou-se com a pergunta da mãe

— Hã? Eu... Claro, mãe! Está tudo bem sim. Eu tenho que subir e começar a estudar essa matéria senão ficarei perdida amanhã. – Ela subiu as escadas correndo e Sabine teve a certeza de que algo estava errado, mas não insistiu com a filha. Às vezes os pais precisavam deixar os filhos resolverem seus próprios conflitos. Era difícil não se intrometer, mas Marinette sabia que podia contar com ela caso precisasse.

Marinette entrou no quarto e limpou uma lágrima teimosa que escorregou pelo seu rosto. Suspirou. Quantas vezes ainda teria que se conter ao fitar os olhos de esmeralda para não desabar!

***

Adrien estava na sala de música da mansão a mais de duas horas. Após o término de sua aula de piano, ficou ali, sentado em frente ao instrumento, atingido por uma onda de lembranças que tomaram sua mente. Começou a tocar a canção que ele e Marinette apresentaram na exposição do colégio. Lembrou-se da doce voz da garota que enchia aquela sala nos dias em que haviam ensaiado para a apresentação. As longas conversas depois do ensaio quando iam fazer um lanche e a despedida no portão, sempre com um beijo no rosto corado dela. O sorriso doce e terno que ela sempre lhe dirigia quando não estava nervosa.
Agora ele conseguia entender a maior parte das atitudes dela quando estavam juntos...
Porque gaguejava tanto e às vezes as frases saíam tão incoerentes. Porque sempre corava quando ele lhe dirigia a palavra. Ele entendeu porque ela foi tão ousada chamando seu pai para a exposição só para vê-lo feliz.
Tantas coisas agora estavam tão claras! Mas porque demorou tanto para perceber?
Talvez por estar tão apaixonado pela Lady Bug, ficou cego para tudo mais ao seu redor.
Mais ainda assim Marinette conseguira a atenção dele, conseguira atraí-lo, intrigá-lo, deixar seu coração confuso! Já estava pensando seriamente sobre iniciar um relacionamento com ela...
Mas então tudo acabou... Não! Ele se recusava a perder Marinette. Já tinha pensado muito sobre o assunto e havia tomado uma decisão. Talvez fosse arriscado, mas por ela valeria à pena.
Adrien parou de tocar o piano. Naquela música faltava algo e era a voz da sua Mari. Por mais perfeito que ele tocasse a melodia, sem a voz dela, não tinha vida nenhuma naquela canção, pelo menos pra ele...
Nathalie veio avisá-lo sobre o jantar, mas ele recusou. Havia perdido o apetite.
Foi para seu quarto e aguardou a hora certa.

— Plagg, preciso de você!

— Você não vai me usar para visitar a garota!

— Por acaso os kuamis podem ler pensamentos?

— Eu não preciso desse poder com relação a você Adrien! Está na sua cara que você quer reconquistar a Marinette usando o seu alter ego.

— Plagg, eu preciso fazer isso! Por favor, me ajude! – O loiro olhou para seu kuami com olhar suplicante

— Eu quero porções extras de camembert para o resto da vida entendeu?

— Fechado! Podemos ir?

O gatinho negro sorriu vitorioso

— Apenas diga as palavras.

Adrien sorriu também e foi exatamente o que fez.

***

Marinette estava na sacada, encostada na grade e olhava o brilho da cidade luz. Tikki dormia tranquilamente no bolso interno de seu casaco. A noite estava fria e calma. Poucas pessoas andando pelas ruas àquela hora da noite. Enquanto admirava a paisagem, os pensamentos da garota corriam soltos. Havia ficado abalada com a visita de Adrien naquela tarde. Esperava vê-lo apenas na escola quando já estivesse psicologicamente preparada para isso, no entanto, ele a pegara desprevenida, totalmente vulnerável.
E mesmo sabendo o que ele havia feito, teve vontade de correr e abraçá-lo, beijá-lo e dizer que apesar de tudo ainda o amava...
Era mesmo uma tola! Suspirou pesadamente.

— Está suspirando por mim princesa?

Marinette sobressaltou-se quando ouviu a voz de Chat Noir logo atrás de si. Virou-se ficando de frente com os impressionantes olhos felinos.

— Chat Noir! Você precisa parar de me assustar desse jeito!

Ele lhe deu um sorriso maroto e pegou na sua mão onde depositou um beijo suave.

— Desculpe chérie. Você estava tão distraída em seus pensamentos que não me ouviu chegar. Estava pensando em mim?

— Engraçadinho! Vai sonhando...

Ele a trouxe para seus braços com um gesto suave. Ela estava começando a se acostumar com aquilo.

— Como você está?

— Estou... Melhor.

— Ainda bem. Fiquei preocupado por você não ter ido à aula hoje.

