Miraculous - Amor Revelado
16 Muito tenso para dormir
Marinette respirou fundo. Com a batalha contra o akuma naquela manhã havia perdido metade da aula.
Estava parada em frente à porta da sua sala, tomando coragem para entrar. Segurou o pingente de gatinho e ergueu a cabeça. Tinha que enfrentar seus medos e resolver seus problemas. Não podia se encolher toda vez que se via em uma situação difícil. Deveria deixar que um pouquinho da coragem da lady Bug se manifestasse em Marinette agora. Com esse pensamento abriu a porta.
— Bom dia Srta. Bustier! Desculpe meu atraso... Eu... Tive alguns probleminhas.
A professora estava escrevendo a matéria no quadro e apenas a olhou de relance.
— Tudo bem Marinette. Esse ataque de akuma mais cedo acabou atrasando a todos. Você melhorou?
Marinette assustou-se com a pergunta até se lembrar de que todos achavam que ela havia passado mal na escola.
— E-eu... Sim. Estou bem melhor, obrigada!
— Ótimo! Pode ir se sentar.
Marinette sentiu-se aliviada. Passou com a cabeça baixa pela primeira carteira e sentou-se ao lado de Alya
— Você está bem? – A ruiva cochichou no seu ouvido
Marinette respirou fundo
— Sim
Olhou para frente a fim de prestar atenção na matéria. O problema foi quando Adrien virou-se e lhe cumprimentou com um sorriso.
Aiii como era difícil olhar pra ele! Ela forçou-se a fitar as íris verdes e retribuiu com um breve aceno de cabeça.
Na hora do intervalo Marinette foi rodeada pelos amigos que estavam preocupados com o seu recente mal súbito.
— Você melhorou Marinette? – Rose perguntou, mas quando a garota ia responder...
— O que você teve Marinette? – Milene também demonstrou sua preocupação
— Precisou ir para o hospital? – Agora foi a vez de Juleika
— Ei pessoal, vamos com calma nas perguntas! Um de cada vez. – Alya socorreu a amiga que já estava suando frio, pensando como iria responder a todos.
Marinette não fazia idéia de como os amigos gostavam e se preocupavam com ela. Sentiu-se acolhida e amada naquela pequena rodinha. Até os meninos estavam ali querendo saber sobre sua saúde. Ela sabia que não era apenas curiosidade, mas uma genuína preocupação.
— Eu estou bem pessoal! Muito obrigada por se preocuparem! – ela respirou fundo — O que aconteceu foi que... Tive um mal estar na escola após a aula de segunda-feira e... Ontem acordei com muita dor de cabeça, por isso não pude vir, mas não precisei de médico. Agora já estou bem!
— Que bom Marinette! – Rose a abraçou – Sentimos falta da nossa representante de turma!
Todos concordaram. Nathaniel também se aproximou e pegou na mão da amiga
— Estou feliz que esteja bem Marinette!
Ela sorriu
— Obrigada Nathaniel!
Adrien observava o grupo de longe. Ele queria se aproximar, mas ficou com medo de ser rejeitado pela garota.
Droga!
Ele ainda se sentia culpado e esse sentimento somado ao temor de uma rejeição o fez se distanciar.
O problema era sempre esse, a rejeição! Adrien sentia-se rejeitado pela mãe que o abandonara, pelo pai que não sabia lhe dar amor e se distanciava a cada dia e sentia-se rejeitado por sua amada Lady Bug, que nunca o levava a sério. A única pessoa que havia lhe dado amor sincero, estava bem ali a poucos metros de distância, mas ele havia sido idiota demais para perceber.
Rangeu os dentes quando viu Nathaniel pegar na mão de Marinette e ela sorrir pra ele.
— Tudo bem cara? – Nino aproximou-se o arrancando de seus pensamentos
— Sim, tudo – Respondeu seco
Nino acompanhou o olhar do amigo e entendeu perfeitamente seu repentino mau humor.
