Miraculous - Amor Revelado

27 O baile - Parte 1 - Ponto de equilíbrio


Ela tinha voltado! Como baixara a guarda e não havia ficado de olho nela durante todo aquele tempo? Essa era sua obrigação como heroína de Paris! Manter os olhos abertos! Lady Bug pulava de prédio em prédio no rastro da raposa traiçoeira. Voltara com mais mentiras e mais ilusões e novamente estava mantendo Adrien como refém.

O desespero da joaninha assumiu proporções gigantescas! Chat Noir parecia haver tomado chá de sumiço, droga! Onde aquele gato estava quando se mais precisava dele?
Seguiu Volpina até a torre Eifel... Não... De novo não...!

— Me entregue seus miraculous Lady Bug!

Já estavam a uma altura considerável e o braço que segurava o pulso de Adrien balançava perigosamente.

— Deixe o Adrien em paz Volpina! É a mim que você quer, venha lutar comigo!

— E para quê eu me daria a esse trabalho, queridinha, se você vai me entregar os brincos de boa vontade.

— Nunca!

— Sério? Prefere ver o amor de sua vida morrer Lady Bug? Ou devo dizer Marinette!

Lady Bug empalideceu, os olhos arregalaram-se e ela perdeu completamente a fala.

— Pensou que iria manter seu segredo até quando Marinette? – Volpina, ou melhor, Lila fazia questão de frisar sua identidade secreta.

Olhou para Adrien e sua expressão era de genuína surpresa, mas não disse nada. Pode ser apenas uma ilusão. Como saberei? Onde você está Chat Noir?

Volpina continuava com as ameaças

— Me entregue os brincos agora! Ou o Adrien vai despencar da torre e você sabe que não vai conseguir pegá-lo porque no segundo em que eu o soltar vou atacar você e pegar o miraculous! Mas talvez você prefira escolher entre a vida dele e a sua...

Lady Bug estava sem opções, poderia tentar pegar o Adrien com o ioiô e se defender do ataque da Volpina ao mesmo tempo. Ela já havia estado em situações piores, porém tinha muito em jogo para arriscar...

— Tic tac, tic tac. Seu tempo está acabando joaninha. Decida-se!

— Não entregue nada a ela Lady Bug! – Adrien gritou e recebeu um safanão da raposa

— Cale a boca loirinho! Se não quiser ter esse lindo rostinho espatifado no cimento.

Lady Bug gemeu de frustração. Não tinha saída. Não iria arriscar a vida de Adrien. Aquilo não era uma ilusão! Ouviu a voz dele, era muito real, diferente da última vez. Suspirou em rendição.

— Está bem Volpina. Eu lhe darei o que você quer...

A raposa riu triunfante enquanto Lady Bug removia os brincos e o brilho vermelho a transformava novamente em Marinette.

Volpina se aproximou, ainda segurando Adrien pelo pulso. Marinette se agarrou nas barras de ferro da torre e olhou para Adrien, o rosto muito próximo do seu.

— Me perdoe...

Ouviu novamente a voz daquele que amava mais que tudo no mundo, mais que sua própria vida.

— Mari...

Volpina tomou os brincos das mãos de Marinette e fitou o loiro com crueldade.

— Não preciso mais de você! E se não pode ser meu, também não será dela! – A raposa o soltou e Marinette estava impotente, não podia fazer absolutamente nada.

— Adrieeenn! Nãaaaaoooo!

A última imagem que viu foram os olhos de esmeralda se fechando lentamente enquanto o corpo despencava da torre, como se estivesse em câmera lenta.

Marinette acordou com o próprio grito de pavor. Fazia frio, mas a garota suava, devido à enorme agitação de seu sono conturbado. Segundos depois Tikki estava na frente do seu rosto.

— Você está bem Marinette?

— Não! Tikki Transformar!

