Miracle

29 Capítulo 29 - Connected Hearts


Notas iniciais
Capítulo gigantesco ai de presente pra vocês!
Eu me sinto... Uma brucutu taradona com esse capítulo! Mas tá ai!
É a primeira vez que descrevo um hentai propriamente, ok? Eu tentei dar o meu melhor por vocês, leitores.
Bom, para quem se interesse, eu escrevi quase o capítulo inteiro ao som de Lullaby, do Nickelback. Não sei dizer se a letra tem muita relação com os acontecimentos, mas o ritmo, acho eu, combina com o capítulo.
AH! POR FAVOR, LEIAM AS NOTAS!

Miracle


Capítulo 29 – Connected Hearts



Izaya voltou a se levantar e sentou-se sobre as coxas da garota. Olhou para os lados, parecendo insatisfeito.


– O que foi? – Ela perguntou, colocando-se sobre os cotovelos.


– Eu prefiro o meu quarto. – Reclamou estalando a língua.


Antes que Mai pudesse dizer qualquer coisa, o informante se levantou da cama e a pegou no colo.


– Vamos para o meu quarto. – Falou, indo até a porta.


Para a surpresa do moreno, ela não reclamou por estar sendo carregada ou nada do tipo. E quando estava abrindo a porta do próprio quarto, a garota apertou seus ombros com um pouco mais de força e levou seus lábios á sua bochecha. Não sabia dizer o motivo, mas aquele simples ato o excitou.


Ao entrar, trancou a porta – mesmo com só os dois no apartamento. Ainda que o cômodo estivesse tomado pelo breu, o rapaz não teve problemas para chegar à cama sem tropeçar. Ele colocou a menina sentada no meio do colchão, mas antes que fizesse o mesmo, estendeu o braço para acender o abajur no criado-mudo.


– E-espera... – Ela pediu, segurando sua blusa. – Não pode ser no escuro?


– Claro que não, com a luz acesa é mais interessante. ~


Sem mais protestos, Mai largou a camisa negra do outro, deixando que acendesse a pequena luz e revelasse seu rosto ruborizado.

Izaya voltou para se sentar na cama e se posicionou de frente e bem próximo da menor, cercando-a com suas pernas – tal como fez no dia em que pediu para ela cuidar de seus ferimentos. Não fez mais nada além de fita-la com um meio sorriso.


– Então, o que pretende fazer? – Provocou, deixando-a mais corada.


Izaya olhava atentamente para Mai; sabia que ela não tomaria nenhuma atitude, mas era interessante ver a expressão completamente perdida em seu rosto.


– Eu nã-não sei o que fazer. – Confessou, o que não era uma novidade.


– Por que não me beija? – Falou simplesmente.


Envergonhada, Mai olhou para os lados, relutante.


– Eu preciso mesmo começar? – Perguntou.


– Se não tem coragem, é só me pedir que o faça.


– Izaya... – Ela respirou fundo e o olhou. – Você poderia...


A menina não conseguiu terminar a frase, pois rapidamente o rapaz juntou seus lábios aos dela. Mai arregalou os olhos no início, mas logo os fechou, deixando que o mais velho comandasse o ato, explorando sua boca com a língua.

Aos poucos o moreno foi aprofundando mais o beijo, porém, achando que aquilo não era suficiente, puxou-a para seu colo, o que fez suas virilhas se tocarem e Mai soltar um gemido assustado. Mesmo assim o beijo não foi interrompido, os dois ainda continuaram a roçar suas línguas, até que a falta de ar os forçou a se separarem.


Mai, ofegante, tentava estabilizar a respiração; estava com a cabeça baixa e com um das mãos segurando o ombro de Izaya, que estava com a respiração levemente falha.

Antes que o rapaz fizesse qualquer coisa, a outra voltou a levantar a cabeça e o fitou; havia algo de diferente em seu olhar, uma estranha ansiedade somada à urgência, como se o que mais desejasse estivesse bem à sua frente, mas corresse o risco de desaparecer a qualquer segundo.

Ele não podia ajudar, sentia-se da mesma forma. Naquele momento desejava uma única coisa, e iria consegui-la.


Impedindo que Mai dissesse algo mais, voltou a juntar seus lábios com certa força; com uma das mãos segurava seu rosto da menina e a outra alisava suas costas por baixo da blusa, ao mesmo tempo em que ela colocava os braços em volta de seu pescoço, os aproximando mais. Enquanto aprofundava mais o beijo, Izaya começou a empurrar o corpo da menor para trás.


Logo as costas de Mai tocaram o macio colchão, com o moreno por cima de seu corpo. Novamente, separaram-se e se olharam nos olhos, porém, não conseguindo sustentar aquele olhar malicioso e desejoso do rapaz, a garota desviou-se virando o rosto para o lado. Aproveitando a chance, o informante levou os lábios até seu pescoço; lambendo, beijando e, ocasionalmente, mordendo aquela área.


Ouviu a menina gemer um pouco mais alto quando mordeu mais forte, o suficiente para deixar uma marca mais escura do que as outras. Afastou-se um pouco e inspecionou seu trabalho; sua pele clara agora estava marcada por varias manchas escuras, todas provenientes dele. E isso que Mai também era. Sua. Completa e totalmente sua. Sempre fora, desde o momento em que começou a suprir suas necessidades, ela passara a ser sua.


Assim que recuperou o fôlego, a atenção de Mai voltou para Izaya, que a encarava com um semblante malicioso. Sentiu um arrepio percorrer seu corpo e antes que perguntasse se havia algo de errado, o rapaz levou as mãos até o primeiro botão de sua blusa, abrindo-o.


– E-espera...


– Vamos, termine de tirar para mim. – Provocou.


Uma sensação estranha passou por todo o corpo da garota, sensação que não sabia dizer o que era, nem de onde vinha. Acatando ao pedido do outro, com as mãos trêmulas, a mais nova começou a desabotoar a blusa. E a cada botão aberto, expondo seu corpo, seu nervosismo aumentava cada vez mais. Talvez isso também se agravasse pelo fato de ainda estar deitada com Izaya olhando-a de cima de forma assediadora. O último botão foi aberto e, desviando seus olhos do rapaz, ela abriu a blusa, revelando seu busto, coberto agora apenas pelo sutiã.