— Porque você não chega até lá Adrien? Afastar-se assim só vai confirmar a Marinette que você se sente culpado por alguma coisa...
— Eu sei Nino, mas... É complicado.
— Cara você precisa... Aiaiai essa não!
Adrien seguiu o olhar de Nino e ficou apreensivo.
Chloé e Sabrina haviam se aproximado do grupo e a loira com voz estridente e provocadora dirigiu-se a Marinette.
— Ora ora Dupain Cheng, finalmente voltou pra escola. Pena que continua se atrasando. Desse jeito não há boletim que agüente! – deu uma risadinha de deboche e prosseguiu — Você melhorou de seu... Mal estar? Ela frisou as últimas palavras insinuando que sabia exatamente que o motivo da falta de Marinette não havia sido aquele.
Adrien deu dois passos para frente na intenção de se aproximar do grupo. Que se dane o medo e a rejeição, ele não deixaria que Chloé continuasse a machucar Marinette. Nino o segurou pelo braço e Adrien o olhou confuso
— Você não disse que eu deveria me aproximar?
— Acho que agora seria um péssimo momento amigão...
Alya estava enfurecida pelas palavras de Chloé e se preparou para revidar, porém Marinette a impediu
— Tudo bem Alya! Eu resolvo isso.
Chloe estava de braços cruzados aguardando a resposta de Marinette às suas provocações.
Os olhos azuis da garota encararam a loira com frieza
— Eu estou muito bem Chloé e agradeço a sua... Preocupação, tanto com meu bem estar quanto com as minhas notas do boletim.
A loira ficou sem graça por um momento, mas logo voltou a atacar
— E o que houve com você queridinha? Ingeriu algo que não lhe fez bem? – Sorriu sarcástica
Marinette pensou por um momento
— Pode ser que tenha sido isso sim Chloé! Algumas coisas são intragáveis e provavelmente eu tenha tido alguma dificuldade para digerir...
— Tenho certeza que sim – Elas falavam de comida, mas só as duas, além de Alya sabiam que na realidade a coisa era outra.
— Mas não se preocupe porque já passou. Além disso, tenho amigos que me apóiam e se importam comigo. Já é o suficiente para superar qualquer coisa.
Chloé começou a se encolher involuntariamente. Ela não esperava aquele embate de palavras com a sua rival.
Marinette prosseguiu calmamente
— E sobre seus comentários do outro dia, não pude responder por que estava, digamos, em choque, mas saiba que eu sei muito bem quem eu sou! Sou filha de padeiros com muito orgulho e admiração. Isso não diminui em nada o meu valor perante ninguém. Eu não sou mimada, filhinha de papai e não tenho tudo na mão. Preciso me esforçar para conquistar meus objetivos, mas isso me faz forte para alcançá-los. Eu tenho bom caráter e procuro ajudar as pessoas e não explorá-las – Marinette deu uma rápida olhada para Sabrina – E meus amigos são verdadeiros e não comprados, portanto não sou uma pessoa digna de sua pena e nem de ninguém, pelo contrário, eu é quem me sinto penalizada daqueles que não sabem valorizar o que têm e gastam tempo precioso em fazer mal aos outros. Eu não me acho melhor do que ninguém e nem vivo em um universo paralelo onde acredito que tudo gira ao meu redor – Marinette fez uma pausa e refletiu que o que falaria a seguir tinha uma grande influência de seu amigo mascarado — E por fim, quanto aqueles que me odeiam, eu só posso lamentar! Pois perdem a oportunidade de possuir uma amizade sincera e fantástica como a minha! – Sorriu quando os amigos a aplaudiram e ovacionaram, mesmo sem entenderem o motivo de todo aquele diálogo entre as duas.
Chloé abriu a boca e fechou novamente sem palavras. Bufou e saiu pisando duro. Ninguém percebeu que seus olhos estavam marejados, apenas Sabrina, que saiu correndo atrás da amiga.