Em poucos minutos Lady Bug estava na lateral da mansão Agreste. Subiu pela parede e parou na janela do quarto de Adrien. Visualizou o corpo do loiro deitado na enorme cama coberto com um edredon até o pescoço. Dormia tranqüilo, em segurança. Só então a heroína permitiu-se voltar a respirar normalmente, as batidas descompassadas de seu coração foram se estabilizando. Encostou a cabeça no vidro da janela e só então raciocinou sobre o que havia feito. Saíra no meio da madrugada e saltara como uma louca por prédios e casas até parar em frente à janela de Adrien apenas para se certificar de que ele estava bem, isso depois de ter tido um pesadelo terrível o qual ela não queria nem mesmo se lembrar, mas era impossível. As imagens ainda estavam tão vívidas na sua mente... O medo gelava seu coração e lhe causava pequenos tremores por todo corpo. Olhou para suas mãos que seguravam o ioiô, estava tremendo. Olhou novamente para o interior do quarto e viu Adrien se remexer na cama, mudando de posição. Grossas lágrimas desceram pela face da joaninha... Ela o amava demais e seu maior medo era perdê-lo. Saiu dali correndo e saltando, praticamente voando pelas ruas de Paris, enquanto o sol nascia no horizonte, mas seu coração havia ficado com seu amor naquele quarto.

— Marinette, o que foi tudo aquilo?

Tikki lhe perguntou logo depois que desfez sua transformação. Marinette sabia que ela merecia uma explicação para aquele uso repentino de seus poderes sem uma causa realmente necessária, porém a garota ainda estava em profunda reflexão sobre o sonho que tivera e sua atitude quando acordara.

— Tikki, eu vou lhe explicar, mas você poderia, por favor, ir à cozinha buscar alguns cookies. Não deve ter ninguém lá, ainda está muito cedo.

A kuami entendeu que Marinette precisava de um tempo sozinha.

— Está bem... Eu já volto.

Marinette suspirou. Pegou sua maleta com o diário e abriu. Começou a folhear as páginas até encontrar o registro do dia em que havia enfrentado Lila, vítima de um dos akumas de Hawk Moth e batizada de Volpina. Leu e releu aquelas palavras registradas há quase dois meses.

Tikki aproximou-se com alguns biscoitos empilhados nas pequeninas mãos. Enquanto comia, viu Marinette retirar o papel rosa que estava cuidadosamente dobrado e guardado na contra capa do diário.

A garota havia decorado cada palavra escrita naquela carta em que declarava seu amor a Adrien.
Olhou para Tikki e de novo para o papel em suas mãos.

— Não posso me declarar ao Adrien...

— O que? – A voz da kuami elevou-se

Marinette sentiu as lágrimas que queriam voltar a inundar seus olhos, mas ela as segurou.

— Tikki... Eu não posso ficar com ele.

— Ficou maluca Marinette? Do que você está falando?

— De mantê-lo em segurança Tikki! Se por uma benção dos céus eu tiver a chance de ter meu amor correspondido por ele, como vou manter esse relacionamento sendo a Lady Bug? Você já parou pra pensar se alguém descobrir minha identidade secreta e usar o Adrien para me atingir? Tikki, imagina se Hawk Moth souber? Do que ele não seria capaz para por as mãos nesses brincos? – Ela tocou as orelhas onde jaziam seus miraculous.

— Mas porque você está pensando assim? – Marinette então contou a Tikki o sonho que havia tido, cada detalhe que ainda estava vívido na sua mente. E enquanto narrava as cenas assustadoras, voltou a sentir o medo e a dor de perder o seu amor.

— Você entende agora Tikki? Eu não estava pensando direito, mas agora tudo está bastante claro pra mim. Talvez esses desencontros que eu e ele tivemos durante esse ano e o fato de que eu nunca consigo me declarar seja o próprio destino que nos impede de vivermos esse amor que poderia nos destruir. – Marinette deixou que uma lágrima teimosa descesse por seu rosto – Eu voltei a ler o diário relembrando aquele dia em que enfrentamos a Volpina. Eu estive prestes a entregar meu miraculous Tikki... Se Chat não estivesse lá, talvez o sonho dessa noite tivesse sido a realidade daquele dia. E eu entregaria os brincos porque seria incapaz de escolher entre ele e qualquer outra coisa ou pessoa, você entende?