De cima, o rapaz analisava a menina, dando atenção especial á área dos seios, sentindo-se satisfeito com o que via. Porém, queria mais, e aquela peça íntima estava atrapalhando. Incomodo que não durou muito, mesmo acanhada e sem olha-lo, Mai logo desabotoou a parte da frente da peça e a puxou junto com a blusa.

Com a retirada do pano que a tampava, ela pareceu se encolher ainda mais. Podia sentir o olhar de Izaya queimando sobre seu corpo, fazendo-a arrepiar-se. Tomando coragem, ela olhou para frente, visualizando o tronco do rapaz coberto pela blusa negra. Por algum motivo, também queria que ele a retirasse. Não tendo coragem de pedir, segurou a barra de sua blusa e puxou de leve para cima.


– Você quer me ver sem roupa, é? ~ – Riu. – Deixa que eu mesmo tiro. – Voltando a se sentar, acompanhando da garota que fez o mesmo, pegou a barra de sua blusa e, lentamente, puxou-a por cima da cabeça.


Depois que tirou a roupa e a jogou ao lado da cama voltou a olhar para Mai com um sorriso satisfeito. Ela também o encarava, seu rosto estava corado, mas Izaya percebeu algo mais; relutância.


– O que foi? Está começando a mudar de ideia? – Perguntou baixo, com os lábios próximos ao ouvido da menor. – Não precisa ficar nervosa, farei você se sentir muito bem.


Então ouviu um soluço e apenas mais outro. Sentiu Mai encostar a testa em seu ombro e deixar silenciosas lágrimas descerem.


– Desculpe, Izaya... – Ela começou. – Eu quero fazer isso, eu realmente quero, mas meu corpo e minha mente não me obedecem. Eu estou me sentindo nervosa, insegura e envergonhada. Minhas mãos não param de tremer e minha respiração falha á todo momento.


– Mai.


Izaya colocou a mão nos ombros da menina e a afastou, encarando-a. Seus olhos azuis estavam molhados pelas lagrimas e seu rosto ruborizado. Ela estava... Completamente linda.

Por impulso, juntou seus lábios e a empurrou de volta no colchão, pressionando seu corpo contra o dela.


Isso não era bom, estava começando a se perder em meio às sensações. Devia ser realmente um pedófilo tarado – como Mai dissera –, pois tudo isso que ela estava fazendo, toda essa pureza, insegurança e timidez estavam deixando-o incrivelmente excitado. E sentir algo dessa forma, por esses motivos, era algo completamente novo para ele. De todas as suas experiências passadas, essa era completamente diferente. Havia algo á mais.

E desejava que aquilo continuasse e desejava mais. Como também queria provoca-la para que sentisse essa mesma excitação por ele.


– Sabe, Mai-chan, o que está sentindo agora é perfeitamente normal. Afinal, vai ser a primeira vez que faz algo do tipo propriamente. Não se preocupe, eu tomarei conta de tudo. E quanto à vergonha... – Soltou um murmurou de deleite. – É por causa do ato em si, ou de quem está fazendo-o para você? – Seu sorriso se alargou quando ela engasgou com a pergunta. – Ah, Mai-chan, você está com vergonha de mim? Ou do que estamos prestes a fazer? ~~


– Nã-não fique dizendo coisas a-anh... – Gemeu de leve, sentindo Izaya começar a beijar seu pescoço.


Enquanto a beijava, o informante começou a deslizar a mão por todo o tronco da mais nova, sentindo-a arrepiar. Dava atenção especial aos seios e, em troca, recebia contidos gemidos da outra.

Aos poucos os beijos do rapaz foram saindo da área do pescoço e começaram a descer pelo seu corpo. E, na medida em que ia tocando em partes mais sensíveis, mais altos os gemidos ficavam.


– I-Izaya anh... – Ofegou, sentindo os lábios do outro em seus seios. – Nã-ão toque ai...


– Por que não? ~ – Riu. – Gosto de ver como você reage aos meus toques.


O rapaz estava se deliciando com os gemidos provenientes da mais nova. Estimulado por esses, uma de suas mãos desceu até a sua coxa e começou a acariciá-la. Percebendo que Mai não oferecia resistência – como da última vez –, começou a subir a mão, até chegar á sua roupa íntima, acariciando aquela região.


– An-anh! – Gemeu mais alto, se contorcendo sob as mãos do mais velho.


– Se continuar gemendo assim, Mai-chan, não vou conseguir me segurar.


– A-a culpa não é minha, vo-você é quem está fazendo essas coisas estranhas. – Respondeu ofegante, se esforçando para conseguir falar em meio às sensações tão novas que Izaya estava lhe causando.


– Ora, se não está gostando, é só me dizer que eu paro. – Provocou, aumentando as caricias.


Mai soltou mais alguns gemidos e o rapaz voltou a beija-la. Suas línguas se entrelaçavam. As mãos do informante, uma delas continuava no mesmo local, estimulando aquela área, e a outra segurava o rosto da menina, aprofundando o beijo.

A que estava embaixo do homem limitava-se apenas a arranhar suas costas e a soltar gemidos, que ficavam abafados pelo beijo.

Em meio às sensações, involuntariamente a mais nova moveu as pernas, e uma delas, que estava entre as do rapaz, pressionou sua masculinidade, fazendo-o soltar um inesperado gemido, alto o suficiente para que Mai ouvisse.


– Izaya...? – Ela olhou em dúvida para o outro, que parou com os movimentos.


– Essa... – O informante olhou para ela, ainda sorrindo e com os olhos semicerrados. — ... Me pegou desprevenido.


– ... – A menina olhou com atenção para o outro e, de repente, investiu contra ele, fazendo-o sentar-se com ela em seu colo.


– O que está fazendo? – Sorriu com certa satisfação.


– ... – Seu rosto pareceu ficar mais vermelho. – Eu quero que você sinta o mesmo que eu quando me toca.


Antes que Izaya pudesse dar uma resposta, Mai juntou seus lábios e colocou os braços em volta de seu pescoço.