Adrien estava de boca aberta também. Nunca tinha visto Marinette falar com tanta segurança e convicção. Ela tinha literalmente acabado com a Chloé sem precisar ser agressiva, apenas dizendo boas verdades.
O loiro percebeu que Marinette segurava o pingente de gatinho que ele havia lhe dado de manhã. Enquanto ela falava, suas mãos acariciavam o objeto distraidamente. Adrien se encheu de orgulho com aquilo.
Ele teve vontade de aplaudi-la e depois beijá-la intensamente. Mas não o fez, ficou ali parado, olhando pra ela enquanto os amigos a cumprimentavam e abraçavam. Ela sorria tímida de novo como se minutos antes não tivesse se mostrado tão centrada e madura.
Ela o fez lembrar-se de Lady Bug! Sua autoconfiança, força e destreza em encarar um diálogo nada agradável com alguém que havia feito tanto mal a ela e ainda assim não perder o controle... Aquilo era incrível.
Por um momento Adrien se deixou levar... E se... Não, ele balançou a cabeça de forma inconsciente, um meio sorriso brotando dos seus lábios, seria bom demais para ser verdade.
Ao levantar os olhos encontrou com as íris azuis de Marinette. Ela o observava e quando seus olhos se encontraram perderam-se um no outro. Por alguns segundos ficaram apenas se olhando até que o sinal irritante tocou, anunciando o fim do intervalo. Ela virou-se para ouvir alguma coisa que Alya estava falando, desfazendo a troca de olhares com o loiro.
O restante do dia seguiu sua rotina dentro da normalidade. Adrien saiu da escola e foi direto para mais uma sessão de fotos, logo depois seguiu para a aula de mandarim. Chegou em casa já era noite. Jantou sozinho como de costume e subiu para seu quarto. Estava cansado, mas ansioso para fazer uma visitinha noturna.
***
Marinette já estava no quarto aquela hora. Já passava das dez da noite e ela estava concentrada em seus desenhos. Amava criar modelos diferentes e ousados. Seu sonho era ser uma famosa designer, assim como Gabriel Agreste.
Suspirou, deixando um pouco o lápis de lado e colocou as mãos para trás da cabeça, recostando na cadeira giratória. Lembrar-se de Gabriel Agreste significava lembrar-se de... Adrien.
Apesar de tê-la cumprimentado quando chegou ao colégio, depois disso não falou mais nada, nem tentou se aproximar dela...
Foi melhor assim, tentava se convencer, ela não sabia se agüentaria ficar perto dele sem romper em lágrimas e isso seria extremamente constrangedor!
Repassou em sua mente todo o seu dia. E que dia! Pela manhã, recebera aquela visita inesperada de Chat Noir com um presente tão lindo que a havia feito chorar. Logo depois uma batalha contra um dos vilões de Halk Moth ao lado do parceiro que minutos antes havia estado em seu quarto e havia provocado nela sensações que ainda precisavam ser analisadas.
Lembrou-se do momento em que esteve com ele na moto durante a batalha e sentiu um arrepio ao lembrar-se em como ficara colada ao corpo dele. Depois ele ainda a tinha encurralado com aquelas perguntas sobre o beijo...
Repetir a dose, ele dissera com voz sedutora. Um sorriso involuntário escapou de seus lábios. Ela queria? Talvez!
Fechou os olhos. Também precisava analisar isso.
Por fim, quando finalmente chegara a escola ainda teve que encarar a Chloé Borgeois! Alya havia ficado boquiaberta, com tudo que Marinette falou para a filha do prefeito.
“Amiga, que foi aquilo? Você a colocou em seu devido lugar! Nossa, nunca vi você assim!”
Marinette começou a refletir sobre aquilo. Pensava se havia sido apenas a influência de Chat Noir, a segurança que ele passava, ou se havia trazido a tona um pouco da personalidade de Lady Bug. Ela ainda tinha dificuldades para entender que Marinette era Lady Bug e Lady Bug era Marinette. Em sua cabeça quando se transformava, além de receber poderes e novas vestes, tudo em si se transformava também .