— E como você sabe que eu não fui à escola?

Ele coçou a nuca constrangido, mas logo deu de ombros

— Eu tenho meus contatos. Sou muito bem relacionado sabia?

— Nossa... Estou impressionada! – ela ironizou

Ele acariciou-lhe o rosto

— Posso te impressionar muito mais...

Ela desvencilhou-se dele e voltou a encostar-se na grade

— Você não tem jeito!

Ele encostou-se na grade ao lado dela.

— O que posso fazer? Sou irresistível!

Ela riu. Ele estava amando vê-la rir

— E modesto!

Os dois ficaram um tempo em silêncio, apenas admirando a bela paisagem noturna.

— O Adrien veio aqui... – ela murmurou

Chat Noir suspirou

— É... Mesmo?

Ela balançou a cabeça afirmativamente

— Veio me trazer a matéria da escola.

— Sério? Só isso?

— Sim e ele disse que estava preocupado comigo. Ele não sabe o que houve realmente. Alya me disse que contou a ele que eu havia passado mal na escola. Ele não sabe que eu o vi com a Chloé.

— Hum... Melhor assim não é? E... Como você se sentiu?

— Péssima! Não estava preparada para encontrá-lo ainda. Fiquei arrasada depois...

Chat a olhou sentindo-se culpado de novo.

— Ah princesa... Sinto muito!

— Tudo bem. Eu vou dar um jeito de lidar com isso. Só preciso de mais tempo para arrancar esse amor do meu coração. Imagino que amores não correspondidos devem ser mais fáceis de esquecer...

— Sinto te desapontar princesa, mas não são.

— E como você sabe disso Chat?

Ele ficou pensando antes de responder a pergunta, Era estranho falar sobre aquilo com ela. Se estava tentando reconquistá-la como ficaria falando de seu outro amor?
Entretanto decidiu que era melhor ser sincero dessa vez

— Porque assim como você chérie, eu também sofro com um amor não correspondido.

— Sério? – Marinette o olhou com as íris azuis cheias de interrogação.
Chat se arrependeu de ter começado a falar, mas agora já era tarde. Respondeu apenas

— Lady Bug.

— O que? – Marinette deu dois passos para trás tropeçando em seus próprios pés e quase caindo.
Só não caiu porque Chat a segurou

— Cuidado princesa. Porque se assustou tanto? A maioria das pessoas sabe da minha queda pela lady Bug.

— Sim, claro. Mas estamos falando de amor e não de uma simples quedinha.

Chat suspirou, onde aquela conversa o levaria

— Bom, sim é isso. Eu amo a heroína de Paris e não sou correspondido. Ela nem sequer me leva a sério!

— Talvez seja por causa desse seu jeito galanteador ora. Como ela pode saber que você fala sério?

Marinette estava achando tudo aquilo uma loucura. Chat Noir amava lady Bug? Ele a amava? Realmente até hoje ela não levava suas cantadas a sério, achava que ele devia fazer isso com todas as garotas. Além de achar que ele também era um pouco convencido.

— Eu não fico por aí jogando cantadas para todas as garotas sabia? – ele disse parecendo ler seus pensamentos — Apenas para ela!

Diante das sobrancelhas arqueadas de Marinette ele só pode sorrir e emendou

— E não sei por quê... Para você também...

— Agora estou lisonjeada! – Ela suspirou novamente – Não sei o que dizer Chat...

— Tudo bem. O problema é que isso nos leva a seguinte conclusão. Não se esquece facilmente um amor não correspondido. – Ele aproveitou aquela oportunidade para desabafar – Já vai fazer um ano que eu e lady Bug somos parceiros. Eu me apaixonei por ela desde o dia em que a conheci. Ao final de nossa primeira batalha juntos, já estava totalmente louco por ela...
Pela sua coragem, força, determinação, inteligência e claro sua beleza. Ela é incrível!

Marinette estava perplexa com a admiração que o parceiro sentia por ela e até então não tinha a menor noção!

— Mas... Como você pode amar assim alguém que você não conhece Chat? E se... Em sua forma civil ela não for tão corajosa, forte e determinada quanto você pensa?

— Eu a amaria de todo jeito chérie. Não posso evitar. Apesar de que ando enfrentando certa confusão de sentimentos recentemente. – Ele disse pensando nos sentimentos que começava a nutrir pela garota ao seu lado.

Marinette não entendeu muito bem o que aquilo significava, mas preferiu não se aprofundar muito. Sentia-se culpada por fazê-lo sofrer, assim como ela estava sofrendo... Mas como poderia corresponder ao seu amor se seu coração ainda pertencia ao Adrien? E ainda corria o risco de Chat ficar decepcionado quando descobrisse que a fantástica Lady Bug na verdade era apenas a tímida e atrapalhada Marinette Dupain-Cheng.