A joaninha assentiu.

— Se Hawk Moth por as mãos nesses brincos ele conseguirá derrotar o Chat Noir e obterá o poder absoluto. Com esse poder em suas mãos Paris seria apenas o ponto inicial da destruição que ele espalharia pelo mundo todo... – ela fechou os olhos como se não quisesse ter esses pensamentos — Não posso permitir que isso aconteça!

Tikki entendia muito bem os temores de Marinette e sentiu muito orgulho da sua jovem portadora. Ela tinha um senso de responsabilidade enorme e havia amadurecido de forma surpreendente para sua idade e em pouquíssimo tempo. Mas havia algo que ela não sabia e que talvez a fizesse mudar de idéia, porém a joaninha não poderia interferir. Respirou profundamente em total desalento.

— Marinette, tudo isso são conjecturas, possibilidades. Você não tem certeza de nada!

— Mas não posso arriscar Tikki! – Ela enxugou as lágrimas corajosamente – Mestre Fu dissera que provavelmente teríamos que fazer escolhas difíceis e talvez abrir mão de nossa vontade, de nós mesmos, para que pudéssemos evoluir e amadurecer. Creio que chegou a minha vez de fazer uma escolha difícil Tikki... E eu escolho sacrificar o que eu quero para manter o Adrien em segurança e também a todas as outras pessoas pelas quais recebi a missão de proteger! Talvez esse seja o meu ponto de equilíbrio que esteve perdido. A convicção de que fui escolhida para defender Paris e não posso ficar vulnerável por esse amor e nem permitir que ele corra perigo por minha causa.

— Mas e o Adrien? E se ele se declarar a você? Vai conseguir rejeitá-lo?

Marinette fitou os olhos azuis da kuami com uma expressão de genuíno desespero. Não havia pensado nisso! O que ela faria se o garoto por quem era apaixonada há um ano, com quem sonhava todas as noites e simplesmente tinha seu coração nas mãos, se declarasse dizendo-lhe que seu amor era correspondido? Teria forças para dizer não?

— Eu não vou deixar que ele me fale nada no baile, porque sei que se ele disser não terei forças para negar meu amor... Mas depois não nos veremos mais. As férias escolares serão uma ótima oportunidade para eu me afastar. Provavelmente não ficaremos na mesma sala no próximo ano. Adrien é muito adiantado nas matérias, enquanto eu... Preciso me esforçar muito para ficar na média... – ela estava sofrendo absurdamente só de pensar em tais possibilidades – A distância e o tempo resolverão o problema e farão com que esqueçamos um do outro. – Ela concluiu sem muita convicção.

Tikki estava profundamente triste. Ela e Marinette já tinham uma conexão muito forte e a dor de sua portadora era também sua dor.

— Você realmente acha que será assim?

Marinette olhou mais uma vez para a carta em suas mãos.

— Preciso acreditar que sim... Mas no momento eu sei que nem em um milhão de anos esqueceria o quanto eu amo o Adrien – ela amassou o papel rosa que continha as palavras de amor e jogou na lixeira – mas é exatamente por amá-lo que preciso fazer isso...

***

Adrien acordou bem disposto na manhã seguinte. Dormira um sono reparador e um sorriso bobo surgia em seus lábios enquanto se trocava. Só pensava nela e em como queria vê-la de novo! Estava contando as horas para o baile. Ele iria dançar com Marinette e depois da apresentação os dois conversariam seriamente. Chega de mentiras e meias verdades. Ela iria saber que o gatinho que sempre perturbava seu sono, era seu amigo que se sentava em sua frente na sala de aula e que havia lhe roubado alguns beijos e era perdidamente apaixonado por ela! Mal podia esperar para ver a cara da sua princesa. Uma pontinha de ansiedade sobre a reação que ela teria ainda o incomodava, mas não o impediria de revelar seus sentimentos.