— Você está muito pensativa Marinette, o que foi?
Virou-se ao ouvir a voz de Tikki que havia saído da espreguiçadeira e flutuava na sua frente
— Pensei que você já tinha dormido Tikki!
A kuami sorriu
— Estava tentando, mas ouvi seu longo suspiro. O que foi?
Marinette lhe fez um carinho na cabeça
— Desculpe te acordar. Eu estava pensando em como foi meu dia hoje. Uma loucura!
E por causa do meu embate verbal com a Chloé fiquei pensando... O que deu em mim para falar daquele jeito sem estar com o uniforme da joaninha?
— O que você falou com a Chloé foram apenas verdades Marinette. E você a respondeu a altura sem ser grosseira como ela.
Porque acha que só conseguiria agir assim se estivesse de uniforme?
Marinette suspirou
— Não sei Tikki, me diga você... Quando eu me transformo eu assumo parte da sua personalidade ou sou apenas eu mesma?
Tikki pensou um pouco e entendeu onde a garota queria chegar com aqueles questionamentos.
— Eu sou responsável por lhe conceder os poderes Marinette e apenas isso. Lembra-se do primeiro dia em que você recebeu os miraculous? Mesmo transformada, a princípio, você teve medo! Se achou desajeitada e inadequada para a missão que lhe era confiada.
Marinette fez uma careta, jamais esqueceria aquele dia
— Tem razão! Eu surtei totalmente naquele dia! Eu só adquiri um pouco de confiança quando... – franziu o cenho e chegou a uma conclusão – Foi quando o Chat Noir conversou comigo. Ele me convenceu e me incentivou. Sua coragem e autoconfiança foram combustíveis que me impulsionaram a aceitar o desafio.
— Então você precisa considerar que se eu tivesse alguma influência em sua personalidade você não teria ficado insegura no começo não acha?
— Faz sentido Tikki.
— Essa coragem, força e ousadia de hoje são características suas Marinette! Mas você só permite que elas aflorem mais quando está com a máscara.
Marinette ficou impactada com essas palavras.Talvez com o traje e poderes da Lady Bug, ela sentia-se mais segura para ser quem realmente era... Será?
Um barulho vindo da sacada a despertou de suas conjecturas. Seu coração acelerou. Não de medo, concluiu, mas de pura expectativa.
— Se esconde Tikki. – Ela subiu a escadinha e abriu o alçapão dando de cara com Ele.
Sempre ele, não conseguia se livrar dele e estava começando a pensar que não queria isso.
— Boa noite princesa! – Chat Noir estendeu a mão e ela terminou de subir as escadas.
— Boa noite Chat! Nossa duas visitas em um dia! Estou começando a achar que sou mais querida do que sua lady!
Ele riu e puxou-a para mais perto
— Quem sabe chérrie... Afinal sou um gato abandonado pela minha dona.
— Que maldade! – Ela se desvencilhou do abraço e cruzou os braços fazendo biquinho – Só que eu não gosto de ser a segunda opção!
— Nem eu – ele disse com uma careta e emendou – Está frio aqui fora! Podemos entrar?
Ele a olhou de cima abaixo. Ela ainda não tinha colocado o pijama. Estava com uma calça larga cor de rosa e blusa de manga branca com gola alta. Os cabelos soltos que o faziam ter vontade de tocar.
Marinette sentiu mesmo o vento gelado no rosto, mas hesitou um pouco ao perceber o olhar intenso do gatuno a sua frente. Aquilo poderia ser um erro... ou não?
— Tem razão. Está frio aqui. Vamos entrar
Já no quarto Chat deitou-se na cama de Marinette colocando os braços atrás da cabeça sem constrangimento algum.
— Como foi na escola? – Perguntou tranquilamente
Ela olhou aquele corpo totalmente revestido de tecido preto bem à vontade na sua cama e pensou como iria dormir depois lembrando que ele estivera ali. Balançou a cabeça, desistindo de argumentar.