— Sinto muito Chat... — murmurou

— Não se preocupe chérie – ele queria mudar de assunto – um dia ela saberá o que sinto de verdade.

Marinette lembrou-se de suas próprias tentativas frustradas em demonstrar seu amor a Adrien.

— Eu tentei me declarar ao Adrien tantas vezes, mas todas foram frustradas – ela estava absorta nas lembranças com um meio sorriso nos lábios – Certa vez eu escrevi uma carta.

— Sério? – ele não se lembrava de ter recebido – você não conseguiu entregar?

— Consegui! Só que eu não assinei... Foi no dia dos namorados. Eu o vi escrevendo um poema na sala de aula. Ele jogou o papel na lixeira e eu esperei todos saírem da sala e procurei no lixo até encontrar o papel com o poema dele.

Chat enrubesceu de imediato e agradeceu aos céus por estar escuro.

— Não acredito que fez isso!

— Eu sei, foi patético!

— Não foi isso que eu quis dizer...

— Mas eu não me importei, só queria ver para quem ele estava escrevendo. O pior é que eu achei que era pra mim, mas é óbvio que não era... – suspirou triste — Mas enfim, a Alya me trouxe um cartão rosa em formato de coração, muito fofo e então eu respondi ao poema dele e mandei pelo correio, mas por uma distração eu não assinei e ele nunca falou sobre isso comigo. Com certeza pensou que o cartão anônimo era da pessoa para a qual havia escrito o poema...

Chat não podia acreditar! O cartão que ele ainda guardava com todo cuidado e pensava ser da sua lady era na verdade de Marinette! Quantas surpresas ainda podia esperar da garota de olhos azuis?

— Isso me faz lembrar da minha tentativa frustrada de dizer a lady Bug que a amava bem no dia dos namorados também.

— Você... Iria se declarar pra ela naquele dia?

— Sim. Fui ao encontro dela com aquele intuito na cabeça. Assim que a encontrasse, antes de qualquer coisa, eu falaria. Mas o Cupido Negro lançou uma flecha contra ela bem na hora em que eu estava começando a me declarar. Eu me fiz de escudo para protegê-la e a flecha me pegou em cheio. Eu fui enfeitiçado e disse coisas horríveis pra ela.

— Nossa! Mas pelo menos você ganhou um beijo no final. — Marinette disse se arrependendo em seguida. Porque havia falado isso?

— Beijo? Que beijo?

— Ora, que lady Bug te deu para quebrar o feitiço!

— O que?

— Vai me dizer que você não lembra? A... Alya me disse que havia algumas pessoas na praça e viram lady Bug beijar você...

— Não me lembro de nada!

Ela estava tão surpresa com todas aquelas revelações que começou a rir sem parar.
Chat Noir a olhou confuso

— Que foi?

— Nós dois somos péssimos em declarar nossos sentimentos Chat! – disse ainda rindo

Ele se juntou a ela nas risadas. Era bom rir de si mesmo de vez em quando.

— Pois é, parece que sofremos do mesmo mal!

Ela riu mais ainda jogando um pouco a cabeça para trás. Ele se virou e a puxou para perto de si novamente

— É muito bom ouvir essa risada sabia?

Ela parou de rir, recuperando o fôlego e fitando os intensos olhos verdes

— Chat... Eu... Queria te agradecer. Por tudo que você fez por mim ontem e hoje.

Ele pegou uma mecha do cabelo negro azulado que havia se soltado e o prendeu atrás da orelha delicada.

— Não precisa me agradecer. Agora eu tenho que ir e deixar você descansar – ele viu certo desapontamento no olhar dela com sua partida, o que o encheu de esperança – Vai para a escola amanhã não vai? Não quero ver você triste em casa. Você é forte e vai encarar essa situação de cabeça erguida!

— Sim... Gostaria que você estivesse lá – Falou no impulso – Para me apoiar – emendou enrubescendo.

Ele sorriu de um jeito que a fez arfar.

— Apenas pense em mim. – Beijou suavemente o rosto corado – Eu voltarei aqui mais vezes.
Não era um pedido, mas uma promessa.

— Boa noite princesa. Durma bem.

— Boa noite Chat.

Ele estendeu o bastão e pulou da sacada. Marinette ficou observando o gato negro sumir por entre as ruas escuras da cidade. Não entendia porque sentia aquele aperto no peito ao vê-lo partir. A noite parecia ter ficado ainda mais fria quando ele se foi.
Ela fechou um pouco mais o casaco e entrou para o quarto pensando, com um sorriso bobo nos lábios, em como aquele gato atrevido tinha entrado em sua vida sem ao menos pedir licença!

***