— Parece que você acordou de bom humor, já que está com esse sorriso besta na cara.

Virou-se para o kuami que acabara de acordar e estava sentado na cama.

— Você acertou em cheio Plagg! Por isso vou ignorar suas provocações. – Adrien disse entrando no banheiro.

Plagg saiu flutuando até a janela e ficou olhando para o lado de fora, pensativo. Havia sentido uma tristeza profunda algumas horas antes. Uma dor e sofrimento que não vinha de si mesmo, mas ele sabia qual era a fonte. E isso o estava incomodando imensamente. Tentou ignorar o sentimento como geralmente fazia, já que se acostumara ao fato de que não podia interferir em certas situações, mas dessa vez estava difícil lidar com aquilo. Achou melhor restaurar os laços com seu portador.
Virou-se fitando o modelo que já havia voltado para o quarto.

— Adrien, me desculpe por tudo que falei com você ontem à noite... Acho que passei um pouco dos limites.

O loiro encarou o kuami com ar surpreso. Plagg acordara estranho naquela manhã. Sequer havia pedido o maldito camembert, sendo que era a primeira coisa que queria assim que abria os olhos!
Deu de ombros, talvez ele estivesse se sentindo mesmo culpado.

— Você pegou pesado mesmo Plagg... Mas não posso negar que tinha razão, pelo menos na maior parte das coisas que falou. – Adrien aproximou-se do gatinho negro – E na verdade você me abriu os olhos com relação à Marinette. Eu a amo e quero ser sincero com ela, sem mais mentiras.

— E quanto a Lady Bug? Você já a esqueceu?

Adrien suspirou

— Você sabe que é impossível esquecê-la Plagg! Ela e eu estamos profundamente ligados. Eu sempre estarei ao lado dela, ela é importante pra mim, mas eu escolhi a Marinette. – Adrien disse aquilo com total convicção. Não que tivesse deixado de amar a joaninha, mas a doce Marinette tinha cativado seu coração completamente – Quando eu a vejo é como se tudo se transformasse ao meu redor, não importa o que esteja acontecendo ela me traz paz e uma sensação de que tudo ficará bem. Estar com ela é como estar no olho do furacão, os fortes ventos e tempestades podem estar ao redor, mas no olho existe uma brisa suave e constante calmaria. E este é o meu ponto de equilíbrio Plagg, que eu perdi por estar tão confuso com relação aos meus sentimentos, mas agora eu sei o que sinto e o que devo fazer.

— Espero que esteja certo garoto, porque você realmente se apaixonou por ela. Devia se olhar no espelho enquanto fala da Marinette. Olhos brilhantes e sonhadores, rosto corado e constantes suspiros! Por Deus, quanta melação! – Plagg zombou com uma careta, mas por dentro sentia um misto de alegria e preocupação.

— Isso é amor Plagg! Mestre Fu disse que não existe força maior que essa e ele tem razão! Sinto que posso enfrentar qualquer coisa se no final do dia eu puder estar com a Mari...

— Demorou para entender heim! – Plagg revirou os olhos diante da cara feia que Adrien lhe lançou – Ok, ok, foi mal de novo...

— Está tudo bem seu gatinho abusado, eu te perdôo – O loiro fez um carinho na cabeça do kuami esperando pelo costumeiro sorriso zombeteiro. Mas ao invés disso, Plagg suspirou, desviando novamente o olhar para a janela do quarto.

— Está tudo bem Plagg?

O gato negro respondeu sem se virar

— Sim, tudo bem. Mas se não se importar, poderia me trazer um camembert? Eu to com fome!

Adrien revirou os olhos, mas sorriu. O comedor de queijo fedido estava de volta!