— Foi... Bem, eu acho.
— Conseguiu encarar o Agreste? – Ele achava mais fácil usar o sobrenome, dava-lhe a falsa impressão que estava falando de outra pessoa e não de si mesmo.
— Depende do que você chama de encarar Chat. – ela sentou-se na cadeira giratória – ele não se aproximou muito de mim. Cumprimentou-me com um sorriso quando cheguei, mas depois não falou mais nada. Então não tive muito o que encarar!
Nino tinha razão, pensou Chat Noir, se continuasse afastado dela seria como uma declaração de culpa. Ele realmente se sentia culpado, mas não pelos mesmos motivos que ela pensava.
— Porque você acha que ele se afastou se não sabe de nada do que aconteceu?
— Não sei... Talvez se sinta culpado mesmo pensando que eu não sei de nada.
Chat revirou os olhos. Aquele era um balaio de gato daqueles! Não gostava de mentiras, elas iam se avolumando como bola de neve.
Marinette continuou
— Alya está convicta de que tudo não passou de uma armação da Chloe. Ela me disse que vai descobrir a verdade a todo custo. Não sei de onde ela tirou essa idéia de armação!
— talvez ela tenha razão... – ele disse cauteloso – você notou se ele estava junto da Chloe hoje?
Ela pensou e realmente achou bem estranho porque os dois não haviam trocado uma palavra. Nem um olhar sequer. Depois do intervalo então, Chloé havia ficado quieta, sem sequer olhar para os lados. Uma atitude totalmente atípica partindo dela.
— Na verdade eles também estavam bem distantes... Mas ela me disse que queriam manter o relacionamento em segredo então... Talvez seja isso!
— Você acha mesmo que um relacionamento amoroso entre dois adolescentes de quinze ou dezesseis anos pode ser mantido em segredo de maneira que ninguém consiga perceber?
Marinette olhou para ele confusa. Ele sentou-se na cama e puxou a cadeira em que ela estava para mais perto.
— Princesa... É difícil manter os hormônios sobre controle nessa idade... um namoro assim é como um vulcão prestes a explodir, pouco provável que se mantenha escondido.
Ela refletiu sobre aquilo. Realmente se ela namorasse Adrien não conseguiria disfarçar seus sentimentos. Talvez não fosse ficar pulando em seu pescoço como a Chloé, mas com certeza não conseguiria ficar sem lhe dirigir um olhar apaixonado pelo menos a cada cinco minutos!
— Você tem razão Chat, mas... – ela balançou as mãos no ar – não sei o que pensar.
Ele conseguiu plantar a dúvida. Estava satisfeito.
— E como foi com a Chloé Borgeois?
— Creio que me sai bem com ela. – Marinette sorriu lembrando do diálogo com a loira — Falei tudo que estava entalado na garganta.
— Sério? – Ele fingiu surpresa – Estou impressionado!
— Você deveria estar lá para ver – contou orgulhosa – Como diz a Alya: Eu a coloquei em seu devido lugar!
— Sabia que conseguiria se sair bem dessa princesa – Ainda sentado na cama, ele apoiou os braços no joelho de Marinette que permanecia na cadeira. A conhecida necessidade de tocá-la o impulsionava a se achegar mais a ela – Você é incrível!
Em uma atitude totalmente impensada, Marinette abaixou-se na cadeira até que seus olhos ficaram frente a frente com os do loiro.
— Devo isso a você!
Ele viajou nas íris azuis, desceu o olhar para a boca rosada que carregava um sorriso agradecido.
— Posso cobrar agora? – ele murmurou, a voz enrouquecida pelo desejo latente de colar seus lábios nos de Marinette e beijá-la com volúpia.
Ela queria muito beijá-lo! Queria! Desejava! Passou a língua pelos próprios lábios involuntariamente com o pensamento.
Foi o suficiente para Chat Noir jogar todo bom senso para o alto.