Prontamente o moreno correspondeu ao beijo, um tanto impressionado com a ação repentina da menor. Estava mais do que satisfeito com o ato, afinal, queria que Mai também o tocasse, que ela o desejasse da mesma forma que ele o fazia com ela. Que, por conta própria, ela quisesse senti-lo por completo.


Com a falta de ar, o beijo cessou. Mai desviou os olhos do de Izaya e mirou seu peito nu, descendo até seu abdômen. Já tinha visto-o sem camisa antes, mas naquele momento parecia diferente. Ela parecia mais atraente e, como os humanos diziam, mais sensual. Vê-lo dessa forma a fazia se sentir diferente.


Agora que estava em seu colo, o que devia fazer para que ele se sentisse como ela momentos antes?


Apertando os olhos, Mai levou os lábios até o pescoço de Izaya, dando pequenos e tímidos beijos na região. Ouviu o rapaz soltar um murmúrio satisfeito e colocar a mão na parte de trás de sua cabeça.


– Não precisa ficar com receio, pode fazer o que quiser. – Estimulou. – Estou gostando.


A garota estremeceu por dentro, mas não se afastou. Lembrou-se do que o rapaz fizera momentos antes e, ainda que com vergonha, tentou fazer o mesmo, deixando fracas marcas em sua pele. Aos poucos foi descendo para o peito do informante, que se inclinou um pouco para trás, usando umas das mãos para se apoiar e a outra para alisar as costas da menor – ato que a desconcentrava. Desceu até seu abdômen e depois voltou a subir, sentindo que aquilo não lhe era suficiente.


Mas por quê? Por que, a cada segundo, parecia desejar mais e mais aquele homem, que um dia tanto a feriu?


A resposta era muito simples, na verdade. Porque o amava. O amava de forma tão intensa que chegava a tirar seu folego. Conseguindo perdoa-lo por tudo que lhe fizera e, chegando até, á esperar o melhor dele.

E somando seus sentimentos ao que estavam indo fazer... Resultava em estranhas e fortes sensações que sabia explicar o que eram. Seu coração parecia que ia pular para fora de seu peito.


– Izaya... – Sua voz falou. – ... Eu estou em sentindo estranha.


– O que foi? – Riu de leve. – Está ficando nervosa de novo? – Acariciou a lateral de seu tronco, fazendo-a arrepiar.


– Nã-não é isso. – Engoliu saliva, aquelas palavras tinham que sair. – É que... Sinto como se eu te quisesse cada vez mais. A cada segundo pareço te amar ainda mais!


Os olhos rubros do rapaz se arregalaram, e Mai ao notar a reação, sentiu seu rosto corar fortemente e tentou se afastar. Porém, tal ação não foi possível, pois Izaya segurou seu rosto e juntou seus lábios, colando seus corpos e forçando-a de volta para o colchão.


– Você é muito irresponsável, Mai-chan. – Sussurrou roucamente no ouvido da outra, depois de se separar do beijo. – Ficar falando esse tipo de coisa numa situação dessas para mim... É realmente perigoso. Porque agora não consigo mais me controlar. – Lambeu o lóbulo de sua orelha. – E caso queira saber, o que está sentindo agora se chama excitação; é quando temos vontade de fazer sexo com outra pessoa, que no seu caso sou eu e no meu, você. E eu estou muito excitado.


Izaya se afastou do ouvido de Mai e a olhou de cima. Ela realmente não sabia a gravidade do efeito que suas palavras estavam causando a ele.


Sua mão desceu até a saia da menina e puxou a vestimenta. Ela pareceu retrair um pouco, mas o efeito foi mais forte quando o rapaz tocou a última peça que a cobria. Porém, mesmo assim, ele a retirou lentamente, fazendo-a soltar um gemido envergonhado. No entanto, antes de parar para olha-la, começou a tirar a própria roupa que restava. Enquanto desafivelava o cinto, podia sentir o olhar de Mai sobre si.

Depois de tirar toda a roupa, voltou a se colocar sobre a garota, vislumbrando-a com satisfação; seu longo cabelo negro estava espalhado pelo travesseiro, seu rosto estava corado, contrastando com a pele clara e seu corpo... Sempre a achou atraente e não era atoa. Suas curvas eram leves e delicadas. Mas não era só fisicamente que o agradava, ela parecia emanar uma pureza e fragilidade que o estimulava ainda mais.


– Hm ~, não seja tímida, Mai-chan, pode me olhar também. – Falou ao perceber que ela desviava o olhar dele. – Quero saber se você vai apreciar a visão da mesma forma como eu estou.


Com o comentário, involuntariamente Mai tentou tampar a região dos seios com as mãos, porém o movimento foi em vão, pois o rapaz segurou seus pulsos e os prendeu contra o colchão.


– Haha, tarde demais, Mai-chan, eu já vi tudo o que queria. E devo dizer, você conseguiu superar minhas expectativas. – Sorriu com deleite. – É bom que você pode aprender as principais diferenças entre um homem e uma mulher, sim? ~


Tomando mais coragem, ela virou-se para Izaya. Aos poucos, seu olhar começou a descer pelo corpo do mais velho, analisando cada detalhe. E na medida em que seu olhar começava a explorar regiões mais baixas, chegando à masculinidade do outro, sentia-se ficar sem folego. Como, com apenas a visão do corpo do rapaz, conseguia sentir sensações tão fortes? Involuntariamente, movimentou as pernas, roçando incomodamente uma coxa na outra. Movimento que não passou despercebido por Izaya.


– Parece que meu corpo te agrada também. Você pode me tocar se quiser. – Guiou a mão da garota até seu peito e começou a descer, até chegar ao ponto que queria. Mai soltou um gemido por causa do que estava fazendo, mas não afastou a mão quando o informante retirou a dele.


Para Mai, era completamente constrangedor tocar aquela região tão intima do rapaz, mas ao mesmo tempo lhe estimulava de uma forma completamente diferente. Toda a situação, na verdade, contribuía para que sentisse isso. Os dois, daquela forma, tão expostos um para o outro, se tocando daquela forma.


– A-anh! – Ela gemeu alto, quando Izaya levou a própria mão até sua intimidade. – I-Izaya...