***

Marinette desligou o telefone com um sorriso, Alya tinha o dom de deixá-la mais animada e aumentar sua autoconfiança. Ela havia contado a ruiva sobre a visita de Chloé o que rendeu vários gritos ao telefone e a tradicional frase “eu te avisei!”. Alya ficara super animada e claro cheia de expectativas para a noite. Tinha certeza que seu casal favorito iria se beijar na pista de dança. Uma pontinha de tristeza havia assolado o coração de Marinette, mas ela rejeitou rapidamente o sentimento e aproveitou a oportunidade para provocar a amiga

— E você e o Nino heim? Também vão se beijar na pista?

— Do que você está falando? – Ela berrava no telefone

Marinette não iria se intimidar

— De você e do N-i-n-o! Já passou da hora de ficarem juntos. Como você sempre diz... Se liga amiga!

— Não tem nada a ver Mari, somos só amigos

— Uhum... – de repente Marinette ficara séria – Alya, não perca tempo em ser feliz, valorize quem gosta de você e está bem ao seu lado.

Ouviu o suspiro da ruiva do outro lado da linha.

— Eu sei amiga. Nossa você está muito séria sabia? Devia estar sonhando com aquele modelo lindo de olhos verdes e cabelos dourados que fazem as garotas suspirarem e não ficar aí filosofando sobre a vida!

— Alya! Você não existe. Tenho que desligar para terminar meu vestido.

— Ahhhh, eu sei que deve estar lindo! Arrasa amiga. Beijo e até mais tarde!

Marinette pegou seu material para finalizar o vestido para o baile. Era um modelo que ela mesma criara. Um corpete vermelho bordado com rendas e pedraria, com uma saia rodada por baixo de cor preta e por cima duas partes vermelhas, iguais as asas de uma joaninha. O tecido vermelho de cima tinha um brilho discreto, mas que dava o toque especial à peça. A manga comprida era do mesmo tecido brilhante da saia coberta por uma renda delicada. E o toque final era a máscara. Mesmo que Marinette não fosse declarar seu amor a Adrien, ela queria ter aquela pequena satisfação pessoal de se revelar, mesmo que não completamente, retirando a máscara vermelha enquanto cantava a canção que tanto retratava seu dilema interior.

Terminou de fazer os últimos apliques no corpete e fitou Tikki que estava a seu lado atenta a tudo que fazia. Notou que o olhar de sua kuami estava longe, pensativo. Ela ainda não se conformara com sua decisão.

— Terminei Tikki! O que você achou?

A joaninha analisou a peça mais uma vez. Estava lindo, perfeito! Marinette era muito talentosa, não tinha dúvidas que ela seria uma grande estilista.

— Estonteante Marinette! Você vai ficar maravilhosa nele.

— Obrigada! – ela colocou o vestido de volta no manequim e virou-se para Tikki — Você está bem?

A kuami forçou um sorriso

— Sim, tudo bem.

Marinette sabia que não estava tudo bem e percebeu que a tristeza da joaninha nada mais era do que o espelho da sua própria tristeza. Suspirou

— Bom, vou tomar um banho e começar a me arrumar, senão acabarei me atrasando.

Marinette levantou-se e foi em direção ao banheiro deixando a kuami sozinha no quarto.

Era sua chance, Tikki pensou. Ela havia refletido muito naquela possibilidade. Durante todo aquele dia Marinette esteve ocupada com os variados preparativos para o baile, além de ter ajudado os pais na padaria, mas em seu semblante havia uma sombra de tristeza que Tikki sabia muito bem o motivo e isso deixava a joaninha de coração partido. Ela sabia que não poderia interferir nas decisões de sua portadora, mas talvez pudesse dar só uma ajudinha para o destino. Procurou no vestido o bolso discreto que Marinette colocara para acomodá-la enquanto estivessem no baile. Achou a pequena abertura na lateral da saia rodada. Perfeito! Foi até a lixeira e tirou de lá o papel rosa amassado. Enfiou dentro do bolso, bem no fundo. Esperava que Marinette não notasse que ele estava ali.