Ele puxou-a da cadeira para seu colo e a beijou. Colou seus lábios aos de Marinette de forma alucinada. Invadiu a boca da garota com a língua, segurando o rosto dela com as duas mãos.
Ela correspondia o beijo com a mesma sofreguidão, por um momento louco pensou que a sensação era como voltar para casa, como se a coisa mais certa a se fazer era sentir o gosto daqueles lábios.
Chat estava com tanta saudade dela, do gosto dela que sentia cada célula do seu corpo pulsar de puro desejo.
Deixou os lábios macios para recuperar o fôlego, mas em poucos segundos a boca do mascarado já estava no pescoço de Marinette, deixando um rastro de beijos e mordidas suaves.
Ela tremia em seus braços e gemidos roucos saiam da sua boca enquanto mergulhava as duas mãos nos cabelos dourados e macios.
Chat voltou a beijar-lhe os lábios, agora de maneira mais suave, mordendo de leve o lábio inferior que agora estava vermelho pelo beijo apaixonado.
Marinette abriu os olhos e ele fitou aquele tom de azul que agora parecia um céu de primavera. Encostou sua testa na dela.
Ainda nos braços um do outro tentavam acalmar a tempestade de sentimentos que os acometera e os batimentos cardíacos descompassados.
O rosto de Marinette ganhou um tom escarlate quando caiu em si. Mas o que ela estava fazendo? Como pode beijar Chat Noir com tanta paixão se amava o Adrien? Ela se levantou rapidamente e tropeçando na cadeira por pouco não caiu no chão.
— Você está bem princesa? – Ele também havia ficado atordoado com o beijo
Ela ainda estava em choque. Tocou os próprios lábios com uma das mãos, o gosto de Chat Noir ainda estava ali e ela queria mais! Tentou agir com o mínimo de sensatez
— A-acho melhor você ir agora Chat...
Ele se levantou confuso, com a cabeça a mil e o corpo latejando. Tentou tocá-la, mas ela se afastou. Aquilo acabava com ele.
— Me desculpe chérie... — Ele não sabia o que dizer. Será que a tinha magoado de novo? O que fizera de errado dessa vez?
Marinette viu a perturbação nos olhos dele e não podia deixá-lo ir sentindo-se culpado de algo que ela também havia ansiado por fazer.
— Não precisa se desculpar por isso... Eu... Também me deixei levar. Eu queria tanto quanto você.
— Então o que houve?
Ela suspirou. As lágrimas começavam a inundar os olhos azuis
— Eu... Só acho que nós dois estamos vivendo momentos difíceis, nos sentimos rejeitados por aqueles que amamos, estamos confusos... E por isso... – ela começou a chorar. Ele não suportava vê-la assim.
Venceu a distância entre eles e a abraçou acariciando seus cabelos.
— Eu concordo que estejamos confusos e nos sentindo rejeitados, mas não acredito que o que aconteceu tenha a ver apenas com isso. E devo confessar que não me arrependo e faria tudo outra vez...
— Eu também não me arrependo – ela murmurou quase para si mesma
— Então não fique assim, senão vou pensar que você não gostou de me beijar! Isso acabaria com meu ego!
Com a cabeça apoiada no peito dele, Marinette começou a rir
— Como é que você consegue brincar em um momento desses?
— Só para ver você sorrir de novo... – Beijou-lhe o topo da cabeça – Eu já vou. Você precisa dormir!
Ele beijou-lhe novamente os lábios de forma suave
— Doce – ele tocou seu rosto, a boca ainda próxima da sua – muito doce... Boa noite princesa.
Ela não conseguiu articular nenhuma palavra. Apenas ficou olhando ele sair pela janela.
Após longos minutos Marinette conseguiu colocar o pijama para dormir.
Deitou-se na cama e gemeu de pura frustração! Os lençóis e seu travesseiro estavam com o cheiro dele!
Ela sabia que a lembrança do loiro mascarado deitado na sua cama a atormentaria a noite toda! Mais que droga Chat!
***
Fale com o autor