– Se eu não fizer isso, você vai sentir dor. – Respondeu com a voz ligeiramente ofegante. – Hmnn ~, você está fazendo um ótimo trabalho. – Provocou-a.


– ... Ahn... – Tentava se segurar, mas era difícil segurar seus gemidos. – Izaya... E-eu...


– Está se sentindo estranha e embaraçada? – Completou com a voz ofegante. – Não vejo motivos para isso. Desde que você veio para minha casa, passamos muito tempo juntos, e na maioria a sós. Até já dormimos na mesma cama mais de uma vez. Fora que você já disse várias e várias vezes que me ama. Era só questão de tempo que isso acontecesse.


– Mas você nunca disse que me ama. – Ela contrapôs, fazendo-o ficar sério.


– ... Eu não preciso.


Izaya voltou a se inclinar para beija-la e quanto fazia isso, movimentava seus dedos, fazendo Mai soltar gemidos abafados. Quando achou que aquilo já era suficiente, retirou seus dedos e mão dela de si próprio. Ela olhou para ele de forma interrogativa, e como resposta o rapaz apenas sorriu.


Mai sentiu Izaya separar suas pernas e, ainda que um pouco relutante, não ofereceu resistência. O mais velho aproximou seus corpos o suficiente para que suas intimidades se tocassem – rendendo gemidos de ambas as partes.

Assim como na primeira vez, sentiu algo pressionando sua feminilidade e aos poucos sendo preenchida, fazendo com que soltasse altos gemidos. A sensação era estranha e um pouco incomoda, porém não havia dor.


Depois de estar completamente dentro na garota, o informante não se moveu. Apenas esperou que se acostumasse.


– Como está se sentindo? – Perguntou, recebendo como resposta um gemido.


Considerando aquilo uma permissão para que continuasse, colou seus corpos e pôs-se a se mover.

Na medida em que os movimentos iam aumentando a velocidade, sentia-se sendo bombardeado por ondas intensas de prazer, a ponto de não conseguir conter sua voz. Olhava para Mai; essa gemia seu nome e arranhava suas costas, também dominada pelas prazerosas sensações.

Mesmo em meio aquilo, seus olhares não se desviavam. Azul e vermelho. Agora aquela misteriosa conexão parecia ainda mais forte, mais intensa.

Essa relação deles... Izaya nunca soube explicar o que era aquilo que se passava entre os dois, de onde vinham todos aqueles sentimentos e como chegaram a isso. Se alguém, há algumas semanas, dissesse á ele que chegariam a isso, teria rido da pessoa. Porém de tempos pra cá, era o que mais desejava. Se aquele dia em que Mai o fizera colocar seu antigo uniforme o celular não tivesse tocado bem no momento em que ia se beijar, provavelmente teriam chegado á esse ponto.


Os gemidos da garota começaram a ficar mais altos e os do rapaz já eram audíveis. A mente de Izaya estava ficando entorpecida pelo prazer. Porém não queria perder seu foco que era Mai. Olhar para ela, ver como se contorcia diante de si, do que estava fazendo, só o excitava ainda mais. Era sempre assim, a todo o momento ela o provocava de várias formas; seus sentimentos, mente e corpo, sem ter a menor noção disso. Não conseguia tira-la mais de sua cabeça. Fingir que, depois de sua partida, nunca a conhecerá. As palavras “seguir em frente sozinho” pareciam completamente absurdas.

Ele a queria, queriam alguém que pudesse acabar com toda a sua solidão, toda essa carência que o consumia. Queria ela, e só ela servia. Por mais que não quisesse admitir, desejava seu amor.



O quarto estava preenchido por gemidos, ofegos e sussurros. Os dois se moviam em sincronia, se acariciavam, trocavam beijos e, em alguns momentos, sussurravam pedidos um no ouvido do outro.

O ato ainda continuou por algum tempo e as posições até chegaram a serem trocadas. Mas no final, quando chegaram ao ápice, Izaya estava sobre Mai, que gemia seu nome, liberando todo seu prazer dentro dela.

A respiração dos dois estava descompassada e o informante ainda se mantinha sobre a garota, mirando seus nebulosos olhos. Lentamente se abaixou e finalizou com um demorado beijo entrelaçando suas línguas. Quando acabou, se retirou dela e deitou-se ao seu lado.


Mai também se virou para o lado dele, mas antes, pegou o lençol espalhado pela cama e cobriu ambos. Quando notou que o rapaz a encarava, abaixou a cabeça com o rosto corado e encostou a testa em seu peito.


Também se ajeitando debaixo do lençol, o moreno passou o braço em volta da menina e a puxou para mais próximo, sentindo sua pele suada contra dela. Estava cansado, seus membros estavam completamente relaxados, mas não queria se render ao sono.


– Ei... – Chamou com a voz rouca. – Ainda que ficar longe de mim?


– ... Não mais. – Respondeu com a voz ligeiramente trêmula. – Eu me sinto feliz perto de você.


– Então você tem uma noção distorcida de felicidade. – Ele a ajeitou melhor em seus braços, apoiando o queixo no topo de sua cabeça.


– Eu posso sentir seu coração batendo, Izaya. – Ela comentou com o ouvido pressionado contra o peito do rapaz. – Ás vezes eu me pergunto se o meu ainda bate como o deu um ser humano normal.


– Basta que bata por minha causa, que eu estarei satisfeito.


Mai não respondeu ao comentário, mas internamente confirmava o que Izaya havia lhe dito: seu coração disparara.


– Você não diz o que é, mas é melhor viver aqui ou no lugar de onde veio? – O informante perguntou depois de alguns minutos de silêncio.


– Não sei... Não tenho memorias “de onde eu vim”, na verdade.


– Nada?


– Nenhuma, apenas meu nome, minha habilidade e minha missão.


– Você se sentiu sozinha? – Ele segurou o bocejo.


– Bastante, principalmente durante a noite, quando eu ia dormir. Ter a memoria em branco é um pouco inconveniente nessas horas. Não ter ninguém ao seu lado em um mundo desconhecido é um pouco assustador. Por isso fiquei muito feliz quando percebi que, mesmo com pequenos atos, você cuidava de mim.