***

Adrien ajeitou a gravata verde oliva e sorriu para seu reflexo no espelho. Aquela seria uma noite memorável, mal conseguia conter sua ansiedade. Havia mandando uma mensagem para Marinette avisando que a pegaria em casa, mas ela sutilmente recusou sua carona dizendo que iria com os pais. Adrien não ficou chateado com o fato. Apesar de querer muito que ela fosse em sua companhia, achava super importante o modo como os pais dela participavam e apoiavam tudo que se referia a ela.
Uma nuvem de tristeza passou por seus olhos. Seu pai não havia lhe dirigido mais a palavra desde aquela manhã em que lhe questionara sobre o livro. Adrien não tinha nenhuma esperança de que Gabriel comparecesse a cerimônia no Hotel para ver o filho receber o prêmio.

— Pronto Plagg, podemos ir?

O kuami flutuou até o bolso interno do paletó de Adrien. Pôs a cabeça para fora para perguntar

— Será que lá vai ter queijo?

O loiro revirou os olhos

— Você só pensa nisso seu guloso?

— Eu já te disse que amo camembert! Você também não fica só pensando na sua garota?

— Ela ainda não é minha garota e não a compare com seu queijo fedorento, por favor!

Adrien empurrou a cabeça do kuami gentilmente para dentro do bolso e saiu do quarto. Desceu as escadas e deparou-se com seu pai no hall de entrada conversando com Nathalie. Estava vestido com roupa formal. Adrien franziu o cenho.

— Boa noite, o senhor vai sair?

Gabriel se virou para o filho com a expressão neutra

— Vou com você ao baile Adrien.

— Vai?

— É claro filho. Não poderia deixar de ir à cerimônia em que meu filho receberá um premio de reconhecimento do seu trabalho na escola.

Adrien o olhava surpreso. Ele já havia deixado de participar de outros eventos semelhantes.

— Nathalie irá conosco. – ele dirigiu-se a secretária – Pode avisar ao motorista que já vamos sair.

— Sim senhor.

Assim que ela se retirou Gabriel virou-se para o filho, tocando em seus ombros

— Adrien, me perdoe pelo que houve no outro dia. Eu perdi a cabeça por causa do sumiço desse livro. Ele não me pertence e por isso eu fiquei muito alterado por te-lo perdido.

Adrien sentiu-se culpado, mas não podia dizer a verdade.

— Tudo bem pai. Eu entendo.

— Obrigado filho. Então vamos?

Adrien sorriu

— Vamos.

***

— Marinette, a gente vai se atrasar filha!

Sabine gritou do andar de baixo. Marinette estava atrasada para variar. Tikki a ajudava com a maquiagem

— Já vou descer mãe! – virou-se para a kuami – Ai Tikki, não sou muito boa nessas coisas de maquiagem.

— Você está linda Marinette! Acredite!

Ela se olhou no espelho e gostou do resultado. O vestido vermelho era bem acinturado, os sapatos de salto pretos a faziam ficar mais alta, o que ela achava ótimo, nos cabelos ela havia feito algo bem diferente do seu estilo, moldando vários cachos que desciam por seus ombros, deixando apenas a franja lisa presa de lado por uma discreta presilha. A única jóia que usava além dos brincos era o colar que Chat Noir lhe dera, porque não teve coragem de retirá-lo. Era como se o colar fosse seu elo com o gato mascarado.
Ela havia sonhado com ele também... Ele estava a seu lado na cama, velando seu sono. Ela sentira sua presença e abrira os olhos encontrando as íris felinas que a fitavam com ternura. Ela havia segurado em sua mão e pedido para que ele nunca mais a deixasse sozinha. Lembrou-se do que ele lhe dissera: “Nunca mais mon ange”. A única pessoa que a chamara assim havia sido Adrien no dia da exposição. Engraçado como que em seus sonhos os dois sempre se tornavam uma única pessoa. Até mesmo no terrível pesadelo que tivera de madrugada enquanto Adrien estava sob o domínio de Volpina, Chat não estava lá... Como se...