O moreno ainda ficou fazendo perguntas aleatórias á que estava em seus braços, pequenas curiosidades que sempre se interessou em saber e que ela nunca revelava. Porém, em dado momento, ela o interrompeu.


– Só porque eu não durmo, não precisa fazer o mesmo. Sei que está cansado.


– Estou acordado porque quero. – Respondeu, fazendo Mai soltar uma pequena risada.


– Durante essa noite, Izaya, você pode dormir tranquilamente.


Sem ter com o que mais argumentar, o informante deixou que seu corpo começasse a se perder ao cansaço; suas pálpebras se fecharam lentamente e aquele relaxante calor começou a tomar conta de seu corpo.



O quarto estava claro e fora de foco. Mai tinha certeza de que não havia dormido, mas aquela sensação de extremo conforto a embriagara tanto sua mente e corpo, que quando fechou os olhos, perdeu totalmente a noção do tempo.

Preguiçosamente se remexeu debaixo do lençol e coçou os olhos. Aos poucos sua visão foi voltando ao normal, e a primeira coisa que viu foi um par de olhos rubros e um sorriso malicioso.


– Ohayoo, Mai-chan. – O rapaz a cumprimentou. Estava deitado virado para a mesma, com o cotovelo apoiado na cama e a cabeça descansando sobre as costas da mão. – Como foi a sua noite?


Instantaneamente as memorias da noite anterior voltaram a sua mente, fazendo o rosto da menor esquentar. Desviou os olhos dos de Izaya, ato que a fez notar que os lençóis não cobriam tanto ele quanto ela da cintura para cima, o que piorou a situação. Rapidamente o puxou para cima e cobriu-se até a cabeça, como em uma tentativa de se esconder do intenso olhar do moreno.


– Não fique assim, Mai-chan. ~ – O ouviu em tom zombeteiro, enquanto acariciava sua cabeça por cima da coberta.


– ... – Tentou fechar os olhos e se acalmar, mas isso só fazia as sensações se aflorarem; o cheiro de Izaya, seu calor e o toque de sua pele sobre a dela.


– Ei, Mai. – Ele puxou o lençol de sua cabeça, revelando seu rosto. – Espero que tenha apreciado a noite tanto quanto eu. – Falou em seu ouvido. – Se bem que, do jeito que chamou meu nome, tantas e tantas vezes naquele tom manhoso, desconfio que você aproveitou bastante. – A puxou para mais próximo, juntando seus corpos.


– ...! – Não estava mais aguentando tanta provocação. – Izaya! – Tentou empurra-lo, mas o máximo que conseguiu foi empurrar a si própria para trás.


– Você é uma gracinha, Mai-chan. ~ – Ele riu.


– E-eu vou tomar banho!


Mai sentou-se na cama e puxou as cobertas todas para si, enrolando-se nelas, para finalmente se levantar e correr desajeitadamente para o banheiro.


Depois de entrar no cômodo, a mais nova respirou fundo e se desenrolou de todo aquele pano, colocando-os dobrados em cima da pia. Em seguida, com um pouco de pesar, foi para dentro do Box. Não queria perder aquela sensação boa do calor e o cheiro do outro, mas era necessário tomar um banho.

Ligou o chuveiro e se enfiou para debaixo da ducha. Enquanto deixava a água cair sobre seus longos cabelos negros, fechou os olhos e começou a se lembrar dos últimos acontecimentos. Eles realmente tinha feito... Aquilo. Fizeram a noite inteira de forma lenta e, até, amorosa. Foram muitas sensações e sentimentos misturados; Carinho, excitação, afeto e prazer... Sua mente rodopiava com tudo isso. E, não podia negar, foi realmente bom fazê-lo com Izaya.


Era como o informante havia dito? Com o que fizeram, criaram uma intimidade ainda maior?


Soltou um longo suspiro, porém engasgou no meio do caminho ao sentir dois braços rodeado sua cintura.


– Izaya...? – Sussurrou.


– Não precisa ficar assustada. – Falou, passando os lábios pelo pescoço da menina.


– E-espera. – Estava se perdendo em meio as sensações novamente, na medida em que o rapaz a tocava.


– É só você relaxar o corpo. – Murmurou em seu ouvido, enquanto a virava para ele. – Se for sentir algo de diferente da última vez, será para melhor. – Comentou com malícia.


Antes que ela dissesse algo mais, Izaya segurou seu rosto e juntou seus lábios, ao mesmo tempo em que pressionava seu corpo contra o dela.

O rapaz se separou dos lábios de Mai e começou a beijar seu pescoço. Aos poucos a garota pode senti-lo descer pelo seu corpo; seus lábios e língua exploravam sem pudor, novamente, o delicado corpo da menor. Ela arfava debaixo do chuveiro e sussurrava o nome do rapaz, até que o sentiu chegar a determinado ponto que a fez colocar as mãos em seus ombros e afasta-lo.


– Espera. – Ela pediu, seu rosto estava em chamas e os olhos ligeiramente arregalados. – Ai não...


– Por que não? – Ele perguntou, estreitando os olhos com malícia.


– Porque ai não é lugar de se colocar a boca ou a... Língua.


– Bom – Ele riu. –, em situações normais, não. No entanto, esse é uma situação particularmente especial, não acha?


– Ma-mas... – Ela tentou arranjar um argumento para fazê-lo desistir de fazer aquilo, porém nada passava em sua cabeça.


– Não se preocupe, você vai sentir algo, no mínimo, agradável. – Sorriu, enquanto massageava a parte interna das coxas da garota, separando-as de leve.


Soltando um baixo gemido, ela fechou os olhos e deixou que Izaya continuasse com o que queria. Logo seus gemidos e ofegos ficaram mais altos. E assim se seguiu até que o banheiro fosse preenchido pelo mesmo clima e sons que impregnaram o quarto na noite anterior.

No final, os dois estavam ofegantes e tentavam estabilizar suas respirações para, enfim, tomarem banho.



A porta do banheiro se abriu, deixando escapar todo o vapor que se acumulara do lado dentro. A primeira a sair foi Mai, com a toalha cobrindo-a dos ombros para baixo e com o rosto corado. Em seguida Izaya, com o pano enrolado na cintura e um sorriso satisfeito.