— Vamos Marinette! – Tikki lhe interrompeu os pensamentos entrando rapidamente no bolsinho do vestido.

Marinette suspirou e deu uma última olhada no espelho, afastando os pensamentos complexos. Ela se daria ao luxo de ter uma noite memorável com o amor de sua vida, uma única noite e depois ela se afastaria.

***

O Hotel Le Grande Paris era magnífico! Bem localizado em um dos pontos turísticos da cidade e se destacava pelo luxo e beleza. Apenas pessoas da mais alta classe eram freqüentadores e hóspedes do hotel, dentre eles artistas renomados, empresários milionários e muita gente famosa.

O grande salão de festas do hotel estava elegantemente decorado com belíssimos arranjos florais.
As mesas dos convidados dispostas harmoniosamente dividindo espaço com a pista de dança e um palco onde já havia um piano e um telão ao fundo. Muitas pessoas já haviam chegado e conversavam animadamente. Todos os alunos do colégio Françoise Dupont haviam sido convidados, bem como seus familiares. Nino foi convidado para comandar o som da festa e estava empolgadíssimo com a oportunidade. Ele, Alya e Adrien conversavam próximo ao palco onde ficava a mesa de som operada pelo moreno.

— Cara essa festa vai ser demais! Olha quanta gente chegando, vocês terão um público recorde hoje heim! – deu um soco leve no ombro do loiro que não tirava os olhos da porta de entrada.

— Adrien, ficar vidrado na porta do salão não vai fazer com que Marinette apareça por ela – Alya alfinetou com um sorriso nos lábios.

— Hã... o que?

Alya revirou os olhos

— Acalme-se, ainda não se acostumou com os atrasos da Marinette?

— Verdade cara. Ela sempre se atrasa para todos os compromissos – Nino concordou

O modelo suspirou

— Se ela não tivesse recusado minha carona já estaria aqui... Mas sei que ela virá com os pais então...

— Então relaxa cara...

— Na verdade, estou um pouco receoso porque... Nosso último ensaio foi um pouco tenso e... Tenho medo de ela desistir da apresentação.

— Tá maluco? – Alya quase gritou. Adrien pestanejou olhando para a ruiva – Ela não vai desistir e muito menos perder a oportunidade de estar com você seu tonto.

Adrien sentiu Plagg se remexer dentro do seu paletó. Com certeza o kuami estava rolando de rir pela forma como Alya o havia repreendido. Muito parecida com o gatinho atrevido.

— E como posso ter certeza disso Alya se ela ainda foge de mim pensando que tenho algo com a Chloé?

Alya lhe lançou um olhar superior, como se soubesse de algo que ele não sabia.

— É porque você não está sabendo das últimas novidades... – a ruiva cantarolou

Adrien a fitou curioso

— Então me conte!

— Acontece que ontem, quando chegou do ensaio, quem a estava esperando em casa para conversar? – sem esperar resposta, diante dos olhares confusos de Adrien e Nino, ela prosseguiu – A Chloé!

— O que? – os dois perguntaram em uníssono.

— Sim, a loirinha esnobe foi até a casa da Marinette para contar toda a verdade sobre o beijo e pedir perdão por tudo o que fez e falou pra ela.

— Então a Chloé cumpriu com sua palavra... – Adrien ficou aliviado com a notícia. Finalmente aquele mal entendido havia sido resolvido e agora só faltava um último empecilho para que finalmente pudesse ficar com sua princesa. Faltava lhe dizer a verdade sobre Chat Noir...

Seus pensamentos foram interrompidos pelo grito abafado de Alya que estava a seu lado. A ruiva olhava para a porta de entrada com um misto de surpresa, admiração e alegria. Adrien seguiu seu olhar e perdeu totalmente o fôlego quando viu a garota que entrava no salão.

***