– E-eu vou lá para o quarto me trocar. – Ela avisou sem olha-lo, saindo do quarto.


Não demorou muito, a garota voltou para onde o moreno estava, e ao abrir a porta, ambos tiveram uma pequena surpresa com as vestimentas um do outro. Mai, por algum motivo, usava um uniforme de colegial no estilo marinheira, negro e com detalhes brancos, inclusive o lenço. Porém esse parecia ser um modelo mais antigo; era inteiriço, como um vestido, suas mangas eram longas e o comprimento da barra da saia era maior, ainda que estivesse acima dos joelhos. E, para completar o modelo, ela usava meias negras que cobriam completamente suas pernas.

Já Izaya, esse ainda mantinha a calça jeans escura, porém sua blusa negra de gola em “V” havia sido trocada por uma blusa social de mangas compridas da mesma cor; estava para fora da calça e com os primeiros botões abertos.


Sentado da cama, o rapaz encarava a outra com o mesmo sorriso satisfeito de momentos antes.


– Hm ~, Mai-chan, onde arranjou essa roupa?


– Eu acho que... – Ela puxou um pouco uma das pregas da saia. – Que era da Namie na época de estudante. – Respondeu, olhando para o chão, mesmo quisesse apreciar a figura do informante.


– E você, gostou da minha roupa? – Perguntou, já percebendo o que se passava com a outra.


– Ficou... Ficou muito bem em você, Izaya.


– Então acha que fiquei atraente nela? – Brincou. – Porque eu acho que você ficou ainda mais atraente nessa roupa. Não consigo parar de olhá-la.


Mai levantou a cabeça e se virou para o rapaz com os olhos arregalados e rosto ruborizado.


– Para de ficar dizendo coisas assim! – Reclamou. – Eu já estou me sentindo de envergonhada sem você dizer nada.


– Envergonhada? Pelo que? – Incitou.


– Nada... – Ela olhou para os lados, esfregando os braços com as mãos. – Por que está tão frio aqui?


– Porque eu abri a janela para arejar o ar. – Respondeu.


– Ah, certo. – Ela assentiu.


Por um momento, sem saber bem o que fazer, o olhar de Mai viajou por todo o quarto, até voltar ao rosto do rapaz.


– Seu cabelo está todo molhado. – Ela observou. – Assim vai pegar uma gripe. – Comentou, se aproximando da cama e pegando a toalha que estava ao lado do rapaz. – Deixa que eu o seco.


Sem esperar uma resposta do moreno, Mai colocou a toalha sobre a cabeça do mesmo, tampando sua visão, e pôs-se a secá-lo.

Nos primeiros momentos Izaya não disse nada, porém um pouco antes da mais nova terminar o trabalho, ele levantou a ponta de toalha que bloqueava a visão de um seus dos olhos e a fitou.


– O-o que foi? – Ela perguntou.


– Tem algo de errado com você. – Afirmou. – Parece um pouco nervosa.


– Por que acha isso? – Sentia sua própria voz tremer.


– ... – Ao invés de dizer algo, ele simplesmente se levantou da cama, fazendo a outra dar um passo para trás. – O seu cabeço também está molhado. Senta no meio da cama, enquanto eu pego uma toalha seca.


– Certo. – Sem saber muito bem porque no meio da cama, ela assentiu, indo para onde lhe foi mandado.


Quando o informante voltou do banheiro, ele também foi até a cama e sentou-se de frente para a outra, cercando-a com as pernas. O rapaz colocou a toalha macia sobre a cabeça da menina e começou a secar seu cabelo. E a media em que o fazia, notou que Mai se encolhia no lugar.


– Ei, o que... – Ele tentou tirar a toalha para olha-la nos olhos, porém ela a segurou.


– Não! Que dizer... – Mai soltou um murmúrio de quem tenta em vão achar as palavras certas. – Eu só... Eu estou apenas um pouco constrangida, só isso!


– Constrangida?


– É... Por isso estou nervosa. – Puxou a toalha de cima de sua cabeça, revelando seu rosto corado. – Eu estou me sentindo estranha. Estranha em relação a você.


– É mesmo? – O rapaz sorriu e levou a mão até o rosto da garota, acariciando-a. – Será que está sentindo isso porque se arrepende de ter feito sexo comigo?


A simples menção da palavra sexo fez o rosto da outra esquentar ainda mais.


– Não é isso, Izaya. – Tentou sorrir sem que seus lábios tremessem. – Na verdade, é bem o contrario. Por ter gostado tanto é que eu me sinto assim. Agora, toda vez que te olho, sinto algo a mais. – Ela riu sem graça. – Acho que me sinto mais próxima de você, e junto com isso, mais apaixonada. Apesar de que, alguns detalhes desses acontecimentos me deixam meio envergonhada.


Mai olhou para Izaya, sentindo um arrepio aos perceber que esse a encarava com um sorriso, de certa forma, gentil. Porém, quando esse a percebeu, mudou o sorriso para um malicioso.


– Que dizer, Mai-chan, que você tem vergonha de fazer sexo comigo?


– Pare de ficar dizendo isso!


– Por quê? ~ Já fizemos isso três vezes e uma delas foi até no chuveiro. ~ Não achou bom o que eu fiz pra você àquela hora?


– Já disse pra parar! – Levantou as mãos em protesto.


– Não entendo porque está irritada. – Segurou os pulsos da menina, puxando-a para mais perto. – Você deveria era se sentir muito lisonjeada. – Seu tom ficou mais rouco. – Você é a primeira pessoa com quem gostei tanto de fazer isso a ponto de querer repetir outras e outras vezes.


– ... – O rosto da menor estava em chamas e mal aguentava olhar para o rapaz. Tentou desviar os olhos dos dele, mas a única coisa que conseguiu foi fitar seu pescoço e perceber as leves marcas que fizera na noite anterior, fato que não passou despercebido pelo o outro.


– Viu? Até permiti que deixasse algumas marcas.


– Você...


– Eu...?


– Você é um velho pervertido e pedófilo que gosta de assediar colegiais. – Foi a única coisa que conseguiu dizer.


– O que? – Ele perguntou humorado.


– Isso mesmo o que ouviu. – Respondeu emburrada.


– Ah, Mai-chan, não queria te deixar irritada. ~ – Tentou se desculpar enquanto ria.


– ... – Sua expressão aos poucos foi suavizando e ela se soltou das mãos do rapaz, que haviam relaxado, voltando a se sentar. – Ei, Izaya.


– Sim? ~


– Lembra-se do que me perguntou noite passada? Sobre eu me sentir sozinha? – O informante assentiu, parando de rir. – E quanto a você, se sente sozinho?


– ... – O olhar de Izaya pareceu perder o foco, seu sorriso agora era uma linha inexpressiva. Inconscientemente levou a mão até uma mecha do cabelo negro da menina. – Por que quer saber?


– Porque eu me preocupo com seus sentimentos.


– Eu me sentia. – Ele não olhava para Mai, sua atenção parecia toda focada na mecha entre seus dedos. – Eu sempre me senti sozinho. Só que ao mesmo tempo confortável. Se isolar emocionalmente das pessoas, de certo ponto, é extremamente vantajoso. Você fica em uma posição confortável e segura, acima dos sentimentos alheios, suas estabilidade emocional não depende de ninguém, apenas de si mesmo. Você nunca é traído ou se decepciona. Eu vejo essa forma de viver como uma estratégia de sobrevivência, no entanto, possui suas desvantagens. E a solidão é a principal delas. Esse é um sentimento sufocante e, ás vezes, enlouquecedor. Uma carência que nunca passa... Só que esse é o preço que se paga para manter seus sentimentos á salvo e se mantes acima dos outros.


– Mas você não acha que é um preço muito alto á pagar? – Ela perguntou. – Vale mesmo á pena? – Insistiu, finalmente fazendo o moreno encará-la.


– Uma vez. – Respondeu. – Uma única vez não valeu á pena me isolar de alguém. Só que quanto mais desejamos nos envolver com alguém, maiores são as chances de sair ferido.


– Mas Iza...


A fala de Mai foi interrompida pelos lábios do rapaz que se juntaram aos dela. Ambos se movimentavam em sincronia e, aos poucos, o corpo de Izaya começou a escorregar no travesseiro até ficar deitado com Mai sobre si.


– Essa é uma boa posição, não? – Comentou, rindo de leve.


– Espera um pouco. – Ela tentou, antes que juntasse novamente seus lábios.


– O que foi?


– Que quero te dizer uma coisa.


– Então diga.


– Eu posso... – Ela colocou a mão sobre a dele, que ainda segurava seu rosto. – Eu posso fazer você feliz? Se eu conseguir acabar com sua solidão, vou estar te trazendo um pouco de felicidade?


– Ahn? – Ele olhou atentamente para o rosto de Mai, com os olhos ligeiramente arregalados.


– E eu também queria pedir algo. – Continuou, abaixando a cabeça, deixando que sua franja tampasse seus olhos e parte do rosto. – Não é uma condição, apenas um pedido. Mesmo que você não queira atendê-lo, não vou voltar atrás com o que eu disse. – Respirou fundo. – Só por hoje, Izaya, podemos fingir que somos um casal?


Um longo silêncio se estabeleceu sobre o quarto e Mai, sem coragem de levantar a cabeça. Não sabia qual havia sido a reação de Izaya.


– Desculpe. – Ela disse sem saber bem o porquê– Desculpe e... Ah! – Ela assustou de leve ao sentir o rapaz voltando a se sentar, fazendo com que seu rosto fosse pressionado contra o peito do outro.


Juntando coragem, a garota levantou a cabeça para encara-lo; o rosto do informante estava inexpressivo, mas seus olhos demonstravam... Tristeza?


– Izaya?


– Tudo bem. – Respondeu fechando os olhos. – Aceito o que você disse, os dois.


– Sério? – Os olhos azuis da menina brilharam. – Prometo não decepciona-lo!


– Já que é assim, eu tenho duas perguntas pra você. – Voltou a abrir os olhos, mas já com sua personalidade zombeteira de volta. – Primeiro: como exatamente pretende me fazer feliz? E, segundo: você sabe o que significa ser um casal?


– Bom... – Sua voz vacilou.


–Vai ser bem divertido ver você tentando, Mai-chan. ~ Já tem algo em mente?


– Na verdade... Não. – Respondeu, fazendo o outro soltar uma risada.


– Tudo bem, então eu começo. – Olhou para baixo e depois voltou para Mai. – Mas é realmente uma pena sairmos dessa posição, está tão confortável.


Por causa do comentário, a menor então notou como eles estavam; Izaya, que já havia voltado a relaxar o corpo sobre os travesseiros, estava com as mãos nas costas de Mai, que estava praticamente deitada sobre o rapaz, com o corpo pressionado contra o dele.

Era, no mínimo, uma posição embaraçosa.


–Bom, eu tenho algo em mente, mas acho que isso pode esperar um pouco. – Ele comentou. – Você não concorda?


Em questão de segundos, sem que Mai pudesse reagir, as posições foram invertidas.


– E-ei! – Ela tentou empurra-lo. – Espera!


– Mas não foi agradável da última vez? – Perguntou, lambendo os lábios.


– É sério, Izaya. – Sentiu seu rosto ficar completamente vermelho e aquele costumeiro nervosismo que sentira nas últimas duas vezes estava voltando. Sem saber o que fazer, simplesmente cobriu seu rosto com as próprias mãos.


Por alguns segundos, Mai não sentiu o rapaz fazer nada consigo, até que o ouviu soltar uma alta risada.


– O-o que foi? – Ela espiou por entre os dedos.


– É desse jeito que pretende me impedir de fazer com você o que eu quiser? ~ Devo dizer que não vai adiantar muito. Mas agora fiquei curioso, o que feria se eu resolvesse te atacar?


– ... – Ela não tinha resposta. – Isso, vou repetir, é assédio! E pelo que li, você pode ser preso por fazer isso com alguém tão nova como eu! – Foi o único xingamento que conseguiu dizer, porém o suficiente para fazer o rapaz se afastar rindo escandalosamente de novo.


– Você é simplesmente hilária, Mai-chan! – Se ajeitou sobre a cama, ficando sentado na beirada.


A garota olhou irritada para ele e também se sentou ao seu lado na cama.


– A nossa “diferença de idade” te incomoda tanto assim? Achei que isso fosse apenas um conceito social que provavelmente você não assimilaria como útil.


– Não é a diferença em si, está mais para a diferença do que vocês chamam de maturidade e conhecimento.


– Ou seja, o fato de eu ser um homem adulto e experiente e você uma garotinha inocente?


– Talvez...


– Um adulto experiente e atraente, devo acrescentar.


– Com um ego inflado, devo acrescentar. – Ela reclamou mais baixo. – Podemos mudar de assunto?


– Mas sabe... – Ignorou o comentário e pedido da outra. Era divertido falar sobre esse tipo de coisa com ela. Era interessante ver como ela reagia ao seu, como ela disse, assédio e brincar sobre esse assunto. – Penso que seria bem interessante se, algum dia, você resolvesse me atacar.


Izaya olhou atentamente para Mai e, com isso, seu sorriso fino foi se alargando. A expressão no rosto da menina era simplesmente impagável; uma mistura de surpresa, vergonha e espanto. Teve que usar toda a sua força de vontade para não soltar uma risada histérica, pois queria uma resposta dela, e não a teria se Mai achasse que ele estava apenas brincando.


– E d-de que forma isso seria possível? – Ela perguntou com cuidado. – Você é maior e mais forte.


– Ah, é muito simples, Mai-chan, é só me pegar desprevenido.


– ...


“Ela estava realmente pensando no assunto?”, Izaya se perguntou. Ah, como seria interessante vê-la tentando algo e, até, obtendo êxito. Porém duvidava que isso acontecesse.


– Bom, Mai, está muito divertido deixa-la constrangida, mas acho que dispersamos um pouco do assunto principal.


– É verdade! Você disse que tinha algo em mente. – Ela comentou, ajeitando a fita do uniforme.


– E tenho. – Se levantou. – Será que você consegue, mesmo que lentamente, andar por aí?


– Com um pouco de dificuldade, mas sim. O que tem em mente?


– Logo você saberá. – Respondeu, pegando seu sobretudo que estava pendurado na cabeceira da cama. – Pegue o meu casaco lá no seu quarto e desça para o andar de baixo.


Como havia falado, trajando seu agasalho felpudo, Mai estava em pé no andar de baixo junto do rapaz.


– Podemos levar o Kuro? – Ela perguntou, já com o animal no colo.


– Infelizmente, não.


– Que pena... – Ela o deixou no sofá. – Tchauzinho, Kuro. – Ela acenou para o gato sorrindo como uma criança.


– Vamos?


– Vamos, mas... – Ela olhou para o rapaz. – Será que eu posso segurar no seu braço para me apoiar?


– Tudo bem... – Izaya soltou um suspiro, enquanto a garota se segurava em seu braço, da mesma forma que fizera quando tiraram aquela foto vestidos de colegiais.


– Agora podemos ir. – Ela avisou mais segura.


Juntos os dois foram até a porta e saíram. Porém, quando deram o primeiro passo para fora do escritório, Mai parou e olhou por cima do ombro. O mais velho a olhou e notou que seus olhos se escureceram, pareciam pesados, e ela também não sorria.


– O que foi? – Perguntou.


– Nada. – Ela voltou-se novamente para frente e fitou o chão.


Izaya sabia que ela estava se sentindo triste. E não podia negar, ele também. Da mesma forma que Mai não queria dizer o motivo de ter olhado para o escritório, local que ela considerava como sua casa, com os olhos pesados de saudade, ele não queria dizer á ela que assim que pisou fora daquele lugar, sentiu que voltaria sozinho.


Fim do capítulo 29.


Notas finais
Entãããooo? O que acharam? Me digam tudo, gente, quero saber se escrevi bem.
Bom, agora vamos falar um pouco mais sério. Esse é o penúltimo capítulo de Miracle, e para não deixar tudo o que tenho pra falar pro último, vou dividir as notas em 2.
A história está acabando, mas como eu já citei antes, tenho algumas surpresinhas. Vou revelar a maioria delas agora.
Como eu sou uma pessoa que tem muitas coisas para fazer, mas uma mente muito desocupada, sempre me pego imaginando muitas e muitas coisas, afinal, sou uma amante das letras. Depois que a fic acabar, estou querendo (lê-se: decidida) postar alguns extras de Miracle. E alguns deles vão ser baseados nos alter-egos do Izaya. Pensei em me basear no que o autor e fãs fizeram e criar alter-egos pra Mai e tudo mais, de forma que combinem com os do Izaya. Já imaginei muitas coisas, e vou fazer um capítulo único para o Roppi, Hibiya e Psyche. E, provavelmente, serão longos, mas espero que gostem. Caso vocês não conheçam bem eles ou algum em especial, vou fazer uma descrição da personalidade e postar uma imagem de cada, ok? Ah, e vai ser em terceira pessoa, porém apenas no ponto de vista do alter do Izaya.
E, por causa do capítulo Uniform (que a Mai faz o Izaya vestir o uniforme dele), também me deu uma intensa vontade de fazer um capítulo extra do Izaya na época do colegial junto com a Mai. Vai ser em Izayas POV, pois eu sempre quis fazer um capítulo com ele narrando. Eu também queria fazer um com a Mai, mas provavelmente ia sair uma coisa beeem sem noção, conhecendo a personalidade e ponto de vista dela.
Acho que por enquanto é só isso. Tenho mais coisas pra falar, mas vou acabar dando Spoiler.
Até o último capítulo de Miracle!
Ah, aqui vai mais um desenho da Mai.
http://s796.photobucket.com/albums/yy249/camilalove16/?action=view&current=GothicLolitaMai-1.jpg
Eu sempre achei que ela faz mais o estilo Gótica Lolita. Eu sempre a imagino usando roupas escuras.
Comentem bastante! No último capítulo recebi 8 reviews e isso me deixou muuito feliz (e nem todos foram de ódio!)